{"id":17843,"date":"2018-01-29T20:16:42","date_gmt":"2018-01-29T22:16:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=17843"},"modified":"2018-01-30T11:06:35","modified_gmt":"2018-01-30T13:06:35","slug":"rodger-rogerio-74-anos-de-um-mestre-da-cultura-do-melhor-do-ceara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/01\/29\/rodger-rogerio-74-anos-de-um-mestre-da-cultura-do-melhor-do-ceara\/","title":{"rendered":"Rodger Rog\u00e9rio: 74 anos de um mestre da cultura, do melhor do Cear\u00e1"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_17844\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17844\" class=\"wp-image-17844 size-large\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7775-740x987.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"987\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7775-740x987.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7775-300x400.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7775-768x1024.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7775-120x160.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-17844\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Gerardo Barbosa Filho<\/p><\/div>\n<p><strong>Por Dalwton Moura<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><!--more-->Em uma semana em que os brasileiros discutiram com quantas &#8220;convic\u00e7\u00f5es&#8221; se faz uma condena\u00e7\u00e3o \u00e0s pressas e \u00e0 for\u00e7a, em que os cearenses se despediram do sorriso e da prosa de Seu Juarez e choraram a morte de tantos em um crime t\u00e3o chocante quanto covarde, dif\u00edcil buscar for\u00e7as para seguir. Quem diria que um exemplo de resist\u00eancia, amizade, talento, esperan\u00e7a, beleza, coletividade, do que h\u00e1 de melhor neste mesmo Cear\u00e1, viria nestes mesmos dias de chuva, tristeza e desalento?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Pois para os que lotaram no come\u00e7o da noite deste domingo, 28, o Cantinho do Frango, na sua simplicidade um verdadeiro &#8220;cantinho&#8221; da mem\u00f3ria e do presente da m\u00fasica de Fortaleza, assumindo o bast\u00e3o de espa\u00e7os como o Cais Bar e o The Wall, a semana se encerrou um pouco mais leve e esperan\u00e7osa. Em clima de orgulho de ser do Cear\u00e1. De renovar for\u00e7as pra continuar e compromisso para perseguir o sonho. A utopia de fazer valer o simples direito de todos, em todos os bairros da cidade partida e esfacelada, poderem um dia desfrutar a paz, a arte, o encontro, o conhecer-se e o reconhecer-se.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O bardo Rodger Rog\u00e9rio, compositor e int\u00e9rprete original\u00edssimo, no auge da verve de seu canto, sua presen\u00e7a c\u00eanica, sua for\u00e7a dram\u00e1tica, chegou neste domingo aos 74 anos e achou por bem comemorar junto aos que mais ama: os amigos m\u00fasicos e o p\u00fablico. E o espa\u00e7o ficou pequeno para tanta m\u00fasica, tantos amores. Irm\u00e3o, filhas, parceiros de composi\u00e7\u00e3o, espectadores fieis e at\u00e9 o pequeno sobrinho Jo\u00e3o Franco, de oito anos de idade, que arrancou muitos aplausos ao cantar tr\u00eas can\u00e7\u00f5es e mostrar que o cl\u00e3 musical dos Rog\u00e9rio j\u00e1 tem um novo e poderoso cantor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">&#8220;O nosso amor \u00e9 um escuro bar&#8230;&#8221;. Como no tango escrito por Rodger e Fausto Nilo sob os tempos de uma outra ditadura, can\u00e7\u00f5es e vozes se revezaram na luz difusa do espa\u00e7o de shows do Cantinho, em cujas estantes de LPs est\u00e1 o velho &#8211; e t\u00e3o novo! &#8211; <strong>Meu Corpo, Minha Embalagem, Todo Gasto na Viagem<\/strong>, mais conhecido por <strong>Pessoal do Cear\u00e1<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-17845\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7792-300x400.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7792-300x400.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7792-768x1024.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7792-740x987.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7792-120x160.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/>O disco que Rodger lan\u00e7ou em 1973 com Teti e Ednardo e que entraria para a hist\u00f3ria como um marco daquela gera\u00e7\u00e3o que &#8220;n\u00e3o teve movimento, n\u00e3o teve manifesto. Teve era muita gente talentosa, cada um a seu modo. Cada artista era diferente e tinha sua pr\u00f3pria caracter\u00edstica&#8221;, ressaltou Fausto Nilo, um dos que se somaram a Rodger no domingo aberto com can\u00e7\u00f5es letradas pelo arquiteto cearense. <em><strong>Retrato marrom<\/strong><\/em>\u00a0(de Rodger e Fausto), <em><strong>Barco de cristal<\/strong><\/em>\u00a0(Rodger\/ Fausto\/ Clodo), <em><strong>Lua do Leblon<\/strong><\/em>\u00a0(Fausto\/ Lisieux Costa)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Dos cl\u00e1ssicos de Rodger ao &#8220;Encontro dos Gatos&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Ladeado pela guitarra de Mimi Rocha e pelo teclado de Herlon Robson, Rodger Rog\u00e9rio impressionava pela interpreta\u00e7\u00e3o cada vez mais original, pessoal e vigorosa. <em><strong>Ch\u00e3o sagrado<\/strong><\/em>, faixa-t\u00edtulo do LP de Roger e Teti de 1975, parceria com Belchior, ganhou uma releitura poderosa, sob muitos, muitos aplausos, em um Brasil que ainda n\u00e3o &#8220;conhece o Nordeste, n\u00e3o palmilhou seu ch\u00e3o sagrado&#8221;.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">E mesmo para quem considera j\u00e1 ter ouvido todas as vers\u00f5es e recria\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para o cl\u00e1ssico <em><strong>Mucuripe<\/strong><\/em>, de Belchior e Fagner, Rodger provou que, sim, ainda h\u00e1 novos caminhos a intuir, descobrir, realizar nessa can\u00e7\u00e3o. Simplesmente de impressionar!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><em><strong>Velha roupa colorida<\/strong><\/em>\u00a0veio com as cores mais roqueiras do &#8220;Belchior com ele mesmo&#8221;, como definiu Rodger, que passou pelo <em><strong>Tango malevo<\/strong><\/em>, de Rodger e Luciano Maia, antes de lembrar os amigos Francis e St\u00e9lio Vale, esquecendo trechinhos da letra mas cantando lindamente o bolero <em><strong>Apaixonadamente<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">E &#8220;<em><strong>Lupisc\u00ednica<\/strong><\/em>, que \u00e9 sempre uma briga, n\u00e9?&#8221;, brincou antes de interpretar o cl\u00e1ssico de Petr\u00facio Maia e Augusto Pontes. Mais nomes da gera\u00e7\u00e3o que se tornaria conhecida por &#8220;Pessoal do Cear\u00e1&#8221; que j\u00e1 se despediram, mas estavam t\u00e3o bem representados na noite, ao lado de m\u00fasicos de diferentes idades, mas um interesse em comum pela obra e pela figura de Rodger.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-17846\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7779-300x295.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"295\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7779-300x295.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7779-768x756.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7779-740x728.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/01\/IMG_7779-120x118.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Entre amigos como Chico Pio, Alano Freitas, Flavio Torres, Caio Silvio, S\u00e9rgio Pinheiro, S\u00e9rgio Redes, Moacir Bed\u00ea, Roberto Fl\u00e1vio, Richell Martins e tantos outros, Rodger homenageou o &#8220;Clube dos Gatos&#8221;, a reuni\u00e3o quinzenal, no Cantinho, dos int\u00e9rpretes e violonistas amantes das eternas can\u00e7\u00f5es brasileiras, ao incluir no show &#8220;m\u00fasicas aprendidas na inf\u00e2ncia e que ainda sei a letra&#8221;. De <em><strong>Only you<\/strong><\/em>\u00a0a <em><strong>Tu me acostumbraste<\/strong><\/em>. De <em><strong>Molambo<\/strong><\/em> a <em><strong>Nada al\u00e9m<\/strong><\/em>. De <em><strong>Nunca<\/strong><\/em>\u00a0a <em><strong>Nem eu<\/strong><\/em>. Fica a deixa para um poss\u00edvel novo projeto, diante de tanta qualidade ao revisitar essa prol\u00edfica mem\u00f3ria musical.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Vitoriano, Humberto, Groove, Rog\u00e9rio, Ricardo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Espa\u00e7o aberto ent\u00e3o para alguns dos muitos convidados da festa compartirem com Rodger o palco e as can\u00e7\u00f5es. Vitoriano em &#8220;Quando voc\u00ea me pergunta&#8221;, anunciando &#8220;Rodger \u00e9 melhor que Cauby! Melhor que Altemar!&#8221;. Humberto Pinho dividiu os vocais na bel\u00edssima &#8220;Falando da vida&#8221;, de Rodger e Ded\u00e9 Evangelista (infelizmente, aus\u00eancia na noite) e destacou a import\u00e2ncia de Rog\u00e9rio para a m\u00fasica e para os m\u00fasicos do Cear\u00e1. &#8220;Uma pessoa boa, leve, t\u00e3o querida por todos, por isso tanto amor aqui hoje&#8221;.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Rodger recebeu Rog\u00e9rio Franco cantando &#8220;Uma can\u00e7\u00e3o a mais&#8221; e surpreendeu Ricardo Bezerra, autor de cl\u00e1ssicos como &#8220;Cavalo-ferro&#8221;, ao convid\u00e1-lo para cantar &#8220;Pregui\u00e7a&#8221;. &#8220;Essa \u00e9 a \u00fanica can\u00e7\u00e3o em que a letra \u00e9 minha e a m\u00fasica de outra pessoa, do Ricardo. Fala de um sentimento que \u00e9 muito meu&#8221;, revelou, sob risos de concord\u00e2ncia. Daniel Groove, outro representante do novo pessoal, chegado do Bloco Iracema Bode Beat, ainda teve tempo de dividir com Rodger os vocais em &#8220;Na ponta do l\u00e1pis&#8221;, com direito a nova sauda\u00e7\u00e3o ao mestre. Para aplausos de p\u00e9, de s\u00faditos felizes e privilegiados!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Novos discos: Rodger 7.4<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m de um show inesquec\u00edvel, alguns dos convidados tamb\u00e9m receberam como presente o novo disco de Rodger, uma colet\u00e2nea de suas participa\u00e7\u00f5es em \u00e1lbuns de outros compositores e projetos especiais. S\u00e3o nada menos do que 16 faixas, dando uma pista de quanto material ainda h\u00e1 por ser melhor descoberto pelo p\u00fablico, na vasta obra desse grande artista, seja como compositor, seja como int\u00e9rprete.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 ainda o projeto de um novo e aguardado disco de in\u00e9ditas. Como ele mesmo diz, aos 74 anos, &#8220;o Negro est\u00e1 in-su-por-t\u00e1-vel!&#8221;. Que novas grava\u00e7\u00f5es e apresenta\u00e7\u00f5es venham o mais breve.\u00a0\u00a0Em tempos de spotify, deezer e outros quetais, ouvir Rodger Rog\u00e9rio ao vivo, na penumbra de um cantinho da esquina predileta, est\u00e1 cada vez melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dalwton Moura<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":17846,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17843","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17843"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17843\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17848,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17843\/revisions\/17848"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}