{"id":18032,"date":"2018-02-14T17:14:44","date_gmt":"2018-02-14T19:14:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=18032"},"modified":"2018-02-18T11:23:23","modified_gmt":"2018-02-18T14:23:23","slug":"100-anos-de-jacob-do-bandolim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/02\/14\/100-anos-de-jacob-do-bandolim\/","title":{"rendered":"100 anos de Jacob do Bandolim"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-18033\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/02\/maxresdefault-740x416.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"416\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/02\/maxresdefault-740x416.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/02\/maxresdefault-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/02\/maxresdefault-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/02\/maxresdefault-120x68.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/02\/maxresdefault.jpg 1280w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p>Sabe aquela sensa\u00e7\u00e3o chata de uma mosca rondando perto do ouvido quando voc\u00ea quer dormir? Pra piorar, quando voc\u00ea acende a luz pra localizar a bandida, quase nunca a encontra. Basta voltar ao escuro, que aquele som agudo volta a rondar seu ju\u00edzo. Curiosamente, foi esse som que inspirou uma valsa composta em 1962 por <span style=\"color: #800080\"><strong>Jacob do Bandolim<\/strong><\/span>. Com um volume enorme de notas tocadas de forma veloz e cadenciadamente, o <strong><em>Voo da Mosca<\/em><\/strong> ainda \u00e9 uma valsa que s\u00f3 os instrumentistas mais experientes \u2013 ou audaciosos \u2013 t\u00eam coragem de encarar.<!--more--><\/p>\n<p>A valsa, que chega a desenhar um sobe e desce constante, tal qual o voo daquele bichinho insistente, \u00e9 mais uma mostra da capacidade de Jacob Pick Bittencourt como compositor e instrumentista. Filho do capixaba Francisco Gomes Bittencourt com a polonesa Raquel Pick, ele nasceu em 14 de fevereiro de 1918, no n\u00famero 97 da rua Joaquim Silva, Lapa, Rio de Janeiro. Pr\u00f3ximo \u00e0 janela de casa, ele costumava ouvir um vizinho cego tocando violino. Impressionado, tentou aprender o instrumento, mas n\u00e3o conseguiu. Acabou ganhando, aos 12 anos, um bandolim, formato napolitano, tipo cuia. Os dedos ficaram destru\u00eddos, mas ele foi mexendo sozinho e aprendeu a dominar as cordas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jacob bandolim - O V\u00f4o da mosca\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GyZ1Hek5fVI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Autodidata, <span style=\"color: #800080\"><strong>Jacob<\/strong><\/span> foi domando as cordas do instrumento e logo chamou a aten\u00e7\u00e3o de veteranos. Em 1934, venceu um concurso da r\u00e1dio Guanabara depois de derrotar 28 concorrentes. No j\u00fari constavam nomes como Benedito Lacerda e Francisco Alves. O sucesso inicial deu partida numa carreira que foi abrindo novas e promissoras portas, mesmo com suas dificuldades. Realizava rodas de choro, tocou com gigantes da \u00e9poca e at\u00e9 foi contratado da r\u00e1dio Nacional, mas a vida de artista nunca foi f\u00e1cil. Por sugest\u00e3o do amigo Donga, prestou concurso p\u00fablico e assumiu o posto de Escrevente Juramentado da Justi\u00e7a do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A vida de funcion\u00e1rio que bate ponto n\u00e3o afastou <span style=\"color: #800080\"><strong>Jacob<\/strong><\/span> da m\u00fasica. Muito pelo contr\u00e1rio. Fez uma primeira grava\u00e7\u00e3o pela gravadora Continental em 1947, com as faixas <em><strong>Gl\u00f3ria<\/strong><\/em> e <em><strong>Treme-Treme<\/strong><\/em>, de sua autoria. \u201cEspero que com a nova f\u00e1brica RCA meus discos sejam postos \u00e0 venda em tal quantidade, que at\u00e9 nas lojas de cutileiro estar\u00e3o expostos ao lado de faquinhas, facas e fac\u00f5es\u201d, escreveu para um amigo depois de mudar de gravadora. E foi pela RCA que foi lan\u00e7ado, em 1967, o primeiro disco do \u00c9poca de Ouro, conjunto que fundou tr\u00eas anos antes ao lado de nomes como C\u00e9sar Faria (pai de Paulinho da Viola), Dino 7 Cordas, Jorginho do Pandeiro e outros, e que se mant\u00e9m ativo ainda hoje.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=m8JzBNj6c8A<\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><strong>Jacob do Bandolim<\/strong><\/span> viveu pouco, apenas 51 anos. Faleceu em 13 de agosto de 1969, nos bra\u00e7os da esposa, de um infarto fulminante. Ele estava chegando em casa, depois de visitar o amigo Pixinguinha, com quem queria conversar sobre um sonho antigo: <span style=\"color: #800080\"><strong>Jacob<\/strong><\/span> queria gravar um disco s\u00f3 com composi\u00e7\u00f5es de Pixinguinha.<\/p>\n<p>\u201cFoi o cara que modernizou o choro, trouxe elementos de outros estilos. <em><strong>Noites Cariocas<\/strong><\/em>, por exemplo, usa elementos jazz\u00edsticos, como arpejos diferentes e disson\u00e2ncias\u201d, analisa o guitarrista Mimi Rocha. Para o cearense, a capacidade que o bandolinista teve de sair do choro tradicional \u00e9 o que marcou sua obra. \u201c<em><strong>Assanhado<\/strong><\/em> \u00e9 uma m\u00fasica tem uma cad\u00eancia meio blues. \u00c9 como se um fosse um blues na primeira parte, depois algo meio cl\u00e1ssico. <em><strong>Samta Morena<\/strong><\/em> \u00e9 um flamenco, usa aquelas escalas espanholadas. Nada isso era comum no choro da \u00e9poca e ele tinha essa bagagem do jazz e do erudito\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTodo bandolinista do Brasil, de muitas gera\u00e7\u00f5es, foi influenciado por ele. \u00c9 um grande melodista, um grande compositor, criou uma forma de tocar bandolim. Tinha um qu\u00ea de jazz\u201d, destaca o bandolinista Carlinhos Patriolino. No livro<strong> Choro, Do Cavaquinho ao Municipal<\/strong> (Ed. 34, 1998), Henrique Cazes fala dessa mistura de influ\u00eancias na obra de <span style=\"color: #800080\"><strong>Jacob<\/strong><\/span>. \u201cQuanto \u00e0 maneira de tocar, penso que tr\u00eas elementos foram decisivos para que <strong><span style=\"color: #800080\">Jacob<\/span><\/strong> sedimentasse seu estilo. O primeiro foi a natural influ\u00eancia dos solistas em voga na primeira metade da d\u00e9cada de 1930, principalmente Luiz Americano e, em menor propor\u00e7\u00e3o, Benedito Lacerda. O segundo foi o contato que teve com m\u00fasicos portugueses, de onde tirou os ornamentos de sua interpreta\u00e7\u00e3o. E, finalmente, o terceiro foi o contato e a confessa admira\u00e7\u00e3o por Cincinato do Bandolim (tipo malandro e m\u00fasico virtuoso, que tocou bandolim ao lado de Pixinguinha).<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1vELnEhPAyw<\/p>\n<p>\u201cEle levou o g\u00eanero choro para outro patamar. A performance no instrumento e o universo da composi\u00e7\u00e3o tornaram-o esse \u00edcone da m\u00fasica brasileira\u201d, avalia o m\u00fasico Cain\u00e3 Cavalcante, admirador confesso de <span style=\"color: #800080\"><strong>Jacob do Bandolim<\/strong><\/span>. Citando <em><strong>Doce de Coco<\/strong><\/em> e <em><strong>Cad\u00eancia<\/strong> <\/em>entre suas composi\u00e7\u00f5es preferidas, o violonista cearense n\u00e3o refuta a influ\u00eancia de estilos como o jazz na obra do carioca. \u201cHoje em dia, percebemos alguns tra\u00e7os, alguns trechos de m\u00fasica. Frases incomuns para o instrumento e para o g\u00eanero. Mas n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto o Jacob tinha consci\u00eancia disso\u201d.<\/p>\n<p><strong>Dicas para se iniciar na obra de Jacob do Bandolim:<\/strong><\/p>\n<p><strong>&gt; In Memorian \u2013<\/strong> muitas colet\u00e2neas re\u00fanem grava\u00e7\u00f5es originais de Jacob do Bandolim, inclusive dispon\u00edveis em streaming. Uma delas \u00e9 da s\u00e9rie <strong>In Memorian<\/strong>, com 14 faixas. Destaque para <em><strong>Andr\u00e9 de Sapato Novo<\/strong><\/em> e <em><strong>Ing\u00eanuo<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jacob do Bandolim - Doce de Coco\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LJasgwymaUY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>&gt; Caf\u00e9 Brasil \u2013<\/strong> Para iniciantes do choro, os dois volumes da s\u00e9rie Caf\u00e9 Brasil, do \u00c9poca de Ouro, fazem um apanhado do ritmo, misturando tradi\u00e7\u00e3o, modernidade e participa\u00e7\u00f5es especiais. Leila Pinheiro brilha em Jamais, Ademilde demarca terreno em Galo Garniz\u00e9, e a dupla Arlindo Cruz e Sombrinha se diverte em Santo Forte. A vers\u00e3o dolente de Chorando no Campo tamb\u00e9m revela um Lob\u00e3o mais doce.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ja-4wp5SCvA<\/p>\n<p><strong>&gt; Ao Vivo no teatro Jo\u00e3o Caetano \u2013<\/strong> Elizeth Cardoso, Zimbo Trio, Jacob do Bandolim e o \u00c9poca de Ouro. Esse time de estrelas se encontrou na noite de 19 em fevereiro de 1968 para um grande recital para arrecadar fundos para o Museu da Imagem e do Som. Testando as mais variadas forma\u00e7\u00f5es, o resultado \u00e9 uma das mais belas grava\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria da MPB pautada pela informalidade. Uma reuni\u00e3o de talentos como essa \u00e9 rara e imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e Zimbo Trio \u2014 At\u00e9 Amanh\u00e3\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FUNutz_bX0s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabe aquela sensa\u00e7\u00e3o chata de uma mosca rondando perto do ouvido quando voc\u00ea quer dormir? 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