{"id":18194,"date":"2018-03-15T17:47:05","date_gmt":"2018-03-15T20:47:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=18194"},"modified":"2018-03-14T16:28:51","modified_gmt":"2018-03-14T19:28:51","slug":"trabalho-em-livro-e-disco-resgata-o-feminino-na-musica-cearense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/03\/15\/trabalho-em-livro-e-disco-resgata-o-feminino-na-musica-cearense\/","title":{"rendered":"Trabalho em livro e disco resgata o feminino na m\u00fasica cearense"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18195\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/03\/Perolas_CAPA_LIVRO-Copia.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"724\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/03\/Perolas_CAPA_LIVRO-Copia.jpg 750w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/03\/Perolas_CAPA_LIVRO-Copia-300x290.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/03\/Perolas_CAPA_LIVRO-Copia-740x714.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/03\/Perolas_CAPA_LIVRO-Copia-120x116.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><strong>Por Camila Holanda (camilaholanda@opovo.com.br)<\/strong><\/p>\n<p>Muito antes da cria\u00e7\u00e3o de registros f\u00edsicos da m\u00fasica, as mulheres do Cear\u00e1 entoavam seus c\u00e2nticos em festas e rituais ancestrais pelas terras do Estado. Esta cultura foi herdada pelos povos que vieram depois e s\u00e3o lembradas at\u00e9 hoje. Muitas destas influ\u00eancias vieram das mulheres ind\u00edgenas que por aqui viviam. Vieram tamb\u00e9m das negras do continente africano, que, escravizadas, chegavam ao Cear\u00e1, mas n\u00e3o deixavam de lado seus v\u00ednculos culturais com a terra de onde foram arrancadas. As colonizadoras europeias tamb\u00e9m muito deixaram germinando pelas bandas de c\u00e1.<!--more--><\/p>\n<p>Por tr\u00eas anos, o cantor, compositor e pesquisador <strong>Pingo de Fortaleza<\/strong> ocupou-se de talhar estudos que fizessem um resgate hist\u00f3rico de como o feminino se estabeleceu no cancioneiro cearense. Esta pesquisa deu origem ao livro <strong>P\u00e9rolas &#8211; O Feminino no Cancioneiro Cearense. 1900 &#8211; 2017 &#8211; Hist\u00f3rias e Relatos de Vida e \u00e0 Cole\u00e7\u00e3o Solo Feminino<\/strong>, lan\u00e7ando tr\u00eas CDs com 56 m\u00fasicas gravadas pelas mais diversas gera\u00e7\u00f5es de mulheres que fazem parte de movimentos musicais do Estado.<\/p>\n<p>O livro, muito al\u00e9m de nomes, como T\u00e2nia Cabral, T\u00e9ti, \u00c2ngela Linhares, Amelinha, Marta Aur\u00e9lia, K\u00e1tia Freitas, Lorena Nunes, Nayra Costa e L\u00ecdia Maria, tra\u00e7a um panorama hist\u00f3rico sobre as m\u00faltiplas cria\u00e7\u00f5es das mulheres na m\u00fasica do Estado. Voz, poesia, melodia, produ\u00e7\u00e3o, quebra de paradigmas, renova\u00e7\u00e3o e revolu\u00e7\u00e3o. Tudo isto faz parte. E est\u00e1 l\u00e1 nas p\u00e1ginas do livro, em formato de pesquisa e nas vozes das protagonistas destas movimenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cA gente pode afirmar que um dos primeiros registros musicais aqui do Cear\u00e1 \u00e9 de composi\u00e7\u00e3o da Hilda Mar\u00e7al Matos. Em 1927, Francisco Alves, um dos grandes cantores da \u00e9poca, gravou duas m\u00fasicas dela\u201d, narra <strong>Pingo<\/strong>. As composi\u00e7\u00f5es <em><strong>Pequei em te beijar<\/strong><\/em> e <em><strong>Beijos em excesso<\/strong><\/em> foram lan\u00e7adas em disco do artista, pela gravadora Odeon. Estas hist\u00f3rias, inclusive, s\u00e3o relatadas no livro, com repert\u00f3rio hist\u00f3rico resgatado do acervo do pesquisador Miguel \u00c2ngelo de Azevedo, o Nirez.<\/p>\n<p>Por vezes, Hilda assinava suas composi\u00e7\u00f5es com o pseud\u00f4nimo de Adlih Sotam (seu nome grafado ao contr\u00e1rio), algo que era muito comum entre mulheres artistas. Retrato dos tempos, em que a mulher deveria seguir outra cartilha. Ser artista n\u00e3o era bem visto pela sociedade.<\/p>\n<p>No livro, a cantora Goretti, conta que, \u00e0 \u00e9poca dos anos 1970 e 1980, os homens a viam com desrespeito por ser cantora. \u201cLembro dos grandes amores da minha vida que, no auge das paix\u00f5es, com tudo o que tem direito, olhavam pra mim e diziam \u2018Goretti, eu jamais vou poder assumir nosso relacionamento, porque voc\u00ea \u00e9 uma cantora\u2019\u201d, relata a artista na obra.<\/p>\n<p>A cantora, compositora e jornalista Mona Gadelha define: \u201cExiste um machismo nesta \u00e1rea. \u00c9 surpreendente\u201d, observa. \u201cNos anos 70, eu enfrentei muitos preconceitos. N\u00e3o foi nada f\u00e1cil. Historicamente, havia pouco espa\u00e7o para a mulher instrumentista, pouco reconhecimento para as compositoras. Se falava muito mais nas cantoras\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma soma de resist\u00eancia e de lutas. E a gente chega hoje a um lugar que tem muito o que ser conquistado, mas que est\u00e1 muito melhor que d\u00e9cadas atr\u00e1s. O feminismo \u00e9 importante nesta constru\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma uma atitude pol\u00edtica de resist\u00eancia diante de um mundo machista. N\u00f3s estamos virando a mesa\u201d, encerra Mona.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Camila Holanda (camilaholanda@opovo.com.br) Muito antes da cria\u00e7\u00e3o de registros f\u00edsicos da m\u00fasica, as mulheres do Cear\u00e1 entoavam seus c\u00e2nticos em festas e rituais ancestrais&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24,83,129,1],"tags":[],"class_list":["post-18194","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-aparecida-silvino","category-cida-moreira","category-entrevistas","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18194"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18194\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18196,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18194\/revisions\/18196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}