{"id":18257,"date":"2018-04-04T17:33:34","date_gmt":"2018-04-04T20:33:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=18257"},"modified":"2018-04-04T17:35:29","modified_gmt":"2018-04-04T20:35:29","slug":"passados-28-anos-cazuza-segue-vivo-e-atual-como-compositor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/04\/04\/passados-28-anos-cazuza-segue-vivo-e-atual-como-compositor\/","title":{"rendered":"Passados 28 anos, Cazuza segue vivo e atual como compositor"},"content":{"rendered":"<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4_34DOPkwzQ<\/p>\n<p><strong>Por Jo\u00e3o Gabriel Tr\u00e9z (joaogabriel@vidaearte.com.br)<\/strong><\/p>\n<p>A intensidade caracter\u00edstica de <strong>Cazuza<\/strong> est\u00e1 presente em suas letras politizadas, nas rom\u00e2nticas e tamb\u00e9m nas viv\u00eancias. Morto aos 32 anos em 1990, em decorr\u00eancia de complica\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 aids, o cantor e compositor carioca completaria hoje, 4, 60 anos. Partindo da data, o Vida&amp;Arte convidou artistas para refletirem sobre o legado de <strong>Cazuza<\/strong> e quais lugares o discurso e a poesia transgressoras dele encontram hoje no Brasil.<!--more--><\/p>\n<p>A atriz e diretora Hertenha Glauce ressalta a produ\u00e7\u00e3o rica e franca do artista. \u201cSempre me surpreendo quando penso que ele morreu aos 32 anos, t\u00e3o \u00e0 frente do tempo e com tantas composi\u00e7\u00f5es\u201d, afirma. \u201c<strong>Cazuza<\/strong> n\u00e3o tinha meias palavras, era direto, \u00e1spero, ferino. Ao mesmo tempo, conseguia ser doce, sens\u00edvel, beirando at\u00e9 o brega\u201d.<\/p>\n<p>Como defende a cantora e jornalista Mona Gadelha, <strong>Cazuza<\/strong> \u00e9 \u201cum dos criadores do blues brasileiro\u201d e seguidor da \u201ctradi\u00e7\u00e3o dos grandes letristas surgidos nos anos 1960 e 1970, que escreviam com belos versos e achados po\u00e9ticos inspiradores\u201d. A artista chama aten\u00e7\u00e3o para a perman\u00eancia de v\u00e1rios desses versos no linguajar popular do Pa\u00eds. \u201c\u2018Segredos de liquidificador\u2019, \u2018um museu de grandes novidades\u2019, \u2018o nosso amor a gente inventa\u2019. Isso, pra mim, \u00e9 a verdadeira consagra\u00e7\u00e3o popular, quando a obra transcende o tempo e adentra o cotidiano da l\u00edngua\u201d.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=J3ntxMsBp9s<\/p>\n<p>O lado cr\u00edtico de <strong>Cazuza<\/strong> \u00e9 lembrado por Mona, que o considera \u201cs\u00edmbolo de transgress\u00e3o, contesta\u00e7\u00e3o e precursor da visibilidade gay\u201d &#8211; a exposi\u00e7\u00e3o do HIV, como afirma a cantora, \u00e9 um \u201cs\u00edmbolo de coragem\u201d. Para o m\u00fasico Ricardo Bacelar, membro da banda Han\u00f3i-Han\u00f3i, a principal caracter\u00edstica do carioca era a sua franqueza. \u201cEle fez \u00e9poca com discursos de protesto contra as mazelas do Brasil da \u00e9poca, que s\u00e3o quase as mesmas\u201d, compara. \u201cEle tinha muita personalidade e colocava isso nas letras, na escolha das tem\u00e1ticas. <strong>Cazuza<\/strong> acreditava muito no que escrevia, sem se preocupar em agradar. O rock, al\u00e9m de ser uma m\u00fasica, \u00e9 um comportamento, uma postura cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o ao mundo. <strong>Cazuza<\/strong> cumpriu essa fun\u00e7\u00e3o muito bem com o que escreveu\u201d, avan\u00e7a.<\/p>\n<p>Parte do acervo de composi\u00e7\u00f5es do carioca, inclusive, foi escrita em parceria com Arnaldo Brand\u00e3o, criador da Han\u00f3i-Han\u00f3i. \u201cEles dois fizeram muitas m\u00fasicas juntos. <em><strong>O Tempo N\u00e3o Para<\/strong><\/em>, por exemplo, \u00e9 deles. No final da d\u00e9cada de 1980, ele nos deu uma parceria deles, a m\u00fasica <em><strong>Jovem<\/strong><\/em>. Ela, na \u00e9poca, foi censurada porque tinha a palavra \u2018viado\u2019 (Jovem\/ Voc\u00ea t\u00e1 muito avan\u00e7ado\/ Seus amigos desconfiam\/ Que voc\u00ea \u00e9 viado). Ele j\u00e1 estava doente e seguia falando as coisas que gostava de falar\u201d, afirma.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Ro3RBOpdBPs<\/p>\n<p>No atual contexto do Pa\u00eds, Ricardo imagina que <strong>Cazuza<\/strong> seguiria na luta contra a \u201ccaretice\u201d. \u201cHoje ele estaria mandando ver com a corrup\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia, escrevendo sobre elas. A personalidade dele era essa: usar o lado art\u00edstico para lutar contra aquilo que ele acreditava estar errado\u201d. Para Hertenha, os discursos do artista seguem importantes nos \u201ctempos t\u00e3o obscuros que vivemos\u201d, nos quais o \u201csenhor\u201d Cazuza \u201cseria um velhote desbocado, atrevido e indignado\u201d.<\/p>\n<p>Mona lembra que os discursos afiados do cantor podem ser encontrados em \u201cecos de transgress\u00e3o e coragem\u201d nos versos de Edvaldo Santana, no rap de Erivan ou na atitude de cantores como Johnny Hooker, Daniel Peixoto, Jonnata Doll, Liniker, Solead e Ana Ca\u00f1as &#8211; \u201cal\u00e9m das veteranas e contundentes vozes de Marina Lima, Angela Ro Ro e muitos artistas que tocam na nervura do convencionalismo e dos padr\u00f5es. A sua poesia \u00e9 absolutamente contempor\u00e2nea nesse ambiente doloroso em que vivemos, quando \u00e9 preciso mais do que nunca resistir e n\u00e3o se abater diante de propostas dantescas de retrocesso. Cazuza permanece imantado no seu lugar po\u00e9tico e pol\u00edtico\u201d, resume.<\/p>\n<p><strong>ROCK<\/strong><br \/>\n<strong>Cazuza<\/strong> iniciou a carreira musical como vocalista e letrista da banda Bar\u00e3o Vermelho, com quem gravou tr\u00eas discos &#8211; apenas o terceiro alcan\u00e7ou sucesso popular. Em seguida, como artista solo, lan\u00e7ou outros seis discos, sendo o \u00faltimo p\u00f3stumo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4_34DOPkwzQ Por Jo\u00e3o Gabriel Tr\u00e9z (joaogabriel@vidaearte.com.br) A intensidade caracter\u00edstica de Cazuza est\u00e1 presente em suas letras politizadas, nas rom\u00e2nticas e tamb\u00e9m nas viv\u00eancias. 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