{"id":18316,"date":"2018-04-30T14:27:18","date_gmt":"2018-04-30T17:27:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=18316"},"modified":"2018-04-26T15:44:14","modified_gmt":"2018-04-26T18:44:14","slug":"o-novo-barao-vermelho-chega-olhando-para-tras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/04\/30\/o-novo-barao-vermelho-chega-olhando-para-tras\/","title":{"rendered":"O novo Bar\u00e3o Vermelho chega olhando para tr\u00e1s"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_18328\" style=\"width: 950px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-18328\" class=\"size-full wp-image-18328\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/04\/BV.jpg\" alt=\"\" width=\"940\" height=\"615\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/04\/BV.jpg 940w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/04\/BV-300x196.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/04\/BV-768x502.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/04\/BV-740x484.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/04\/BV-120x79.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><p id=\"caption-attachment-18328\" class=\"wp-caption-text\">Rodrigo Santos, \u00e0 esquerda, est\u00e1 nas fotos de divulga\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 deixou o Bar\u00e3o Vermelho<\/p><\/div>\n<p><!--more-->Quando se falar em &#8220;forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica&#8221; de uma banda de rock \u00e9 preciso estar aberto a muitos questionamentos. Quem \u00e9 vocalista cl\u00e1ssico do ACDC, Bon Scott, que assumiu o microfone nos primeiros cinco anos da banda, ou Brian Johnson, que estreou no cl\u00e1ssico <em>Back In Black<\/em> (1980) e segura a onda at\u00e9 hoje? E no Pink Floyd, seria o l\u00edder err\u00e1tico e saudoso Syd Barrett ou o met\u00f3dico Roger Waters?<\/p>\n<p>Nem todas as bandas s\u00e3o como os Paralamas do Sucesso, que conseguem manter o mesmo n\u00facleo duro, os mesmos m\u00fasicos de apoio, a mesma equipe e at\u00e9 o mesmo c\u00edrculo de amizade por tantas d\u00e9cadas. Ou at\u00e9 como o Led Zeppelin que, diante da morte do baterista (um m\u00fasico que, de um modo geral, \u00e9 substitu\u00eddo como se n\u00e3o houvesse preju\u00edzo para o todo), optou por encerrar as atividades. Ou como os Tit\u00e3s que foram emagrecendo as fileiras e sobrevivem ainda hoje sabe-se l\u00e1 por que.<\/p>\n<p>O <strong>Bar\u00e3o Vermelho<\/strong> hoje vive &#8211; ou sobrevive a &#8211; essa encruzilhada que a substitui\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos causa. As compara\u00e7\u00f5es s\u00e3o frequentes e quase sempre injustas, mas n\u00e3o foi desavisado que Rodrigo Suricato decidiu tomar para si o posto que foi de Roberto Frejat nos \u00faltimos 32 anos. Esse mesmo Frejat teve que segurar uma barra com a sa\u00edda do hiper talentoso e carism\u00e1tico Cazuza imediatamente ap\u00f3s o primeiro estouro comercial do ent\u00e3o quinteto.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, ap\u00f3s alguns shows, o primeiro produto do novo <strong>Bar\u00e3o Vermelho<\/strong> chegou \u00e0s plataformas digitas h\u00e1 alguns dias. Trata-se do EP <strong>Bar\u00e3o Pra Sempre<\/strong>. O disco virtual pega nove can\u00e7\u00f5es da banda carioca &#8211; entre cl\u00e1ssicos ou nem tanto &#8211; regravadas pela nova forma\u00e7\u00e3o. Esta nova forma\u00e7\u00e3o conta com os fundadores Guto Goffi (bateria) e Maur\u00edcio Barros (teclados), o veteran\u00edssimo guitarrista Fernando Magalh\u00e3es (na banda desde os anos 1990) e Rodrigo Suricato que, apesar de assumir voz, guitarra e um dos maiores legados do rock nacional, j\u00e1 disse, por ingenuidade, paix\u00e3o ou idealismo, que a prioridade continua sendo sua banda de origem, o Suricato.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bar\u00e3o Vermelho :: Pro Dia Nascer Feliz :: 06\/05\/2017 :: AoVivonoCirco\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/laRrgcF1Ypw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Esse apego ao Suricato tamb\u00e9m pode ser uma seguran\u00e7a, uma vez que \u00e9 pouco prov\u00e1vel que o <strong>Bar\u00e3o<\/strong> se reerga em popularidade como foi em 1986, quando a banda &#8211; ainda inflamada pelo show antol\u00f3gico no Rock In Rio &#8211; teve que se reinventar com a sa\u00edda de Cazuza. Naquele momento, a pouca experi\u00eancia e a popularidade ainda em forma\u00e7\u00e3o deram tempo para que Frejat se descobrisse cantor e assumisse o posto de l\u00edder daquela forma\u00e7\u00e3o que foi mudando at\u00e9 se encontrar de fato em 1994, com a entrada de Rodrigo Santos. Foi depois da chegada do baixista &#8211; e n\u00e3o por causa dele &#8211; que o Bar\u00e3o se aquietou e solidificou uma forma\u00e7\u00e3o que durou por mais de 20 anos.<\/p>\n<p>Rodrigo Santos, inclusive, protagonizou a \u00faltima rasteira que o <strong>Bar\u00e3o Vermelho<\/strong> sofreu. Depois de participar de ensaios e das fotos de divulga\u00e7\u00e3o desta nova fase, ele tamb\u00e9m seguiu a trilha de Frejat e se despediu pra ir cuidar da pr\u00f3pria carreira solo. H\u00e1 uma possibilidade dessa sa\u00edda ter acontecido por conta de um sentimento de desprezo, por n\u00e3o ter sido ele o escolhido para os vocais do grupo. Baixista seguro e cantor eficiente, com uma j\u00e1 longa discografia, ele seria esse herdeiro natural dos vocais. No entanto, como um jovem Kim Jong-un cuidando de um imenso potencial b\u00e9lico, coube ao novato Rodrigo Suricato assumir a dianteira dos veteranos. E assim ficaram apenas quatro bar\u00f5es para cuidar do otimista EP <strong>Pra Sempre<\/strong>.<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 bastante otimista por que, a menos que a banda que acumulou um sem n\u00famero de sucessos esteja disposta a assumir a postura de auto-cover, esse EP \u00e9 um dispens\u00e1vel aperitivo que antecede um j\u00e1 prometido disco de in\u00e9ditas. At\u00e9 que este chegue, as nove regrava\u00e7\u00f5es revelam pouco sobre o que Suricato vai agregar ao <strong>Bar\u00e3o Vermelho<\/strong>. Os arranjos, se n\u00e3o s\u00e3o iguais, s\u00e3o c\u00f3pias p\u00e1lidas dos originais. Como cantor e guitarrista, ele nunca deixou d\u00favidas de que tem bastante talento. Mas, nas regrava\u00e7\u00f5es ele apenas mostra que sabe cantar nos moldes exigidos pelas r\u00e1dios jovens. \u00c9 aquela rouquid\u00e3o charmosa, aquela agressividade pra sair na foto.<\/p>\n<p>O repert\u00f3rio de <strong>Pra Sempre<\/strong> ficou assim. A agressiva <em><strong>T\u00e3o Longe de tudo<\/strong><\/em> e a reflexiva <em><strong>Meus Bons amigos<\/strong><\/em> defendem a por\u00e7\u00e3o mais roqueira junto com <em><strong>Billy Neg\u00e3o<\/strong><\/em> e\u00a0<em><strong>Pro Dia Nascer Feliz<\/strong><\/em>, sempre atual e obrigat\u00f3ria. A \u00f3tima ode hedonista <em><strong>Puro \u00caxtase<\/strong><\/em>, tantas vezes menosprezada, surge num arranjo mais limpo, enxuto e direto &#8211; mesmo acontece em <em><strong>Pense e Dance<\/strong><\/em>. Das lentinhas, a sele\u00e7\u00e3o vem com\u00a0<strong><em>Por Voc\u00ea<\/em><\/strong>, ainda mais melosa, e fica ao lado de <em><strong>Eu Queria ter uma Bomba<\/strong><\/em>. Pra completar, uma vers\u00e3o ac\u00fastica de <em><strong>Brasil<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Antes de encerrar este texto, quero que fique claro que desejo muito boa sorte ao novo Bar\u00e3o Vermelho e espero, do fundo do cora\u00e7\u00e3o, que ele seja pra sempre. Mas \u00e9 preciso encarar os fatos. Depois de acumular tantas perdas e surgindo num cen\u00e1rio em que o rock perdeu sua for\u00e7a comercial, \u00e9 dif\u00edcil acreditar que uma das forma\u00e7\u00f5es mais importantes da m\u00fasica brasileira v\u00e1 renascer mais uma vez, com for\u00e7a, relev\u00e2ncia e cheiro de novo. Mas, se isso acontecer, a m\u00fasica agradece.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37,150,283,1],"tags":[],"class_list":["post-18316","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-barao-vermelho","category-frejat","category-nacional","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18316","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18316"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18316\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18330,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18316\/revisions\/18330"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18316"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}