{"id":18375,"date":"2018-05-17T12:17:30","date_gmt":"2018-05-17T15:17:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=18375"},"modified":"2018-05-11T12:17:46","modified_gmt":"2018-05-11T15:17:46","slug":"belchior-e-as-cancoes-de-descobrimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/05\/17\/belchior-e-as-cancoes-de-descobrimento\/","title":{"rendered":"Belchior e as can\u00e7\u00f5es de descobrimento"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-11758\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/alucinac3a7c3a3o.jpg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1600\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/alucinac3a7c3a3o.jpg 1600w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/alucinac3a7c3a3o-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/alucinac3a7c3a3o-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/alucinac3a7c3a3o-768x768.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/alucinac3a7c3a3o-740x740.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2014\/07\/alucinac3a7c3a3o-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/p>\n<p><em><strong>* Texto escrito para o caderno de um ano de morte de Belchior, publicado dia 30 de abril<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Foi Elis Regina quem deu a senha em 1972. No disco que lan\u00e7ava naquele ano, a ga\u00facha que tinha h\u00e1bito de revelar novos compositores decidiu dar cr\u00e9dito a um nordestino de 20 e alguns anos que chegava ao Sudeste com o sonho de ser cantor. \u201cMeu encontro com a Elis foi absolutamente marcado pela generosidade dela, pela qualidade pessoal dela\u201d, \u00e9 que conta o tal artista, <strong>Belchior<\/strong>, em uma entrevista a Luiz Carlos Miele dispon\u00edvel no Youtube. O cearense lembra que estava em S\u00e3o Paulo, numa absoluta pinda\u00edba, quando a maior cantora o Brasil o convidou pra ir at\u00e9 sua casa apresentar umas m\u00fasicas. \u201cA senhora ent\u00e3o mande o carro ir me buscar na hora do jantar\u201d, respondeu o aspirante na tentativa de n\u00e3o perder a viagem.<\/p>\n<p>Usando um viol\u00e3o emprestado pela anfitri\u00e3, <strong>Belchior<\/strong> apresentou uma s\u00e9rie de can\u00e7\u00f5es, entre as quais Elis pescou aquelas que mais se encaixava na sua procura. Apenas <em><strong>Um Rapaz Latino Americano<\/strong><\/em> estava entre as preferidas da Pimentinha, que pediu desculpas por n\u00e3o grav\u00e1-la j\u00e1 que n\u00e3o se sentia \u00e0 vontade para se dizer \u201cum rapaz\u201d. Desculpas aceitas, ela lan\u00e7ou <em><strong>Mucuripe<\/strong> <\/em>naquele disco de 1972, o mesmo que tem <em>Atr\u00e1s da Porta<\/em> e <em>Casa no Campo<\/em>. Pe\u00e7a inaugural da parceria de Fagner (melodia) e Belchior (letra), a can\u00e7\u00e3o foi uma das quatro composi\u00e7\u00f5es do sobralense imortalizadas por Elis.<\/p>\n<p>Na mesma visita \u00e0 int\u00e9rprete, <strong>Belchior<\/strong> deixou para Elis uma fita gravada com o melhor de sua produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 ali. Dessa fita, ela pescou duas pancadas fortes demais para serem esquecidas: <strong><em>Como Nossos Pais<\/em><\/strong> e <em><strong>Velha Roupa Colorida<\/strong><\/em>, apresentadas anos depois no show\/disco <strong>Falso Brilhante<\/strong> (o mesmo que tinha <em>Fascina\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>Gracias a la Vida<\/em>). Tirando<em><strong> Noves Fora<\/strong><\/em>, outra parceria com Fagner lan\u00e7ada \u00e0 revelia da cantora, o pouco que Elis cantou de <strong>Belchior<\/strong> tornou-se cl\u00e1ssico e ajudou para que ele se lan\u00e7asse como int\u00e9rprete em 1974.<\/p>\n<p>Recentemente lan\u00e7ado em CD e LP, o disco <strong>Belchior<\/strong> \u2013 tamb\u00e9m conhecido como <em>Mote e Glosa<\/em> \u2013 era uma carta de inten\u00e7\u00f5es que anunciava algo novo e jovem chegando. Mas foi s\u00f3 dois anos depois que essa novidade foi ouvida, de verdade, no Brasil todo. O \u00e1lbum <strong>Alucina\u00e7\u00e3o<\/strong>, produzido pelo experiente Marco Mazzola, potencializou tudo que aquele compositor cheio de personalidade trouxe do Cear\u00e1. Letras profundamente pessoais, questionamentos sociais \u00e0 la Bob Dylan, a voz anasalada de bar\u00edtono e arranjos que transcendiam o folk rock e a MPB.<\/p>\n<p><em><strong>Velha roupa colorida<\/strong><\/em>, <em><strong>Como nossos pais<\/strong><\/em>, <em><strong>Sujeito de sorte<\/strong><\/em>, <strong>A Palo Seco<\/strong> (com arranjo diferente do disco de estreia) e <em><strong>Fotografia 3&#215;4<\/strong> <\/em>est\u00e3o entre as faixas de um disco que segue, h\u00e1 d\u00e9cadas, como um dos mais influentes da MPB tendo suas faixas sido regravadas \u00e0 exaust\u00e3o. Abrindo uma d\u00e9cada de grande popularidade para o ex-seminarista, <strong>Alucina\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e9 pop e profundo numa medida que foi se perdendo nos discos seguintes. Seu sucessor, <strong>Cora\u00e7\u00e3o Selvagem<\/strong>, de 1977, manteve a qualidade e o sucesso, mas, claramente, pesou mais a m\u00e3o no formato radiof\u00f4nico. S\u00e3o sucessos deste a faixa t\u00edtulo e<em><strong> Todo Sujo de Batom<\/strong><\/em>, tamb\u00e9m lan\u00e7ada no \u00e1lbum de 1974 \u2013 e mais uma vez gravada em <strong>Melodrama<\/strong>, de 1987.<\/p>\n<p>Revisitar a pr\u00f3pria obra \u00e9 algo comum em qualquer artista, mas <strong>Belchior<\/strong> fez desse h\u00e1bito uma compensa\u00e7\u00e3o para uma obra que foi se distanciando dos anseios comerciais. A cada novo disco, mais ambi\u00e7\u00f5es sonoras e est\u00e9ticas, mais o p\u00fablico e as gravadoras querendo um novo \u201cMedo de Avi\u00e3o\u201d ou \u201crapaz Latino americano\u201d. Elas vieram em doses homeop\u00e1ticas em discos lan\u00e7ados por pequenos selos que j\u00e1 n\u00e3o chamavam mais tanta aten\u00e7\u00e3o. Por outro lado, avolumaram-se discos ao vivo, regrava\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas, antologias tem\u00e1ticas e um \u00e1lbum como int\u00e9rprete. Sem nunca ter perdido a personalidade e as refer\u00eancias que chamaram aten\u00e7\u00e3o para sua obra nos anos 1970, <strong>Belchior<\/strong> seguiu sua toada e deixou um trabalho complexo que ainda tem muito por ser explorado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Texto escrito para o caderno de um ano de morte de Belchior, publicado dia 30 de abril Foi Elis Regina quem deu a senha&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":14730,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42,1],"tags":[],"class_list":["post-18375","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-belchior","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18375"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18375\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18400,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18375\/revisions\/18400"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14730"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}