{"id":18430,"date":"2018-05-22T19:38:21","date_gmt":"2018-05-22T22:38:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=18430"},"modified":"2018-05-22T19:38:21","modified_gmt":"2018-05-22T22:38:21","slug":"elza-soares-afia-discurso-em-deus-e-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/05\/22\/elza-soares-afia-discurso-em-deus-e-mulher\/","title":{"rendered":"Elza Soares afia discurso em Deus \u00e9 Mulher"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18432\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/05\/elzasoaresdaryandornellesdeus2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"984\" height=\"1132\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/05\/elzasoaresdaryandornellesdeus2-1.jpg 984w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/05\/elzasoaresdaryandornellesdeus2-1-300x345.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/05\/elzasoaresdaryandornellesdeus2-1-768x884.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/05\/elzasoaresdaryandornellesdeus2-1-740x851.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/05\/elzasoaresdaryandornellesdeus2-1-120x138.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><\/p>\n<p><strong>Por Camila Holanda (camilaholanda@opovo.com.br)<\/strong><\/p>\n<p><strong>Elza Soares<\/strong> \u00e9 uma for\u00e7a da natureza. Aos 87 anos, ela vive um momento bonito e importante na carreira. Lan\u00e7ou na sexta-feira, 18, seu segundo \u00e1lbum totalmente formado por m\u00fasicas in\u00e9ditas (o primeiro foi <em>Mulher do Fim do Mundo<\/em>, de 2015). <strong>Deus \u00e9 Mulher<\/strong> chegou devastando viol\u00eancias. <strong>Elza<\/strong> \u00e9 um ser pol\u00edtico. Sua voz rouca ecoa a tristeza e a luta que n\u00f3s enfrentamos diariamente.<!--more--><\/p>\n<p>Vinda do \u201cplaneta fome\u201d, como ela mesma definiu d\u00e9cadas atr\u00e1s, antes de superar a pobreza, casou ainda adolescente e viu morrer filhos e marido. S\u00f3 depois disto, Elza da Concei\u00e7\u00e3o Soares ressurgiu, virou artista. Em sua trajet\u00f3ria, sofreu ainda o gosto azedo da viol\u00eancia dom\u00e9stica, quando casada com Man\u00e9 Garrincha.<\/p>\n<p>E, agora, a cantora exorciza as agruras vividas, sentidas e observadas por ela. E as nossas. O movimento, contudo, sempre esteve presente no discurso de <strong>Elza<\/strong>, que, em 1998, consagrou os versos de <em>A Carne<\/em>, composi\u00e7\u00e3o de Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses Cappelletti. O tom pol\u00edtico &#8211; principalmente contra a opress\u00e3o vivida por mulheres, gays e negros &#8211; se fortaleceu em 2015, quando no lan\u00e7amento de <em>Mulher do Fim do Mundo<\/em>. O \u00e1lbum demarcou um novo momento na carreira de <strong>Elza<\/strong>, rendendo pr\u00eamios, como o Grammy Latino, na categoria Melhor \u00c1lbum de MPB. O peri\u00f3dico The New York Times chegou a eleger o disco como um dos dez melhores do ano, em lista onde figuraram nomes como Beyonc\u00e9 e David Bowie.<\/p>\n<p><strong>Deus \u00e9 Mulher<\/strong> foi gravado entre os est\u00fadios Red Bull (S\u00e3o Paulo) e Tambor (Rio de Janeiro). A produ\u00e7\u00e3o tem o mesmo n\u00facleo duro de seu antecessor, mas foi ampliado. Neste \u00e1lbum, Guilherme Kastrup \u00e9 o produtor musical, trabalhando ao lado de Kiko Dinucci, R\u00f4mulo Fr\u00f3es, Rodrigo Campos e Marcelo Cabral, que, juntos, formam a banda Passo Torto.<\/p>\n<p>Mesmo produzido pelo mesmo grupo, o 33\u00ba \u00e1lbum de <strong>Elza<\/strong> n\u00e3o \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o do <em>Mulher do Fim do Mundo<\/em>, por mais que haja assuntos afins. A aura do disco \u00e9 outra. As guitarras, os arranjos, as percuss\u00f5es, o tom el\u00e9trico-fren\u00e9tico incisivo (ora com um vi\u00e9s punk, ora puxando para o rap de Edgard, ora dando \u00e0 luz um samba). <strong>Elza<\/strong> n\u00e3o se repete. Cada trabalho \u00e9 um novo universo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s cr\u00edticas sobre <em>Mulher do Fim do Mundo<\/em> n\u00e3o ter tido a presen\u00e7a forte de mulheres, o novo projeto chega rompendo com isto. Mari\u00e1 Portugal (bateria, percuss\u00e3o e MPC) e Maria Beraldo (clarinete e clarone) entram para a trupe, enquanto grupo o feminino afro Il\u00fa Ob\u00e1 de Min empresta sua percuss\u00e3o nas faixas <em><strong>Banho<\/strong> <\/em>(Tulipa Ruiz) e <em><strong>Dentro de Cada Um<\/strong><\/em> (Pedro Loureiro e Luciano Mello).<\/p>\n<p>O disco come\u00e7a com a faixa <em><strong>O Que Se Cala<\/strong><\/em>, de Douglas Germano, compositor de <em>Maria da Vila Matilde<\/em>, samba que marcou o trabalho anterior. \u201cO Meu pa\u00eds \u00e9 meu lugar de fala\u201d, brada <strong>Elza<\/strong>, enquanto anuncia que sua voz quer mesmo escancarar opress\u00f5es. Na sequ\u00eancia, um funk com nuances de punk de Kiko Dinucci e Edgar toma forma em <em><strong>Ex\u00fa nas Escolas<\/strong><\/em>, denunciando mis\u00e9ria, problemas na educa\u00e7\u00e3o e desvio de verba das merendas escolares.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Elza Soares - Exu\u0301 nas Escolas - Part. Edgar (\u00c1udio Oficial)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NmDsmHtOgyw?start=3&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>As m\u00fasicas percorrem os mais diversos temas, sempre encharcados pelo forte vi\u00e9s pol\u00edtico. A faixa mais impactante do \u00e1lbum \u00e9 a pen\u00faltima. <em><strong>Dentro de Cada Um<\/strong><\/em> fala da fortaleza da mulher e do gay violentados e silenciados das mais diversas formas. \u00c9 renascimento. \u201cA mulher de dentro de cada um n\u00e3o quer mais incenso\/ A mulher de dentro de mim j\u00e1 cansou desse tempo\/ A mulher de dentro da jaula prendeu seu carrasco\u201d. Fechando o \u00e1lbum, est\u00e1 Deus H\u00e1 de Ser (Pedro Lu\u00eds), que empresta verso para o t\u00edtulo do disco: \u201cDeus \u00e9 M\u00e3e\/ E todas as ci\u00eancias femininas\u201d. Sorte a nossa de termos <strong>Elza<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Camila Holanda (camilaholanda@opovo.com.br) Elza Soares \u00e9 uma for\u00e7a da natureza. Aos 87 anos, ela vive um momento bonito e importante na carreira. 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