{"id":18473,"date":"2018-06-01T12:24:11","date_gmt":"2018-06-01T15:24:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=18473"},"modified":"2018-06-01T12:28:07","modified_gmt":"2018-06-01T15:28:07","slug":"sonho-bom-do-rock-nacional-disco-de-estreia-dos-mutantes-completa-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/06\/01\/sonho-bom-do-rock-nacional-disco-de-estreia-dos-mutantes-completa-50-anos\/","title":{"rendered":"Sonho bom do rock nacional, disco de estreia dos Mutantes completa 50 anos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8833\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/08\/album-mutantes.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/08\/album-mutantes.jpg 500w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/08\/album-mutantes-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/08\/album-mutantes-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/08\/album-mutantes-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/>Existem muitas portas de entrada para conhecer a obra dos <strong>Mutantes<\/strong>. Tem as capas conceituais teatrais, engra\u00e7adas e criativas. Tem a inventividade sonora do trio que misturava, num mesmo disco, um rock lis\u00e9rgico, um bai\u00e3o de Humberto Teixeira, um samba rock levado ao viol\u00e3o de Jorge Ben e uma chanson francesa. Ou ainda a irrever\u00eancia incontrol\u00e1vel de tr\u00eas jovens compositores capazes de se vestirem de alien\u00edgena e sair de buggy pelas ruas de S\u00e3o Paulo.<!--more--><\/p>\n<p>O fato \u00e9 que nada era comum no trabalho dos <strong>Mutantes<\/strong>. Ao mesmo tempo, tudo era espont\u00e2neo, libert\u00e1rio e divertido para Rita Lee, Arnaldo Baptista e S\u00e9rgio Dias. Isso j\u00e1 ficou claro bem antes do \u00e1lbum de estreia, lan\u00e7ado h\u00e1 50 anos. Quando o LP <strong>Os Mutantes<\/strong> chegou \u00e0s lojas, o trio j\u00e1 gozava de certo prest\u00edgio no meio musical. Cerca de dois anos antes, fizeram a primeira apresenta\u00e7\u00e3o n\u2019<em>O Pequeno Mundo de Ronnie Von<\/em> e causaram tanto impacto que entraram para o elenco fixo do programa. Algum tempo depois, conheceram o maestro Chiquinho de Moraes que os indicaria para acompanhar Nana Caymmi em<em><strong> Bom Dia<\/strong><\/em>. Da\u00ed foi um passo para outro convite: gravar com Gilberto Gil \u2013 ent\u00e3o marido de Nana \u2013 o bai\u00e3o pop <em><strong>Domingo no Parque<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os Mutantes -  Panis et circenses (Live French TV - 1969)\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gfs9DC4GNr0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o com um dos mentores do tropicalismo levou os <strong>Mutantes<\/strong> para o cen\u00e1rio ideal. Segundo o bi\u00f3grafo do trio, Carlos Calado (autor de <em>A Divina Com\u00e9dia dos Mutantes<\/em>), primeiro Gil pensou na erudi\u00e7\u00e3o do Quarteto Novo para acompanha-lo. Mas o conjunto que contava com Hermeto Pascoal, Heraldo Monte, Theo de Barros e Airto Moreira ouviu aquela ideia de misturar m\u00fasica nordestina com Beatles como se fosse um xingamento \u00e0 m\u00e3e. Para os <strong>Mutantes<\/strong>, tudo junto podia dar o maior p\u00e9.<\/p>\n<p>Tanto que eles j\u00e1 sa\u00edram da grava\u00e7\u00e3o de <em><strong>Domingo no Parque<\/strong><\/em> com um convite para um disco pr\u00f3prio. Os arranjos seriam do maestro Rog\u00e9rio Duprat, o mesmo da grava\u00e7\u00e3o de Gil. Erudito com mente aberta para as novidades do pop, o carioca deu materialidade a todas as viagens sonoras que Rita, S\u00e9rgio e Arnaldo pensavam. Uma pequena amostra da capacidade criativa \u00e9 <em><strong>Panis Et Circences<\/strong><\/em>, hino lis\u00e9rgico dado a eles de presente por Caetano Veloso e Gil. A faixa que tamb\u00e9m batizou o \u00e1lbum manifesto dos tropicalistas (tamb\u00e9m lan\u00e7ado em 1968) \u00e9 uma viagem sem escalas por paisagens desconexas que criticam a acomoda\u00e7\u00e3o. Quase oper\u00edstica, a faixa confronta flautas medievais com guitarra el\u00e9trica, vocais harm\u00f4nicos com efeitos eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gilberto Gil e Os Mutantes - Domingo no Parque\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Zbv3M-AdxC0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Diante dessa explos\u00e3o de timbres, <em><strong>A Minha Menina<\/strong> <\/em>parece inocente. Composi\u00e7\u00e3o de Jorge Ben, que canta, tosse e toca viol\u00e3o na faixa, o sambarock n\u00e3o perdeu um grau de frescor nesses 50 anos. O mesmo acontece com a festiva e concretista <em><strong>Batmacumba<\/strong><\/em>, outra de Gil e Caetano. Deste \u00faltimo, tem uma vers\u00e3o hil\u00e1ria de <em><strong>Baby<\/strong><\/em>, com direito a climas soturnos e lambidas de sorvete. E o que dizer de uma banda de rock que estreia cantando <em><strong>Adeus Maria Ful\u00f4<\/strong><\/em>, de Sivuca e Humberto Teixeira? Ou ainda <em><strong>Le Premier Bonheur Du Jour<\/strong><\/em>, cuja eleg\u00e2ncia \u00e9 entrecortada pelo som de um inseticida. Para os Mutantes, nenhum problema. Tudo \u00e9 m\u00fasica, at\u00e9 uma ode lis\u00e9rgica ao conquistador mongol Genghis Khan e Duprat vibrava com cada nova inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O bom humor dos <strong>Mutantes<\/strong> se manteve em alta por mais quatro discos, at\u00e9 que nem eles aguentaram o tranco. As drogas tornaram-se frequentes e o sexo livre come\u00e7ou a incomodar Rita, enquanto S\u00e9rgio e Arnaldo entraram numa paranoia de levar o rock a \u201cs\u00e9rio\u201d. Chega de figurinos ex\u00f3ticos e performances hil\u00e1rias. Agora eles iriam mostrar que sabiam tocar seus instrumentos e entrar numa onda progressiva. Rita, justamente a respons\u00e1vel pela leveza do trio, passou a n\u00e3o caber naquele formato \u00e0 la Yes. Ela foi expulsa da banda, S\u00e9rgio passou a liderar a banda, Arnaldo entrou em depress\u00e3o profunda at\u00e9 que pulou da janela de um hospital. Toda a gra\u00e7a se perdeu num mar de m\u00e1goas nunca superadas e hist\u00f3rias sempre questionadas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Os Mutantes - Caminhante Noturno\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iQN_dQ9Lzqg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Rita superou o baque, seguiu em frente e tornou-se o maior nome feminino do rock nacional. S\u00e9rgio Dias tentou levar os Mutantes por mais um tempo e desistiu, manteve uma p\u00e1lida carreira solo e a aura de guitar hero respeitado (o que, de fato, \u00e9). Em 2006, ele reativou os Mutantes com uma nova turma e segue gravando discos e fazendo shows no exterior. Arnaldo sobreviveu \u00e0 queda, mudou-se para um s\u00edtio paradis\u00edaco e segue compondo uma obra c\u00e1ustica que nunca se despregou por completo da antiga banda. Aquela obra tropicalista iniciada h\u00e1 50 anos segue sendo redescoberta e cultuada dentro e fora do Brasil. Kurt Cobain era f\u00e3 assumido, enquanto Sean Lennon chegou a dizer que o trio brasileiro foi mais criativo que os Beatles. Se eram ou n\u00e3o, eu n\u00e3o sei. Mas \u00e9 fato que poucas vezes se voou t\u00e3o alto no rock brasileiro quanto nas asas dos <strong>Mutantes<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem muitas portas de entrada para conhecer a obra dos Mutantes. Tem as capas conceituais teatrais, engra\u00e7adas e criativas. 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