{"id":18612,"date":"2018-07-26T09:22:59","date_gmt":"2018-07-26T12:22:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=18612"},"modified":"2018-07-17T18:35:52","modified_gmt":"2018-07-17T21:35:52","slug":"sem-palavras-timbrando-possibilidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/07\/26\/sem-palavras-timbrando-possibilidades\/","title":{"rendered":"Sem Palavras: Timbrando Possibilidades"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18613\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/07\/ricardo-herz-loureiro-violino-800x800.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"800\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/07\/ricardo-herz-loureiro-violino-800x800.jpg 800w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/07\/ricardo-herz-loureiro-violino-800x800-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/07\/ricardo-herz-loureiro-violino-800x800-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/07\/ricardo-herz-loureiro-violino-800x800-768x768.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/07\/ricardo-herz-loureiro-violino-800x800-740x740.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/07\/ricardo-herz-loureiro-violino-800x800-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p><strong>Por Victor Hugo Santiago<\/strong><\/p>\n<p>Dentre todos os discos instrumentais lan\u00e7ados entre 2014 e 2015, este me chamou e ainda chama muita aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 evidente que eu n\u00e3o poderia deixar de cit\u00e1-lo aqui. Uma obra prima ornada pelas m\u00e3os de <strong>Ricardo Herz<\/strong> em duo com <strong>Antonio Loureiro<\/strong>.\u00a0Em setembro de 2015, fui a um workshop de Herz, promovido pela Universidade Estadual do Cear\u00e1 (Uece). Na ocasi\u00e3o, o perguntei: &#8220;Ricardo, dos discos que voc\u00ea disponibiliza para venda, qual voc\u00ea indica?&#8221; E ele foi enf\u00e1tico: &#8220;Esse que gravei com o Antonio Loureiro. Tenho uma estima especial por ele&#8221;. Imediatamente, eu o escolhi e adquiri. Que escolha! Dentre todos, \u00e9\/era de fato o mais experimental, com linguagens e timbres at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o convencionais. E foi &#8220;to hit the nail on the head&#8221; ou seja, na mosca, em cheio. \u00c9 um trabalho maravilhoso, em que <strong>Ricardo Herz<\/strong> faz um duo pra l\u00e1 de magistral com o compositor e multi-instrumentista Antonio Loureiro. Violino e vibrafone soando juntos num disco ousado e raro no mundo da m\u00fasica.<\/p>\n<p>O ineditismo tamb\u00e9m seria a arte do encontro, por qu\u00ea n\u00e3o? O destaque regido por uma sonoridade intimista e impactante, com riqueza de timbres e execu\u00e7\u00e3o bem apurada. \u00c9 assim a concep\u00e7\u00e3o que norteou este disco, que traz uma narrativa onde se evidenciam composi\u00e7\u00f5es autorais dos dois. No entanto, &#8220;p\u00e9rolas&#8221; instrumentais, tal como: abrindo com &#8220;chave de ouro&#8221;, a primeira faixa do disco, eles trazem o swingado <em><strong>Bai\u00e3o de Lacan<\/strong><\/em>, de Guinga e Aldir Blanc, e <em><strong>Cego Alderaldo<\/strong><\/em>, do multi-intrumentista, Egberto Gismonti, fazendo parte deste menu de alt\u00edssimo n\u00edvel. Al\u00e9m disso, esta foi uma das primeiras m\u00fasicas adaptadas para a forma\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, como citado no par\u00e1grafo acima, por se tratar de um projeto de instrumentistas-compositores, eles logo foram compondo e arranjando, inserindo-as no trabalho. Al\u00e9m de rearranjar temas j\u00e1 existentes, como <em><strong>Mosquito<\/strong><\/em>, <em><strong>Qui nem quiabo<\/strong><\/em>\u00a0(as duas de Antonio Loureiro) e <em><strong>Saci<\/strong><\/em>\u00a0(Ricardo Herz), outras m\u00fasicas foram surgindo \u00e0 medida que o duo se desenvolvia, a exemplo de <em><strong>Por cima da barra<\/strong><\/em>, composta a quatro m\u00e3os. Nesse meio tempo, eles recebem de presente da flautista L\u00e9a Freire uma composi\u00e7\u00e3o escrita especialmente para a dupla, <em><strong>Sambito<\/strong><\/em>, para arrematar e dar um toque ainda mais brasileiro ao repert\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ricardo Herz tem um violino diferenciado por caracter\u00edsticas nordestinas. Nessa perspectiva, seu violino soa por vezes semelhante a rabeca. Seus trabalhos anteriores tra\u00e7am uma versatilidade impressionante. Como o seu primeiro CD: <strong>Aqui \u00e9 o meu l\u00e1<\/strong>\u00a0(2012). Herz, \u00e9 formado em violino pela Universidade de S\u00e3o Paulo, tendo sido integrante da Orquestra Experimental de Repert\u00f3rio e da Orquestra Jazz Sinf\u00f4nica. Tamb\u00e9m estudou na Berklee College of Music (EUA) e no Centre des Musiques Didier Lockwood (Fran\u00e7a). Possui quatro discos lan\u00e7ados.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ricardo Herz e Antonio Loureiro - Bai\u00e3o de Lacan (Guinga e Aldir Blanc)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ze7MQJZWGSY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Antonio Loreiro, toca viol\u00e3o e bateria, al\u00e9m de compositor. Na verdade, ele \u00e9 daqueles arquitetos musicais que tra\u00e7am planos ham\u00f4nicos sob desenhos mel\u00f3dicos como poucos, expressamente intuitivos. Vide nesse trabalho em especial. Loureiro \u00e9 graduado em percuss\u00e3o na Universidade Federal de Minas Gerais, com especializa\u00e7\u00e3o em teclados de percuss\u00e3o. Tamb\u00e9m coleciona em sua vasta experi\u00eancia musical em trabalhos como: integrante das bandas A Outra Cidade e Ramo, al\u00e9m de ter tocado com nomes como ningu\u00e9m menos que Toninho Horta e Chico Amaral. Seu trabalho autoral j\u00e1 rendeu dois \u00e1lbuns solo: <strong>Antonio Loureiro<\/strong>\u00a0(2010) e <strong>S\u00f3<\/strong> (2012).<\/p>\n<p>Apesar de ser um disco de mergulhar de cabe\u00e7a no quesito mais popular, propriamente, ele passeia nitidamente sobre o universo e ess\u00eancia t\u00e9cnica da escola erudita. Outro destaque \u00e9 que esse CD \u00e9 de uma qualidade \u00edmpar no que diz respeito \u00e0 registro sonoro. Selando categoricamente, o \u00e1lbum foi produzido, captado e mixado por ningu\u00e9m menos que Andr\u00e9 Mehmari, pianista, compositor e arranjador fora de s\u00e9rie. Mehmari tamb\u00e9m assina a dire\u00e7\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o, capta\u00e7\u00e3o, mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de m\u00fasico, apresenta-se como um grande engenheiro de som \u2013 e pouca gente sabe disso. Em texto no encarte do \u00e1lbum, Mehmari escreve que tamb\u00e9m se surpreendeu com a proposta de unir violino e vibrafone. &#8220;Improv\u00e1vel, ousado, novo, inusitado, estranho at\u00e9&#8221;, pensou em um determinado momento, depois de se deliciar com o &#8220;m\u00e1gico am\u00e1lgama das generosas sonoridades cores resultantes do abra\u00e7o feliz de dois inspirados artistas, diz.&#8221;<\/p>\n<p>O disco foi gravado nos est\u00fadios da Borand\u00e1 em 2014. Um \u00e1lbum em duo que nos ganha por tamanha autenticidade. Todavia, quando um disco consegue isso, n\u00e3o se \u00e9 e nem pode ser diferente, algu\u00e9m discorda? N\u00e3o sendo o tipo de parceria que se ouve facilmente por a\u00ed, seja no Brasil ou no exterior. Pois trata-se de trabalho aut\u00eantico e porque n\u00e3o dizer, atemporal; promovido minunciosamente por esses dois paulistanos. Recomendo. Salve os sons!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Victor Hugo Santiago Dentre todos os discos instrumentais lan\u00e7ados entre 2014 e 2015, este me chamou e ainda chama muita aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 evidente que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,90,634,635],"tags":[],"class_list":["post-18612","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-albuns","category-criticas","category-sem-palavras","category-victor-hugo-santiago"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18612","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18612"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18612\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18615,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18612\/revisions\/18615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}