{"id":18790,"date":"2018-08-21T16:46:35","date_gmt":"2018-08-21T19:46:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=18790"},"modified":"2018-08-20T17:06:22","modified_gmt":"2018-08-20T20:06:22","slug":"10-anos-sem-caymmi-o-rei-do-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/08\/21\/10-anos-sem-caymmi-o-rei-do-mar\/","title":{"rendered":"10 anos sem Caymmi, o Rei do Mar"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_18792\" style=\"width: 1010px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-18792\" class=\"size-full wp-image-18792\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/20140918-Dorival-Caymmi-cantor.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"675\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/20140918-Dorival-Caymmi-cantor.jpg 1000w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/20140918-Dorival-Caymmi-cantor-300x203.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/20140918-Dorival-Caymmi-cantor-768x518.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/20140918-Dorival-Caymmi-cantor-740x500.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/20140918-Dorival-Caymmi-cantor-120x81.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><p id=\"caption-attachment-18792\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>Por\u00a0Richell Martins,\u00a0jornalista e m\u00fasico (richellmartins.contato@gmail.com)<\/strong><br \/>\n<strong>Homenagem pelos 10 anos de morte de Dorival Caymmi (30\/04\/1914 \u2013 16\/08\/2008)<\/strong><\/p>\n<p>\u201cCaymmi \u00e9 um criador aben\u00e7oado\/ Navegador das \u00e1guas da can\u00e7\u00e3o\/ Compositor do mar, predestinado\/ Seu viol\u00e3o tem cordas de sarga\u00e7o\/ E foi cortado de um peda\u00e7o de uma velha embarca\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0Os versos de <em><strong>Ob\u00e1 de Xang\u00f4<\/strong><\/em>, do poeta e compositor Paulo C\u00e9sar Pinheiro, s\u00e3o como um pincel que, diante da tela, num \u00fanico golpe, pinta a imagem fabulosa do homem que melhor traduziu, em m\u00fasica, a paisagem praiana da Bahia. N\u00e3o apenas isso. Numa tela maior, a vida do pescador brasileiro, com suas lendas e desafios sociais. Dorival Caymmi, com \u201cespumas no cabelo\u201d, o \u201ccavaleiro do oceano\u201d com \u201cvoz de arrebenta\u00e7\u00e3o\u201d, diz o poema.<\/p>\n<p>Acontece que ele era baiano e, como muitos nordestinos do s\u00e9culo passado, partiu para o Sudeste, embarcado num navio \u2013 o Itap\u00e9 \u2013, para tentar vida melhor com emprego fixo e sal\u00e1rio garantido. A m\u00fasica n\u00e3o era o foco. Tanto que o viol\u00e3o foi escondido, bem embalado, para o Rio de Janeiro, em 1938. Se fosse descoberto, Dorival passaria por malandro. Chupando laranja, durante os tr\u00eas dias de viagem, sequer imaginava ser justamente aquele viol\u00e3o o que lhe abriria um caminho sem volta.<!--more--><\/p>\n<p>Os ouvidos do mundo n\u00e3o demoraram a parar, atentos ao timbre poderoso do cantor e ao jeito \u00fanico de tocar seu instrumento. Apagou-se a fronteira entre a Bahia e o resto do planeta. Caymmi, contempor\u00e2neo de Assis Valente, abriu as portas do mercado fonogr\u00e1fico para os novos compositores de sua terra. J\u00e1 se sabia o temperamento da mar\u00e9, quando chegaram por l\u00e1, no \u201ceixo\u201d, Jo\u00e3o Gilberto, Tom Z\u00e9, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes Moreira e Raul Seixas, em diferentes tempos. Se existe uma voz do sertanejo do Nordeste, que \u00e9 Luiz Gonzaga, existe a voz do homem do mar, que \u00e9 Dorival Caymmi.<\/p>\n<p>Em 94 anos de uma vida encerrada em agosto de 2008, ele nos apresentou a dezenas de personagens \u00edmpares: Jo\u00e3o, o valent\u00e3o; as morenas Rosa e Marina; An\u00e1lia, que n\u00e3o se sabe se queria ir pra Maracagalha; Dora, a rainha do frevo e do maracatu de Recife; os pescadores Chico Ferreira, Bento, Pedro, Lino e Zeca; sinh\u00e1 Zefa que contava hist\u00f3rias; a vizinha do lado, com seu vestido gren\u00e1; o Severo do P\u00e3o e a preta a vender acaraj\u00e9 e abar\u00e1, \u00e0s dez horas da noite, por ruas desertas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Maracangalha - Tom Jobim e Dorival Caymmi\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fr9-2Wjy2RY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Apesar de toda essa gente, eu mesmo n\u00e3o sei quem ou o qu\u00ea me apresentou \u00e0 obra de Caymmi. Talvez tenha sido o disco <strong>Vinicius e Caymmi no Zum Zum<\/strong> (Elenco, 1965), que descobri ainda na adolesc\u00eancia. Lembro que, estando em Salvador, em 2007, perguntei a um taxista se os baianos ainda ouviam muito o Dorival Caymmi, ao que ele me respondeu: \u201cTem show dele aqui, direto!\u201d Verdade n\u00e3o era, mas a convic\u00e7\u00e3o daquele soteropolitano me divertiu \u00e0 be\u00e7a.<\/p>\n<p>Em 2004, os irm\u00e3os Nana, Dori e Danilo Caymmi gravaram o show <strong>Para Caymmi \u2013 90 anos<\/strong>, no palco do Canec\u00e3o, no Rio. Pouco mais de um ano depois, Nana e Danilo vieram ao Cear\u00e1, para cantar durante o Encontro dos Povos do Mar, no Centro Drag\u00e3o do Mar de Arte e Cultura. Na ocasi\u00e3o, jangadeiros cearenses entregaram aos irm\u00e3os Caymmi uma jangada em miniatura, em homenagem ao pai Dorival e sua obra. Nesta mesma noite, conheci Danilo nos bastidores e, ap\u00f3s 13 anos, o contato e a amizade permanecem. Na \u00faltima segunda-feira, nos falamos pelo telefone. Ele relembra o momento em que recebeu o presente dos pescadores: \u201cAo apertar a m\u00e3o do jangadeiro, voc\u00ea sentia que era a m\u00e3o do mar, a m\u00e3o de puxar o peixe\u201d.<\/p>\n<p>Danilo apresentou, m\u00eas passado, a pr\u00e9-estreia de um show intitulado <strong>10 anos sem Dorival Caymmi<\/strong>, e que vai seguir com novo nome: <strong>Viva Caymmi<\/strong><em>. <\/em>A Catedral de Santo Ant\u00f4nio ficou abarrotada, durante o Festival de Inverno de Garanhuns, interior de Pernambuco. O projeto deveria ter sido, originalmente, realizado por Bibi Ferreira \u2013 que j\u00e1 interpretou \u00c9dith Piaf e Frank Sinatra, em temporadas anteriores. Mas a sa\u00fade fragilizada da atriz, de 96 anos, fez com que seu produtor, Nilson Raman, convidasse Danilo para um formato especial de show, que detalha as fases do compositor, entre can\u00e7\u00f5es praieiras, os sambas e os sambas-can\u00e7\u00f5es. A apresenta\u00e7\u00e3o foi elogiada, esta semana, em documento assinado pelo pesquisador e music\u00f3logo Ricardo Cravo Albin \u2013 nada mais, nada menos que o homem que criou o maior dicion\u00e1rio da M\u00fasica Popular Brasileira, amigo de Dorival. \u201c\u00c9 um musical minimalista. Simples. Mas, pela simplicidade, poderoso. Com largo poder de alcance e de convencimento\u201d, escreveu Albin.<\/p>\n<p>As homenagens n\u00e3o param na esfera musical. Em breve, ser\u00e1 lan\u00e7ado o document\u00e1rio <strong>D\u00ea lembran\u00e7as a todos<\/strong>, sobre a import\u00e2ncia da obra de Dorival Caymmi para o Nordeste, como um todo. O longa-metragem \u00e9 dirigido pelos irm\u00e3os F\u00e1bio e Thiago Di Fiore e tem coprodu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Danilo, com financiamento do Banco do Nordeste.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Marina - Dorival Caymmi (ao vivo)\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/enUx5DMiFU8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Hoje, o DNA de Caymmi navega \u00e1guas novas, na voz da neta Alice Caymmi. A cantora est\u00e1 em destaque, no cen\u00e1rio pop nacional, independente do repert\u00f3rio do av\u00f4. O sobrenome voltou \u00e0 l\u00edngua do p\u00fablico com for\u00e7a total. \u201cEla foi ensinada a ousar, a ter liberdade art\u00edstica e de express\u00e3o. Inclusive, o meu pai n\u00e3o gostava do termo \u2018Fam\u00edlia Caymmi\u2019. Ele dizia que parecia coisa de fam\u00edlia de trapezista!\u201d, disse Danilo, ao telefone. A mais recente apresenta\u00e7\u00e3o de Alice em Fortaleza aconteceu no Festival Vida &amp; Arte, em junho. Eu a conheci bem antes, no bastidor do Iate Clube de Fortaleza, quando a cantora ainda experimentava os palcos e observava o m\u00e9tier, nos shows do pai. \u00c9 bom testemunhar estes dois momentos.<\/p>\n<p>H\u00e1 10 anos, quando li a triste not\u00edcia sobre Caymmi, misturada \u00e0s atualiza\u00e7\u00f5es das Olimp\u00edadas de Pequim, aos 50 anos da Bossa Nova, ao eclipse solar que o Brasil n\u00e3o viu, reuni todos os meus discos e ouvi, faixa a faixa. Fiz uma viagem imensa; chamei o vento com um assobio, at\u00e9 chegar esse fim de som. E nas ondas que gemiam aqui mesmo, na areia da praia de Fortaleza, escutei do mar este canto: &#8220;E assim adormece esse homem\/ Que nunca precisa dormir pra sonhar\/ Porque n\u00e3o h\u00e1 sonho mais lindo\/ Do que sua terra, n\u00e3o h\u00e1\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Richell Martins,\u00a0jornalista e m\u00fasico (richellmartins.contato@gmail.com) Homenagem pelos 10 anos de morte de Dorival Caymmi (30\/04\/1914 \u2013 16\/08\/2008) \u201cCaymmi \u00e9 um criador aben\u00e7oado\/ Navegador das \u00e1guas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,110,283],"tags":[],"class_list":["post-18790","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-criticas","category-dorival-caymmi","category-nacional"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18790"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18790\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18795,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18790\/revisions\/18795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}