{"id":18811,"date":"2018-08-28T11:00:17","date_gmt":"2018-08-28T14:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=18811"},"modified":"2018-08-22T18:39:08","modified_gmt":"2018-08-22T21:39:08","slug":"joyce-moreno-comemora-seus-70-anos-retornando-ao-disco-de-estreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/08\/28\/joyce-moreno-comemora-seus-70-anos-retornando-ao-disco-de-estreia\/","title":{"rendered":"Joyce Moreno comemora seus 70 anos retornando ao disco de estreia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_18812\" style=\"width: 5404px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-18812\" class=\"size-full wp-image-18812\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/Joyce5_LeoAversa049.jpg\" alt=\"\" width=\"5394\" height=\"3840\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/Joyce5_LeoAversa049.jpg 5394w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/Joyce5_LeoAversa049-300x214.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/Joyce5_LeoAversa049-768x547.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/Joyce5_LeoAversa049-740x527.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/Joyce5_LeoAversa049-120x85.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 5394px) 100vw, 5394px\" \/><p id=\"caption-attachment-18812\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Leo Aversa\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>Por Renato Ab\u00ea (renatoabe@opovo.com.br)<\/strong><\/p>\n<p>A carioca\u00a0<strong>Joyce\u00a0Moreno<\/strong> nunca se projetou uma grande cantora. &#8220;Dentro da estante da M\u00fasica Popular Brasileira, a prateleira onde sempre tentaram me colocar foi a das cantoras, mas eu n\u00e3o me incluo ali, porque meu objetivo sempre foi a composi\u00e7\u00e3o.\u00a0Eu uso a voz e o viol\u00e3o como ferramentas.&#8221;, conta\u00a0a artista,\u00a0em entrevista ao O POVO. Segundo a autora de can\u00e7\u00f5es como <em>Clareana<\/em> e\u00a0<em>Essa mulher<\/em>, o machismo acabou tirando dela espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o. &#8220;Compor era uma brincadeira de meninos. As meninas ficavam meio de fora&#8221;, analisa, sem perder o bom humor. A despeito dos empecilhos,\u00a0<strong>Joyce\u00a0<\/strong>completa agora 70 anos de vida,\u00a050\u00a0de carreira e segue mais atuante do que nunca \u2013\u00a0ela\u00a0est\u00e1,\u00a0inclusive,\u00a0indicada ao Pr\u00eamio da M\u00fasica Brasileira 2018.<!--more--><\/p>\n<p>Ao todo, s\u00e3o mais de 40 \u00e1lbuns lan\u00e7ados e 400 composi\u00e7\u00f5es dela gravadas por artistas como Elis Regina, Ney Matogrosso e Maria Beth\u00e2nia. Antes de toda essa trajet\u00f3ria, por\u00e9m, havia uma menina de 19 anos que, ao encher a boca\u00a0para falar do &#8220;seu homem&#8221; numa composi\u00e7\u00e3o com eu-l\u00edrico feminino, atraiu olhares\u00a0e ganhou vaias no\u00a02\u00ba Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o, em 1967. &#8220;Aquela mulher era uma menina em busca do seu futuro, do seu caminho. Aquilo chocou&#8221;, remonta. A tal m\u00fasica pol\u00eamica \u00e9 <em><strong>Me disseram<\/strong><\/em>, faixa que acaba de ser relan\u00e7ada junto com todo o\u00a0primeiro\u00a0\u00e1lbum\u00a0dela,\u00a0intitulado\u00a0<strong>Joyce<\/strong>, de 1968.<\/p>\n<p>Entretanto, para a surpresa da artista, a can\u00e7\u00e3o gerou controv\u00e9rsia\u00a0at\u00e9 na era do streaming. &#8220;Nessa regrava\u00e7\u00e3o que fiz,\u00a0<em><strong>Me disseram<\/strong>\u00a0<\/em>saiu no Spotify com selo de Explicit (voltado\u00a0a\u00a0conte\u00fado adulto). Eu falei com os representantes da Biscoito Fino (gravadora do \u00e1lbum) e j\u00e1 at\u00e9 tiraram. Falaram que foi engano, mas achei engra\u00e7ado ser justamente essa m\u00fasica&#8221;, conta, destacando n\u00e3o ter a composi\u00e7\u00e3o nenhum palavr\u00e3o ou conte\u00fado pejorativo. Para ela, a suposta confus\u00e3o \u00e9 at\u00e9 simb\u00f3lica dos tempos nos quais vivemos. &#8220;J\u00e1 tem meio s\u00e9culo (do \u00e1lbum) e\u00a0o que a gente v\u00ea hoje em dia \u00e9 um retrocesso muito grande acontecendo, isso \u00e9 uma coisa que preocupa&#8221;, reflete.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joyce Moreno - Essa Mulher (Live at Berklee)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/B1geCHp5vPg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Apesar do marco da primeira obra em 1968,\u00a0a cantora considera como uma estreia mais contundente seu \u00e1lbum <strong>Feminina<\/strong>, de 1980. &#8220;Com 30 anos de idade foi que realmente eu me senti\u00a0pronta\u00a0realmente com todas as aptid\u00f5es que eu viria a desenvolver ao longo dos anos seguintes.\u00a0\u00c9 quase como se fosse meu primeiro disco. Eu fiz os arranjos, escrevi quase todas as letras&#8221;, se orgulha.<\/p>\n<div id=\"attachment_18813\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-18813\" class=\"wp-image-18813\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/50joyce.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/50joyce.jpg 3000w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/50joyce-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/50joyce-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/50joyce-768x768.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/50joyce-740x740.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/50joyce-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-18813\" class=\"wp-caption-text\">Capa do novo disco de Joyce, revisitando o \u00e1lbum de estreia<\/p><\/div>\n<p>Nessa mesma d\u00e9cada, quando estava finalmente dona de si,\u00a0<strong>Joyce\u00a0<\/strong>sofreu uma baixa. &#8220;Eu tive uma quest\u00e3o judicial com a minha gravadora da \u00e9poca, a Odeon, porque eles usaram toda a base de uma m\u00fasica minha, mas tiraram minha voz para fazer o lan\u00e7amento de outra cantora&#8221;, relembra, narrando ter batido de frente com o fato, o que rendeu uma dispensa da empresa \u2013\u00a0mesmo estando &#8220;no auge das vendas&#8221; de sua obra. &#8220;S\u00f3 d\u00e9cadas depois fui saber que houve uma reuni\u00e3o de alto n\u00edvel com os presidentes das grandes gravadoras para que nenhuma dessas me contratasse mais para n\u00e3o criar um precedente&#8221;. \u00c0quela altura, pr\u00e9-internet, se lan\u00e7ar sem aparato institucional era ainda mais complexo, mas foi a maneira encontrada para continuar. &#8220;Eu\u00a0tinha que encontrar uma f\u00e1brica para fazer o disco f\u00edsico, que n\u00e3o era nem CD, era o LP ainda. Tinha a distribui\u00e7\u00e3o que era um grande problema, era sair de porta em porta vendendo disco&#8221;, explica.<\/p>\n<p>A falta de op\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 cantora a se lan\u00e7ar independente acabou surpreendendo\u00a0positivamente pela possibilidade mais variada de alcance do trabalho dela. &#8220;Sem os limites da gravadora, meus discos come\u00e7aram a chegar no Jap\u00e3o, na Fran\u00e7a, na Inglaterra, nos Estados Unidos. Os exportadores come\u00e7aram a querer comprar esse disco e levar&#8221;, conta. A partir da\u00ed,\u00a0<strong>Joyce\u00a0<\/strong>passou a se apresentar fora do Brasil e ter liberdade para construir suas agendas da maneira que julgou correta \u2013 conquistando,\u00a0por consequ\u00eancia,\u00a0olhares da cr\u00edtica. &#8220;J\u00e1 fui indicada ao Grammy Latino quatro vezes e eu fico muito contente&#8221;, celebra.<\/p>\n<p>Apesar de estar sob o guarda-chuva da MPB,\u00a0<strong>Joyce\u00a0<\/strong>prefere outra\u00a0nomenclatura. &#8220;Fa\u00e7o MCB, que \u00e9 a M\u00fasica Criativa Brasileira&#8221;, conceitua, contrapondo n\u00e3o se prender a amarras de g\u00eanero, arranjo, tem\u00e1tica. Tanto que ela flerta at\u00e9 com o sertanejo (a exemplo da m\u00fasica <em><strong>Ave Maria Serena<\/strong><\/em>). &#8220;Prefiro chamar m\u00fasica caipira, porque se fala sertanejo j\u00e1 se pensa logo naquelas duplas bancadas pelo agroneg\u00f3cio e que cantam letras que n\u00e3o dizem nada, s\u00f3 falam em beber, encher a cara&#8221;, critica.\u00a0Para a compositora, a m\u00fasica de massa do Pa\u00eds perde pela repeti\u00e7\u00e3o de f\u00f3rmulas. &#8220;A m\u00fasica \u00e9 pensada s\u00f3 para lotar arenas e o povo ficar pulando. Tanto faz se \u00e9 sertanejo, se \u00e9 pagode, se \u00e9 funk.\u00a0\u00c9 m\u00fasica para n\u00e3o pensar&#8221;,\u00a0diz.<\/p>\n<p>A partir da idas e vindas mundo afora,\u00a0<strong>Joyce\u00a0<\/strong>avalia que, com &#8220;a falta de m\u00fasica criativa&#8221;, a cultura brasileira tem desperdi\u00e7ando espa\u00e7o. &#8220;O Brasil est\u00e1 perdendo uma oportunidade gigantesca. Tem gente no mundo inteiro que aprende portugu\u00eas por conta da m\u00fasica brasileira\u00a0e\u00a0a\u00ed depois vai procurar o filme, a literatura&#8221;, analisa. Disposta a seguir compondo, cantando e gravando, a artista segue fiel \u00e0s suas propostas, mesmo que isso chegue a um p\u00fablico reduzido no Pa\u00eds. &#8220;As crian\u00e7as e os adolescentes n\u00e3o sabem quase nada do tesouro que \u00e9 nossa cultura. A m\u00fasica criativa vive numa esp\u00e9cie de clandestinidade&#8221;, sustenta.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joyce Moreno - A Velha Maluca (V\u00eddeo Oficial)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aBkDBdmXkGM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>&#8220;Temos gera\u00e7\u00e3o de velhas malucas&#8221;<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de incluir todo o repert\u00f3rio do debut de 1968, o disco\u00a0Joyce\u00a0Moreno &#8211; 50 traz o single Velha Maluca, composi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita da carioca.\u00a0\u201cA m\u00fasica \u00e9\u00a0um aceno para o\u00a0tema do envelhecimento\u00a0da mulher e para um futuro pr\u00f3ximo: porque \u00e9 o que todas seremos, temos uma linda gera\u00e7\u00e3o de velhas malucas\u00a0no Pa\u00eds e\u00a0eu acho isso\u00a0maravilhoso&#8221;, se diverte a cantora. Ao longo dos 70 anos de vida,\u00a0Joyce\u00a0afirma ter visto mudan\u00e7a radical de muitos conceitos sociais. &#8220;N\u00f3s, a gera\u00e7\u00e3o que cresceu comigo, quebramos uma s\u00e9rie de paradigmas e esse da velhice \u00e9 mais um que est\u00e1 sendo quebrado. As mulheres est\u00e3o lutando contra essa escravid\u00e3o da beleza&#8221;, completa.<\/p>\n<p>A obra comemorativa, lan\u00e7ada pela Biscoito Fino, traz ainda composi\u00e7\u00f5es de nomes como\u00a0Ruy Guerra, Paulinho da Viola, Jards Macal\u00e9, Caetano\u00a0Veloso e Francis Hime. &#8220;\u00c9\u00a0um trabalho de uma menina, de uma pessoa ainda imatura, verde no seu of\u00edcio, mas as can\u00e7\u00f5es eu sempre achei muito boas.\u00a0Eu quis regravar esse disco com as aptid\u00f5es que eu consegui reunir ao longo desses 50 anos, com tudo que eu aprendi&#8221;, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Renato Ab\u00ea (renatoabe@opovo.com.br) A carioca\u00a0Joyce\u00a0Moreno nunca se projetou uma grande cantora. &#8220;Dentro da estante da M\u00fasica Popular Brasileira, a prateleira onde sempre tentaram me&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":18813,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,129,670,283],"tags":[],"class_list":["post-18811","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-albuns","category-entrevistas","category-joyce-moreno","category-nacional"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18811","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18811"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18811\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18815,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18811\/revisions\/18815"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18811"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18811"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18811"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}