{"id":18938,"date":"2018-09-13T10:19:38","date_gmt":"2018-09-13T13:19:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=18938"},"modified":"2018-09-13T10:21:04","modified_gmt":"2018-09-13T13:21:04","slug":"sem-palavras-na-calada-do-dia-ritmos-viram-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/09\/13\/sem-palavras-na-calada-do-dia-ritmos-viram-poesia\/","title":{"rendered":"Sem Palavras: Na calada do dia, ritmos viram poesia&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Victor Hugo\u00a0 Santiago, m\u00fasico<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-18939\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/09\/NaCaladaDoDia.jpg\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"580\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/09\/NaCaladaDoDia.jpg 580w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/09\/NaCaladaDoDia-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/09\/NaCaladaDoDia-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/09\/NaCaladaDoDia-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080\"><strong><em>Por Victor Hugo Santiago<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><em>&#8220;Batuque \u00e9 um privil\u00e9gio,<\/em><br \/>\n<em>ningu\u00e9m aprende samba no col\u00e9gio&#8230;&#8221;<\/em><br \/>\n<em>\u00a0(Noel Rosa \/ Vadico)<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Nesse trecho de <em><strong>Feitio de Ora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>, Noel Rosa deixa impl\u00edcita a organicidade com que retrata a figura dos ritmistas, onde estes t\u00eam como privil\u00e9gio a possibilidade do batuque natural, sem que necessariamente precisem passar pelo crivo secundarista.\u00a0Nessa perspectiva, ao buscarmos compreender a percep\u00e7\u00e3o e ess\u00eancia r\u00edtmica enquanto melodia, teremos uma dial\u00e9tica do que \u00e9 som, uma vez que a harmonia \u00e9 com frequ\u00eancia utilizada como base. A partir dessa ideia, convido o leitor a apreciar o mais recente trabalho do baterista Edu Ribeiro, bem como conhecer um pouco da trajet\u00f3ria de sua carreira.<\/p>\n<p>Edu nasceu em 1975, em Florian\u00f3polis. M\u00fasico autodidata, aprendeu a tocar bateria aos 8 anos. Aos 11, j\u00e1 se apresentava com a banda de baile de sua fam\u00edlia, a Stagium10. De 1992 \u00e0 1996 cursou M\u00fasica Popular na Unicamp. Ainda em 1996, com uma bagagem musical adquirida na inf\u00e2ncia, mudou-se para S\u00e3o Paulo e com m\u00e9ritos indiscut\u00edveis passou a trabalhar com v\u00e1rios artistas de express\u00e3o nacional e internacional, tais como Ivan Lins, Johnny Alf, Rosa Passos, Leny Andrade, Joyce Moreno, Hamilton de Hollanda, Yamand\u00fa Costa, Toquinho, Dominguinhos, Ern\u00e1n Lopez-Nussa, Randy Brecker, Mike Stern, Stacey Kent, entre outros.<\/p>\n<p>Com Fabio Torres (piano) e Paulo Paulelli (baixo), formou o Trio Corrente em 2002. Desde seu in\u00edcio, o trio vem criando uma m\u00fasica original, interpretando de forma \u00fanica os cl\u00e1ssicos do choro e da MPB, al\u00e9m de composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. Edu tamb\u00e9m faz parte do Quinteto Vento em Madeira, em parceria com L\u00e9a Freire (flauta), Tiago Costa (piano), Teco Cardoso (flauta e saxofone), Fernando Demarco (contrabaixo) e Monica Salmaso (voz). Juntos gravaram os \u00e1lbuns <strong>Vento em Madeira<\/strong>\u00a0em 2011, <strong>Brasiliana<\/strong> em 2013 e <strong>Arraial<\/strong>\u00a0em 2017.<\/p>\n<p>O \u00e1lbum <strong>Na Calada do Dia<\/strong>, lan\u00e7ado em 2017 pela Maritaca Produ\u00e7\u00f5es Art\u00edsticas (da flautista e compositora L\u00e9a Freire) e distribu\u00eddo pela Tratore (que tem ordena\u00e7\u00e3o digital e f\u00edsica) \u00e9 o seu mais recente trabalho. O disco foi gravado com Bruno Migotto (contrabaixo), Guilherme Ribeiro (acorde\u00e3o), Rubinho Antunes (trompete) e Gian Correa (viol\u00e3o de 7 cordas), contando ainda com a participa\u00e7\u00e3o de L\u00e9a Freire (flauta). Ele chega onze anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento de seu primeiro disco solo. O repert\u00f3rio traz m\u00fasicas autorais e in\u00e9ditas do artista e demais integrantes do quinteto, al\u00e9m de composi\u00e7\u00f5es de Chico Pinheiro (guitarrista) e L\u00e9a Freire.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"6. Maracatim - Edu Ribeiro\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dTjx7WehnU8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Em meio a complexidade sonora que comp\u00f5e o disco, Edu nos fornece um laborat\u00f3rio de \u201cpr\u00e1ticas de conjunto\u201d. A cada faixa pode-se adentrar em diversos \u201cbrasis\u201d atrav\u00e9s de uma gama de estilos e ritmos: choro, maracatu, valsa, samba e suas in\u00fameras varia\u00e7\u00f5es de experimentos, onde divis\u00f5es ritmadas se acentuam de forma cadenciada, enfatizando cada nota executada e dando as \u201cmelodias r\u00edtmicas\u201d uma notoriedade consider\u00e1vel para al\u00e9m do previs\u00edvel.<\/p>\n<p>Destaco a composi\u00e7\u00e3o <em><strong>Maracatim<\/strong><\/em>, onde o trompete dobra frases e conven\u00e7\u00f5es com o acordeon, timbrando de forma impec\u00e1vel em uma din\u00e2mica sensacional, proporcionando ao ouvinte o \u201csabor\u201d de \u201cao vivo\u201d. Na faixa\u00a0 <em><strong>Aguaceiro<\/strong><\/em>, a harmonia do viol\u00e3o e o acordeon da introdu\u00e7\u00e3o fazem base para as melodias r\u00edtmicas da bateria de Edu,\u00a0 retratando a narrativa abordada anteriormente. Ainda sobre a m\u00fasica, a ideia de colocar um \u201cfrevo\u201d e \u201cijex\u00e1\u201d em uma divis\u00e3o de compassos compostos foi genial. <em><strong>Na Calada Do Dia<\/strong><\/em>, faixa que d\u00e1 t\u00edtulo ao CD, nos mostra com precis\u00e3o a assinatura de Edu na bateria e composi\u00e7\u00e3o. Uma identidade perform\u00e1tica genu\u00edna. Sua habilidade na execu\u00e7\u00e3o do \u201cchimbal\u201d ou \u201chi-hat\u201d, como \u00e9 conhecido no termo em ingl\u00eas, real\u00e7a sua condu\u00e7\u00e3o e o coloca como um instrumentista de vanguarda.<\/p>\n<p>O baterista \u00e9 \u201cendorse\u201d das marcas Evans e Promark. Tem ainda atua\u00e7\u00e3o constante na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. Desde 2006 atua como professor e possui Lato Sensu em forma\u00e7\u00e3o para professores do ensino superior pela Universidade Paulista. Atualmente, leciona na Fasm (Faculdade Santa Marcelina) e \u00e9 coordenador de m\u00fasica popular na Emesp (Escola de M\u00fasica do Estado de S\u00e3o Paulo). Constantemente ministra \u201cworkshops\u201d em diversas escolas e festivais pelo Pa\u00eds e fora dele, como por exemplo: na Juilliard School of Music, em NYC, e na Ecole de Musique Didier Lockwood, em Paris. Ainda como professor, idealizou o projeto ERMW (Edu Ribeiro Music Workshop), lan\u00e7ado em 2015,\u00a0 que trata-se de um portal de aulas online para estudar bateria de forma pr\u00e1tica e acess\u00edvel, destinado aos que t\u00eam interesse em suas t\u00e9cnicas e na m\u00fasica brasileira. O ERMW \u00e9 composto por v\u00eddeo aulas e direcionado para os m\u00fasicos que se encontram no n\u00edvel intermedi\u00e1rio ou avan\u00e7ado como instrumentista.<\/p>\n<p>Sobre a carreira de Edu, Maria Luiza Kfouri (jornalista e music\u00f3loga brasileira) comenta no site oficial do m\u00fasico: \u201cPense num baterista feliz. Ele um dia me disse: S\u00f3 mesmo com muito senso r\u00edtmico pra poder lidar com tantos tempos &#8211; e tamb\u00e9m com os contratempos &#8211; num instrumento que abriga tantas nuances e tantos mist\u00e9rios em seus diversos tambores, pratos e baquetas. Em minha j\u00e1 n\u00e3o curta vida de ouvinte e pesquisadora musical, ouvi poucos bateristas como ele. E quando me dizem &#8216;pense num baterista&#8217;, eu penso em Edu Ribeiro\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Na contracapa de <strong>Na Calada do Dia<\/strong>, Edu agradece \u201co amor que tiveram nesse momento em que pararam para ler essa prosa e ouvir um pouco dessa m\u00fasica que fa\u00e7o com muito carinho. Se estiv\u00e9ssemos aqui em casa, eu serviria um ch\u00e1 para cada um de voc\u00eas&#8221;.<\/p>\n<p><strong>No mais, bom deleite a todos. Salve os sons!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Victor Hugo\u00a0 Santiago, m\u00fasico Por Victor Hugo Santiago &#8220;Batuque \u00e9 um privil\u00e9gio, ningu\u00e9m aprende samba no col\u00e9gio&#8230;&#8221; \u00a0(Noel Rosa \/ Vadico)<\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":18939,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,283,1,634],"tags":[],"class_list":["post-18938","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-criticas","category-nacional","category-sem-categoria","category-sem-palavras"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18938"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18938\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18943,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18938\/revisions\/18943"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18939"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}