{"id":19046,"date":"2018-10-14T19:54:40","date_gmt":"2018-10-14T22:54:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=19046"},"modified":"2018-10-14T19:55:53","modified_gmt":"2018-10-14T22:55:53","slug":"documentario-da-netflix-mergulha-na-intimidade-e-genialidade-de-quincy-jones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/10\/14\/documentario-da-netflix-mergulha-na-intimidade-e-genialidade-de-quincy-jones\/","title":{"rendered":"Document\u00e1rio da Netflix mergulha na intimidade e genialidade de Quincy Jones"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_19047\" style=\"width: 2570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19047\" class=\"size-full wp-image-19047\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/HjLPGcn.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1438\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/HjLPGcn.jpg 2560w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/HjLPGcn-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/HjLPGcn-768x431.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/HjLPGcn-740x416.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/HjLPGcn-120x67.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><p id=\"caption-attachment-19047\" class=\"wp-caption-text\">Quincy Jones, Count Basie e Frank Sinatra em est\u00fadio<\/p><\/div>\n<p>Depois de mais de duas horas de filme, uma rep\u00f3rter pergunta a <strong>Quincy Jones <\/strong>o que ele tentou, mas n\u00e3o conseguiu fazer em 85 anos de vida \u2013 completados em 14 de mar\u00e7o deste ano. Com um sorriso meio sem vergonha, ele responde: \u201ccasar\u201d. A brincadeira do m\u00fasico abre espa\u00e7o para duas interpreta\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 que, depois de in\u00fameros relacionamentos (alguns deles consumando matrim\u00f4nio), ele chegou solteiro \u00e0 velhice. Em outras palavras, casar ele casou e teve muitos filhos, mas nenhum casamento durou muito. A segunda interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 que, fora um casamento duradouro, ele conseguiu absolutamente tudo que um mortal poderia conseguir no seu ramo. Talvez at\u00e9 mais do que fosse capaz de sonhar quando era uma crian\u00e7a negra pobre no in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que <strong>Quincy Jones<\/strong> chegou l\u00e1. Ou melhor, ele foi al\u00e9m e tornou-se uma institui\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria musical, algu\u00e9m que n\u00e3o respeitou limites est\u00e9ticos ou raciais para vencer na vida. Isso \u00e9 o que mostra o document\u00e1rio <strong>Quincy<\/strong>, dispon\u00edvel no Netflix desde o m\u00eas passado. Dirigido pela filha do maestro, Rashida Jones, e Alan Hiks (diretor de <strong>Keep on Keepin\u2019 On<\/strong>, sobre o trompetista Clark Terry), o filme se sustenta sobre duas narrativas. Uma \u00e9 a pr\u00f3pria vida de <strong>Quincy<\/strong> e sua luta pra sobreviver como m\u00fasico numa Am\u00e9rica p\u00f3s-depress\u00e3o. A outra s\u00e3o os bastidores do show de abertura do Museu\u00a0Nacional Historia e Cultura Afro-Americana, para o qual ele foi convidado, em 2016, a produzir um megaespect\u00e1culo para a TV.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19048\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/0b499e595240445799b127bbb45c7233-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/0b499e595240445799b127bbb45c7233-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/0b499e595240445799b127bbb45c7233-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/0b499e595240445799b127bbb45c7233-768x768.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/0b499e595240445799b127bbb45c7233-740x740.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/0b499e595240445799b127bbb45c7233-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/0b499e595240445799b127bbb45c7233.jpg 1000w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>A frustra\u00e7\u00e3o por n\u00e3o estar mais casado tem uma explica\u00e7\u00e3o: a verdadeira paix\u00e3o de Quincy sempre foi o trabalho. E \u00e9 f\u00e1cil medir a import\u00e2ncia que ele adquiriu pelo volume de estrelas que desfilam pelo filme. Paul McCartney, Lionel Richie, Nelson Mandela, Count Basie, Stevie Wonder, Dizzie Gillespie s\u00e3o alguns rostos que aparecem logo nos primeiros minutos do document\u00e1rio. Filho de um marceneiro que se virava bem para sustentar os filhos, Quincy Delight Jones Junior vivia \u00e0 margem de qualquer futuro promissor enquanto lidava com a aus\u00eancia da m\u00e3e internada para tratar a esquizofrenia, quando ele tinha 7 anos. Para melhorar o quadro, <strong>Quincy<\/strong> sonhava em ser gangster.<\/p>\n<p>Pra sorte de todos, ao ver um piano pela primeira vez, ele decidiu ser algu\u00e9m na m\u00fasica e come\u00e7ou a tocar trompete ainda na escola. Aos 14 anos, conheceu Ray Charles e tornaram-se parceiros e amigos. Anos 18, entrou para a orquestra de Lionel Hampton, depois montou a sua pr\u00f3pria. Na mesma \u00e9poca, foi convidado para fazer os arranjos do novo disco de Dinah Washington. A aposta da estrela foi mal recebida pela gravadora, mas o \u00e1lbum <strong>For Those In Love<\/strong> (1955) foi um enorme sucesso. Anos depois foi a vez de ningu\u00e9m menos que Frank Sinatra convidar Mr. Q para escrever seus arranjos.<\/p>\n<p>Dos arranjos que fazia para qualquer um que lhe pagasse US$20 at\u00e9 as grandes estrelas da m\u00fasica mundial, <strong>Quincy Jones<\/strong> atuou em um n\u00famero consider\u00e1vel de projetos. No entanto, nenhum marcou tanto sua vida do que a parceria com Michael Jackson. Eles se conheceram nos bastidores do filme <strong>The Wiz \u2013 O M\u00e1gico Inesquec\u00edvel<\/strong> (1978). J\u00e1 afastado dos irm\u00e3os, a ex-estrela mirim precisava de um disco que lhe catapultasse para a vida adulta. E assim nasceu <strong>Off The Wall<\/strong> (1979), cl\u00e1ssico da black music que vendeu n\u00fameros lend\u00e1rios. O sucesso da empreitada garantiu um novo trabalho da dupla, e \u00e9 a\u00ed que ambos entram de vez para a hist\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1 uma pessoa no mundo que n\u00e3o tenha sido tocada pelo sucesso de <strong>Thriller<\/strong> (1982), o LP mais vendido da hist\u00f3ria. Se, em <strong>Off The Wall<\/strong>, o pop recebe toques de jazz, soul, disco e m\u00fasica erudita para criar um colorido sedutor e coeso, o novo projeto \u00e9 mais agressivo na proposta de atingir muitos p\u00fablicos. Do rock de Eddie Van Halen ao suingue de Billie Jean, passando por um clipe-filme de 14 minutos, tudo em <strong>Thriller<\/strong> virou ouro. E numa das melhores cenas do document\u00e1rio, <strong>Quincy<\/strong> reencontra os m\u00fasicos que participaram daquelas sess\u00f5es com Jackson, incluindo o percussionista carioca Paulinho da Costa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Wiz (1\/8) Movie CLIP - The Crow Anthem (1978) HD\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3r1ssg1LIt4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>M\u00fasico, produtor, arranjador, pai, marido&#8230; A eletricidade da agenda de <strong>Quincy Jones<\/strong> acabou, por outro lado, lhe cobrando um pre\u00e7o alto. Duas cirurgias no c\u00e9rebro, diabetes, problemas com \u00e1lcool, pouco sono, stress, um co\u00e1gulo assassino no sangue&#8230; A conta de uma vida levada sem freio \u00e9 bem detalhada no filme que exibe imagens \u00edntimas de um gigante convalescendo de in\u00fameras quase mortes. Ele mesmo diz que uma vez recebeu um email do c\u00e9u com o seguinte conte\u00fado: \u201cBrother Jones, n\u00f3s j\u00e1 temos Ray Charles, Frank Sinatra, Charlie Parker, Miles Davies, Dizzy Gillespie. N\u00e3o precisamos de mais dor de cabe\u00e7a aqui. Fique em casa. Deixe sua bunda negra em casa\u201d.<\/p>\n<p>Assim, o filme se passa depois de <strong>Quincy Jones<\/strong> ter mudado alguns h\u00e1bitos. Parou de beber, pratica exerc\u00edcios f\u00edsicos e adaptou a agenda a uma nova rotina. Isso n\u00e3o significa parar os compromissos. Pelo contr\u00e1rio. Seus olhos ainda fa\u00edscam diante de um desafio, que \u00e9 onde entra o Museu\u00a0Nacional de Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Americana. Indo conhecer o espa\u00e7o ainda fechado, ele se emociona ao ver fotos de tantos amigos que j\u00e1 partiram. Como quem quer prestar um \u00faltimo tributo a todos eles, a inaugura\u00e7\u00e3o foi mais um sucesso, reunindo estrelas de TV, cinema e da m\u00fasica norte-americana. Em seguida, ele vai para casa e as imagens transparecem uma melancolia, como se, depois de mais uma noite de gl\u00f3ria, lhe faltasse alguma coisa. Talvez uma esposa, a \u00fanica coisa que a m\u00fasica lhe tomou.<\/p>\n<div id=\"attachment_19050\" style=\"width: 224px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19050\" class=\"size-medium wp-image-19050\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/A-cor-P\u00farpura-300x421.jpg\" alt=\"\" width=\"214\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/A-cor-P\u00farpura-300x421.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/A-cor-P\u00farpura-740x1039.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/A-cor-P\u00farpura-120x169.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/A-cor-P\u00farpura.jpg 759w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 214px) 100vw, 214px\" \/><p id=\"caption-attachment-19050\" class=\"wp-caption-text\">Quincy Jones foi o produtor do filme A Cor P\u00farpura, que lhe rendeu ainda uma \u00f3tima trilha sonora<\/p><\/div>\n<p><strong>Quincy Jones Em n\u00fameros:<\/strong><br \/>\n&gt; 2900 m\u00fasicas gravadas<br \/>\n&gt; 300 discos<br \/>\n&gt; 51 filmes<br \/>\n&gt; 79 nomea\u00e7\u00f5es ao Grammy<br \/>\n&gt; 21 pr\u00eamios Grammy<br \/>\n&gt; 8 Grammy por Thriller<br \/>\n&gt; 1\u00ba maestro negro a tocar numa cerim\u00f4nia do Oscar<br \/>\n&gt;1\u00ba executivo negro de uma gravadora<br \/>\n&gt; 1 das 18 pessoas vencedoras do Emmy, Grammy, Oscar e Tonny<br \/>\n&gt; <em><strong>We are the world<\/strong> <\/em>arrecadou US$ 75 milh\u00f5es para a aluta contra a pobreza na \u00c1frica. \u00c9 o single mais vendido da hist\u00f3ria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de mais de duas horas de filme, uma rep\u00f3rter pergunta a Quincy Jones o que ele tentou, mas n\u00e3o conseguiu fazer em 85 anos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":19047,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,149,167,264],"tags":[],"class_list":["post-19046","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-criticas","category-frank-sinatra","category-internacional","category-michael-jackson-2"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19046","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19046"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19046\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19051,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19046\/revisions\/19051"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19047"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19046"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19046"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19046"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}