{"id":19107,"date":"2018-10-29T17:46:09","date_gmt":"2018-10-29T20:46:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=19107"},"modified":"2018-10-29T17:46:09","modified_gmt":"2018-10-29T20:46:09","slug":"divino-maravilhoso-completa-50-anos-de-revolucao-televisionada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/10\/29\/divino-maravilhoso-completa-50-anos-de-revolucao-televisionada\/","title":{"rendered":"&#8220;Divino Maravilhoso&#8221; completa 50 anos de revolu\u00e7\u00e3o televisionada"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19108\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/Vitrola-Gal-Costa-740x444.png\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"444\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/Vitrola-Gal-Costa-740x444.png 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/Vitrola-Gal-Costa-300x180.png 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/Vitrola-Gal-Costa-768x461.png 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/Vitrola-Gal-Costa-120x72.png 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/Vitrola-Gal-Costa.png 1200w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/>Pode at\u00e9 n\u00e3o parecer, mas a hist\u00f3ria da Tropic\u00e1lia, enquanto movimento, \u00e9 bem curta. Ela come\u00e7a em outubro de 1967, nos festivais de m\u00fasica transmitidos pela TV, e encerra no fim de 1968, quando Gilberto Gil e Caetano Veloso s\u00e3o levados para interrogat\u00f3rio e, em seguida, para o ex\u00edlio. O que ficou da\u00ed em diante foram os ecos de um movimento que modernizou a linguagem musical brasileira incorporando diversas linguagens art\u00edsticas, novas est\u00e9ticas e a linguagem pop. E, claro, aquele volume de liberdade no agir e pensar acabou incomodando os militares que haviam se abancado no poder poucos anos antes.<!--more--><\/p>\n<p>Se os festivais de m\u00fasica j\u00e1 garantiram uma boa dose de estranheza para aquele grupo guiado pelos baianos, foi quando eles ganharam um programa de TV pr\u00f3prio que ficou ainda mais evidente suas inten\u00e7\u00f5es libert\u00e1rias. O <strong>Divino Maravilhoso<\/strong> estreou em 28 de outubro de 1968 e saiu do ar no fim de dezembro do mesmo ano. A apresenta\u00e7\u00e3o era de Caetano e Gil, com a participa\u00e7\u00e3o de outros tropicalistas como Gal Costa, Tom Z\u00e9, Mutantes e Rog\u00e9rio Duprat, al\u00e9m da presen\u00e7a de artistas que, mesmo fora do movimento, eram pr\u00f3ximos da turma, como Jorge Benjor, Jards Macal\u00e9, Juca Chaves e as bandas Beat Boys e Os Bichos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-19109\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/caetano_em_gravacao_do_programa_divino_maravilhoso-740x1110.jpg\" alt=\"\" width=\"383\" height=\"575\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/caetano_em_gravacao_do_programa_divino_maravilhoso-740x1110.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/caetano_em_gravacao_do_programa_divino_maravilhoso-300x450.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/caetano_em_gravacao_do_programa_divino_maravilhoso-768x1152.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/caetano_em_gravacao_do_programa_divino_maravilhoso-120x180.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/10\/caetano_em_gravacao_do_programa_divino_maravilhoso.jpg 800w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/>O <strong>Divino Maravilhoso<\/strong> deveria ser a consagra\u00e7\u00e3o dos tropicalistas no meio que eles escolheram para lan\u00e7ar as ideias do movimento. Foi em 1967, no III Festival de M\u00fasica Popular Brasileira, na TV Record, que eles borraram os r\u00f3tulos levando os roqueiros argentinos Beat Boys para acompanhar Caetano em <em><strong>Alegria, Alegria<\/strong><\/em> e jogaram psicodelia dos Mutantes no bai\u00e3o <em><strong>Domingo no Parque<\/strong><\/em>, de Gil. Misturar MPB com guitarra dividiu opini\u00f5es, confundiu muita gente e ofendeu os puristas, mas a moda pegou e toda a turma gravou disco no ano seguinte. E foi tamb\u00e9m em 1968 que Gal Costa lan\u00e7ou na quarta edi\u00e7\u00e3o do mesmo festival a nova<strong> Divino Maravilhoso<\/strong>.<\/p>\n<p>Um ano depois de um disco de canto contido, puxado \u00e0 bossa nova com inspira\u00e7\u00e3o em Jo\u00e3o Gilberto, Gal aparecia na TV de cabelos crespos, cheia de colares, trajes coloridos cantando de forma explosiva a parceria de Gil e Caetano. \u201c\u00c9 preciso estar atento e forte, n\u00e3o temos tempo de temer a morte\u201d, gritava ela na m\u00fasica escolhida para batizar o programa que foi prometido, um ano antes, para aproveitar a popularidade daquela turma tropicalista. Numa \u00e9poca em que Elis Regina e Jair Rodrigues tinham o <em>Fino da Bossa<\/em>, Roberto, Erasmo e Wanderl\u00e9a dividiam o <em>Jovem Guarda<\/em>, e v\u00e1rias estrelas da MPB \u2013 Geral Vandr\u00e9, Simonal, Chico Buarque&#8230; \u2013 se revezavam no <em>Frente \u00danica<\/em>, os baianos tamb\u00e9m levaram sua proposta para a TV Record. A escolha era perfeita, j\u00e1 que foi ali onde o Tropicalismo ganhou fama pelos festivais.<\/p>\n<p>No entanto, ap\u00f3s alguns desentendimentos, a proposta do programa \u2013 que poderia se chamar &#8220;Banana Especial&#8221;, para um \u201c\u00edcone\u201d muito utilizado pelos tropicalistas \u2013 para a Globo e foi indicado o nome de Z\u00e9 Celso Martinez, do Teatro Oficina, para a dire\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a do dramaturgo respons\u00e1vel por obras pol\u00eamicas como <em>O rei da Vela<\/em> e <em>Roda Viva<\/em> foi um dos principais pontos de disc\u00f3rdia entre os respons\u00e1veis pelo programa e um dos patrocinadores da atra\u00e7\u00e3o, a Rhodia.<\/p>\n<p>Meses se passaram com o impasse, at\u00e9 que outra TV resolveu bancar o programa, a Tupi. E logo ficou provado que aquela aventura era bem perigosa. Com dire\u00e7\u00e3o de Fernando Faro e uma equipe que contava com nomes como Ant\u00f4nio Abujamra e Cassiano Gabus Mendes, o <strong>Divino Maravilhoso<\/strong> era uma anarquia chocante capaz de arrepiar at\u00e9 os mais modernos. No ar sempre \u00e0s segundas-feiras \u00e0 noite, o programa iniciou com um Caetano de peito nu cantando <em><strong>Saudosismo<\/strong><\/em>, uma bossa ir\u00f4nica que proclamava um \u201cchega\u201d na saudade, at\u00e9 os Mutantes entrarem com suas guitarras el\u00e9tricas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"4\u00ba Festival de MPB TV Record 1968 Gal costa - Divino maravilhoso\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mB0ubulCAYM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cE o programa da\u00ed para o fim \u00e9 o mau comportamento total, ca\u00f3tico nos sons e gestos, alucina\u00e7\u00e3o. Desfilam as novas m\u00fasicas: <em><strong>Fal\u00eancia das Elites<\/strong><\/em>, <em><strong>Miserere Nobis<\/strong><\/em>, <em><strong>Baby<\/strong><\/em>, <em><strong>\u00c9 Proibido Proibir<\/strong><\/em>, <em><strong>Caminhante Noturno<\/strong><\/em>, <em><strong>Panis et Circencis<\/strong><\/em>, etc. Cada qual se transforma num happening, num pretexto para extravag\u00e2ncia, \u2018loucuras\u2019\u201d, descrevia a Folha de SP em 30 de outubro de 1968, em mat\u00e9ria reproduzida no site oficial do movimento. Teve ainda Caetano plantando bananeira no palco e preso numa jaula, e Gil encarnando Jesus numa ceia cheia de bananas. Entre muitas cenas como essas, nenhuma seria t\u00e3o agressiva quanto Caetano Veloso cantando <em><strong>Boas Festas<\/strong><\/em> (Assis Valente) com um rev\u00f3lver apontado para a cabe\u00e7a, dois dias antes do Natal.<\/p>\n<p>Foi demais para tempos de ditadura militar. Dia 27 de dezembro, a dupla de baianos foi levada para depor numa delegacia, depois presa e enviada para o ex\u00edlio em Londres, de onde s\u00f3 voltou em 1972. O endurecimento do regime e o fim do Divino Maravilhoso decretaram tamb\u00e9m o fim do movimento tropicalista, que seguiu como um marco na cultura brasileira. S\u00e3o pouqu\u00edssimas as informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sobre aqueles dias de happening e nenhuma imagem foi preservada, al\u00e9m de poucas fotos. Alguns livros d\u00e3o conta de que os v\u00eddeos do programa foram queimados para n\u00e3o complicar mais a vida dos artistas com o regime. E Caetano s\u00f3 voltaria a apresentar um programa de TV em 1986, ao lado de outro \u00edcone da resist\u00eancia pol\u00edtica: Chico Buarque. Sem a mesma anarquia, mas igualmente livre de amarras e r\u00f3tulos, Chico &amp; Caetano foi transmitido pela Globo de abril a dezembro daquele ano e recebeu convidados, como Legi\u00e3o Urbana, Tim Maia, Elza Soares, Fundo de Quintal e Tom Jobim. O programa serviu como uma bandeira branca entre a MPB politizada e o canal apontado como apoiador do regime. Eram os novos tempos que chegavam e novas revolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pode at\u00e9 n\u00e3o parecer, mas a hist\u00f3ria da Tropic\u00e1lia, enquanto movimento, \u00e9 bem curta. 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