{"id":19141,"date":"2018-11-08T11:34:41","date_gmt":"2018-11-08T13:34:41","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=19141"},"modified":"2018-11-08T11:34:41","modified_gmt":"2018-11-08T13:34:41","slug":"sem-palavras-ventos-sonoros-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2018\/11\/08\/sem-palavras-ventos-sonoros-do-sul\/","title":{"rendered":"Sem Palavras: Ventos sonoros do Sul"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19142\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/11\/1007509880.jpg\" alt=\"\" width=\"770\" height=\"771\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/11\/1007509880.jpg 770w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/11\/1007509880-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/11\/1007509880-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/11\/1007509880-768x769.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/11\/1007509880-740x741.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/11\/1007509880-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><\/p>\n<p><strong>Por Victor Hugo Santiago (M\u00fasico)<\/strong><\/p>\n<p>Os bons ventos nos levam para dentro de um cen\u00e1rio sonoro em que o canto dos p\u00e1ssaros apraz toda uma musicalidade advinda dos vales e montes que vestem os peda\u00e7os de Am\u00e9rica do Sul, onde a m\u00fasica tem uma leitura peculiar. Assim reverbera <em><strong>Vento Sul<\/strong><\/em>, \u00faltimo trabalho de Luis Leite.<!--more--><\/p>\n<p>Luis Leite nasceu no Rio de Janeiro, em julho de 1979. Cresceu em ber\u00e7o familiar musical recebendo grande influ\u00eancia de seu av\u00f4, que como m\u00fasico amador, ensinou-lhe os primeiros acordes. Seu pai e tios tamb\u00e9m tocavam regularmente. Nesse universo, o viol\u00e3o foi o instrumento respons\u00e1vel por reunir todos ao redor da m\u00fasica. Com essas influ\u00eancias j\u00e1 em \u00e2mbito familiar, Luis foi demostrando interesse em diversos segmentos musicais desde cedo. Navegara pelos mais variados estilos, do choro ao jazz, at\u00e9 \u00e0 m\u00fasica cl\u00e1ssica, come\u00e7ando a se apresentar profissionalmente aos 14 anos com o Grupo Camer\u00edstico de Viol\u00f5es.<\/p>\n<p>Sua forma\u00e7\u00e3o \u00e9 em viol\u00e3o pela UniRio. Ap\u00f3s receber o primeiro lugar em concursos nacionais de viol\u00e3o, aos 19 anos foi residir fora do Pa\u00eds, onde se especializou na Accademia Musicale Chigiana (Siena, It\u00e1lia), tornando-se bacharel e mestre pela Universit\u00e4t f\u00fcr Musik Wien, sob a orienta\u00e7\u00e3o do renomado violonista Alvaro Pierri. De volta ao Brasil, assume a c\u00e1tedra de Viol\u00e3o da Universidade Federal de Juiz de Fora, onde desde ent\u00e3o, coordena o programa de Bacharelado em Viol\u00e3o. Viol\u00e3o esse que expande-se de uma forma h\u00edbrida, \u201cbebendo de fontes\u201d mineiras que claramente se evidenciam no disco em quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Vento Sul<\/strong>\u00a0\u00e9 o seu terceiro \u00e1lbum. Com vasto curr\u00edculo internacional, o violonista e compositor re\u00fane artistas convidados em um novo \u00e1lbum que explora o lirismo e a sensibilidade da m\u00fasica da Am\u00e9rica do Sul, onde percebe-se diretamente uma inspira\u00e7\u00e3o referente \u00e0 riqueza harm\u00f4nica (peculiar) da m\u00fasica mineira, bem como as divis\u00f5es das m\u00fasicas latinas na composi\u00e7\u00e3o das faixas. Todas autorais, importante ressaltar.\u00a0No \u00e1lbum, tamb\u00e9m comparecem Erika Ribeiro (piano), Felipe Continentino (bateria), Elisa Monteiro (viola), Fred Ferreira (guitarra) e M\u00e1rcio Sanchez (violino).\u00a0<strong>Vento Sul<\/strong> \u00e9 um daqueles discos em que a compreens\u00e3o sonora n\u00e3o cabe em fones de ouvido. Precisa ser apreciado em seu formato f\u00edsico com um aparelho de som e todos os seus recursos. Somente assim \u00e9 poss\u00edvel captar a totalidade expressiva pretendida por Luis.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DESPEDIDA (Farewell) - Luis Leite\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/e0zQ8eo6pfk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Com intensa atividade internacional, Luis j\u00e1 se apresentou em mais de 20 pa\u00edses. J\u00e1 esteve ao lado de grandes nomes da m\u00fasica, como Hamilton de Holanda e Yamandu Costa. Ap\u00f3s <strong>Mundo Urbano<\/strong>\u00a0(2009), <strong>Ostinato<\/strong>\u00a0(2014) e por \u00faltimo <strong>Vento Sul<\/strong> (2017), Luis traz a narrativa musical como protagonista da cena, convidando o ouvinte a mergulhar no universo da m\u00fasica e escut\u00e1-la em primeiro plano, ou como disse a revista <em>Classical Guitar Magazine<\/em> (UK): \u201cLuis Leite possui uma t\u00e9cnica capaz de qualquer coisa e ainda um som bonito para completar\u201d.<\/p>\n<p>A proposta do instrumentista carioca Luis Leite foi conceber um \u00e1lbum contemplativo na contram\u00e3o da urg\u00eancia do cotidiano, que logo \u00e9 sentida nas primeiras can\u00e7\u00f5es de <strong>Vento Sul<\/strong>. <em><strong>Santiago<\/strong><\/em>, por exemplo, faixa que abre o disco, foi composta em um hotel da pr\u00f3pria cidade homenageada (no caso, em Santiago de Compostela e n\u00e3o do Chile). A m\u00fasica mostra uma virtuose e din\u00e2mica entre viol\u00e3o e piano em um di\u00e1logo com altern\u00e2ncia em compassos \u00edmpares que nos proporcionam uma agrad\u00e1vel viagem no \u00e2mago da musicalidade latina, adentrando em seu universo repleto de melodias intrigantes. Tamb\u00e9m me chamou a aten\u00e7\u00e3o a faixa <em><strong>Veredas<\/strong><\/em>, onde a cantora Tatiana Parra com seus nuances impec\u00e1veis, tra\u00e7a desenhos vocais que fazem um contraponto harmonioso, adornando assim a can\u00e7\u00e3o juntamente \u00e0 explora\u00e7\u00e3o est\u00e9tica de contornos sinuosos com a curiosa utiliza\u00e7\u00e3o do adufo (pandeiro sem platinelas) de Sergio Krakowski, preenchendo os graves e se misturando rebuscadamente com os outros timbres. J\u00e1 em <em><strong>Flor da noite<\/strong><\/em>, escrita em homenagem a Guinga, esbo\u00e7a uma de suas grandes influ\u00eancias sonoras como compositor. Revela-se uma sonoridade mais escura, de harmonia aveludada. Ao mesmo tempo delicada e meditativa, a m\u00fasica inicia com uma introdu\u00e7\u00e3o de viol\u00e3o e em seguida, conta com a participa\u00e7\u00e3o do clarinetista Giuliano Rosas, deixando a can\u00e7\u00e3o ainda mais presente no universo \u201cguinguiniano\u201d. J\u00e1 em <em><strong>C\u00e9u de Minas<\/strong><\/em>, Luis remonta e ressignifica as melodias naturais sob as narrativas musicais envolventes das composi\u00e7\u00f5es mineiras (sempre presentes em sua vida). Escrita no interior de Minas Gerais, a faixa retrata a atmosfera cativante de um momento de tranquilidade e contempla\u00e7\u00e3o, que sem pressa, d\u00e1 um incentivo \u00e0 quem escuta.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Luis Leite | Ponteio (Edu Lobo) | Instrumental Sesc Brasil\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_LVW2YGAyxk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Ao longo das dez faixas, s\u00e3o explanadas as matrizes da cultura latino-americana. Luis soube conduzir-se por um caminho variado atrav\u00e9s da pavimenta\u00e7\u00e3o da m\u00fasica do continente, sem esquecer das ra\u00edzes brasileiras. Por meio dessa concep\u00e7\u00e3o, todas as suas virtudes que transitaram pelo singular encontro entre o erudito e o popular, o chamado \u201cthird stream\u201d dilui as fronteiras existentes entre os dois g\u00eaneros atrav\u00e9s de linguagens da m\u00fasica instrumental latino-americana, onde cada faixa possui uma identidade pr\u00f3pria e representa um universo particular em si mesma. No mais, um bom deleite a todos, e sem pressa \u2013 um incentivo \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do nosso espa\u00e7o interno de escuta.<\/p>\n<p>Salve os sons!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Victor Hugo Santiago (M\u00fasico) Os bons ventos nos levam para dentro de um cen\u00e1rio sonoro em que o canto dos p\u00e1ssaros apraz toda uma&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":19142,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[283,634],"tags":[],"class_list":["post-19141","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional","category-sem-palavras"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19141"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19141\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19143,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19141\/revisions\/19143"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}