{"id":1937,"date":"2010-10-21T07:38:00","date_gmt":"2010-10-21T10:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=1937"},"modified":"2010-10-21T07:38:00","modified_gmt":"2010-10-21T10:38:00","slug":"o-mundo-de-ozzy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2010\/10\/21\/o-mundo-de-ozzy\/","title":{"rendered":"O mundo de Ozzy"},"content":{"rendered":"<p><a rel=\"attachment wp-att-1941\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/o-mundo-de-ozzy\/images-2\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1941\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/10\/images.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"225\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/10\/images.jpg 225w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/10\/images-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/10\/images-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a>Aos 62 anos, 40 deles dedicados \u00e0 m\u00fasica, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Ozzy Osbourne<\/strong> <\/span>faz parte de imagin\u00e1rio coletivo do rock mundial, tanto pelo peso de m\u00fasica &#8211;\u00a0 seja solo ou ao lado do <strong><span style=\"color: #333333\">Black Sabbath<\/span><\/strong> &#8211; quanto pelas suas loucuras. Entronado como o Pr\u00edncipe das Trevas, Ozzy protagonizou cenas tragi-c\u00f4micas inesquec\u00edveis, boa parte delas contadas na rec\u00e9m lan\u00e7ada autobriografia <span style=\"color: #808000\"><strong>Eu sou Ozzy<\/strong> <\/span>(Benvir\u00e1). Com uma escrita fiel au modo de ser e falar do biografado, ele passa em revista muitas das suas impress\u00f5es sobre a m\u00fasica, as drogas a fam\u00edlia, os amigos e mais. Apesar de autobiografia sempre merecer um p\u00e9 atr\u00e1s, <strong><span style=\"color: #ff0000\">Ozzy<\/span><\/strong> leva a conversa com uma boa dose de seinceridade e nada de autopiedade. Confira algumas passagens:<\/p>\n<p><strong>1) Inf\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Nasci em 1948 e cresci no n\u00famero 14 de uma fileira de casas geminadas em Lodge Road. Meu pai, John Thomas, era mestre ferramenteiro e trabalhava \u00e0 noite na GEC, em Witton Lane. (&#8230;) Ele sempre me contava sobre a guerra \u2013 como quando estava trabalhando em King\u2019s Stanley, Gloucestershire, no come\u00e7o dos anos 40. Toda noite, os alem\u00e3es bombardeavam toda a porra de Coventry, que ficava a uns oitenta quil\u00f4metros. Lan\u00e7avam explosivos e minas com paraquedas, e a luz dos inc\u00eandios era t\u00e3o forte que meu pai conseguia ler o jornal durante o blecaute.<\/p>\n<p><strong>2) Adolesc\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o era exatamente um Romeu na escola \u2013 a maioria das garotas achava que eu era doido \u2013, mas por um tempo tive uma namorada chamada Jane. (&#8230;) Eu era doido por ela. Muito. Sempre que \u00edamos nos encontrar, eu ia primeiro no banheiro e passava sab\u00e3o no meu cabelo para jog\u00e1-lo para tr\u00e1s, assim ela ia pensar que eu era legal. Mas um dia come\u00e7ou a chover e, quando cheguei, minha cabe\u00e7a parecia uma bolha de sab\u00e3o, com tudo escorrendo pela minha testa e dentro dos meus olhos. Ela olhou para mim e disse: \u201cQue merda voc\u00ea fez?\u201d. Tomei um p\u00e9 na bunda. Na hora. Fiquei arrasado.<\/p>\n<p><strong><a rel=\"attachment wp-att-1942\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/o-mundo-de-ozzy\/500x365_sabbath_getty\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1942\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/10\/500x365_sabbath_getty.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"365\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/10\/500x365_sabbath_getty.jpg 500w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/10\/500x365_sabbath_getty-300x219.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/10\/500x365_sabbath_getty-120x88.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a>3) Heavy Metal<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Hoje voc\u00ea ouve pessoas dizendo que inventamos o heavy metal com a m\u00fasica \u201cBlack Sabbath\u201d. Mas eu nunca dei bola para o termo \u201cheavy metal\u201d. Para mim, n\u00e3o diz nada musicalmente, principalmente agora que temos o metal dos 70, o dos 80, dos 90 e o metal do novo mil\u00eanio \u2013 todos completamente diferentes, apesar de falarem como se tudo a mesma coisa. Na verdade, a primeira vez que ouvi as palavras \u201cheavy\u201d e \u201cmetal\u201d juntas foi na letra de \u201cBorn to be wild\u201d. A imprensa adotou o termo depois disso. N\u00f3s certamente n\u00e3o o inventamos. At\u00e9 onde me lembro, \u00e9ramos apenas uma banda de blues que tinha decidido escrever m\u00fasicas de medo.<\/p>\n<p><strong>4) Changes<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Quer\u00edamos nos impressionar antes de impressionar os outros. Se outras pessoas gostassem do que est\u00e1vamos fazendo, isso era um b\u00f4nus. Foi assim que terminamos fazendo m\u00fasicas como &#8220;Changes&#8221;, que soavam diferentes de tudo que j\u00e1 t\u00ednhamos feito antes. Quando a maioria das pessoas ouvia o nome Black Sabbath, s\u00f3 pensava na coisa pesada. Mas havia muito mais do que aquilo \u2013 principalmente quando come\u00e7amos a fazer um esfor\u00e7o para sair dessa merda de magia negra. Com \u201cChanges\u201d, Tony sentou-se ao piano e criou aquele belo riff, eu murmurei uma melodia em cima e Geezer escreveu aquela letra linda sobre a separa\u00e7\u00e3o que Bill estava enfrentando com sua mulher na \u00e9poca. Achei aquela m\u00fasica brilhante desde o momento em que a gravamos.<\/p>\n<p><strong><a rel=\"attachment wp-att-1945\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/o-mundo-de-ozzy\/sharon-and-ozzy-osbourne\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1945\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/10\/Sharon-and-Ozzy-Osbourne.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/10\/Sharon-and-Ozzy-Osbourne.jpg 460w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/10\/Sharon-and-Ozzy-Osbourne-300x196.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/10\/Sharon-and-Ozzy-Osbourne-120x78.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a>5) Fim do Black Sabbath<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; (&#8230;) Mas eu estaria mentindo se dissesse que n\u00e3o me senti tra\u00eddo pelo que aconteceu com o Black Sabbath. N\u00e3o \u00e9ramos uma banda artificial, cujos membros eram descart\u00e1veis. \u00c9ramos quatro caras da mesma cidade que tinham crescido juntos no mesmo bairro. \u00c9ramos como uma fam\u00edlia, como irm\u00e3os. E me mandar embora por estar drogado era uma merda hip\u00f3crita. \u00c9ramos todos loucos. Se voc\u00ea est\u00e1 drogado e eu tamb\u00e9m, e voc\u00ea me manda embora porque eu estou drogado, que merda \u00e9 essa? Por que eu estou ligeiramente mais drogado que voc\u00ea?<\/p>\n<p><strong>6) Morcego<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; (&#8230;) No dia 20 de janeiro de 1982, tocamos no Veterans Auditorium de Des Moines, Iowa. (&#8230;) O show estava indo bem. (&#8230;) A\u00ed, da audi\u00eancia veio um morcego. Obviamente um brinquedo, pensei. Eu levei at\u00e9 as luzes e mostrei os dentes enquanto Randy tocava um dos seus solos. A multid\u00e3o ficou louca. Fi, ent\u00e3o, o que sempre fazia quando t\u00ednhamos um brinquedo de pl\u00e1stico no palco. CHOMP. Imediatamente senti que algo estava errado. Muito errado. Para come\u00e7ar, minha boca ficou instantaneamente cheia de l\u00edquido quente e viscoso, com o gosto mais horr\u00edvel que d\u00e1 para imaginar. Eu podia senti-lo passando pelos meus dentes e escorrendo pelo queixo. Ao a cabe\u00e7a em minha boca se moveu. (&#8230;) Cuspi a cabe\u00e7a, olhei por cima das asas e vi Sharon com os olhos esbugalhados, balan\u00e7ando as m\u00e3os, gritando:\u00a0 N\u00c3OOOOOOO!!!!!!!!! \u00c9 DE VERDADE, OZZY, \u00c9 DE VERDADE! O que me lembro em seguida era de estar numa cadeira de rodas, correndo para uma sala de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=KZtXKsRH4Gg[\/youtube]<\/span><\/p>\n<p><strong>7) Rock In Rio<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; (&#8230;) O show era no Rock in Rio, um festival de dez dias com Queen, Rod Stewart, AC\/DC e Yes. Um milh\u00e3o e meio de pessoas compraram ingressos. Mas eu fiquei desapontado com o lugar. Tinha esperado ver a Garota de Ipanema em cada esquina, mas n\u00e3o vi nenhuma. Havia s\u00f3 um monte de crian\u00e7as pobres correndo pelo lugar como ratos. As pessoas eram ou absurdamente ricas ou viviam nas ruas \u2013 parecia n\u00e3o haver nada no meio.<\/p>\n<p><strong>8) Live Aid com o Black Sabbath<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Por um lado, tocar no Live Aid foi \u00f3timo: era por uma grande causa e ningu\u00e9m tocava as velhas m\u00fasicas do Sabbath como eu, Tony, Geezer e Bill. Por outro lado, foi um pouco embara\u00e7oso. (&#8230;) Nos seis anos desde que tinha sa\u00eddo da banda, tinha me tornado uma celebridade nos Estados Unidos, enquanto o Black Sabbath havia ido na\u00a0 outra dire\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o recebi tratamento especial, apesar de n\u00e3o ter pedido nada disso. (&#8230;) Eu n\u00e3o lidei com isso de uma forma correta, porque meu ego de rock star influenciado pela coca\u00edna estava descontrolado. L\u00e1 no fundo, uma parte de mim queria dizer para eles: \u201cVoc\u00ea me mandaram embora e agora eu n\u00e3o preciso de voc\u00eas, ent\u00e3o v\u00e3o se foder\u201d.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NZyVZFJGX5g[\/youtube]\n<p><strong>9) Nirvana<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Essa m\u00fasica, Smells like teen spirit, teve um grande impacto em mim \u2013 e fiquei muito orgulhoso quando descobri que Kurt Cobain era meu f\u00e3. Eu o achava sensacional. Achei todo o disco Nevermind sensacional. Foi uma enorme trag\u00e9dia o que aconteceu.<\/p>\n<p><strong>10) Drogas<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Devo estar s\u00f3brio h\u00e1 quatro ou cinco anos. N\u00e3o fico contando. N\u00e3o sei exatamente em que data parei. N\u00e3o \u00e9 uma porra de uma corrida. S\u00f3 levanto da cama a cada manh\u00e3 e n\u00e3o bebo e n\u00e3o tomo drogas. Ainda evito essas reuni\u00f5es de AA, no entanto. Para mim, parece que \u00e9 uma substitui\u00e7\u00e3o do v\u00edcio em bebida pelo v\u00edcio no programa. N\u00e3o digo que seja in\u00fatil, porque pode ajudar muita gente. Mas a mudan\u00e7a deve vir em mim.<span> <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 62 anos, 40 deles dedicados \u00e0 m\u00fasica, Ozzy Osbourne faz parte de imagin\u00e1rio coletivo do rock mundial, tanto pelo peso de m\u00fasica &#8211;\u00a0 seja&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[91,102,296,1,404],"tags":[],"class_list":["post-1937","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-curiosidades","category-dicas-em-geral","category-noticias","category-sem-categoria","category-videos"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1937","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1937"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1937\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}