{"id":19391,"date":"2019-02-10T11:57:59","date_gmt":"2019-02-10T13:57:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=19391"},"modified":"2019-02-12T00:57:04","modified_gmt":"2019-02-12T02:57:04","slug":"sem-a-carmen-nos-anos-1930-nao-haveria-david-bowie-nos-anos-1970","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2019\/02\/10\/sem-a-carmen-nos-anos-1930-nao-haveria-david-bowie-nos-anos-1970\/","title":{"rendered":"\u201cSem a Carmen nos anos 1930, n\u00e3o haveria David Bowie nos anos 1970\u201d"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bring Me the Head of Carmen M. - Trailer | IFFR 2019\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LWyoD7LSLIs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Foi em 1989, no filme <em>Banana da Terra<\/em>, que Carmen Miranda criou a imagem que tornou-se ic\u00f4nica em sua hist\u00f3ria. Em seu \u00faltimo filme produzido no Brasil, ela iria interpretar <em>Na Baixa do sapateiro<\/em>, de Ary Barroso, mas os produtores n\u00e3o quiseram pagar o que o compositor pediu. Foi ent\u00e3o que o compositor e radialista Almirante lembrou de uma m\u00fasica de Dorival Caymmi que talvez coubesse bem naquela cena: <em>O que \u00e9 que a baiana tem?<\/em>.<!--more--><\/p>\n<p>Ali nasceu a imagem da baiana estilizada criada por Carmen para ilustrar a letra que fala em balangand\u00e3s, tor\u00e7o de seda, corrente de ouro e sand\u00e1lia enfeitada. Mais que imortalizar um \u00edcone cinematogr\u00e1fico, aquele personagem criou um imagin\u00e1rio de Brasil que se espalhou pelo mundo e gera in\u00fameras discuss\u00f5es cultura, suas representa\u00e7\u00f5es e um ide\u00e1rio de pa\u00eds. O cineasta Felipe Bragan\u00e7a afirma: \u201cCarmen personificou, corporificou, a antropofagia que o Modernismo buscava pensar com palavras\u201d.<\/p>\n<p>Diretores do longa <strong>Tragam-me a Cabe\u00e7a de Carmen M.<\/strong>, ele e Catarina Wallenstein usam a imagem da artista portuguesa que cresceu no Brasil para falar de um Pa\u00eds em busca de sua identidade. O filme que estreou na Mostra de Tiradentes fala de uma atriz portuguesa que vem ao Brasil em busca de elementos para seu pr\u00f3ximo projeto: um filme sobre Carmen Miranda. Com um filme nascendo dentro de outro filme, eles mergulham em quest\u00f5es que sempre atravessaram o pensamento nacional. De Portugal, durante as filmagens de um novo trabalho, Felipe conversou com o <strong>DISCOGRAFIA<\/strong> por email. Confiram.<\/p>\n<div id=\"attachment_19392\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19392\" class=\"size-medium wp-image-19392\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/ALEGRIASETEXTRA2_red-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"201\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/ALEGRIASETEXTRA2_red-300x201.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/ALEGRIASETEXTRA2_red-768x514.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/ALEGRIASETEXTRA2_red-740x495.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/ALEGRIASETEXTRA2_red-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/ALEGRIASETEXTRA2_red.jpg 1600w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-19392\" class=\"wp-caption-text\">Felipe Bragan\u00e7a ao centro<\/p><\/div>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Seu filme n\u00e3o \u00e9 um document\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 exatamente biogr\u00e1fico e nem tem a Carmen em si como principal personagem. De que forma ela incorpora todas as quest\u00f5es que voc\u00eas desejavam abordar em Tragam-me a Cabe\u00e7a de Carmen M.?<\/strong><br \/>\n<strong>Felipe Bragan\u00e7a \u2013<\/strong> Nosso filme \u00e9 uma homenagem agridoce \u00e0 grande inventora cultural que foi Carmen Miranda. Mas n\u00e3o \u00e9 um filme com a Carmen, pessoa, em cena. Pensamos que o filme \u00e9 um ensaio em torno da trajet\u00f3ria da Carmen, atrav\u00e9s da hist\u00f3ria de uma\u00a0atriz que est\u00e1 se preparando para viver Carmen Miranda em um filme\u00a0dentro do filme. Nenhum filme vai ser capaz de abarcar tudo que representa e representou Carmen Miranda. Nosso filme \u00e9 um gesto de propor um olhar complexo sobre esta mulher, que vai muito al\u00e9m do \u00edcone pop em que ela se tornou.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Seu filme j\u00e1 foi apresentado no Brasil, durante o Festival de Tiradentes, e em Roterd\u00e3. Que impactos a lembran\u00e7a de Carmen causa nos diferentes lados do Atl\u00e2ntico?<\/strong><br \/>\n<strong>Felipe Bragan\u00e7a \u2013<\/strong> No Brasil, a pol\u00eamica em torno da figura da Carmen \u00e9 muito grande. E no fundo \u00e9 uma discuss\u00e3o sobre a possibilidade e a impossibilidade do Brasil como um territ\u00f3rio de utopia. Na Europa, o que se\u00a0sobressai\u00a0\u00e9 a curiosidade sobre o estado de afasia que o Pa\u00eds est\u00e1 passando, esse transe de puritanismo em que nos metemos. O p\u00fablico europeu reconhece, e como n\u00f3s, a figura da Carmen como uma figura transgressora e que soa como ant\u00edtese do moralismo emergente hoje no Pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Numa entrevista em Roterd\u00e3, voc\u00ea comentou que Carmen foi \u201ca primeira apropriadora cultural\u201d. Qual sua opini\u00e3o sobre o conceito de apropria\u00e7\u00e3o cultural?<\/strong><br \/>\n<strong>Felipe Bragan\u00e7a \u2013<\/strong> Na entrevista para um jornal portugu\u00eas, a express\u00e3o foi usada com ironia, porque no fundo o que achamos \u00e9 que a ideia Carmen, n\u00e3o apenas a pessoa da Carmen, desafia todas as regras de boa conduta cultural, as fronteiras geogr\u00e1ficas e os limites do processo criativo nacionalista que visa o engessamento. A nosso ver, toda inven\u00e7\u00e3o cultural se d\u00e1 atrav\u00e9s da acumula\u00e7\u00e3o e atravessamento do que nos \u00e9 estranho com o que nos \u00e9 familiar. Por vezes se confunde \u201capropria\u00e7\u00e3o cultural\u201d, o gesto cruel de uma cultura opressora tentar simular elementos culturais de uma cultura oprimida buscando a substituir, com a miscigena\u00e7\u00e3o cultural criativa, que \u00e9 espont\u00e2nea, incontrol\u00e1vel e gera novas coisas e ideias e imagens desde que o mundo \u00e9 mundo. Para n\u00f3s, o gesto perform\u00e1tico da Carmen em rela\u00e7\u00e3o ao samba era o de uma artista propondo inven\u00e7\u00e3o, transgress\u00e3o e encontro atrav\u00e9s da par\u00f3dia e da ironia, e n\u00e3o uma mera imita\u00e7\u00e3o simulada da cultura do samba \u2013 como, \u00e0s vezes, tentam simplificar ao falar dela e de sua arte como o gesto de uma ladra. Diminuir a Carmen \u00e9 fruto de uma ignor\u00e2ncia de sua trajet\u00f3ria criativa e do contexto em que ela criava.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CARMEN MIRANDA - O QUE \u00c9 QUE A BAIANA TEM\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ojo3I59Gn6c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 A imagem constru\u00edda por Carmen acabou por se espalhar pelas mais variadas linguagens e \u00e9, ainda hoje, citada em diferentes meios. Porque essa mulher\/personagem tornou-se t\u00e3o forte e perene ao longo da hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\n<strong>Felipe Bragan\u00e7a \u2013<\/strong> A Carmen foi uma das maiores pensadoras da cultura brasileira na hist\u00f3ria e uma das inventoras da ideia de que a voz e o corpo se tornariam uma s\u00f3 coisa na constru\u00e7\u00e3o da iconografia pop. Carmen personificou, corporificou, a antropofagia que o Modernismo buscava pensar com palavras. Sem a Carmen nos anos 1930, n\u00e3o haveria David Bowie nos anos 1970.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Se um dos maiores \u00edcones da cultura brasileira nasceu no exterior, em que medida Carmen Miranda \u00e9 solu\u00e7\u00e3o e d\u00favida para a crise de identidade nacional?<\/strong><br \/>\n<strong>Felipe Bragan\u00e7a \u2013<\/strong> A solu\u00e7\u00e3o que Carmen nos apresenta \u00e9 justamente essa: nos encontrar na incongru\u00eancia. Quando o Brasil busca unidade e congru\u00eancia, se suicida. \u00c9 o que estamos passando agora: uma vontade de unidade harm\u00f4nica nacionalista. E isso mata.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 A produ\u00e7\u00e3o de <em>Tragam-me a Cabe\u00e7a de Carmen M.<\/em> levou seis meses, de maio a dezembro de 2018, quando o Brasil viveu um turbilh\u00e3o pol\u00edtico, hist\u00f3rico e conceitual ao questionar termos como liberdade, ditadura e democracia. Em que medidas, seu filme \u00e9 um retrato de um momento hist\u00f3rico e, ao mesmo tempo, do Brasil de qualquer \u00e9poca?<\/strong><br \/>\n<strong>Felipe Bragan\u00e7a \u2013<\/strong> Eu e Catarina Wallenstein, que\u00a0dirige\u00a0e escreve o\u00a0filme comigo, quer\u00edamos justamente expressar um sentimento que t\u00ednhamos diante do Pa\u00eds: essa mistura de completo desencanto com uma saudade\u00a0esperan\u00e7osa de que este pa\u00eds de alguma forma ainda pulse o territ\u00f3rio de utopia\u00a0tropical, do\u00a0encontro e da\u00a0inven\u00e7\u00e3o que um dia sonhou ser.<\/p>\n<div id=\"attachment_19394\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19394\" class=\"size-medium wp-image-19394\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/82a66ebe-57c3-407e-8bc8-a6205f9731bc-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/82a66ebe-57c3-407e-8bc8-a6205f9731bc-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/82a66ebe-57c3-407e-8bc8-a6205f9731bc-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/82a66ebe-57c3-407e-8bc8-a6205f9731bc-740x416.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/82a66ebe-57c3-407e-8bc8-a6205f9731bc-120x67.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/02\/82a66ebe-57c3-407e-8bc8-a6205f9731bc.jpg 1863w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-19394\" class=\"wp-caption-text\">Cena do filme Tragam-me a cabe\u00e7a de Carmen M.<\/p><\/div>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Uma cena do filme mostra o Museu Nacional, recentemente perdido em um inc\u00eandio. Carmen \u00e9 uma estrela do cinema pouco assistida em seu pa\u00eds e uma cantora pouco ouvida. De que forma voc\u00ea acredita que ela representa a rela\u00e7\u00e3o do Brasil com a pr\u00f3pria mem\u00f3ria?<\/strong><br \/>\n<strong>Felipe Bragan\u00e7a \u2013<\/strong> O Brasil foi constru\u00eddo sobre esquecimento, viol\u00eancia e confus\u00e3o. Toda a beleza e a dor do\u00a0imagin\u00e1rio\u00a0brasileiro vem da\u00ed. Desses povos ib\u00e9ricos, americanos e africanos, desterrados, sequestrados, mortos e esquecidos nessa terra prometida e imposs\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Como tem sido a repercuss\u00e3o de Tragam-me a Cabe\u00e7a de Carmen M. entre o p\u00fablico? Tendo sido uma produ\u00e7\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pida e atravessada por tantos questionamentos, como voc\u00eas t\u00eam avaliado o resultado ap\u00f3s ele encontrar o p\u00fablico?<\/strong><br \/>\n<strong>Felipe Bragan\u00e7a \u2013<\/strong> O p\u00fablico n\u00e3o existe. Existem pessoas. E algumas choram, outras riem e outras pensam muito ap\u00f3s verem o filme. E acho que ele tem feito o\u00a0que procur\u00e1vamos com ele: propor a Carmen como criadora potente, que pode e deve ser revisitada para al\u00e9m da iconografia pop. E fazer tamb\u00e9m uma pequena cr\u00f4nica do Brasil do final de 2018 t\u00e3o atravessado por mazelas pol\u00edticas. Quer\u00edamos isso: um filme feito de d\u00favidas. Que celebrasse as d\u00favidas nesse mundo t\u00e3o viciado em certezas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi em 1989, no filme Banana da Terra, que Carmen Miranda criou a imagem que tornou-se ic\u00f4nica em sua hist\u00f3ria. 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