{"id":19455,"date":"2019-03-06T15:18:20","date_gmt":"2019-03-06T18:18:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=19455"},"modified":"2019-03-06T18:25:00","modified_gmt":"2019-03-06T21:25:00","slug":"depois-de-20-anos-jards-macale-volta-a-lancar-album-todo-de-ineditas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2019\/03\/06\/depois-de-20-anos-jards-macale-volta-a-lancar-album-todo-de-ineditas\/","title":{"rendered":"Depois de 20 anos, Jards Macal\u00e9 volta a lan\u00e7ar \u00e1lbum todo de in\u00e9ditas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19456\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/03\/Jards-Macale\u0301-Besta-Fera.jpeg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/03\/Jards-Macale\u0301-Besta-Fera.jpeg 640w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/03\/Jards-Macale\u0301-Besta-Fera-150x150.jpeg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/03\/Jards-Macale\u0301-Besta-Fera-300x300.jpeg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/03\/Jards-Macale\u0301-Besta-Fera-120x120.jpeg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/>H\u00e1 quatro anos, o disco <em>A Mulher do Fim do Mundo<\/em> lan\u00e7ou Elza Soares a um novo patamar de uma carreira de mais 60 anos. O \u00e1lbum, seu primeiro 100% de in\u00e9ditas, foi arquitetado por uma turma de paulistanos que, desde o in\u00edcio deste s\u00e9culo, vem espalhando novas sonoridades pela MPB. Guilherme Kastrup, Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e R\u00f4mulo Fr\u00f3es estavam entre os envolvidos no projeto que tirou a lend\u00e1ria sambista do seu lugar de conforto e a colocou entre sons ca\u00f3ticos, discursos violentos e batidas modernas.<\/p>\n<p><!--more-->Essa mesma turma est\u00e1 por tr\u00e1s de <strong>Besta Fera<\/strong>, de <strong>Jards Macal\u00e9<\/strong>. Sendo este disco o primeiro de in\u00e9ditas do carioca em d\u00e9cadas, a expectativa \u00e9 que ele fosse t\u00e3o impactante quanto <em>A Mulher do Fim do Mundo<\/em>. Embora a produ\u00e7\u00e3o de Kiko Dinucci e Thomas Harres seja um espet\u00e1culo po\u00e9tico e sonoro, algo \u00e9 preciso ser dito: <strong>Macal\u00e9<\/strong> nunca teve um lugar de conforto. Desde que estreou com o compacto <em>S\u00f3 Morto<\/em> (1970), o carioca j\u00e1 se jogou aos mais diversos le\u00f5es, comp\u00f4s rock, blues, samba, bossa nova, escreveu sobre o doce e o azedo, foi regravado por Deus e o mundo, e se regravou \u00e0 exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>Carregando a cruz de \u201ccompositor maldito\u201d, o autor de <em>Vapor Barato<\/em> buscou sempre manter sua integridade art\u00edstica e liberdade criativa. Talvez seja por isso que <strong>Besta Fera<\/strong> n\u00e3o parece ser um disco que apresenta novidades, mas que potencializa todas as qualidades do compositor de 75 anos. Por exemplo, a mesma melancolia tr\u00e1gica de <em><strong>Obst\u00e1culos<\/strong><\/em> estava presente em <em>A Dona do Castelo<\/em> (1974). Da mesma forma, o mesmo som quebrado e mensagem r\u00e1pida de <em><strong>Pacto de Sangue<\/strong><\/em> j\u00e1 estava em <em>Let\u2019s Play That<\/em> \u2013 a primeira traz letra de Capinam.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Single  Buraco da Consola\u00e7\u00e3o  | Jards Macal\u00e9 e Tim Bernardes -\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/r0SGVxTI2Cs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Mas calma, h\u00e1 muito frescor em <strong>Besta Fera<\/strong>. Estar cercado de jovens e cantando novos versos garante a <strong>Macal\u00e9<\/strong> alguns momentos sublimes, como <em><strong>Buraco da Consola\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>. A parceria com Tim Bernardes (que tamb\u00e9m canta na faixa) sintetiza os dois temas centrais do disco, a cidade e o amor. E o faz com estrema sensualidade e leveza (\u201cVoc\u00ea n\u00e3o via que o mundo est\u00e1 podre porque estava cego de amor\u201d). E se <em><strong>Meu amor e Meu Cansa\u00e7o<\/strong><\/em> n\u00e3o economiza no sentimento derramado (\u201cFa\u00e7a o que quiser do meu corpo, minha boca, o que quiser\u201d), <em><strong>Trevas<\/strong><\/em> pinta a degrada\u00e7\u00e3o das grandes cidades tomadas pela ang\u00fastia e pela fuma\u00e7a.<\/p>\n<p>Reunindo as poesias de Greg\u00f3rio de Matos, Ezra Pound (adaptada por D\u00e9cio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos), Clima, Ava Rocha e Rodrigo Campos, e as voz imponente e necess\u00e1ria de Ju\u00e7ara Mar\u00e7al (na caymmiana <em><strong>Peixe<\/strong><\/em>), <strong>Besta Fera<\/strong> traz as ideias p\u00f3s-tropicalistas do velho Macau para os anos 2000, sem de fato representar uma guinada na carreira. \u201cNem quero que saibam o valor das minhas can\u00e7\u00f5es. Se boas ou m\u00e1s, pouco me importam. Elaborei com meu calor e nesse trabalho eu levo a flor\u201d, avisa Macal\u00e9 em <em><strong>Valor<\/strong><\/em>, gravada em 1981, mas s\u00f3 agora lan\u00e7ada. Sem simpatia, concess\u00e3o ou novas expectativas, ele apenas mostra suas can\u00e7\u00f5es e prova que n\u00e3o deixou de ser senhor do seu of\u00edcio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quatro anos, o disco A Mulher do Fim do Mundo lan\u00e7ou Elza Soares a um novo patamar de uma carreira de mais 60 anos&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":19456,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,90,176,283,608],"tags":[],"class_list":["post-19455","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-albuns","category-criticas","category-jards-macale","category-nacional","category-tim-bernardes"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19455"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19455\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19457,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19455\/revisions\/19457"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19456"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}