{"id":19694,"date":"2019-06-22T21:27:42","date_gmt":"2019-06-23T00:27:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=19694"},"modified":"2019-06-22T21:27:42","modified_gmt":"2019-06-23T00:27:42","slug":"tim-bernardes-o-farol-dos-novos-tempos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2019\/06\/22\/tim-bernardes-o-farol-dos-novos-tempos\/","title":{"rendered":"Tim Bernardes, o farol dos novos tempos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_19697\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19697\" class=\"wp-image-19697 size-large\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6562-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6562-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6562-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6562-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6562-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6562.jpg 2000w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-19697\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Salvina Lobo\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>No hist\u00f3ria do rock brasileiro, cada d\u00e9cada revelou algum artista que serviu de farol para sua gera\u00e7\u00e3o, de modo geral, gerando c\u00f3pias bem ou mal sucedidas. Fazendo uma sele\u00e7\u00e3o bem resumida de exemplos, nos 1960 tivemos Roberto e Erasmo Carlos. Nos 1970, Raul Seixas e Rita Lee. Nos 1980, Renato Russo. Nos 1990, Los Hermanos. Nos anos 2000, o rock nacional foi perdendo for\u00e7a e ganhando ares de resist\u00eancia nas m\u00e3os de bandas que tocam para p\u00fablicos quase sempre pequenos, mas bastante fieis.<!--more--><\/p>\n<p>Essa resist\u00eancia \u00e9 v\u00e1lida, mas quero sugerir um nome para servir de inspira\u00e7\u00e3o para os jovens (ou n\u00e3o jovens) compositores. Martim Bernardes, ou somente <strong>Tim Bernardes<\/strong>, \u00e9 guitarrista, pianista, frontleader e principal compositor da banda <strong>O Terno<\/strong>. Ele esteve no fim de semana passado em Fortaleza para duas apresenta\u00e7\u00f5es diferentes, embora igualmente sedutoras e com emo\u00e7\u00f5es bem pr\u00f3ximas. Realizados no Theatro Jos\u00e9 de Alencar, na sexta-feira, 14, ele apresentou o show solo do disco <strong>Recome\u00e7ar<\/strong> e no s\u00e1bado, 15, reuniu a banda para mostrar o disco<strong> Atr\u00e1s\/Al\u00e9m<\/strong>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19698\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6157-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6157-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6157-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6157-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6157-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6157.jpg 2000w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p>A qualidade das duas apresenta\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo sofisticadas e de f\u00e1cil assimila\u00e7\u00e3o, era tanta que nem sei por onde come\u00e7ar. Tentemos pelo come\u00e7o, pelo show solo. Cercado de duas guitarras, um piano, alguma parafern\u00e1lia t\u00e9cnica e muitas luzes, <strong>Tim Bernardes<\/strong> avisou que a ideia do show era transportar para o palco o clima de quando ele tocava aquelas can\u00e7\u00f5es no quarto. A frase \u00e9 clich\u00ea, mas soou bem sincera na voz do paulistano. De fato ele parecia bem \u00e0 vontade ao desfilar aquelas melodias cheias de melancolia, tristeza e esperan\u00e7a p\u00e1lida que emolduravam versos igualmente agridoces.<\/p>\n<p>Sim, <strong>Tim Bernardes<\/strong> parece ser um jovem compositor que encontrou na m\u00fasica um lugar para escoar suas ang\u00fastias. Mas ele tem uma medida po\u00e9tica muito bem calculada e, apesar da solid\u00e3o do quarto\/palco e do ritmo lento das can\u00e7\u00f5es, em momento nenhum ele deixa o show cair. E como se n\u00e3o bastasse ser um letrista de excelente qualidade, ainda toca guitarra danada, canta pra cacete e faz mis\u00e9ria no piano.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19699\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6299-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6299-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6299-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6299-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6299-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6299.jpg 2000w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse isso tudo, a ilumina\u00e7\u00e3o do show torna tudo maior, mais enf\u00e1tico, teatral. Na sexta-feira, o repert\u00f3rio do <strong>Recome\u00e7ar<\/strong> era o guia, mas teve espa\u00e7o para algumas d<strong>O Terno<\/strong> al\u00e9m de homenagens ao recente parceiro Jards Macal\u00e9 (<em><strong>Solu\u00e7os<\/strong><\/em>), Gilberto Gil (<em><strong>Exot\u00e9rico<\/strong> <\/em>e <em><strong>Luzia Luluza<\/strong><\/em>) e uma jun\u00e7\u00e3o de Black Sabbath (<em><strong>Changes<\/strong><\/em>) com Belchior (<em><strong>Paralelas<\/strong><\/em>). <strong>Tim Bernardes<\/strong> sabe colocar verdade no que diz, apesar do jeito moleque que parece querer disfar\u00e7ar alguma timidez. Soubesse voc\u00ea ou n\u00e3o cantar aquelas can\u00e7\u00f5es (eu n\u00e3o sabia), era grande a chance de voc\u00ea se deixar levar por aquela voz.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado, o show d<strong>O Terno<\/strong> parecia uma extens\u00e3o do <strong>Recome\u00e7ar<\/strong>. At\u00e9 certo ponto \u00e9. A ilumina\u00e7\u00e3o usa as mesmas ideias, sendo igualmente um destaque. A melancolia tamb\u00e9m foi fazendo parte do repert\u00f3rio da banda a cada disco e encontrou um boa medida em <strong>Atr\u00e1s\/Al\u00e9m<\/strong>. No entanto, <strong>O Terno<\/strong> \u00e9 bem mais que &#8220;a banda de <strong>Tim Bernardes<\/strong>&#8220;. E isso j\u00e1 fica claro na forma\u00e7\u00e3o do palco, quando eles parecem tocar um para o outro. Um dos momentos mais sublimes, inclusive, \u00e9 a hora de apresentar a banda. <strong>Tim<\/strong> apresenta o baterista Gabriel Basile, que apresenta o baixista Guilherme D&#8217;Almeida, que apresenta <strong>Tim<\/strong>. A prop\u00f3sito, o longo discurso de <strong>Tim<\/strong> para falar do seu amigo &#8220;Biel&#8221; Basile foi hil\u00e1rio pelo volume de elogios e sinceridade. Acho que ningu\u00e9m est\u00e1 preparado pra ouvir tanta sinceridade. Ficou dif\u00edcil para o pr\u00f3ximo superar tanto carinho.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil reconhecer as influ\u00eancias d<strong>O Terno<\/strong>. Usando aquela linha evolutiva do primeiro par\u00e1grafo, eles beberam muito na fonte da Jovem Guarda para o primeiro disco, mas sem soar como cover. A guitarra de <strong>Tim Bernardes<\/strong> e o bom humor das composi\u00e7\u00f5es, em muitos momentos, faz lembrar Mutantes, seus conterr\u00e2neos. Entre Renato Russo e Los Hermanos, o <strong>Terno<\/strong> se aproxima mais desses \u00faltimos. \u00c9 bem claro que algumas ideias vieram do quarteto carioca, mas os paulistanos t\u00eam suas vantagens.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19700\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6449-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6449-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6449-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6449-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6449-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/06\/IMG_6449.jpg 2000w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p>Numa compara\u00e7\u00e3o muito covarde entre Los Hermanos e <strong>O Terno<\/strong>, <strong>Tim Bernardes<\/strong> e seus parceiros saem ganhando em, pelo menos, dois quesitos. A disposi\u00e7\u00e3o de misturar elementos do rock (jovem guarda, psicodelia, progressivo, blues&#8230;) com outros ritmos (samba, ska, fox trote&#8230;) era uma marca forte dos Hermanos p\u00f3s-<strong>Bloco do Eu Sozinho<\/strong>, mas isso soa bem menos pretensioso com <strong>o Terno<\/strong>. Se os cariocas queriam entrar para o seleto time da MPB, os paulistanos entraram sem fazer muito esfor\u00e7o. O segundo quesito \u00e9 a intera\u00e7\u00e3o entre os m\u00fasicos. N\u00e3o tardou para que os hermanos come\u00e7assem a competir em genialidade, enquanto o <strong>Terno<\/strong>, apesar dos 10 anos tocando juntos, ainda parecem equilibrar seus papeis dentro da banda e dividir suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um das mostras disso est\u00e1 em <em><strong>Bielzinho, Bielzinho<\/strong><\/em>. O afox\u00e9 em homenagem ao baterista Biel Basile foi um dos muitos momentos sublimes do show do s\u00e1bado. E a todo momento eles celebravam a casa cheia e as muitas palmas da plateia que n\u00e3o resistiu e, no meio do espet\u00e1culo, se levantou para aplaudir de p\u00e9. Entre momentos de escurid\u00e3o total e de uma imensa luz amarela que explodia no rosto do p\u00fablico, tudo correu com perfei\u00e7\u00e3o ao longo de duas horas de show. Mesmo reproduzindo os arranjos originais dos discos (incluindo samplers de cordas, vocais e outros sons), as can\u00e7\u00f5es ganharam volume sonoro e de empolga\u00e7\u00e3o ao vivo. E, <strong>Tim Bernardes<\/strong>, como um maestro daquele espet\u00e1culo, sorria, se divertia e mandava ver nos seus instrumentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No hist\u00f3ria do rock brasileiro, cada d\u00e9cada revelou algum artista que serviu de farol para sua gera\u00e7\u00e3o, de modo geral, gerando c\u00f3pias bem ou mal&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":19697,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[126,283,1,361],"tags":[],"class_list":["post-19694","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-em-fortaleza","category-nacional","category-sem-categoria","category-shows"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19694"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19694\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19714,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19694\/revisions\/19714"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19697"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}