{"id":19768,"date":"2019-07-08T20:03:09","date_gmt":"2019-07-08T23:03:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=19768"},"modified":"2019-07-09T11:49:43","modified_gmt":"2019-07-09T14:49:43","slug":"joao-gilberto-toda-a-beleza-que-existe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2019\/07\/08\/joao-gilberto-toda-a-beleza-que-existe\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Gilberto, toda a beleza que existe"},"content":{"rendered":"<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Desafinado by Joao Gilberto\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g6w3a2v_50U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>* \u00cdntegra do Ponto de Vista publicado no dia 07.07.2019 no Jornal O POVO<\/strong><\/p>\n<p>Dois aspectos chamam a aten\u00e7\u00e3o, de imediato, quando se fala o nome de Jo\u00e3o Gilberto. O primeiro \u00e9 sobre um talento que muito se comenta, pouco se questiona, mas pouqu\u00edssimos sabem explicar. O segundo aspecto s\u00e3os suas muitas manias, coisas estranhas como viver isolado num apartamento com as janelas e cortinas fechadas, tendo pouco ou nenhum contato com o mundo exterior.<!--more--><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 bem prov\u00e1vel que haja uma forte dose de loucura entrela\u00e7ada na genialidade de Jo\u00e3o. Mas essa am\u00e1lgama \u00e9 muito comum entre muitos g\u00eanios da m\u00fasica. Mozart, o austr\u00edaco que j\u00e1 havia entrado para a hist\u00f3ria antes dos 15 anos, era capaz de virar noites seguidas em busca da partitura perfeita. Jimi Hendrix, o mais furioso guitarrista que se conheceu, tamb\u00e9m levou seus excessos at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias. Elis Regina, a maior cantora da MPB, estava longe de ser uma pessoa f\u00e1cil. E o que dizer de Michael Jackson, o g\u00eanio maior do pop, que nunca soube separar a realidade da fantasia?<\/p>\n<p>Para Jo\u00e3o Gilberto, tudo o que interessava era o sil\u00eancio. A m\u00fasica deveria ter sil\u00eancios para fazer todos os sons brilharem. Num mundo t\u00e3o zoadento, onde todos gritam para se ouvirem, \u00e9 dif\u00edcil entender isso. Ele insistia e atraiu muitos para seu mundo particular. A roqueira Rita Lee se rendeu ao pai da bossa nova. A tribo maluquete dos Novos Baianos fez sil\u00eancio para ouvir o mestre. Muitas lendas da hist\u00f3ria do jazz observaram cada detalhe para tentar entender de onde vinha aquele som.<\/p>\n<p>Depois do Brasil conhecer o canto oper\u00edstico de Angela Maria, Cauby Peixoto e Francis Alves, Jo\u00e3o chegou falando baixinho e criou um mundo a partir do sil\u00eancio. Quem se importa se ele sempre pedia o mesmo prato, do mesmo restaurante, e queria que viesse sempre pelo mesmo entregador? Quem se importa se ele consertava seus \u00f3culos sempre na mesma \u00f3tica? Sim, ele era adepto dos telefonemas intermin\u00e1veis durante a madrugada. Mas e da\u00ed? Quem dera eu ter recebido um desses telefonemas. A real loucura de Jo\u00e3o Gilberto foi insistir numa perfei\u00e7\u00e3o inquestion\u00e1vel e acreditar que algu\u00e9m iria prestar aten\u00e7\u00e3o numa m\u00fasica onde a maior riqueza est\u00e1 na simplicidade. Ele acreditou nisso e acertou. O mundo acabou se rendendo \u00e0 genialidade de Jo\u00e3o Gilberto. E louco mesmo \u00e9 quem nunca se rendeu tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* \u00cdntegra do Ponto de Vista publicado no dia 07.07.2019 no Jornal O POVO Dois aspectos chamam a aten\u00e7\u00e3o, de imediato, quando se fala o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":19757,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,181],"tags":[],"class_list":["post-19768","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-criticas","category-joao-gilberto"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19768"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19768\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19771,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19768\/revisions\/19771"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}