{"id":19822,"date":"2019-07-24T19:12:24","date_gmt":"2019-07-24T22:12:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=19822"},"modified":"2019-07-24T19:12:24","modified_gmt":"2019-07-24T22:12:24","slug":"resenha-qual-o-seu-plano-de-fuga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2019\/07\/24\/resenha-qual-o-seu-plano-de-fuga\/","title":{"rendered":"Resenha: Qual o seu plano de fuga?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19823\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/07\/m1000x1000-740x740.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"740\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/07\/m1000x1000-740x740.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/07\/m1000x1000-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/07\/m1000x1000-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/07\/m1000x1000-768x768.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/07\/m1000x1000-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/07\/m1000x1000.jpg 1000w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p><strong>Por Daniel Medina, cantor e compositor<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria recente da m\u00fasica brasileira passa por uma rua, rua Purpurina, Vila Madalena, S\u00e3o Paulo. L\u00e1, o est\u00fadio de uma antiga gravadora se tornaria sede de um dos selos musicais mais fortes do Pa\u00eds, a Yb Music. Por ali passaram e passam nomes como Tulipa Ruiz, Curumim, Luedj Luna e foi atrav\u00e9s de Saulo Duarte e Igor Caracas que tive a alegria de integrar esse time.<\/p>\n<p>Logo na primeira visita ouvi com carinho: \u201cMeu apelido \u00e9 Mau, mas sou bonzinho, viu?\u201d. Com essas palavras fui recebido por Mauricio Tagliari, diretor art\u00edstico do selo e um dos s\u00f3cios da Yb. Depois de produzir e possibilitar mais de uma centena de discos, Maur\u00edcio lan\u00e7a <strong>Ma\u00f4 \u2013 Contraponto e Fuga da Realidade<\/strong>, primeiro \u00e1lbum que leva \u00e0 frente seu nome, projeto polif\u00f4nico recheado de parceiros, parceiras e participa\u00e7\u00f5es especiais. A produ\u00e7\u00e3o musical das 12 faixas ficou por conta do pr\u00f3prio Tagliari e de Jesus Sanches.<\/p>\n<p>\u201cTransformar o sil\u00eancio, transformar\u201d. A faixa <em><strong>Sil\u00eancio em Prata<\/strong><\/em>\u00a0abre os trabalhos. Esse samba denso e de sotaque paulistano \u00e9 uma parceria com Rodrigo Campos e Rosane Pavam. Estreante em fonogramas, a voz de Tagliari ataca macia, como um acalanto misterioso, surpreendendo muitos dos que convivem com ele h\u00e1 anos.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a feminina se destaca por todo o disco. Come\u00e7ando em <em><strong>Pele, olho, cora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em> onde Mau divide os vocais e a parceria com Laya, amiga e cantora cearense que tamb\u00e9m integra o selo. Em <em><strong>Sede<\/strong><\/em> \u00e9 a vez de Luedji Luna, certamente uma das maiores pot\u00eancias da m\u00fasica do Brasil de hoje. As cantoras e compositoras Juliana Perdig\u00e3o e Thais Amora tamb\u00e9m dividem e assinam parceria com Tagliari nas faixas <em><strong>Yamamoto<\/strong><\/em> e <em><strong>Pode Beijar<\/strong><\/em>, tendo esta nascido sobre poema de Thais.<\/p>\n<p>Assuscena Assucena, vocalista das Bahias e a Cozinha Mineira, e Lenna Bahule interpretam respectivamente <em><strong>Nunca te vejo<\/strong><\/em>, parceria inusitada com a produtora Ver\u00f4nica Pessoa, e <em><strong>Diabim<\/strong><\/em>, m\u00fasica mais antiga do disco, nascida de Mau como can\u00e7\u00e3o para ninar seu primeiro filho, hoje com 22 anos. Todas as demais can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum cont\u00e9m o frescor das inquieta\u00e7\u00f5es atuais e das novas parcerias.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os m\u00fasicos envolvidos a cada faixa. Sem d\u00favida um luxo poder contar em um s\u00f3 disco com nomes como Maur\u00edcio Pereira, Gabriel Bubu, Maria Beraldo, Igor Caracas, Nereu, Maria Portugal, Guilherme Kaf\u00e9 e Ricardo Herz, por exemplo. Um ponto singular do repert\u00f3rio \u00e9 <em><strong>Bando \u00e0 parte<\/strong><\/em>, faixa essa com clipe no ar. \u00c9 parceria de Tagliari com Clima, figura emblem\u00e1tica da m\u00fasica paulista.<\/p>\n<p>Entre os v\u00e1rios tons de samba, mas n\u00e3o somente, Saulo Duarte \u00e9 o parceiro em <em><strong>Maria da Gra\u00e7a<\/strong><\/em>. J\u00e1 em <em><strong>Deixa quem quiser falar<\/strong><\/em>, parceria de Tagliari com o grande letrista Ronaldo Bastos, MA\u00d4 alude ao groove de Jards Macal\u00e9 70\u2019s com interpreta\u00e7\u00e3o do cantor P\u00e9lico.<\/p>\n<p>Vertiginosa, a faixa t\u00edtulo <em><strong>Contra ponto e fuga da realidade<\/strong><\/em> conta com a presen\u00e7a de Negro Leo, nome central em mat\u00e9ria de inventividade e desassossego, como sempre desfragmentando o disco r\u00edgido da can\u00e7\u00e3o popular e arejando o ju\u00edzo do ouvido. Fechando o disco, em <em><strong>Quem acordaria<\/strong><\/em> o timbre peso pena peso pesado de Ava Rocha faz MA\u00d4 al\u00e7ar voar, entre viol\u00f5es, cordas e flautas, ap\u00f3s um trajeto ora sereno, ora tortuoso.<\/p>\n<p>\u201cOnde ser\u00e1 que isso acaba? Qual o seu plano de fuga?\u201d, indaga a can\u00e7\u00e3o de Mau e Clima. Entre a utopia e a distopia MA\u00d4 n\u00e3o d\u00e1 respostas: ante a ousadia de um novo canto, o real que se arranje num descomunal e absurdo contraponto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Daniel Medina, cantor e compositor A hist\u00f3ria recente da m\u00fasica brasileira passa por uma rua, rua Purpurina, Vila Madalena, S\u00e3o Paulo. 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