{"id":19913,"date":"2019-09-18T14:08:51","date_gmt":"2019-09-18T17:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=19913"},"modified":"2019-09-18T14:08:51","modified_gmt":"2019-09-18T17:08:51","slug":"o-ponto-em-movimento-ou-o-basico-dentro-do-complexo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2019\/09\/18\/o-ponto-em-movimento-ou-o-basico-dentro-do-complexo\/","title":{"rendered":"O ponto em movimento ou o b\u00e1sico dentro do complexo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_19914\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19914\" class=\"wp-image-19914\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/56945828-52e5-4c47-b5a6-fd03f7c1e003.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"607\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/56945828-52e5-4c47-b5a6-fd03f7c1e003.jpg 900w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/56945828-52e5-4c47-b5a6-fd03f7c1e003-300x405.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/56945828-52e5-4c47-b5a6-fd03f7c1e003-768x1036.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/56945828-52e5-4c47-b5a6-fd03f7c1e003-740x998.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/56945828-52e5-4c47-b5a6-fd03f7c1e003-120x162.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><p id=\"caption-attachment-19914\" class=\"wp-caption-text\">Marco Ribeiro, artista pl\u00e1stico<\/p><\/div>\n<p><strong>Por Hamilton Nogueira<\/strong><\/p>\n<p>Sol a pino. Um calor de rachar. O asfalto em brasa reverberava sono, lentid\u00e3o e apatia. Dez e pouco da manh\u00e3. Um deserto de emo\u00e7\u00f5es. Raros sons de um carro long\u00ednquo, meio borrado, que demorava a chegar. Chegava. Chegava e passava. Fui diminuindo ritmo. Fui \u201cquebrando\u201d como se diz na g\u00edria dos corredores. Enfim quebrei e comecei a caminhar.<!--more--><\/p>\n<p>Apatia. Vou usar essa palavra outras vezes apesar de n\u00e3o ser recomendado para quem escreve textos. A estrada j\u00e1 n\u00e3o t\u00e3o nova que d\u00e1 acesso ao litoral da Caucaia era parte do \u201cCabra da Peste e Mulher Guerreira\u201d &#8211; prova de triathlon. Eu estava ali para cobrir a prova como colunista de esporte-corrida do O POVO. Era 2011. Aproveitei pra correr, fazer meu treino, sentir na pele e escrever a respeito. N\u00e3o deu. Apatia. Sol forte. Escondi-me ent\u00e3o numa r\u00e9stia \u00ednfima de sombra resultante de um poste esqu\u00e1lido e aguardei&#8230; Apatia&#8230; Nenhum socorro por cerca de uma hora. Apatia, sonol\u00eancia.<\/p>\n<p>Eis que o socorro chega. Um corredor com o qual conversei algumas vezes durantes as corridas: Marco Ribeiro, ent\u00e3o diretor de arte e designer de uma empresa de publicidade. Taciturno. Intranspon\u00edvel. Concentrado. Pouca intera\u00e7\u00e3o. Vesti-me de jornalista \u201cimportante\u201d e aceitei o socorro, at\u00e9 porque n\u00e3o tinha outro jeito. A apatia se transformou em boas conversas, que n\u00e3o pararam at\u00e9 esse 2019 em que estamos.<\/p>\n<div id=\"attachment_19916\" style=\"width: 1290px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19916\" class=\"wp-image-19916 size-full\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/7912be52-9bac-4e55-be21-edcd5564b8d8.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"999\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/7912be52-9bac-4e55-be21-edcd5564b8d8.jpg 1280w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/7912be52-9bac-4e55-be21-edcd5564b8d8-300x234.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/7912be52-9bac-4e55-be21-edcd5564b8d8-768x599.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/7912be52-9bac-4e55-be21-edcd5564b8d8-740x578.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/7912be52-9bac-4e55-be21-edcd5564b8d8-120x94.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><p id=\"caption-attachment-19916\" class=\"wp-caption-text\">Obra de Marco Ribeiro<\/p><\/div>\n<p>Anos depois acompanhei a mudan\u00e7a de designer para artista pl\u00e1stico que sofrera Marco Aur\u00e9lio. Marco \u00e9 baiano de Guanambi, por\u00e9m cearense de cria\u00e7\u00e3o. Aqui casou-se com uma professora da UFC, L\u00edvia Mesquita. Por ocasi\u00e3o de um curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o dela, moraram em Veneza durante um ano, onde ele pode mergulhar nas suas pr\u00f3prias cria\u00e7\u00f5es, estudos de est\u00e9ticas, observa\u00e7\u00f5es, matura\u00e7\u00f5es para desenvolver e materializar em gravuras, entre outras coisas, defini\u00e7\u00f5es de tempo.<\/p>\n<p>Embora o trabalho sobre tempo seja mais antigo \u00e9 percept\u00edvel uma maior clareza no artista a respeito da expressividade sobre as obras. O que quer, como quer, a infinidade prov\u00e1vel do assunto tempo dentro da vida, a finitude de cada obra, processo criativo, caminhos percorridos, frustra\u00e7\u00f5es e realiza\u00e7\u00f5es com resultados. Marco, que se considera \u201cge\u00f4metra\u201d tatuou uma simples, mas n\u00e3o simpl\u00f3ria, linha no antebra\u00e7o. N\u00e3o simpl\u00f3ria porque descobre-se que a linha n\u00e3o \u00e9 linha, mas na verdade, um \u201cponto que caminhou\u201d.<\/p>\n<p>Encontrei Marco Aur\u00e9lio em um restaurante de Fortaleza numa quarta-feira. \u201cEu acho a geometria muito mais dif\u00edcil que o figurativo. Naquele evento que fiz l\u00e1 em casa em 2016 &#8211; referindo-se a um evento que me dera o quadro abaixo deste par\u00e1grafo &#8211; a Dodora foi com o S\u00e9rvulo Esmeraldo e ela falou uma coisa que me marcou. Eu tinha umas obras figurativas l\u00e1. Ela falou: \u2018Marco, seu trabalho figurativo \u00e9 muito bom, mas o seu geom\u00e9trico \u00e9 melhor. E o figurativo muita gente faz\u2019. A partir da\u00ed eu parei. N\u00e3o abandonei porque penso muito no ser humano, mas parei\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_19917\" style=\"width: 852px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19917\" class=\"wp-image-19917 size-full\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/3dd5c4d8-5ae5-4c6e-9a39-0e1e51ec9902.jpg\" alt=\"\" width=\"842\" height=\"1140\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/3dd5c4d8-5ae5-4c6e-9a39-0e1e51ec9902.jpg 842w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/3dd5c4d8-5ae5-4c6e-9a39-0e1e51ec9902-300x406.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/3dd5c4d8-5ae5-4c6e-9a39-0e1e51ec9902-768x1040.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/3dd5c4d8-5ae5-4c6e-9a39-0e1e51ec9902-740x1002.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/3dd5c4d8-5ae5-4c6e-9a39-0e1e51ec9902-120x162.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 842px) 100vw, 842px\" \/><p id=\"caption-attachment-19917\" class=\"wp-caption-text\">Mais uma obra de Marco Ribeiro<\/p><\/div>\n<p>\u201cMeu primeiro trabalho geom\u00e9trico de 2013 at\u00e9 o trabalho que comecei hoje tem uma linha ligando. \u00c9 meu tra\u00e7o, \u00e9 meu suor de artista. Minha geometria vem da arquitetura principalmente arquitetura brutalista, Niemayer, Paulo Mendes da Rocha que fala muito do ser humano como trabalhador, que fala que o concreto armado aparente sem tinta ou reboco \u00e9 a digital do pedreiro\u201d.<\/p>\n<p>Em algum ponto da conversa, que se movimenta entre seus sofrimentos, rela\u00e7\u00e3o com dinheiro, fam\u00edlia, pragmatismos do dia a dia, a conversa chega no nome de Eduardo Frota, tamb\u00e9m artista pl\u00e1stico. \u201cEduardo Frota tamb\u00e9m \u00e9 ge\u00f4metra. Estuda a geometria dentro dos espa\u00e7os. O trabalho dele \u00e9 sobre a forma. N\u00e3o \u00e9 simplesmente uma escultura, mas sim um trabalho que interfere no espa\u00e7o.\u00a0 Ent\u00e3o meu trabalho, por mais que seja numa superf\u00edcie plana, eu busco uma tridimensionalidade. Busco uma forma onde n\u00e3o tenha forma\u201d, explica.<\/p>\n<p>De fato, percebe-se ap\u00f3s seus coment\u00e1rios que o artista n\u00e3o trabalha com papel liso. \u201cEu busco a textura\u201d. Marco mostra, ent\u00e3o, uma s\u00e9rie de fotos com interven\u00e7\u00f5es da palavra \u201ctempo\u201d aplicada com carimbos. Al\u00e9m de dois cadernos com uma s\u00e9rie de colagens contendo diversos registros de tempo e voltamos a falar sobre isso. Passagens de trem, de avi\u00e3o, fotos, folha envelhecida, micro contos, frases, fotos, recortes, lembran\u00e7as, cartazes, di\u00e1logos, est\u00e3o fixados no caderno. N\u00e3o sabemos por quanto tempo.<\/p>\n<p>Mais movimento, sa\u00edmos do tempo e retornamos para a forma. \u201cQuando analiso o g\u00f3tico, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 sobre o g\u00f3tico que falo, mas sobre a geometria que pode haver dentro do g\u00f3tico\u201d, explica, mostrando um livro antigo e raro dentro do qual destacou diversas linhas geom\u00e9tricas em suas gravuras de esculturas imponentes.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei de m\u00fasica, l\u00e1 fora o flautista Mateus Farias come\u00e7a a tocar m\u00fasica brasileira e eu escrevo ouvindo repetidamente <em><strong>Tudo foi feito pelo Sol<\/strong><\/em> com Os Mutantes. Sobre g\u00f3tico, o movimento do ponto, Marco Aur\u00e9lio e a flauta de Mateus Farias, al\u00e9m dos Mutantes e a tradu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria arte, finalizo com uma frase do artista, \u201c\u00e9 o b\u00e1sico dentro do complexo\u201d, diz. A exemplo de uma carona na estrada que leva a Caucaia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_19918\" style=\"width: 1290px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19918\" class=\"wp-image-19918 size-full\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/6b00883b-5e77-41a2-be79-7808d8466015.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"1150\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/6b00883b-5e77-41a2-be79-7808d8466015.jpg 1280w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/6b00883b-5e77-41a2-be79-7808d8466015-300x270.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/6b00883b-5e77-41a2-be79-7808d8466015-768x690.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/6b00883b-5e77-41a2-be79-7808d8466015-740x665.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/09\/6b00883b-5e77-41a2-be79-7808d8466015-120x108.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><p id=\"caption-attachment-19918\" class=\"wp-caption-text\">Hamilton Nogueira e Marco Ribeiro<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Hamilton Nogueira Sol a pino. 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