{"id":20015,"date":"2019-12-24T11:49:46","date_gmt":"2019-12-24T14:49:46","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20015"},"modified":"2019-12-23T20:04:27","modified_gmt":"2019-12-23T23:04:27","slug":"baterista-robertinho-marcal-traca-autorretrato-pessoal-em-disco-de-estreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2019\/12\/24\/baterista-robertinho-marcal-traca-autorretrato-pessoal-em-disco-de-estreia\/","title":{"rendered":"Baterista Robertinho Mar\u00e7al tra\u00e7a autorretrato percussivo em disco de estreia"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20016\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/0bbee205-b930-4e4b-bfc1-3d4d7b6da1ee-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/0bbee205-b930-4e4b-bfc1-3d4d7b6da1ee-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/0bbee205-b930-4e4b-bfc1-3d4d7b6da1ee-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/0bbee205-b930-4e4b-bfc1-3d4d7b6da1ee-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/0bbee205-b930-4e4b-bfc1-3d4d7b6da1ee-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2019\/12\/0bbee205-b930-4e4b-bfc1-3d4d7b6da1ee.jpg 1280w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p>\u201cUma coisa que eu tenho certeza do meu disco, ele \u00e9 muito claro. Est\u00e1 muito clara a mensagem\u201d. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 do baterista <strong>Robertinho Mar\u00e7al<\/strong>, m\u00fasico h\u00e1 26 anos, cinco deles ao lado de Raimundo Fagner. Os primeiros passos no instrumento vieram quando ele tinha 3 anos e, desde ent\u00e3o, ele n\u00e3o ganhando a vida de outro forma que n\u00e3o seja atr\u00e1s da sua bateria. Ou melhor, ele j\u00e1 se imaginou largando a m\u00fasica e indo atr\u00e1s de alguma coisa \u201cnada a ver\u201d, como uma loja de a\u00e7a\u00ed. Foi uma crise que veio quando <strong>Robertinho<\/strong> come\u00e7ou a arquitetar o primeiro disco solo.<!--more--><\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o veio quando o pianista Thiago Almeida, um mestre da m\u00fasica e da paci\u00eancia, se ofereceu pra produzir esse rebento. O disco \u00e9 um grande exerc\u00edcio que <strong>Robertinho<\/strong> se imp\u00f4s de criar uma obra moldada tal qual sua personalidade. N\u00e3o por acaso, o disco \u00e9 batizado apenas com seu nome e traz uma bela ilustra\u00e7\u00e3o na capa (assinada por Johnny Cardoso, cearense radicado em Buenos Aires) que mostra uma esp\u00e9cie de super-her\u00f3i urbano, armado de baquetas, caminhando seguro por uma esp\u00e9cie de mundo dist\u00f3pico.<\/p>\n<p>Dois motivos o levaram a assinar um disco pr\u00f3prio. Primeiro: \u201ceu trabalho acompanhando muitos artistas. \u00c9 uma coisa que eu amo, que eu sempre quis fazer. Mas eu sempre fiquei questionando: mas quem quiser saber quem realmente sou eu? Por que quando voc\u00ea est\u00e1 acompanhando um artista \u00e9 o trabalho dele, mesmo voc\u00ea colocando a sua identidade\u201d, explica ele que, h\u00e1 cinco anos \u00e9 baterista da banda de Fagner. \u201cEnt\u00e3o, quando estava pr\u00f3ximo da minha filha nascer, eu fiquei muito com essa sensa\u00e7\u00e3o de querer deixar uma coisa pra ela pra ela saber que isso sou eu\u201d. E o segundo motivo: \u201cFoi um momento particular de descobrimento da minha identidade, que eu fiquei tipo \u2018agora eu acho que entendo como \u00e9 que eu gosto de me vestir, de falar, a minha personalidade, como eu gosto de me colocar no instrumento. Ent\u00e3o acho que est\u00e1 na hora de eu mostrar um trabalho pras pessoas entenderem mais qual \u00e9 a minha cara\u201d.<\/p>\n<p>A\u00ed o pr\u00f3ximo passo foi escolher o repert\u00f3rio. Nas nove faixas do disco, <strong>Robertinho Mar\u00e7al<\/strong> interpreta composi\u00e7\u00f5es de Marcus Vinnie, Ednar Pinho, Cristiano Pinho, Miqueias dos Santos e outros. \u201cNenhuma m\u00fasica \u00e9 minha, mas \u00e9 impressionante como parece que s\u00e3o. Porque elas foram customizadas, foram feitas para mim. N\u00e3o tenho muito essa veia de compor. Eu tenho mais a coisa de produzir\u201d, explica ele que vem de uma fam\u00edlia com fortes la\u00e7os musicais e agradece ao pai por ter lhe apresentado ao rock progressivo e a nomes como Beatles, Genesis e Pink Floyd.<\/p>\n<p>Reunindo essas e outras influ\u00eancias, o disco foi ganhando forma e revelando os segredos da vida particular de <strong>Robertinho<\/strong>. Como a claustrof\u00f3bica <em><strong>Salmo 30:5<\/strong> <\/em>(\u201cO choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manh\u00e3\u201d), que fala sobre a dele contra a ansiedade. \u201cJ\u00e1 tive muitas noites de muita ang\u00fastia. Ent\u00e3o o (Marcus) Vinnie fez uma trilha bem angustiante, e na sequencia vem a m\u00fasica do Luizinho Duarte, que \u00e9 <em><strong>Manh\u00e3<\/strong><\/em>\u201d. J\u00e1 com o dia claro, vem <em><strong>Valente<\/strong><\/em>, composi\u00e7\u00e3o de Cain\u00e3 Cavalcante, feita em homenagem \u00e0 filha do baterista, a Valentina. A prop\u00f3sito, <em><strong>RBV<\/strong><\/em>, nome da faixa que encerra o disco, \u00e9 uma sigla para \u201cRobervivo\u201d, apelido que Miqueias dos Santos deu para <strong>Robertinho<\/strong> por ele ser o \u00fanico do seu hall de amigos a ter um celular da Vivo.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 clareza da mensagem, <strong>Robertinho Mar\u00e7al<\/strong> compreende que m\u00fasica \u00e9 linguagem e que a percuss\u00e3o tem um papel central nessa comunica\u00e7\u00e3o. Ele explica isso a partir de uma s\u00e9rie argumentos hist\u00f3ricos que v\u00e3o de tribos antigas a desfiles militares. \u201cMesmo que n\u00e3o haja uma melodia, eu acredito sim que a percuss\u00e3o tem um poder muito forte na hora que a gente toca e isso comunica algo para as pessoas. Meu disco n\u00e3o tem nenhuma m\u00fasica que \u00e9 s\u00f3 bateria, mas a forma como a gente se colocou, como eu me coloquei, como as m\u00fasicas me deram permiss\u00e3o, voc\u00ea percebe que a bateria est\u00e1 contando uma hist\u00f3ria\u201d, defende ele tamb\u00e9m apontando que n\u00e3o est\u00e1 em busca de uma perfei\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica nem muito menos de exibir velocidade com o instrumento. \u201cSe \u00e9 s\u00f3 pra n\u00e3o sair do tempo, \u00e9 melhor usar a m\u00e1quina. A beleza est\u00e1 na imperfei\u00e7\u00e3o e na incapacidade que eu tenho de comunicar um sentimento que a m\u00e1quina n\u00e3o pode e nunca vai poder, porque isso \u00e9 inerente \u00e0 imperfei\u00e7\u00e3o do ser humano\u201d. Est\u00e1 claro?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUma coisa que eu tenho certeza do meu disco, ele \u00e9 muito claro. Est\u00e1 muito clara a mensagem\u201d. 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