{"id":20038,"date":"2020-01-23T18:36:26","date_gmt":"2020-01-23T21:36:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20038"},"modified":"2020-01-23T18:43:48","modified_gmt":"2020-01-23T21:43:48","slug":"espero-que-nao-seja-tarde-para-a-cultura-torce-thiago-mattar-diretor-do-documentario-o-barato-de-iacanga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/01\/23\/espero-que-nao-seja-tarde-para-a-cultura-torce-thiago-mattar-diretor-do-documentario-o-barato-de-iacanga\/","title":{"rendered":"&#8220;Espero que n\u00e3o seja tarde para a Cultura&#8221;, torce Thiago Mattar, diretor do document\u00e1rio &#8220;O Barato de Iacanga&#8221;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_20068\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20068\" class=\"size-full wp-image-20068\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/20191218113140_1200_675_-_o_barato_de_iacanga.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"675\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/20191218113140_1200_675_-_o_barato_de_iacanga.jpg 1200w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/20191218113140_1200_675_-_o_barato_de_iacanga-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/20191218113140_1200_675_-_o_barato_de_iacanga-740x416.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/20191218113140_1200_675_-_o_barato_de_iacanga-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/20191218113140_1200_675_-_o_barato_de_iacanga-120x68.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><p id=\"caption-attachment-20068\" class=\"wp-caption-text\">Cena do filme &#8220;O barato de Iacanga&#8221;, dispon\u00edvel no Netflix<\/p><\/div>\n<p>J\u00e1 no cat\u00e1logo da Netflix, o document\u00e1rio <strong>O Barato de Iacanga<\/strong> \u00e9 uma excelente dica pra quem gosta de m\u00fasica. O filme narra a hist\u00f3ria heroica e mambembe do festival de \u00c1guas Claras, evento criado por acaso por um grupo de amadores, mas que tornou-se hist\u00f3ria como o nosso pr\u00f3prio Woodstock. Dirigido cuidadosamente por Thiago Mattar, o filme traz imagens da plateia e do palco, ambos livres, leves e soltos, tudo tirado de arquivos preciosos. Para se ter uma ideia, as quatro edi\u00e7\u00f5es do festival (1975, 1981, 1983 e 1984) reuniram gente do brilho de Erasmo Carlos, Egberto Gismonti, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil e Jo\u00e3o Gilberto. Sim, o papa da bossa esteve no meio daqueles malucos que andavam nus consumindo todo tipo de alargador de pensamento. E pelo sorriso do rosto, Jo\u00e3o, que estava voltando a fazer shows no Brasil, gostou da experi\u00eancia.<!--more--><\/p>\n<p>Confira um bate-papo exclusivo do DISCOGRAFIA com o diretor Thiago Mattar:<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-20069\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/23737-cartaz-300x441.jpg\" alt=\"\" width=\"304\" height=\"447\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/23737-cartaz-300x441.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/23737-cartaz-120x176.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/23737-cartaz.jpg 640w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 304px) 100vw, 304px\" \/>DISCOGRAFIA &#8211; Como surgiu essa vontade de mergulhar na hist\u00f3ria do Festival das \u00c1guas Claras?<\/strong><br \/>\n<strong>Thiago Mattar &#8211;<\/strong> Cara, surgiu h\u00e1 mais de dez anos, quando, numa conversa despretensiosa com meu pai, ele me contou dessas aventuras malucas em Iacanga. Ele morava na cidade quando crian\u00e7a e foi nos dois primeiros festivais. Lembrava pouco. Mas conhecia e me colocou em contato com o Leivinha quando eu tinha 20 anos. Quando conheci o lend\u00e1rio fundador do festival pessoalmente e ele me contou a hist\u00f3ria, n\u00e3o acreditei. Eu nunca tinha ouvido falar naquilo! Como n\u00e3o havia nada sobre aquilo? Virou minha miss\u00e3o dali em diante contar aquela hist\u00f3ria. Eu me mudei do interior de S\u00e3o Paulo e comecei uma busca insana por arquivos, relatos e personagens, o que acabou me levando a conhecer dezenas de artistas e produtores que me ajudaram a transformar o sonho em realidade. O caminho foi longo at\u00e9 a produtora paulistana bigBonsai e o documentarista Marcelo Machado. Sem eles o filme n\u00e3o teria sa\u00eddo e tido esse retorno t\u00e3o incr\u00edvel do p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA &#8211; Queria que voc\u00ea contasse como foi o processo de pesquisa de imagens e reuni\u00e3o de entrevistas. Por onde come\u00e7ou? O que foi f\u00e1cil e o que deu mais trabalho?<\/strong><br \/>\n<strong>Thiago Mattar &#8211;<\/strong> Nada \u00e9 f\u00e1cil quando a gente trabalha com algo que aconteceu h\u00e1 tantos anos. Agora mesmo o primeiro festival completou 45 anos! \u00c9 muito tempo. A mem\u00f3ria das pessoas j\u00e1 estava apagando. As fitas e os filmes ent\u00e3o&#8230; nem se fala. Havia muito pouco com o que trabalhar. E a qualidade n\u00e3o era das melhores. Acredito que junto com a equipe fizemos o melhor com o que t\u00ednhamos em m\u00e3os. Comecei a pesquisa de modo independente, ainda moleque, durante a faculdade &#8211; eu estudei jornalismo &#8211; e a coisa foi ficando mais profissa de uns cinco anos pra c\u00e1; e melhor ainda quando entrou a produtora e tivemos finalmente financiamento via Canal Curta! e Fundo Setorial do Audiovisual, que possibilitaram a realiza\u00e7\u00e3o do filme. Mas antes disso, eu entrevistava artistas em quartos de hotel, na casa dos amigos &#8211; dos deles, claro. Chamava gente que eu conhecia e que podia emprestar c\u00e2mera e topava ir comigo gravar. Muita coisa que voc\u00ea assiste \u00e9 do meu arquivo pessoal at\u00e9! De tanto tempo que eu vim juntando material, parece coisa que eu peguei de uma emissora de TV. Algumas coisas s\u00e3o mesmo. Deixo pro p\u00fablico descobrir.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Barato de Iacanga  | Trailer Oficial\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sqf3wtpFpRA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA &#8211; Sendo um festival que envolveu bandas iniciantes e gigantes como Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e Jo\u00e3o Gilberto, como foi o trabalho de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o e libera\u00e7\u00e3o de imagens?<\/strong><br \/>\n<strong>Thiago Mattar &#8211;<\/strong> O trabalho mais minucioso foi de tentar recuperar muita coisa do arquivo. Tentar trazer o melhor som de cada um dos shows e dos registros de bastidores do festival. Teve muita coisa que tivemos que buscar de fontes diferentes. Por exemplo: unir a imagem de uma VHS com o som de uma fita k7 que tinha o \u00e1udio daquele show. Ou unir o som da mesa com a c\u00e2mera de algu\u00e9m que filmou com o equipamento que n\u00e3o tinha capta\u00e7\u00e3o de som. Enfim, foi como brincar de montar um quebra-cabe\u00e7as. A libera\u00e7\u00e3o das imagens foi negociada com as televis\u00f5es e com os artistas e familiares, como manda o protocolo aqui no Brasil. N\u00e3o pod\u00edamos usar nada sem autoriza\u00e7\u00e3o ou o filme n\u00e3o seria lan\u00e7ado ou comercializado. Foi um trabalho bastante intenso de negociar com uma centena de pessoas. Super cansativo e levou boa parte do nosso or\u00e7amento. As produtoras Bruna Rodrigues, Camila Nunes e Deborah Osborn foram extremamente competentes nesse trabalho e me pouparam de bastante estresse.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA &#8211; Claro que o depoimento do Leivinha \u00e9 fundamental para o filme, uma vez que trata-se do cabe\u00e7a do evento. Fora ele, qual depoimento te surpreendeu mais?<\/strong><br \/>\n<strong>Thiago Mattar &#8211;<\/strong> Mais do que os depoimentos, fiquei muito surpreso com os documentos secretos que encontramos e que revelavam muito sobre o impacto pol\u00edtico que o festival tinha causado na realidade brasileira daquele per\u00edodo. Ap\u00f3s tantos anos pesquisando, foi de dois anos pra c\u00e1 que isso come\u00e7ou a aparecer pra mim durante a pesquisa nos arquivos do antigo DOPS, que hoje est\u00e3o guardados no Acervo P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo e finalmente digitalizados e dispon\u00edveis para consulta. Todo mundo fichado no DOPS. Relat\u00f3rios e mais relat\u00f3rios sobre a fam\u00edlia do Leivinha e os produtores do Festival de \u00c1guas Claras. Essa galera assustava os milicos de verdade. O que esse bando de malucos est\u00e1 tentando fazer? Hahaha<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Egberto Gismonti - Sitar -  Festival de \u00c1guas Claras\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z-WqJuaTyyg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA &#8211; Das hist\u00f3rias que voc\u00ea ouviu, qual te impressionou mais e por que?<\/strong><br \/>\n<strong>Thiago Mattar &#8211;<\/strong> At\u00e9 hoje, foi a jornada desse cara, a do Leivinha, que sempre me impressionou mais. E foi a hist\u00f3ria que ele me contou h\u00e1 mais de dez anos que eu quis transpor para a tela.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA &#8211; O Festival teve um primeiro momento mais mambembe, feito por gente inexperiente (como foi o pr\u00f3prio Woodstock), e um segundo mais ousado, com direito a transmiss\u00e3o pela TV inclusive. Ter crescido sem uma estrutura mais profissional foi determinante para ele n\u00e3o ter uma hist\u00f3ria mais longa?<\/strong><br \/>\n<strong>Thiago Mattar &#8211;<\/strong> N\u00e3o sei responder essa pergunta. Acredito que a ingenuidade e o esp\u00edrito de \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d &#8211; verdadeira heran\u00e7a hippie &#8211; realmente guiaram a coisa toda. A grana contaminou um pouco esse esp\u00edrito. Imagina o que \u00e9 aprender fazendo e segurar a onda por tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es? Na quarta, o Leivinha, a fam\u00edlia e alguns dos produtores originais tiveram ajuda, mas a ajuda de uma galera que n\u00e3o tinha nada a ver com aquele esp\u00edrito. Empres\u00e1rios s\u00f3 sintonizados no barato da grana. Economizaram onde n\u00e3o deviam e fizeram na \u00e9poca errada. Uma somat\u00f3ria de fatores que causou o fim.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LtQ13XnqSdw<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA &#8211; Como foi exibir o document\u00e1rio em Iacanga? Como foi a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico?<\/strong><br \/>\n<strong>Thiago Mattar &#8211;<\/strong> Foi completamente m\u00e1gico. Surreal. Imagina uma sess\u00e3o ao ar livre com a galera sentada na grama e outra galera nas arquibancadas do est\u00e1dio cantando N\u00e3o Chores Mais junto com o Gil. Foi bem louco. Talvez tenha sido a cerveja. Mas eu me emocionei.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA &#8211; Voc\u00ea consegue imaginar um festival como esse, com um elenco dessa qualidade, nos dias de hoje no Brasil? Se fosse haver uma edi\u00e7\u00e3o 2020 do Festival das \u00c1guas Claras, que artistas n\u00e3o deveriam faltar, na sua opini\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<strong>Thiago Mattar &#8211;<\/strong> 2020?? Muito perto!! Mas \u00e9 o ano que o festival faz 45. Seria t\u00e3o bonito. Eu era mais c\u00e9tico quando essa pergunta de um novo festival aparecia pra mim antes do filme ser lan\u00e7ado. Hoje, quer saber, eu at\u00e9 imagino sim. Acredito que a marca do Festival de \u00c1guas Claras est\u00e1 mais forte. Muita gente torce por isso&#8230; Quem sabe um dia os produtores originais n\u00e3o se juntam com uma galera boa para uma quinta edi\u00e7\u00e3o? Eu estarei l\u00e1. S\u00f3 tomar cuidado porque a galera hoje em dia \u00e9 bem mais gourmet. Curte festival com conforto. Essa de acampar e passar perrengue na lama praticamente sem comida, banheiro ou banho por tr\u00eas dias pode n\u00e3o soar muito rom\u00e2ntico para muita gente. Nos anos 1970 tava tudo certo! Se voltar agora, essas preocupa\u00e7\u00f5es estar\u00e3o em pauta. Para \u00c1guas Claras V n\u00e3o virar o nosso Fyre Festival. Sugerir bandas \u00e9 f\u00e1cil. Fora do mainstream tem muita coisa boa&#8230;. O Edgar, a Josyara, Andr\u00e9 Abujamra, Don L, Giovani Cidreira, Karina Buhr, Jonnata Doll &amp; Os Garotos Solventes&#8230; Mas nem vou viajar. \u00c9 o Leivinha quem vai escolher o line-up. E, se depender dele, vai ter tudo quanto \u00e9 estilo, m\u00fasica instrumental, muito mais loucura. De manh\u00e3, \u00e0 tarde e \u00e0 noite.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jo\u00e3o Gilberto - Saudosa Maloca (Aguas Claras 1983)\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pkzoRs2O8ps?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA &#8211; Particularmente, foi muito emocionante ver o filme retratar um Brasil que d\u00e1 um jeito de dar certo, um tempo que j\u00e1 n\u00e3o existe mais, mais ing\u00eanuo, mais aberto \u00e0s misturas. Que li\u00e7\u00f5es voc\u00ea tirou com esse filme? As hist\u00f3rias que voc\u00ea ouviu te ensinaram alguma coisa?<\/strong><br \/>\n<strong>Thiago Mattar &#8211;<\/strong> Que se voc\u00ea acredita que vai fazer uma coisa, n\u00e3o tem nada que te impe\u00e7a de fazer. E s\u00f3 comprovou pra mim que os anos 1970 e 80 foram f$&amp;@ pra car$&amp;)@\u201c!!.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA &#8211; O Brasil \u00e9 muito ruim em contar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Poucos s\u00e3o os registros de eventos culturais, mesmo sendo um da magnitude do Rock In Rio. Que legado o Festival das \u00c1guas Claras deixou para o Brasil?<\/strong><br \/>\n<strong>Thiago Mattar &#8211;<\/strong> Concordo em parte. Vou primeiro falar do legado. Voc\u00ea falou do Rock in Rio. Se esse evento existe \u00e9 porque uma galera se reuniu dez anos antes nessa fazenda no interior de S\u00e3o Paulo enfrentando a mais hostil realidade pra fazer o nosso primeiro festival ao ar livre de grandes propor\u00e7\u00f5es! E levou gente pro meio do nada! Sem GPS, sem nada! O Rock In Rio deve tudo ao Festival de \u00c1guas Claras. E o legado que ficou foi o da coragem. Ficou a lenda. Sobre os registros: o Rock in Rio tem registro pra diabo. Por m\u00e9rito da TV Globo. Os caras tem tudo. O RIR sempre teve muita grana desde o nascimento. Cresceu de uma super parceria comercial entre o Medina e a Globo. O baita marketing envolvido em construir o nome atrav\u00e9s das d\u00e9cadas \u00e9 todo m\u00e9rito da Globo. E a preserva\u00e7\u00e3o do acervo tamb\u00e9m! Est\u00e1 tudo l\u00e1. Agora, pergunta l\u00e1 dentro do Festival de \u00c1guas Claras em Iacanga. N\u00e3o tinham praticamente nada nos arquivos. Sim, quando n\u00e3o h\u00e1 grana envolvida, simplesmente n\u00e3o h\u00e1 interesse cultural em se preservar mem\u00f3ria no Pa\u00eds. \u00c9 triste. Desesperador. Veja a Cinemateca Brasileira, por exemplo, que deveria estar fazendo um trabalho de digitaliza\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o em 4K de tantas obras cl\u00e1ssicas do nosso cinema nacional. Isso soa muito europeu aqui. \u00c9 bem mais capaz do Scorsese fazer isso por n\u00f3s l\u00e1 fora, aproveitando c\u00f3pias europeias &#8211; e espantosamente mais bem preservadas &#8211; dos nossos pr\u00f3prios filmes. Estamos bem longe dessa realidade. Bem longe. Estamos mais perto das tra\u00e7as e do fogo. Infelizmente. Espero que num futuro pr\u00f3ximo, ap\u00f3s a repeti\u00e7\u00e3o de tantos erros do passado, a gente finalmente entenda aqui no Brasil que n\u00e3o h\u00e1 nada mais importante do que preservar a nossa mem\u00f3ria. Espero que n\u00e3o seja tarde para a Cultura. Que quem vota nesse pa\u00eds n\u00e3o esque\u00e7a dela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 no cat\u00e1logo da Netflix, o document\u00e1rio O Barato de Iacanga \u00e9 uma excelente dica pra quem gosta de m\u00fasica. 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