{"id":20079,"date":"2020-01-30T09:00:05","date_gmt":"2020-01-30T12:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20079"},"modified":"2020-01-30T14:48:23","modified_gmt":"2020-01-30T17:48:23","slug":"politicamente-o-brasil-esta-pior-do-que-em-1992-comenta-samuel-rosa-que-se-apresenta-com-o-skank-em-fortaleza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/01\/30\/politicamente-o-brasil-esta-pior-do-que-em-1992-comenta-samuel-rosa-que-se-apresenta-com-o-skank-em-fortaleza\/","title":{"rendered":"&#8220;Politicamente, o Brasil est\u00e1 pior do que em 1992&#8221;, critica Samuel Rosa, que se apresenta com o Skank em Fortaleza"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_20080\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20080\" class=\"size-large wp-image-20080\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/SKANK-2-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/SKANK-2-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/SKANK-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/SKANK-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/SKANK-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/SKANK-2-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/01\/SKANK-2-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-20080\" class=\"wp-caption-text\">Haroldo Ferretti (bateria), Lelo Zaneti (baixo), Samuel Rosa (guitarra e voz) e Henrique Portugal (teclados) fundaram o Skank h\u00e1 30 anos<\/p><\/div>\n<p>Separa\u00e7\u00f5es nem sempre significam falta de amor. Isso vale tamb\u00e9m para o mundo da m\u00fasica. Depois de anos, d\u00e9cadas de conviv\u00eancia, \u00e9 bem comum que bandas anunciem o fim ou, como tem sido comum de uns anos pra c\u00e1, o eufemismo \u201cf\u00e9rias por tempo indeterminado\u201d. O <strong>Skank<\/strong> encontrou um meio termo entre as duas situa\u00e7\u00f5es e anunciou, em novembro do ano passado, o pr\u00f3prio fim. Sem conflitos, intrigas, fofocas, o quarteto alegou apenas o desejo de buscar novos caminhos art\u00edsticos, se testarem fora de uma banda que construiu um sucesso honesto e robusto em 30 anos juntos. No entanto, tendo sido essa uma decis\u00e3o cordial, nada os impede de voltarem a se encontrar no futuro.\u00a0\u201cTenho certeza de que o Skank, num futuro a\u00ed, vai retomar e a gente vai se reencontrar com os f\u00e3s\u201d, confirma o vocalista e guitarrista Samuel Rosa. Por hora, o que fica \u00e9 a turn\u00ea de despedida que vai ocupar a banda ao longo de 2020 e chega neste s\u00e1bado a Fortaleza. A apresenta\u00e7\u00e3o acontece dentro da programa\u00e7\u00e3o do I\u2019Music, minifestival que abre sua terceira edi\u00e7\u00e3o amanh\u00e3, no estacionamento do Iguatemi. Al\u00e9m dos mineiros, a programa\u00e7\u00e3o agrega a jovem Giulia Be, a diva Marisa Monte, her\u00f3is do rock nacional, como Paralamas do Sucesso, e lendas da MPB como Z\u00e9 Ramalho e Alceu Valen\u00e7a. Confira a \u00edntegra da entrevista de Samuel Rosa, enviada por \u00e1udio ao Discografia.<!--more--><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Esse show que vem a Fortaleza tem um peso especial uma vez que trata-se de uma turn\u00ea de despedida. O que esse aspecto acrescenta ao show? Pensaram em um repert\u00f3rio diferente, lados Bs? Al\u00e9m do quarteto oficial, quem mais completa a banda nessa turn\u00ea?<br \/>\nSamuel Rosa \u2013<\/strong> Acho que n\u00e3o s\u00f3 o show desse fim de semana em Fortaleza, mas toda a turn\u00ea agora desse ano vai ter um contingente emocional diferente. Por se tratar do fechamento de um primeiro ciclo, a parada do Skank anunciada, eu acho que&#8230; \u00c9 \u00f3bvio que todo show que o Skank fizer, de agora at\u00e9 o final do ano, vai ter uma motiva\u00e7\u00e3o especial. N\u00e3o que falte a essa banda, mesmo com seus 30 anos de carreira, motiva\u00e7\u00e3o pra subir ao palco. A gente se diverte muito e tocar ao vivo, pra gente, estar num palco sempre foi algo muito precioso. Mas agora, com o an\u00fancio do fim desse primeiro ciclo, uma parada por um per\u00edodo que a gente ainda n\u00e3o sabe exatamente qual vai ser, at\u00e9 o final do ano, acredito que, n\u00e3o s\u00f3 pra n\u00f3s, como pro p\u00fablico&#8230; Ali\u00e1s eu j\u00e1 estou sentindo isso. Pro p\u00fablico que vem nos assistir vai ser um pouco cat\u00e1rtico, o momento de lembrar a hist\u00f3ria da banda. \u00c9 uma banda que sempre foi t\u00e3o presente, n\u00e9? Desde que apareceu. E a\u00ed, no repert\u00f3rio, a gente vai tocar as coisas mais cl\u00e1ssicas, mais populares e nada impede que, ao longo do ano, a gente acrescente uma ou outra coisinha que n\u00e3o venha tocando. S\u00e3o tantas m\u00fasicas, n\u00e9, por se tratar de uma banda com tanto tempo de estrada.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Como voc\u00ea j\u00e1 disse em outra entrevista, o Skank nunca teve um momento de ostracismo. Em diferentes medidas, todos os \u00e1lbuns da banda renderem algum sucesso. Houve uma preocupa\u00e7\u00e3o de encerrar o Skank num bom momento?<br \/>\nSamuel \u2013<\/strong> A gente n\u00e3o se preocupou muito, at\u00e9 por se tratar, como na pergunta mesmo e eu algumas vezes afirmei que o Skank, desde que apareceu, sempre figurou entre as bandas brasileiras do pop rock com maior flu\u00eancia, com maior regularidade em festivais, em shows pelo Brasil afora e at\u00e9 mesmo fora do Brasil. N\u00e3o me lembro de um per\u00edodo em que o Skank tenha ficado a\u00ed parado, sem show. N\u00e3o me lembro disso. E como bem lembrou na pergunta, sempre um \u00e1lbum&#8230; Obviamente que a gente acertou mais em uns do que em outros, mas sempre o \u00e1lbum nos rendeu alguma m\u00fasica conhecida, alguma coisa tocando no r\u00e1dio. N\u00e3o houve essa preocupa\u00e7\u00e3o de parar num momento bom ou ruim. N\u00e3o \u00e9 por que agora, vindo de uma turn\u00ea de \u00eaxito, como foi a d<em>Os Tr\u00eas Primeiros<\/em>, casas cheias e tal, que \u201cah, vamos parar agora que est\u00e1 bem\u201d. Parar ainda \u00e9 uma escolha nossa. Tem bandas que n\u00e3o podem escolher mais isso, n\u00e9? Essa preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi o vi\u00e9s, n\u00e3o foi o que determinou. E sim algo mais interno, de aspira\u00e7\u00f5es que cada um tem, de fazer coisas com outras pessoas ou mesmo solo. Coisas que o Skank, pela sua regularidade, nunca permitiu muito. Por se tratar de uma banda atuante o tempo inteiro nesses quase 30 anos de carreira.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Por outro lado, \u00e9 sabido que o Skank nasceu num per\u00edodo em que o rock estava em alta no Brasil, fazia parte das prefer\u00eancias dos jovens e dava voz a muitos dos anseios dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o. De que forma essa mudan\u00e7a do mercado, hoje muito voltado para o consumo mais imediato, interferiu na decis\u00e3o de voc\u00eas?<br \/>\nSamuel \u2013<\/strong> O cen\u00e1rio da m\u00fasica brasileira n\u00e3o interferiu em nada na nossa decis\u00e3o. O que pesou mais, como eu falei na pergunta acima, (foram) aspira\u00e7\u00f5es individuais, tempo de banda. O Skank \u00e9 quase 30 anos, gente. Por mais legal que seja o trabalho, estar com os meninos, uma hora precisa dar uma respirada. Isso \u00e9 natural, n\u00e9? E, ao contr\u00e1rio do que disse na pergunta, o Skank n\u00e3o nasceu num per\u00edodo favor\u00e1vel para o pop rock, n\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio. A gente vivia uma rebordosa, uma ressaca dos anos 1980, e as gravadoras e os programas de TV estavam concentrados em divulgar, em apostar era mais na lambada, no ax\u00e9, que estava nascendo, come\u00e7ando a explodir, e at\u00e9 mesmo o sertanejo. A gente nasceu numa \u00e9poca em que as gravadoras n\u00e3o estavam contratando mais bandas novas. Tanto que pipocaram selos independentes pelo Brasil afora e o Skank lan\u00e7ou seu primeiro disco independente exatamente por desacreditar muito da possibilidade de ter uma gravadora. Mas acabou acontecendo e a\u00ed come\u00e7ou uma nova fase do pop rock brasileiro. O Skank encabe\u00e7a um movimento novo de um pop rock, vamos dizer, mercadologicamente falando, vi\u00e1vel. A gente tem muito orgulho disso, mas quando nascemos n\u00e3o&#8230; Estava mais ou menos como hoje. S\u00f3 que, agora, esse hiato est\u00e1 sendo mais duradouro. Mas \u00e9 aqui no Brasil e no mundo todo, n\u00e9?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Skank - Ainda Gosto Dela (Multishow Ao Vivo no Mineir\u00e3o)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7UZNHXYLQds?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Como voc\u00ea compara a forma\u00e7\u00e3o e o trabalho em grupo do Skank de hoje com o Skank de 1992, lan\u00e7ando um disco de estreia? Foi dif\u00edcil administrar os desejos e talentos de um de voc\u00eas nesses 30 anos?<br \/>\nSamuel \u2013<\/strong> Muito dif\u00edcil comparar a banda em dois momentos, 1992 e agora. Mas eu acho que a ess\u00eancia da nossa jun\u00e7\u00e3o foi conservada. A gente se uniu por motivos muito pessoais, afinidades pessoais, musicais e essas afinidades permanecem. Ent\u00e3o, por mais que as cabe\u00e7as tenham mudado, o Skank conseguiu conservar alguma coisa do que tinha aquele Skank de 1992. A vontade de aprimorar, a vontade de fazer bons discos, o prazer que a banda tem de subir ao palco, tocar ao vivo, isso tudo foi mantido. E n\u00e3o foi muito dif\u00edcil manter por que as coisas foram dando certo, n\u00e9? Ent\u00e3o, foi mais tranquilo manter. Imagino pra bandas que n\u00e3o tiveram essa sorte do Skank, \u00e9 muito mais dif\u00edcil voc\u00ea manter a forma\u00e7\u00e3o original, o mesmo grupo por tanto tempo. Algumas coisas a gente conservou, outras mudaram muito<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Quando o Skank surgiu no cen\u00e1rio nacional, surgiram outras bandas mineiras, com destaque para Jota Quest, Tianast\u00e1cia e Pato Fu. E uma curiosidade \u00e9 que s\u00e3o artistas que permaneceram sediados em Minas, mesmo tocando no Brasil e no mundo. Como anda essa cena mineira hoje?<br \/>\nSamuel \u2013<\/strong> \u00c9, eu acho que, quando o Skank surgiu ali em 1992, a gente acabou chamando aten\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 natural, n\u00e9? Como foram as primeiras bandas de Bras\u00edlia. A gente acabou chamando aten\u00e7\u00e3o pra cena belo-horizontina daquela \u00e9poca. Existia uma amizade e existe ainda entre essas bandas. Mas eu acho que o primeiro momento ali do Skank tendo sido t\u00e3o favor\u00e1vel, era natural que as pessoas come\u00e7assem a olhar pra BH de um outro jeito. Foi o que aconteceu e da\u00ed sa\u00edram Pato Fu, o Jota (Quest) e o Tianast\u00e1cia depois. E BH sempre foi um celeiro, uma cidade com uma tradi\u00e7\u00e3o musical muito forte. At\u00e9 mesmo antes do Clube da Esquina, que \u00e9 um dos principais movimentos da m\u00fasica brasileira. Minas Gerais \u00e9 um estado muito musical. Sempre teve ali figurando com artistas importantes no cen\u00e1rio brasileiro. E continua assim. Hoje a cena \u00e9 muito interessante, muita gente legal. Inclusive tem o Daparte, que \u00e9 a banda do meu filho, do Juliano, faz um som muito legal. Est\u00e3o indo pro segundo \u00e1lbum. E tem outras coisas boas acontecendo em BH. Uma cena promissora, que est\u00e1 sempre se renovando, sempre surgindo banda nova. A tradi\u00e7\u00e3o musical da cidade \u00e9 muito forte.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Skank - Beleza Pura (Clipe Oficial)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PbTtXBshA_c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 O Skank tem uma hist\u00f3ria de reinven\u00e7\u00f5es musicais bem corajosas. Come\u00e7aram fortemente ligados ao reggae e, tempos depois, abra\u00e7aram o rock ingl\u00eas, o pop e v\u00e1rios outros estilos com muita propriedade. Como voc\u00ea avalia esse trabalho em conjunto da banda em quase 30 anos de hist\u00f3ria fonogr\u00e1fica?<br \/>\nSamuel \u2013<\/strong> Realmente, o Skank n\u00e3o fez cerim\u00f4nia pra meter a m\u00e3o em f\u00f3rmulas consagradas, f\u00f3rmulas de grande sucesso. Que ali, marca registrada do Calango, do Samba Pocon\u00e9 (1996), e a gente deu uma guinada, mudou o som, arriscamos e eu acho que foram exatamente por esses riscos que contribu\u00edram para que a banda ficasse longeva. Pra que a banda existisse a\u00ed relevante, ap\u00f3s tanto tempo de estrada. E isso com a contribui\u00e7\u00e3o e o empenho de cada um dos integrantes. Isso \u00e9 uma marca registrada do Skank que se manteve ao longo desse per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Ao longo desses 30 anos, voc\u00eas passaram pelas mais diversas situa\u00e7\u00f5es, desde a perda do Tom Capone a uma turn\u00ea com o Jorge Benjor. Queria que voc\u00ea elencasse tr\u00eas momentos que voc\u00ea considera como fundamentais, mais marcantes, nesses anos de Skank. Uma sele\u00e7\u00e3o bem pessoal mesmo.<br \/>\nSamuel \u2013<\/strong> Eu acho que a banda \u00e9 o que \u00e9 hoje por ter aglutinado, por ter acumulado grandes momentos. \u00c9 o que eu falo muito pra quem est\u00e1 come\u00e7ando agora. Nunca uma coisa, uma a\u00e7\u00e3o, um grande show, uma grande m\u00fasica vai resolver a hist\u00f3ria de uma banda n\u00e3o. Voc\u00ea precisa acumular, precisa ter um patrim\u00f4nio, um legado de boas apresenta\u00e7\u00f5es, de convic\u00e7\u00e3o, de bons discos, boas atua\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 que, no final, l\u00e1, redunda numa carreira s\u00f3lida. Ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil enumerar. Eu poderia falar dos grandes shows. Do primeiro Hollywood Rock que a gente fez, em 1994, no ver\u00e3o, quando o Skank era praticamente an\u00f4nimo. Tava passando o disco independente pro disco na gravadora, pra Sony Music. Foi um grande show. Depois os discos: o Calango (1994), que \u00e9 um disco que acumulou hits como poucos discos do pop rock brasileiro e a venda tamb\u00e9m. Est\u00e1 entre os cinco discos de pop rock que mais venderam na hist\u00f3ria, ele e o Samba Pocon\u00e9 (1996), que veio na sequencia. S\u00e3o v\u00e1rios feitos, n\u00e9? A gente conseguiu acumular grandes a\u00e7\u00f5es. O Samba Pocon\u00e9 foi a tentativa do mercado estrangeiro, com a participa\u00e7\u00e3o do Manu Chao. Garota Nacional, foi um hit em v\u00e1rios pa\u00edses. Depois a guinada de som, o <em>Maquinarama <\/em>(2000). <em>Cosmotron <\/em>(2003), considerado por muitos, conceitualmente, um dos melhores discos. E recentemente as apresenta\u00e7\u00f5es, nessa \u00faltima d\u00e9cada, no Rock In Rio, que foram muito convincentes, bonitas. \u00c9 um tant\u00e3o de coisa, n\u00e3o d\u00e1 pra enumerar duas ou tr\u00eas. Eu estaria sendo um pouco leviano e teria que deixar de fora muita coisa importante que aconteceu com a banda. As grandes parcerias que fizemos, enfim&#8230; Uma por\u00e7\u00e3o de coisa.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Em 1992, o Brasil vivia um per\u00edodo pol\u00edtico complicado, com o impeachment do Collor e caras pintadas nas ruas. Agora, 2019, outras situa\u00e7\u00f5es tomam o Brasil, com a volta da direita ao poder, discursos homof\u00f3bicos, persegui\u00e7\u00f5es a artistas, etc. Como voc\u00ea tem visto essas transforma\u00e7\u00f5es do Pa\u00eds? O que melhorou e o que regrediu?<br \/>\nSamuel \u2013<\/strong> Politicamente, o Brasil est\u00e1 pior do que em 1992. Eu fico muito apreensivo com a situa\u00e7\u00e3o que a gente encara hoje. \u00c9 um retrocesso retumbante, n\u00e9? A gente n\u00e3o imaginava. Nunca passou pela minha cabe\u00e7a, depois de tantas experi\u00eancias, tantos livros, filmes. Depois da ditadura, o povo brasileiro teve que reaprender uma consci\u00eancia pol\u00edtica. Uma retomada. Ent\u00e3o, em 1984, a ditadura acabou. De l\u00e1 pra c\u00e1, eu imaginava que novas gera\u00e7\u00f5es tivessem feito avan\u00e7os a ponto de rejeitar qualquer governo que tenha as premissas que tem esse governo desastroso que a gente tem agora. Eu fico profundamente triste e continuo muito apreensivo. As coisas que v\u00eam acontecendo no Brasil, como diria a m\u00fasica que t\u00e1 l\u00e1 no <em>Cosmotron <\/em>(<em>Os Ofendidos<\/em>), n\u00e3o me assustam, mas me ofendem. A mim e a muitos, a mim e a tantos outros. \u00c9 muito triste por que eu imaginava que o Brasil estivesse em outro patamar de consci\u00eancia pol\u00edtica. Mas, n\u00e3o, como a gente tem visto muita gente falando que descobre um vizinho, uma pessoa, uma fam\u00edlia que pensa politicamente muito diferente. Politicamente e de forma at\u00e9 humana, existencial. Da\u00ed tantos conflitos. Esse novo governo permitiu que muita gente sa\u00edsse do arm\u00e1rio e a gente viu o qu\u00e3o conservador, o qu\u00e3o rasteiro \u00e9 ainda pra muitos focos de uma consci\u00eancia pol\u00edtica atrasada no Pa\u00eds. E outros pa\u00edses tamb\u00e9m, n\u00e9? \u00c9 assustador esse avan\u00e7o da direita. Ent\u00e3o me deixa muito preocupado. Tem horas que me passa pela cabe\u00e7a que n\u00e3o andamos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Samuel Rosa - Resposta\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0cE-l5grlks?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Quais os seus planos para depois da turn\u00ea de despedida? O que voc\u00ea j\u00e1 tem acertado para esse momento p\u00f3s-banda?<br \/>\nSamuel \u2013<\/strong> Eu ainda n\u00e3o tenho planos concretos pra quando o Skank parar, mas tenho muitas vontades. Espero poder realiza-las. Vamos ver. Mas, por hora, n\u00e3o d\u00e1 pra adiantar nada por que eu n\u00e3o tenho nada de concreto e o que eu estou buscando \u00e9 isso a\u00ed mesmo. \u00c9 falta completa de controle. Quero me jogar ao novo. Vamos ver. Quero experimentar. Acho que vai ser isso. Mas, por hora, n\u00e3o tem nada certo n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Certamente muitos f\u00e3s aqui de Fortaleza (e do Brasil todo, claro) est\u00e3o tristes com essa despedida. Que mensagem voc\u00ea quer deixar pra eles?<br \/>\nSamuel \u2013<\/strong> Claro que deixa um pouco de tristeza em todos n\u00f3s. Mas o que eu quero dizer pras pessoas \u00e9 que o Skank, por mais paradoxal que isso possa parecer, para para que a banda se perpetue. A gente n\u00e3o quer cair na mesmice, fazer um trabalho extremamente mec\u00e2nico, frio. \u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o da banda, uma marca da banda se reinventar, a ousadia, a experimenta\u00e7\u00e3o. Eu acho que a melhor experimenta\u00e7\u00e3o que a gente tem agora a fazer \u00e9 individualmente. E isso com certeza vai contribuir pra longevidade. Tenho certeza de que o Skank, num futuro a\u00ed, vai retomar e a gente vai se reencontrar com os f\u00e3s. Enquanto isso, ningu\u00e9m precisa ficar triste por que vai ter trabalho meu solo, vai ter do Lelo, do Henrique, do Haroldo, com certeza. Estou esperando ansiosamente pelo p\u00fablico de Fortaleza. Ali\u00e1s, o p\u00fablico cearense, nos \u00faltimos tempos, tem sido o melhor ou um dos melhores p\u00fablicos que o Skank tem encarado a\u00ed pelo Brasil afora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Separa\u00e7\u00f5es nem sempre significam falta de amor. Isso vale tamb\u00e9m para o mundo da m\u00fasica. 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