{"id":20151,"date":"2020-03-03T19:47:06","date_gmt":"2020-03-03T22:47:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20151"},"modified":"2020-03-03T19:50:42","modified_gmt":"2020-03-03T22:50:42","slug":"notas-sobre-o-carnaval-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/03\/03\/notas-sobre-o-carnaval-2020\/","title":{"rendered":"Notas sobre o Carnaval 2020"},"content":{"rendered":"<p>Pela primeira vez em 20 anos, abri m\u00e3o de passar meu Carnaval em Guaramiranga. Tirando a primeira edi\u00e7\u00e3o, quando eu nem sabia da exist\u00eancia do Festival de Jazz &amp; Blues, subi a serra anualmente nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, nem que fosse para curtir uma noite s\u00f3. No entanto, uma s\u00e9rie de compromissos me fizeram mudar a agenda desse ano e ficar por Fortaleza.<!--more--><\/p>\n<p>Mas \u00e9 bem verdade que isso n\u00e3o foi problema. Muito pelo contr\u00e1rio. Carnaval em Fortaleza \u00e9 bom pra descansar se voc\u00ea quiser ficar em casa e se sua rua n\u00e3o for fechada por nenhum bloco. Se este n\u00e3o for o saco, a programa\u00e7\u00e3o da Cidade \u00e9 bastante rica e diversificada. Tem eventos &#8211; pagos e gratuitos &#8211; de rock, ax\u00e9 music, MPB, jazz, marchinhas e muito mais. Seguem algumas impress\u00f5es apressadas:<\/p>\n<p><strong>1. Cocoric\u00f3 Festival &#8211;<\/strong> Como se n\u00e3o bastasse ser um dos bares\/restaurantes mais interessantes de se frequentar em Fortaleza, o Cantinho do Frango ainda inventa de ter uma programa\u00e7\u00e3o musical que \u00e9 espetacular. No Carnaval, um festival de m\u00fasica boa (sem r\u00f3tulos mesmo) segura o p\u00fablico j\u00e1 habitual e agrega alguns novatos. A prop\u00f3sito, segundo um dos respons\u00e1veis pelo evento, \u00e9 para ler como &#8220;Cocoric\u00f3 Festival&#8221;, em bom e heroico portugu\u00eas. Nada de &#8220;f\u00e9stval&#8221;.<\/p>\n<p><strong>2. Fausto Nilo e Rodger Rog\u00e9rio &#8211;<\/strong> Encontro muito esperado da programa\u00e7\u00e3o do Cocoric\u00f3 Festival, a dupla de compositores cearenses se apresentou no fim da tarde do s\u00e1bado, 22. Quem esperava ver os dois juntos, trocando repert\u00f3rios, contando hist\u00f3rias, se decepcionou. Juntos mesmo, foram duas m\u00fasicas. Mas, quem esperava s\u00f3 ouvir duas refer\u00eancias da nossa m\u00fasica, saiu bem satisfeito.<\/p>\n<p><strong>3. Fausto Nilo,<\/strong> acompanhado do pianista (magistral) Thiago Almeida, fez um setlist de can\u00e7\u00f5es menos conhecidas. Tamb\u00e9m abriu m\u00e3o das can\u00e7\u00f5es de Carnaval. Mas nenhum problema, a sele\u00e7\u00e3o final foi suficiente (<em><strong>Romance do Deserto<\/strong><\/em> foi uma surpresa massa). Al\u00e9m disso, sendo um int\u00e9rprete raro, a presen\u00e7a de Fausto Nilo se basta e \u00e9 suficiente para justificar a sa\u00edda de casa.<\/p>\n<p><strong>4. Rodger Rog\u00e9rio<\/strong> \u00e9 int\u00e9rprete raro, de voz forte, timbre \u00e1spero, sentimento cortante. Acompanhado de banda completa (baixo, bateria, guitarra e teclado), ele desfilou can\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio repert\u00f3rio e fez homenagem a Belchior. Bel\u00edssimo. Eu fui convidado, em cima da hora, para apresentar o show de Rodger, o que foi um honra. Aproveitei para ratificar a reinven\u00e7\u00e3o de um artista que deixou muitas oportunidades passarem na vida por conta da timidez. Se \u00e9 t\u00edmido hoje, Rodger disfar\u00e7a muito bem. E o show foi mais impactante que uma retroescavadeira invadindo um quartel.<\/p>\n<p><strong>5. No domingo,<\/strong> o Cantinho do Frango foi mais elegante. Come\u00e7ou com o saxofonista M\u00e1rcio Resende e o show <em>Monk<\/em>. Apesar do nome, a homenagem ao pianista Thelonious Monk foi s\u00f3 um peda\u00e7o do show que teve muita can\u00e7\u00e3o autoral. E foi \u00f3timo, por que essa mistura s\u00f3 mostrou a qualidade do repert\u00f3rio de M\u00e1rcio. Como convidado especial, ele teve ningu\u00e9m menos que Toninho Horta. Acha pouco?<\/p>\n<p><strong>6. Depois de M\u00e1rcio Resende,<\/strong> teve Jorge Helder fazendo homenagem a Tom Jobim. Toninho Horta, que estava &#8220;bem baratinho&#8221; ao longo do Carnaval, voltou a dar canja no show do baixista cearense. Jorge cantou e rearranjou cl\u00e1ssicos do mestre com uma liberdade estil\u00edstica bem curiosa. Surpreendeu que esperava uma fileira de bossa novas (o que j\u00e1 seria \u00f3timo). Sem ter vozeir\u00e3o de int\u00e9rprete, Jorge deu convic\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria voz e pode seguir cantando enquanto bem quiser.<\/p>\n<p><strong>7. Na Praia de Iracema<\/strong> teve Gilberto Gil. Pronto. Precisa dizer mais alguma coisa? T\u00e1, ele cantou <em>Punk da Periferia<\/em>. Mais? O p\u00fablico ficou gritando &#8220;isso \u00e9 que \u00e9 ministro&#8221;. Pra quem achava que o baiano ia desacelerar depois dos problemas de sa\u00fade que passou, esque\u00e7a. Gil segue com muita lenha pra queimar, al\u00e9m de ter um repert\u00f3rio precioso de sambas, reggaes, forr\u00f3s, pops e mais um monte de coisa. Em Fortaleza, teve ainda Aquele abra\u00e7o, Esperando na Janela, homenagem a Bob Marley e muito mais.<\/p>\n<p><strong>8. No Cinema do Drag\u00e3o,<\/strong> o filme <em>Inaudito<\/em> tra\u00e7a um retrato ca\u00f3tico do guitarrista Lanny Gordin. Figura central do som tropicalista, o m\u00fasico nascido em Xangai vive em fun\u00e7\u00e3o do que toca e dos fantasmas que habitam sua cabe\u00e7a. Sem linearidade, sem muitos depoimentos, sem muitas hist\u00f3rias, <em>Inaudito<\/em> \u00e9 t\u00e3o louco quanto seu homenageado. Vale assistir, mas n\u00e3o ache que vai conhecer Lanny com o filme. Compreenda a fita como uma homenagem \u00e0 altura.<\/p>\n<p><strong>9. N\u00e3o fui a Guaramiranga,<\/strong> mas vi parte da programa\u00e7\u00e3o do Festival de Jazz&amp;Blues em Fortaleza. No Cineteatro S\u00e3o Luiz, Z\u00e9lia Duncan e Jaques Morelembaum retomaram a parceria especialmente para participar do festival. O show <em>Invento+<\/em>, s\u00f3 com m\u00fasicas do repert\u00f3rio de Milton Nascimento, \u00e9 de uma delicadeza que s\u00f3 dois grandes int\u00e9rpretes poderiam encarar. S\u00f3 voz e cello, e uma infinidade de versos e notas cheios de beleza. O microfone de Z\u00e9lia falhou muitas vezes ao longo do show inteiro, mas ela foi tirando de letra com a seguran\u00e7a que n\u00e3o lhe falta.<\/p>\n<p><strong>10. Encerrando a semana<\/strong> de Carnaval (?!), o Theatro Jos\u00e9 de Alencar recebeu no \u00faltimo s\u00e1bado, 29, a parceria in\u00e9dita de Felipe Cazaux e Cristiano Pinho. Dois dos mais afiados guitarristas do Cear\u00e1, eles fizeram uma sele\u00e7\u00e3o precisa de can\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e de nomes como Beatles, Rolling Stones, Roberto e Erasmo Carlos. Um show desses mostra a qualidade da m\u00fasica que se faz hoje no Cear\u00e1, isso pra quem ainda tem d\u00favida. Entre pe\u00e7as instrumentais e outras cantadas (por Cazaux), eles foram mostrando que t\u00eam linguagens e caracter\u00edsticas bem diferentes, mas que se combinavam com perfei\u00e7\u00e3o. Espero que este show se repita em breve.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez em 20 anos, abri m\u00e3o de passar meu Carnaval em Guaramiranga. 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