{"id":20160,"date":"2020-03-14T16:02:09","date_gmt":"2020-03-14T19:02:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20160"},"modified":"2020-03-14T16:02:09","modified_gmt":"2020-03-14T19:02:09","slug":"mariana-aydar-apresenta-show-veia-nordestina-no-sao-luiz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/03\/14\/mariana-aydar-apresenta-show-veia-nordestina-no-sao-luiz\/","title":{"rendered":"Mariana Aydar apresenta show Veia Nordestina no S\u00e3o Luiz"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_20162\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20162\" class=\"wp-image-20162 size-large\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9134e3-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9134e3-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9134e3-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9134e3-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9134e3-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9134e3.jpg 1076w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-20162\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Autumn Sonnichsen\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Lan\u00e7ado em quatro EPs, o disco <strong>Veia Nordestina<\/strong> \u00e9 um acerto de contas de <strong>Mariana Aydar<\/strong> com sua hist\u00f3ria musical. No in\u00edcio da carreira fonogr\u00e1fica, tanto no projeto especial (dispon\u00edvel nas plataformas digitais) <em>Brasil, Sons e Sabores<\/em> (2005) como no \u00f3timo <em><span style=\"text-decoration: underline\">Kavita1<\/span><\/em> (2006), o nome da paulistana ficou muito ligado a uma nova gera\u00e7\u00e3o de sambistas que surgia no mercado. Mas em <em>Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo<\/em>, ela se aproximou do Nordeste no disco que traz participa\u00e7\u00e3o de Dominguinhos e regrava\u00e7\u00e3o de cl\u00e1ssico de Z\u00e9 Ramalho.<!--more--><\/p>\n<p>Mas se o disco de 2011 usava o forr\u00f3 como conceito, <strong>Veia Nordestina<\/strong> traz o forr\u00f3 por completo. Ou melhor, o \u201cForr\u00f3\u201d, com letra mai\u00fascula, como ela fez quest\u00e3o de escrever na longa entrevista cedida por email. O resultado deste mergulho num Nordeste pop, consciente, feliz e dan\u00e7ante pode ser conferido neste domingo, 15, no Cineteatro S\u00e3o Luiz. <strong>Mariana Aydar<\/strong> apresenta pela primeira vez em Fortaleza o show deste projeto que come\u00e7ou com quatro EPs e agora est\u00e1 dispon\u00edvel por completo nas plataformas digitais e em CD. \u201cO Forr\u00f3 e o samba, por exemplo, t\u00eam muito isso de ser tradicionalista, de parecer meio pecado mexer neles. Mas eu n\u00e3o acho errado colocar roupas diferentes, desde que preservando o Forr\u00f3 p\u00e9-de-serra, a alma\u201d, comenta a cantora. Confira entrevista completa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mariana Aydar - Se Pendura (Lyric Video)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VI5qxo5MT5o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Como \u00e9 esse novo show? O repert\u00f3rio dos discos anteriores tamb\u00e9m entra nesse novo espet\u00e1culo?<\/strong><br \/>\n<strong>Mariana Aydar \u2013<\/strong> Esse \u00e9 o show <strong>Veia Nordestina<\/strong>, meu agradecimento e minha homenagem ao povo nordestino, \u00e0 cultura nordestina que tanto me ensinou. Vou cantar m\u00fasicas que j\u00e1 gravei \u2013 o Forr\u00f3 sempre permeou minha vida e o repert\u00f3rio dos meus cinco discos \u2013, de toda minha carreira, mas principalmente do disco mais recente, e outras dos grandes mestres do cancioneiro nordestino, como Dominguinhos e Alceu Valen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Como tem sido a repercuss\u00e3o desse disco\/show pelo Brasil?<\/strong><br \/>\n<strong>Mariana \u2013<\/strong> Tem sido maravilhosa! \u00c9 um show muito dan\u00e7ante, ao mesmo tempo que contemplativo e estou muito feliz de fazer esse show rodar. Sinto que encontrei meu lugar, que \u00e9, na verdade, de onde eu nunca sa\u00ed, porque minha rela\u00e7\u00e3o com o Forr\u00f3 \u00e9 muito verdadeira e tudo que \u00e9 verdadeiro \u00e9 muito potente.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Seu novo disco tem participa\u00e7\u00f5es especiais de Elba Ramalho, que dispensa explica\u00e7\u00e3o num disco com essa tem\u00e1tica, e Maria Gad\u00fa. Queria que voc\u00ea falasse desses dois nomes num \u00e1lbum que aborda a m\u00fasica nordestina.<\/strong><br \/>\n<strong>Mariana \u2013<\/strong> Elba \u00e9 minha grande rainha e madrinha no Forr\u00f3, minha grande refer\u00eancia. N\u00e3o poderia pensar em fazer um disco de Forr\u00f3 sem a presen\u00e7a dela. N\u00f3s j\u00e1 vivemos muitas coisas juntas, ela \u00e9 muito generosa. Me abra\u00e7ou demais no come\u00e7o da carreira, quando eu nem tinha banda, s\u00f3 a que me acompanhava \u2013 Caru\u00e1, de Forr\u00f3. Ela os conheceu e veio falar comigo. E foi generosa, mais uma vez, ao topar esse convite, de contar esse fato real que vivemos juntas \u2013 vimos uma luz, um OVNI no c\u00e9u de Cara\u00edva e Trancoso \u2013 ent\u00e3o escrevi essa letra (<em>Forr\u00f3 do ET<\/em>) e a convidei pra cantar. Fico muito feliz como compositora de ter uma m\u00fasica cantada pela Elba. No <strong>Veia Nordestina<\/strong>\u00a0eu quis muito colocar a mulher como protagonista, falar das quest\u00f5es da mulher e desse assunto no Forr\u00f3. O estilo tem muitas letras machistas, a mulher nunca est\u00e1 como protagonista, \u00e9 sempre a dama do cara que sente ci\u00fame dela no baile, ou a mulher que provoca dan\u00e7ando no baile\u2026 Dif\u00edcil v\u00ea-la falando de suas emo\u00e7\u00f5es, sentimentos e vontades \u2013 quem fez muito isso foi, justamente, a Elba. A Maria \u00e9 uma grande amiga, uma artista que admiro muito. A discuss\u00e3o do feminismo eu tenho muito com ela e, enquanto amiga e militante, Maria me ensina muito. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma grande forrozeira. Ia nos meus shows no <em>KVA<\/em>, em S\u00e3o Paulo, h\u00e1 muito tempo, dan\u00e7a muito bem, ama Forr\u00f3. Maria \u00e9 muito amiga da Juliana Strassacapa, (vocalista e percussionista) do Francisco, El Hombre, que escreveu <em><strong>Triste, louca ou m\u00e1<\/strong><\/em> com os companheiros de banda. Me apaixonei por essa m\u00fasica! Ela mudou minha vida. Aprendo muito, at\u00e9 hoje, quando canto. J\u00e1 tinha cantado com a Maria em alguns shows e, na \u00faltima vez, me deu esse estalo de cham\u00e1-la pra gravar e representar toda milit\u00e2ncia feminista. Ela \u00e9 uma pessoa que me abriu muitos pontos de vista, portas e lugares dentro de mim mesma.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Chico C\u00e9sar certa vez fez uma cr\u00edtica \u00e0quilo que ele chamou de \u201cforr\u00f3 de pl\u00e1stico\u201d, se referindo a uma parcela mais comercial do forr\u00f3. Qual sua opini\u00e3o sobre esse r\u00f3tulo e ao trabalho de bandas que se afastam da tradi\u00e7\u00e3o e apostam mais num aparato tecnol\u00f3gico?<\/strong><br \/>\n<strong>Mariana \u2013<\/strong> Minha rela\u00e7\u00e3o com o Forr\u00f3 sempre foi subversiva, isso sempre foi inerente. Acho que a gente pode experimentar as coisas. O Forr\u00f3 e o Samba, por exemplo, t\u00eam muito isso de ser tradicionalista, de parecer meio pecado mexer neles. Mas eu n\u00e3o acho errado colocar roupas diferentes, desde que preservando o Forr\u00f3 p\u00e9-de-serra, a alma. Quis seguir nessa minha experi\u00eancia subversiva trazendo outros elementos. Foi tudo bem pensado e esse foi um dos princ\u00edpios do <strong>Veia Nordestina<\/strong>. Com isso, vieram outros p\u00fablicos. \u00c9 muito doido, mas muitas pessoas conheceram Forr\u00f3 atrav\u00e9s do meu trabalho \u2013 fico feliz e triste, ao mesmo tempo. Ainda h\u00e1 muito preconceito com Forr\u00f3. \u00c0s vezes algu\u00e9m ouve e fala \u201cnossa, isso \u00e9 Forr\u00f3! Gostei!\u201d e a\u00ed fica mais f\u00e1cil dessa pessoa ouvir um p\u00e9-de-serra, mais tradicional, e se encantar do mesmo jeito, porque \u00e9 o que o Forr\u00f3 \u00e9: encantador.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mariana Aydar \u2013 Triste, Louca ou M\u00e1 part. Juliana Strassacapa (Ao Vivo no Sesc Pinheiros)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/L2SjkvrJiOk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Que discos ou artistas foram importantes pra constru\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio desse novo disco? Quem voc\u00ea usou como refer\u00eancia?<\/strong><br \/>\n<strong>Mariana \u2013<\/strong> Dominguinhos sempre \u00e9 uma refer\u00eancia muito grande nas minhas m\u00fasicas, principalmente num disco de Forr\u00f3, porque ele inovou muito dentro do estilo. Os discos dele dos anos 1970 s\u00e3o grandes refer\u00eancias n\u00e3o s\u00f3 pro <strong>Veia Nordestina<\/strong>, mas todos os outros. Ele mexeu numa quest\u00e3o estrutural, de ritmos, e uniu m\u00fasicos maravilhosos. Tem m\u00fasicas dele com arranjos do Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Toninho Horta, Luiz\u00e3o\u2026 E s\u00e3o discos que eu n\u00e3o sinto que ele tenha explorado tanto, que ficam meio esquecidos na discografia, mas acho que s\u00e3o alguns dos mais revolucion\u00e1rios de Forr\u00f3: <em>Oi, L\u00e1 Vou Eu<\/em> e <em>Menino Dominguinhos<\/em> foram muito importantes pra mim. Ouvimos, tamb\u00e9m, bastante cumbia (m\u00fasica t\u00edpica colombiana), Bomba Est\u00e9reo (banda), Banco (artista portugu\u00eas)\u2026 Mas as refer\u00eancias anteriores s\u00e3o as mais fortes: nordestinos que me mostraram, desde sempre, que a M\u00fasica Nordestina n\u00e3o precisava ser nem nomeada como tal, mas como \u201cM\u00fasica Brasileira\u201d, aut\u00eantica e totalmente autoral \u2013 como Chico C\u00e9sar, Lenine, Zeca Baleiro. No in\u00edcio dos anos 2000 eles abriram muito a minha cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Uma das suas preocupa\u00e7\u00f5es com esse disco foi uma renova\u00e7\u00e3o do discurso, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher. Como voc\u00ea tem percebido essa rela\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com o discurso feminista? Acha que as pessoas t\u00eam tomado mais consci\u00eancia sobre o tema?<\/strong><br \/>\n<strong>Mariana \u2013<\/strong> A gente vive um momento muito importante do mundo e, especialmente, do feminismo. A mulher est\u00e1, finalmente, entendendo o tamanho do seu poder, da sua responsabilidade e for\u00e7a. Enquanto artista, foi muito urgente falar sobre isso, porque eu me aprofundo e inteiro e me emociono sobre isso cada vez mais. Vejo essa reverbera\u00e7\u00e3o nas pessoas no mesmo lugar, principalmente as mulheres, que se veem representadas por esse discurso, essas m\u00fasicas, atitudes. Mulheres juntas que querem transformar muita coisa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mariana Aydar e Duani falam sobre o document\u00e1rio &quot;Dominguinhos, Volta e Meia&quot;\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DxpLYiPoKnU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Voc\u00ea foi respons\u00e1vel por um document\u00e1rio sobre o Dominguinhos e agora, para esse novo trabalho, produziu uma s\u00e9rie de minidocs sobre a hist\u00f3ria do forr\u00f3. Que espa\u00e7o o cinema ocupa na sua obra? \u00c9 algo em que pretende investir?<\/strong><br \/>\n<strong>Mariana \u2013<\/strong> Gosto muito de Cinema e Audiovisual, mas n\u00e3o \u00e9 algo que eu almejo que ocupe mais tempo. Acaba que eu sinto ser uma express\u00e3o muito forte que tamb\u00e9m comunica, artisticamente, o que eu quero falar. Chega muito f\u00e1cil nas pessoas. O document\u00e1rio do Dominguinhos foi um ato, at\u00e9, de ingenuidade da minha parte. Era muito nova e muito apaixonada (ainda sou) por ele. Foi um ato de loucura, paix\u00e3o, amor. Os mini-document\u00e1rios serviram para construir e contar uma hist\u00f3ria. No Forr\u00f3 ainda n\u00e3o existem muitos registros, mesmo da minha \u00e9poca \u2013 come\u00e7o dos anos 2000, o \u201cboom\u201d do Forr\u00f3. Tem muita gente que t\u00e1 chegando agora no estilo, com seus 25 anos, e nem sabe dessa hist\u00f3ria. Achei importante fazer uma contextualiza\u00e7\u00e3o do Forr\u00f3 e minha caminhada dentro dele. A webs\u00e9rie foi dirigida pelo Joaquim Castro e Delani Lima. O Joaquim tamb\u00e9m dirigiu comigo e Eduardo Nazarian o filme do Dominguinhos. Ele \u00e9 uma das muitas pessoas que o Forr\u00f3 me deu, dos muitos amigos. O Forr\u00f3 \u00e9, pra mim, um estilo de vida, um lugar de encontros e pessoas que dividem uma mesma paix\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Por conta do trabalho dos seus pais, voc\u00ea conheceu o Luiz Gonzaga quando era bem pequena. Que lembran\u00e7a voc\u00ea tem desse encontro?<\/strong><br \/>\n<strong>Mariana \u2013<\/strong> Desde muito cedo eu tive contato com o Forr\u00f3, pela maior porta da frente poss\u00edvel, Luiz Gonzaga. Fui muito sortuda de conhec\u00ea-lo novinha! Gostei muito da figura dele, fiquei muito curiosa com aquela pessoa ex\u00f3tica e fui conhecer o que ele tocava, cantava e fazia. Minha m\u00e3e trabalhava com ele. Ganhei dele um disco e uma boneca e, desde ent\u00e3o, o Forr\u00f3 nunca mais saiu da minha vida e me deu muitos presentes &#8211; minha filha (conheci o pai dela no Forr\u00f3), o Joaquim Castro (al\u00e9m de diretor maravilhoso, meu parceiro de dan\u00e7a), muitos amigos e aprendizados.<\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Que imagem ele deixou em voc\u00ea ainda t\u00e3o pequena?<\/strong><br \/>\nMariana \u2013 Eu era uma crian\u00e7a. Para uma crian\u00e7a, Luiz Gonzaga era uma mistura de Elvis Presley com Papai Noel, com um vov\u00f4\u2026 Uma jun\u00e7\u00e3o de coisas muito fortes para uma crian\u00e7a. Ele gostava muito da minha m\u00e3e. Quando vinha para S\u00e3o Paulo, ficava muito com meu av\u00f4 materno e com ela. Um dia fomos ao Shopping Iguatemi, que tem um rel\u00f3gio enorme de \u00e1gua, e Luiz Gonzaga ficava indo e voltando, olhando. Nesse dia ele resolveu me dar um presente e eu falei pra minha m\u00e3e que queria uma boneca do modelo que eu colecionava. Minha m\u00e3e disse pra aceitar o que ele quisesse me dar e eu ganhei uma noiva gigante. Em um dos seus discos tinha uma m\u00fasica chamada <em>Mariana<\/em>, que eu gostava muito, e ele fez pra neta, mas tinha certeza que era pra mim. Luiz Gonzaga nunca desmentiu. Muito fofo! Ele era muito legal, muito generoso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-20163\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9004-740x494.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"494\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9004-740x494.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9004-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9004-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9004-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/190315_MariAydar_9004.jpg 1192w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p><strong>O POVO \u2013 Assim como o samba, o forr\u00f3 e outros ritmos nordestinos serviram como instrumento de den\u00fancia sobre desigualdades e outras quest\u00f5es sociais \u2013 sua m\u00fasica <em>Na Boca do Povo<\/em> \u00e9 um bom exemplo disso. Que import\u00e2ncia voc\u00ea v\u00ea em lan\u00e7ar um disco de forr\u00f3 no atual contexto pol\u00edtico nacional?<\/strong><br \/>\n<strong>Mariana \u2013<\/strong> O Nordeste nos mostra, mais uma vez, a que veio. O povo nordestino sabe amar, receber, viver e votar. Nada mais lindo que exaltar essa regi\u00e3o nesse momento pol\u00edtico. O Forr\u00f3 tem um jeito irreverente de falar das coisas. D\u00e1 um soco com luva de pelica. Fala das dores de uma forma bonita, n\u00e3o necessariamente dram\u00e1tica ou dolorida. Tem sempre algo como \u201cest\u00e1 doendo, mas vou seguir\u201d. A for\u00e7a do nordestino, apesar de todas as adversidades. <em><strong>Na Boca do Povo<\/strong><\/em> entra muito a\u00ed \u2013 falando de todos esses temas, de maneira engra\u00e7ada e leve, mas, nem por isso, menos s\u00e9ria ou importante.<\/p>\n<p><strong>Mariana Aydar \u2013 Veia Nordestina<\/strong><br \/>\n<strong>Quando:<\/strong> domingo, 15, \u00e0s 18 horas<br \/>\n<strong>Onde:<\/strong> Cineteatro S\u00e3o Luiz (Rua Major Facundo, 500 &#8211; Centro)<br \/>\n<strong>Quanto:<\/strong> R$30 (inteira) e R$15 (meia)<br \/>\n<strong>Telefone:<\/strong> 3252 4138<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lan\u00e7ado em quatro EPs, o disco Veia Nordestina \u00e9 um acerto de contas de Mariana Aydar com sua hist\u00f3ria musical. 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