{"id":20166,"date":"2020-03-31T16:42:14","date_gmt":"2020-03-31T19:42:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20166"},"modified":"2020-03-31T16:42:14","modified_gmt":"2020-03-31T19:42:14","slug":"mais-que-deus-eric-clapton-chega-aos-75-anos-como-um-discipulo-do-blues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/03\/31\/mais-que-deus-eric-clapton-chega-aos-75-anos-como-um-discipulo-do-blues\/","title":{"rendered":"Mais que deus, Eric Clapton chega aos 75 anos como um disc\u00edpulo do blues"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_20167\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20167\" class=\"size-large wp-image-20167\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/eric-clapton-1496225107.98.2560x1440-740x416.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"416\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/eric-clapton-1496225107.98.2560x1440-740x416.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/eric-clapton-1496225107.98.2560x1440-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/eric-clapton-1496225107.98.2560x1440-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/eric-clapton-1496225107.98.2560x1440-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/eric-clapton-1496225107.98.2560x1440-2048x1152.jpg 2048w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/03\/eric-clapton-1496225107.98.2560x1440-120x68.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-20167\" class=\"wp-caption-text\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><em><strong>Por Marcos Sampaio<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u201cExiste algo na transmiss\u00e3o de boca em boca que voc\u00ea n\u00e3o pode desmerecer. Na verdade, me senti grato, pois aquilo me deu status e, melhor ainda, era o tipo de status que ningu\u00e9m podia perverter. Afinal de contas, voc\u00ea n\u00e3o pode esquentar com grafitti. \u00c9 algo que vem das ruas\u201d. As palavras de Eric Clapton sobre o famoso apelido pixado pelos muros de Londres, nada menos que \u201cDeus\u201d, s\u00e3o bem conflitantes.<!--more--><\/p>\n<p>Na autobiografia de 2007, obrigat\u00f3ria para os f\u00e3s de rock, ele parece desconcertado quando analisa o fato de ter se tornado uma entidade m\u00edtica na m\u00fasica. Ao mesmo passo que v\u00ea um exagero nesse endeusamento, ele n\u00e3o nega o que fez. \u201cNa real, eu n\u00e3o queria esse tipo de notoriedade. Eu sabia que traria algum tipo de problema. Mas outra parte de mim gostou da ideia, de que o que eu vinha cultivando todos aqueles anos finalmente estivesse obtendo algum reconhecimento\u201d, relativiza o guitarrista no livro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eric Clapton - Tears In Heaven (Official Video)\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JxPj3GAYYZ0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Deus ou humano, Eric Patrick Clapton completou nesta segunda, 30, seus 75 anos, dos quais quase 60 foram dedicados \u00e0 m\u00fasica. Na verdade, desde a adolesc\u00eancia, o ingl\u00eas nascido na vila de Ripley, no condado de Surrey, encontrou na m\u00fasica um ambiente para desaguar suas ang\u00fastias e incompletudes. E isso come\u00e7a na inf\u00e2ncia, quando ele descobre que aqueles que ele chamava de pai e m\u00e3e eram seus av\u00f3s e que ele era filho da \u201cirm\u00e3\u201d. Se esse imbr\u00f3glio j\u00e1 foi grande demais pra caber naquela cabecinha de crian\u00e7a, tamb\u00e9m n\u00e3o f\u00e1cil expurgar a dor de perder um filho num acidente tr\u00e1gico \u2013 e que ele transformou em Tears in heaven, balada t\u00e3o doce quanto sofrida, que lhe rendeu tr\u00eas pr\u00eamios Grammy.<\/p>\n<p>Ah, mas se o assunto for pr\u00eamios e grava\u00e7\u00f5es de sucesso esse texto vai se estender bem mais. Olhando de longe, Clapton nunca soube o que \u00e9 ostracismo e muitas das bandas das quais fez parte viraram hist\u00f3ria. Seu in\u00edcio com os Yardbirds foi poderoso, mas ele e seguiu ao lado de John Mayall and The Bluesbreakers. O passo seguinte foi no Cream, o primeiro grande power trio da hist\u00f3ria do rock. E o primeiro ensaio de projeto solo, ainda com nome de banda, Derek and The Dominos, lan\u00e7ou apenas um disco, mas com a avassaladora Layla como single.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eric Clapton - Wonderful Tonight\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TBQ-8V--FkQ?list=PLzEG2f9QAl8NnOVMbW0CctT-8LSCGlQ-a\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas o fato \u00e9 que n\u00e3o se reconhece o valor de Eric Clapton pela velocidade dos solos ou pelo volume de sucessos. Bem mais do que um deus, ele s\u00f3 quer ser reconhecido como um fiel seguidor dos mestres do blues. Uma r\u00e1pida olhada nas suas capas de disco e o que se v\u00ea \u00e9 um homem introspectivo, s\u00e9rio, firme com sua companheira guitarra. O que se v\u00ea em Slowhand (1977) \u00e9 s\u00f3 um acorde. Em Jorneyman (1989), apenas um perfil e algumas rugas. Em Ridding With The King (2000), \u00e9 ele quem dirige para BB King. Em Clapton (2010), cabelos brancos e \u00f3culos de grau. E em Old Sock (2013), chap\u00e9u, barba mal feita e um ar de \u201c\u00e9 s\u00f3 isso mesmo\u201d.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil ver nessas capas de discos o deus, uma egotrip, o superstar que consumiu boas quantidades de \u00e1lcool, hero\u00edna e outras subst\u00e2ncias que quase o mataram. N\u00e3o, o que Eric Clapton faz \u00e9 pela m\u00fasica. Desde celebrar a mem\u00f3ria de George Harrison no luxuoso Concert For George (com o mais belo e cortante solo de While My Guitar Gently Weeps), passando por juntar as joias deixadas por Robert Johnson, at\u00e9 reunir uma infinidade de guitarristas no festival Crossroads. Pela dedica\u00e7\u00e3o dispensada, Eric Clapton est\u00e1 mais para servo do que para deus. Vai ver que \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 sua divindade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; Por Marcos Sampaio \u201cExiste algo na transmiss\u00e3o de boca em boca que voc\u00ea n\u00e3o pode desmerecer. 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