{"id":20181,"date":"2020-04-13T20:44:24","date_gmt":"2020-04-13T23:44:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20181"},"modified":"2020-04-14T16:09:13","modified_gmt":"2020-04-14T19:09:13","slug":"moraes-moreira-e-seu-tambor-de-todos-os-ritmos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/04\/13\/moraes-moreira-e-seu-tambor-de-todos-os-ritmos\/","title":{"rendered":"Moraes Moreira e seu tambor de todos os ritmos"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-20182 size-full\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/04\/R-4510499-1512912773-3030.jpeg.jpg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"601\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/04\/R-4510499-1512912773-3030.jpeg.jpg 599w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/04\/R-4510499-1512912773-3030.jpeg-300x301.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/04\/R-4510499-1512912773-3030.jpeg-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/04\/R-4510499-1512912773-3030.jpeg-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/p>\n<p>A primeira lembran\u00e7a que tenho de <strong>Moraes Moreira<\/strong> na minha vida \u00e9 na casa em que morei, na rua Gustavo Sampaio. Foi ali que, quando eu mal fazia sombra, j\u00e1 aprendi a por pra tocar ininterruptamente os lados A e B do disco <strong>Bazar Brasileiro<\/strong>. Na cole\u00e7\u00e3o tinha tamb\u00e9m o disco de 1981, que eu pouco lembro de algo al\u00e9m da capa &#8211; e olha que nele est\u00e1, vi bem depois, <em>Bateu no Paladar<\/em>, uma das minhas can\u00e7\u00f5es favoritas. Mas era aquele, de 1981, que mal saia do prato do CCE 3 em 1 que reinava na sala. Mal sabia eu que foi o <strong>Bazar Brasileiro<\/strong> quem me apresentou ao compositor Fausto Nilo.<\/p>\n<p>Nas vezes que encontrei <strong>Moraes<\/strong> ou falei com ele por telefone, j\u00e1 como jornalista, fugia da ideia de dizer o quanto aquele repert\u00f3rio era importante pra mim. Buscava aquela isen\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica t\u00e3o almejada e que tantas vezes depois furei ao encontrar \u00eddolos. E Moraes ent\u00e3o, depois da descoberta dos Novos Baianos, ocupou um patamar de bastante destaque nesse pante\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Moraes Moreira, Davi Moraes e Nina Becker - Acabou Chorare | Compacto Petrobras\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9Md4PwuhEYY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Neste <strong>Bazar Brasileiro<\/strong>, <strong>Moraes Moreira<\/strong> j\u00e1 revelava sua preocupa\u00e7\u00e3o com o que deixaria de legado para as futuras gera\u00e7\u00f5es. Na letra de <em>Meninos do Brasil<\/em>, parceria com Abel Silva em que cita seu filho Davi Moraes e outros filhos que viriam a ser famosos, como Moreno Veloso e Pedro Baby, (quem s\u00e3o os outros?) ele j\u00e1 assumia que levava f\u00e9 nessa turma, mesmo que pra ele n\u00e3o desse mais p\u00e9. \u201cL\u00e1 pelo ano 2000, eu quero estar na pele, nos olhos e nos sonhos dos meninos do Brasil\u201d, explodia a voz no refr\u00e3o daquele blues.<\/p>\n<p>Ainda do mesmo disco, <em>Lenda do P\u00e9gaso<\/em>, parceria com Jorge Mautner \u00e9 outra obra prima. Uma can\u00e7\u00e3o infantil, com um p\u00e9 na mitologia, cheia de imagens graciosas, coloridas e aquela voz no talo, cantando alto, que misturava com os viol\u00f5es (do pr\u00f3prio Moraes e de Robertinho do Recife) e com o violino saltitante de Mautner.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;Promessas Demais&quot;, por Moraes Moreira\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PqUKxB_N79o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Entre uma mudan\u00e7a e outra de endere\u00e7o, em algum ponto em que achei que LPs eram coisa do passado, esse <strong>Bazar Brasileiro<\/strong> deixou de existir na minha casa. Anos depois o reencontrei em sebo de Guaramiranga e ele voltou pra perto. Mas a\u00ed eu j\u00e1 sabia quem era <strong>Moraes<\/strong>, quem foram os Novos Baianos e j\u00e1 havia decorado cada nota do <strong>Ac\u00fastico MTV<\/strong> lan\u00e7ado em 1995 &#8211; um dos melhores da s\u00e9rie, lan\u00e7ado quando o despojamento ainda tinha seu papel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Moraes Moreira, Elba Ramalho e Toquinho cantam &quot;Preta Pretinha&quot; - 1981\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/J38Tk1dH8Zc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Moraes Moreira<\/strong> morreu na manh\u00e3 desta segunda, 13, no Rio de Janeiro, onde morava. Aos 72 anos, sofreu um infarto agudo no mioc\u00e1rdio enquanto dormia. A como\u00e7\u00e3o foi tanta que tomou espa\u00e7o na timeline com as \u00faltimas not\u00edcias do coronavirus. De repente, o Brasil relembrou a for\u00e7a da m\u00e1quina de ritmo que o baiano de Itua\u00e7u, capaz de fazer pop music com todas as tradi\u00e7\u00f5es brasileiras, do cordel ao repente. No peito do baiano tinha um tambor, seu c\u00e9rebro era um afox\u00e9 e seus dedos se estendiam em cordas de um viol\u00e3o. E assim ele foi todo m\u00fasica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira lembran\u00e7a que tenho de Moraes Moreira na minha vida \u00e9 na casa em que morei, na rua Gustavo Sampaio. 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