{"id":20209,"date":"2020-04-30T18:02:04","date_gmt":"2020-04-30T21:02:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20209"},"modified":"2020-04-30T18:02:04","modified_gmt":"2020-04-30T21:02:04","slug":"belchior-tres-anos-memorias-de-mimi-rocha-com-o-trovador-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/04\/30\/belchior-tres-anos-memorias-de-mimi-rocha-com-o-trovador-brasileiro\/","title":{"rendered":"Belchior tr\u00eas anos&#8230; Mem\u00f3rias de Mimi Rocha com o trovador brasileiro"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_18801\" style=\"width: 625px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-18801\" class=\"size-full wp-image-18801\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/belchior-1493657256092_v2_615x300.jpg\" alt=\"\" width=\"615\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/belchior-1493657256092_v2_615x300.jpg 615w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/belchior-1493657256092_v2_615x300-300x146.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/08\/belchior-1493657256092_v2_615x300-120x59.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 615px) 100vw, 615px\" \/><p id=\"caption-attachment-18801\" class=\"wp-caption-text\">Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>Texto escrito por Mimi Rocha, m\u00fasico e produtor<\/strong><\/p>\n<p>Na primeira vez em que ouvi <strong>Na Hora do Almo\u00e7o<\/strong>, eu ainda n\u00e3o sabia fazer acordes no viol\u00e3o. Tocava um viol\u00e3o s\u00f3 nas cordas graves o riff de <em>Satisfaction<\/em> (Rolling Stones) e de <em>Iron Man<\/em> (Black Sabbath) que aprendi de ouvido. Um tempinho depois, j\u00e1 com um viol\u00e3o devidamente afinado pelo cunhado e amigo Helder Maia, descobri aqueles quatro acordes que s\u00e3o t\u00e3o representativos da m\u00fasica cearense que se fazia nos anos 1970 (R\u00e9, R\u00e9 com baixo em D\u00f3, Sol com baixo em Si e Sol menor com baixo em si bemol), e que v\u00eam do barroco de J.S. Bach &#8211; na m\u00e3o dos Beatles, esses acordes nos trouxeram <em>Dear Prudence<\/em>; no Blind Faith de Eric Clapton,\u00a0 trouxeram <em>Can&#8217;t find my way home<\/em>; com Ednardo, um trecho de <em>Beira-mar<\/em> e outras; Tom Jobim, <em>\u00c1guas de Mar\u00e7o<\/em>; e Fagner citou no final de <em>Canteiros<\/em>. S\u00f3 pra lembrar algumas.<!--more--><\/p>\n<p>Belchior construiu sua obra na cola dessas influ\u00eancias, com um material composicional limitado, mas com dois diferenciais: letras marcantes, com toques de Bob Dylan, John Lennon, Edgar Allan Poe, poesia concreta, cordel, imagens cotidianas, e na parte musical se cercou de grandes produtores e m\u00fasicos, dos quais destaco Mazolla, Jos\u00e9 Roberto Bertami (da banda Azimuth), Rick Ferreira (que trouxe a linguagem da guitarra country americana junto com as violas de cantadores), que souberam lapidar as m\u00fasicas dele sem tirar o foco da mensagem que passava.<\/p>\n<p>Aliado a isso, Bel sempre teve o visual do latin lover, com cachimbo, bigode, chegando a ser eleito o homem mais sexy do ano por uma revista masculina da \u00e9poca.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Belchior &quot;Fotografia 3x4&quot;, 1974.\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2zK5p0VoC3A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Destaco na sua obra a tr\u00edade de discos <strong>Alucina\u00e7\u00e3o<\/strong>, <strong>Cora\u00e7\u00e3o Selvagem<\/strong> e\u00a0<strong>Era uma vez o homem e seu tempo<\/strong>, que mais parecem uma colet\u00e2nea de \u201cgreatest hits\u201d. Men\u00e7\u00e3o honrosa deve ser dada ao primeiro, <strong>Mote e Glosa<\/strong>, que \u00e9 meio tropicalista; <strong>Todos os sentidos<\/strong>; e <strong>Objeto Direto<\/strong>, que cont\u00e9m a m\u00fasica que mais gosto dele <strong><em>Ip\u00ea<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Minha experi\u00eancia com Belchior come\u00e7ou num show em Russas, que fizemos sem ensaio em meados dos anos 1990. Ficamos hospedados no s\u00edtio da m\u00e3e do cantor S\u00e1vio Le\u00e3o, e teve uma noitada de viol\u00e3o e vinho ap\u00f3s o show. Era muito bacana conversar com Belchior, sempre muito cordial e atencioso, e me chamava de Dom Mimi.<\/p>\n<p>No come\u00e7o dos anos 2000 fui chamado pra fazer uns shows com ele num formato mais ac\u00fastico, e viajamos pelo interior do Cear\u00e1 tamb\u00e9m nesse esquema sem ensaio, s\u00f3 um encontro na piscina do hotel pra ver o roteiro etc&#8230; Mais uma pausa e mais um convite, mas dessa vez consegui ensaiar um show dele com uma banda que inclu\u00eda Tito Freitas no teclado, Lu\u00eds Miguel no baixo, Adriano Azevedo na bateria e M\u00e1rcio Resende no sax. Fizemos um show antol\u00f3gico na Ta\u00edba, durante o Festival do Escargot (no YouTube tem um v\u00eddeo bem tosco feito por um rapaz que parecia alcoolizado. Mas d\u00e1 pra ver um trecho de uma homenagem a Raul Seixas).<\/p>\n<p>Mais algumas viagens pelo Brasil no formato ac\u00fastico, mais conversas boas no camarim sobre poesia, cinema, Dante Alighieri, Rod Steward, hist\u00f3rias de grava\u00e7\u00e3o dos discos e mais vinho. Gravamos o DVD <strong>Nomes do Nordeste<\/strong> no CCBNB, com as inclus\u00f5es de Italo Almeida (hoje Italo Poeta) no teclado e mais Miguel e Adriano.<\/p>\n<p>A\u00ed come\u00e7ou a ficar estranho&#8230; Nos \u00faltimos shows que fizemos, n\u00e3o t\u00ednhamos mais acesso ao Bel. Ele n\u00e3o fazia nenhuma refei\u00e7\u00e3o conosco, n\u00e3o ia passar o som, n\u00e3o recebia mais os f\u00e3s nem autoridades ap\u00f3s o show. O \u00faltimo show que fiz foi em Porto Alegre. Ap\u00f3s isso, s\u00f3 a not\u00edcia no Fant\u00e1stico de seu sumi\u00e7o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Belchior - Divina Com\u00e9dia Humana (Fant\u00e1stico, 1979)\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qXrc5_06ll8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Em 2010 comecei a frequentar um bar ali na bairro de F\u00e1tima, que o dono, o \u201cZ\u00e9 Maria\u201d, era a cara dele e no fim da noite costumava uma canja s\u00f3 com m\u00fasicas do Belchior. O bar virou cult, principalmente aos domingos, sob o comando do cantor Paulo Fa\u00e7anha, com v\u00e1rias canjas de m\u00fasicos locais e outros que estavam de passagem pela Cidade. Levei o Z\u00e9 Maria pra um show que dirigi em homenagem ao Belchior na primeira Maloca Drag\u00e3o. Junto com v\u00e1rios outros artistas, como Nayra Costa, Karina Buhr, Jonatta Doll, lotamos a pra\u00e7a de jovens que estavam se identificando com essas can\u00e7\u00f5es atemporais.<\/p>\n<p>Eu soube da morte do Belchior atrav\u00e9s de um telefonema da jornalista Camila Holanda (O POVO) que me ligou pra pedir uma declara\u00e7\u00e3o. Eu estava ilhado em Flecheiras, pois a ponte tinha ca\u00eddo e n\u00e3o tive como atender ao pedido do Jo\u00e3o Wilson (Drag\u00e3o do Mar) para coordenar um show em homenagem a ele naquele noite no Drag\u00e3o. Consegui ainda chegar a tempo de tocar junto com alguns cantores na missa de corpo presente realizada no Anfiteatro do Drag\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, pensando em tudo isso, fica a alegria do conv\u00edvio e de poder desfrutar da incr\u00edvel obra desse \u201ccordial brasileiro\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto escrito por Mimi Rocha, m\u00fasico e produtor Na primeira vez em que ouvi Na Hora do Almo\u00e7o, eu ainda n\u00e3o sabia fazer acordes no&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":11766,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42,162,283],"tags":[],"class_list":["post-20209","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-belchior","category-hoje-na-historia","category-nacional"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20209"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20209\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20210,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20209\/revisions\/20210"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}