{"id":20380,"date":"2020-07-14T18:05:20","date_gmt":"2020-07-14T21:05:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20380"},"modified":"2020-07-14T18:06:54","modified_gmt":"2020-07-14T21:06:54","slug":"luana-carvalho-junta-carnaval-isolamento-saudade-e-musicas-de-beth-carvalho-em-novo-ep","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/07\/14\/luana-carvalho-junta-carnaval-isolamento-saudade-e-musicas-de-beth-carvalho-em-novo-ep\/","title":{"rendered":"Luana Carvalho junta carnaval, isolamento, saudade e m\u00fasicas de Beth Carvalho em novo EP"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_20381\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20381\" class=\"size-large wp-image-20381\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/LUANA-CARVALHO-5-cr\u00e9dito-Ana-Alexandrino-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/LUANA-CARVALHO-5-cr\u00e9dito-Ana-Alexandrino-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/LUANA-CARVALHO-5-cr\u00e9dito-Ana-Alexandrino-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/LUANA-CARVALHO-5-cr\u00e9dito-Ana-Alexandrino-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/LUANA-CARVALHO-5-cr\u00e9dito-Ana-Alexandrino-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/LUANA-CARVALHO-5-cr\u00e9dito-Ana-Alexandrino.jpg 872w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-20381\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ana Alexandrino\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Ainda \u00e9 dif\u00edcil compreender todas as sensa\u00e7\u00f5es trazidas por uma pandemia mundial que nos obriga a ficar em casa, isolados. Ainda mais quando essa pandemia e esse isolamento chegam pouco depois do Carnaval. Mal o Brasil tirou a fantasia e o glitter, e j\u00e1 estava buscando formas de se aglomerar \u00e0 dist\u00e2ncia, via aplicativos. Para a cantora e compositora<strong> Luana Carvalho<\/strong>, essas situa\u00e7\u00f5es foram bem conflitantes uma vez que, antes da quarentena, ela passou uma temporada de dois meses na Bahia, terra sin\u00f4nimo de aglomera\u00e7\u00e3o e Carnaval.<!--more--><\/p>\n<p>Para ela, esses conflitos ganharam um complicador. Sabendo que se aproximava a marca de um ano de morte da m\u00e3e, a inesquec\u00edvel Beth Carvalho, <strong>Luana<\/strong> se via obrigada a preparar algo. Na temporada baiana, acompanhada da filha de dois anos, ela decidiu ouvir todos os discos daquela que \u00e9 uma refer\u00eancia da MPB e ainda mais do samba. Um por um, em sequ\u00eancia, desde a estreia com <em>Andan\u00e7a<\/em> (1969) at\u00e9 o \u00faltimo, <em>Nosso samba est\u00e1 na rua<\/em> (2011). O esfor\u00e7o desaguou no EP <strong>Baile de M\u00e1scara<\/strong>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Meu Escudo\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/d-Ig3WK50kE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Produzido por <strong>Luana<\/strong> e Kassin, o \u00e1lbum re\u00fane seis can\u00e7\u00f5es do repert\u00f3rio menos popular de Beth. S\u00e3o sambas, falam de carnaval, mas nada que fuja da ideia de conectar com o tempo presente. \u201cFoi um \u00edmpeto. Eu j\u00e1 vinha pensando nesse um ano de morte e, mesmo que eu quisesse sentar e ficar chorando, eu tinha que fazer alguma coisa. Resolvi fazer uma playlist e quando terminei a audi\u00e7\u00e3o (dos discos), comecei a escrever algumas letras num caderno. E vinha escrevendo sobre pris\u00f5es, internas e externas\u201d, lembra ela que partiu da\u00ed para o EP. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma regrava\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas da minha m\u00e3e. \u00c9 tamb\u00e9m uma reflex\u00e3o do que vem acontecendo dentro de mim nessa quarentena. Tem a quarta-feira de cinzas e tem as cinzas da minha m\u00e3e, que est\u00e3o depositadas ao lado das cinzas da Bibi Ferreira\u201d, completa.<\/p>\n<p>\u201cPara suportar um mundo de desilus\u00e3o vou usando como escudo o meu cora\u00e7\u00e3o\u201d defende-se <strong>Luana<\/strong> na faixa de abertura, <em><strong>Meu escudo<\/strong><\/em> (D\u00e9cio Carvalho\/ Noca da Portela) lan\u00e7ado por Beth em 1976, no disco <em>Mundo Melhor<\/em>. E segue com <em><strong>Carnaval<\/strong><\/em>, de Carlos Elias e Nelson Lins de Barros (\u201cCarnaval pode ser onde for, n\u00e3o faz mal\u201d); <em><strong>Falso reinado<\/strong><\/em>, de Adilson Bispo e J. Roberto (\u201cN\u00e3o vou curtir solid\u00e3o pra n\u00e3o ferir o meu cora\u00e7\u00e3o. Vou sair por a\u00ed\u201d); <em><strong>Visual<\/strong><\/em>, de Nen\u00e9m e Pintado (\u201cAi que saudades que eu tenho das fantasias de cetim. O samba agora \u00e9 luxo importado\u201d); <em><strong>Dia seguinte<\/strong><\/em>, de Jota Petrolino e Carlinhos Vergueiro (\u201cE depois, quando a festa acabar, o que vai ser dessa vida?\u201d); e <em><strong>Minha festa<\/strong><\/em>, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito (\u201cGra\u00e7as a deus minha vida mudou. Quem me viu, quem me v\u00ea\u201d).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Minha Festa\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2dKWdBX1rYU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cEu ia lan\u00e7ar uma vers\u00e3o de <em>Andan\u00e7a<\/em>, que fiz com o Moreno Veloso e o Pedro S\u00e1, mas o resultado dessas vers\u00f5es que n\u00e3o quis incluir\u201d, comenta <strong>Luana Carvalho<\/strong> que buscou um meio termo entre a tradi\u00e7\u00e3o e a modernidade para suas releituras em <strong>Baile de M\u00e1scara<\/strong>. Harmonizando o viol\u00e3o de Vov\u00f4Beb\u00ea com as programa\u00e7\u00f5es de Kassin, ela conseguiu algo despretensioso e, ao mesmo tempo, rico em timbres e sentimentalidades. \u201cFoi tudo muito fluido. Foi tudo gravado de primeira. Gravei as vozes de primeira, no dia que minha m\u00e3e morreu (em 30 de abril). Foi tudo muito forte\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>Luana Carvalho<\/strong> vinha preparando um novo disco, quando foi surpreendida pela pandemia. \u201cEsse disco que estou querendo gravar, eu comecei a escrever sentado no Largo da Carioca. Queria que fosse concebido em estado de multid\u00e3o, ao contr\u00e1rio dos primeiros\u201d, conta ela se referindo a <em>Branco<\/em> e <em>Sul<\/em>, lan\u00e7ados pela Coqueiro Verde em 2017. Com produ\u00e7\u00e3o de Moreno Veloso e participa\u00e7\u00e3o preciosa de Ivone Lara, esse projeto de estreia nasceu \u00fanico, at\u00e9 que surgiu um novo repert\u00f3rio e o \u00e1lbum tornou-se duplo. Mais uma vez a surpresa se atravessa na sua produ\u00e7\u00e3o, mas ela segue com a ideia de trazer novas parcerias e convidados, como a cantora e compositora carioca Ana Frango El\u00e9trico.<\/p>\n<p>Assim, <strong>Baile de M\u00e1scara<\/strong> passou \u00e0 frente como uma trilha do momento mais urgente. <strong>Luana<\/strong> n\u00e3o tem planos firmados de fazer novos projetos cantando as m\u00fasicas do repert\u00f3rio da m\u00e3e. Ela at\u00e9 cogita algo com os lados Bs, ou com can\u00e7\u00f5es gravadas por Beth fora do ambiente do samba. \u201cMas seria um novo prop\u00f3sito, num outro momento. O que eu fa\u00e7o \u00e9 escrever e isso acaba virando m\u00fasica\u201d, completa. E <strong>Luana<\/strong> tinha uma miss\u00e3o particular, extra-homenagem, de ver Beth Carvalho mais como m\u00e3e, do que como um s\u00edmbolo, uma bandeira, um mito. \u201cEu, como filha, sempre afastava esse tamanho e deixava prevalecer a m\u00e3e. Sou filha \u00fanica, sou a \u00fanica pessoa que via ela como um \u2018ser humano ponto\u2019. Todo mundo tinha uma coisa na frente\u201d, conta ela refletindo sobre quando percebeu a import\u00e2ncia que a int\u00e9rprete de <em>Saco de feij\u00e3o<\/em> e <em>Vou festejar<\/em> tinha na m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dia Seguinte\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XZRJsTd1raA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cQuando come\u00e7a tudo, voc\u00ea entra no mundo, nasce numa coxia, n\u00e3o sei quantas mil pessoas assistindo sua m\u00e3e, aquilo \u00e9 o que \u00e9, \u00e9 meio normal. Tanto que acho que s\u00f3 fui virar f\u00e3 da minha m\u00e3e na adolesc\u00eancia\u201d, lembra <strong>Luana Carvalho<\/strong>, sublinhando que a quest\u00e3o pol\u00edtica tamb\u00e9m foi um elemento forte e que permanece atual na voz de Beth. \u201cA quest\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 desde sempre. Eu fui a Cuba n\u00e3o sei quantas vezes na minha vida. Nessas idas, eu sentava pra jantar com o Fidel (Castro). Todas as reuni\u00f5es pol\u00edticas aconteciam na minha casa. Ela sempre estava junto de outras pessoas importantes. Se bobear, eu fui me dar conta mesmo depois que ela morreu. Quando ela virou uma lei (N\u00ba 6.594\/2019, que estabelece o ensino de m\u00fasica obrigat\u00f3rio nas escolas municipais do Rio de Janeiro). At\u00e9 pra mim a import\u00e2ncia dela cresce\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda \u00e9 dif\u00edcil compreender todas as sensa\u00e7\u00f5es trazidas por uma pandemia mundial que nos obriga a ficar em casa, isolados. Ainda mais quando essa pandemia&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":20381,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45,129,283],"tags":[],"class_list":["post-20380","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-beth-carvalho","category-entrevistas","category-nacional"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20380","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20380"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20380\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20383,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20380\/revisions\/20383"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20381"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20380"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20380"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20380"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}