{"id":20388,"date":"2020-07-20T15:16:13","date_gmt":"2020-07-20T18:16:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20388"},"modified":"2020-07-20T15:16:13","modified_gmt":"2020-07-20T18:16:13","slug":"mu-carvalho-do-a-cor-do-som-lanca-songbook-com-obra-autoral-para-piano-confira-entrevista-exclusiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/07\/20\/mu-carvalho-do-a-cor-do-som-lanca-songbook-com-obra-autoral-para-piano-confira-entrevista-exclusiva\/","title":{"rendered":"M\u00fa Carvalho, do A Cor do Som, lan\u00e7a songbook com obra autoral para piano. Confira entrevista exclusiva"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_20389\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20389\" class=\"size-large wp-image-20389\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/M\u00fa-Carvalho-1-por-Drika-Santos-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/M\u00fa-Carvalho-1-por-Drika-Santos-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/M\u00fa-Carvalho-1-por-Drika-Santos-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/M\u00fa-Carvalho-1-por-Drika-Santos-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/M\u00fa-Carvalho-1-por-Drika-Santos-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/M\u00fa-Carvalho-1-por-Drika-Santos-2048x1364.jpg 2048w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/M\u00fa-Carvalho-1-por-Drika-Santos-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-20389\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Drika Santos\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Mauricio Magalh\u00e3es de Carvalho nasceu e cresceu cercado de m\u00fasica. Seu instrumento primeiro n\u00e3o poderia ser outro. Filho de m\u00e3e pianista, ele herdou o mesmo caminho e misturou as influ\u00eancias de dentro de casa com o que absorveu da rua. Da tradi\u00e7\u00e3o ao moderno, do vol\u00e1til ao estabelecido, rock, pop, erudito, choro, samba&#8230; Mais reconhecido pelo apelido de Mu, ele tornou-se uma refer\u00eancia da m\u00fasica moderna brasileira desde que integrou o grupo A Cor do Som. Instrumental, pop, atemporal, a banda que nasceu como apoio para a ent\u00e3o recente carreira solo de Moraes Moreira, mas logo eles se descolaram do baiano e seguiram o pr\u00f3prio rumo agregando novos parceiros, como Caetano Veloso e Gilberto Gil.<\/p>\n<p>Do A Cor do Som a um requisitado produtor, m\u00fasico de est\u00fadio e compositor de trilhas para a TV, Mu Carvalho re\u00fane seu trabalho autoral num Songbook lan\u00e7ado este m\u00eas pela editora Gryphus. S\u00e3o 25 composi\u00e7\u00f5es, entre choros, rocks, valsas e bai\u00f5es, tudo acompanhado de um QR code que leva o leitor ao SoundCloud. &#8220;\u00c9 um livro para pianistas de todos os n\u00edveis, profissionais e amadores. S\u00e3o choros, bai\u00f5es, valsas, baladas, transcritas para piano, claves de sol e f\u00e1, exatamente da forma como eu toco, m\u00e3o esquerda e m\u00e3o direita, sem cifras&#8221;, descreve Mu em entrevista por email, exclusiva para o Discografia. Leia a \u00edntegra.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Queria saber a hist\u00f3ria desse songbook. Foi uma ideia sua? Quando come\u00e7ou e como foi esse mergulho na pr\u00f3pria hist\u00f3ria como compositor?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Pensava nisso h\u00e1 muito tempo, mas s\u00f3 comecei a mergulhar nesse trabalho h\u00e1 dois anos. A composi\u00e7\u00e3o sempre foi o mais importante no meu trabalho dentro da m\u00fasica. \u00c9 claro que o piano, a forma como eu desenvolvi a minha \u201ccara\u201d no som do piano e synths tamb\u00e9m tem a ver com composi\u00e7\u00e3o, de certa forma. Como sempre me dediquei \u00e0 m\u00fasica brasileira no meu trabalho, misturando com tudo que eu sempre ouvi \u2013 o piano erudito da minha m\u00e3e, o prog rock, o Ernesto Nazareth, os bai\u00f5es o jazz \u2013 dando uma olhada no panorama, tanto da literatura dos songbooks como no mercado fonogr\u00e1fico, achei que havia uma lacuna muito importante que eu poderia colaborar para enriquecer com todo esse material das minhas composi\u00e7\u00f5es, que venho produzindo desde o come\u00e7o da minha carreira.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA &#8211; Al\u00e9m das partituras, o que mais o livro traz?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> \u00c9 um livro para pianistas de todos os n\u00edveis, profissionais e amadores. S\u00e3o choros, bai\u00f5es, valsas, baladas, transcritas para piano, claves de sol e f\u00e1, exatamente da forma como eu toco, m\u00e3o esquerda e m\u00e3o direita, sem cifras. Parece simples, mas foi um trabalho que exigiu muita dedica\u00e7\u00e3o, ficamos dois anos, eu e o maestro Vittor Santos mergulhados nisso. O Martin Ogolter, designer gr\u00e1fico do livro, teve a grande ideia de colocar um QR code ao lado de cada t\u00edtulo, assim as pessoas podem ter acesso ao \u00e1udio, com meu piano no <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/user-161772709\">SoundCloud<\/a>. Isso \u00e9 um super diferencial, vai ajudar muito as pessoas no ato de estudar uma m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 O piano \u00e9 um instrumento interessante pela versatilidade. Ele nasce como um instrumento de concerto, mas, ao longo da hist\u00f3ria, existiram grandes pianistas eruditos, roqueiros, sambistas e outros. Como o piano entrou na sua vida e que nomes (artistas) foram mais importantes na tua forma\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> O piano entrou na minha vida desde que nasci, ouvindo minha m\u00e3e tocando Nazareth, Mozart, Chopin, Zequinha de Abreu\u2026 Alguns pianistas foram tamb\u00e9m muito importantes na minha forma\u00e7\u00e3o. Luis E\u00e7a, com quem tive a honra de conviver e estudar, Egberto Gismonti, que produziu meu primeiro disco solo, Oscar Peterson, Keith Emerson, Rick Wakeman\u2026 Keith Jarrett. Esse, quando ouvi pela primeira vez, fiquei t\u00e3o impressionado que posso dizer que mudou minha forma de pensar em m\u00fasica definitivamente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"em algum lugar no futuro_mu carvalho\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FhTKOH_JJXE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>\u00a0DISCOGRAFIA \u2013 O A Cor do Som marcou a hist\u00f3ria da nossa m\u00fasica por uma mistura de sons brasileiro com o improviso do jazz, tocando do chorinho ao rock, mas sem perder uma pegada mais pop. Como voc\u00ea v\u00ea essa mistura de tantos sons e que espa\u00e7o existe para esse som hoje, na m\u00eddia, entre o p\u00fablico, nas casas de show?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Ent\u00e3o, esse sempre foi o meu alvo. Desde quando comecei a compor, eu foquei nisso. N\u00e3o fazia sentido pra mim compor um choro da forma como era o choro h\u00e1 100 anos. A m\u00fasica <em><strong>Esp\u00edrito Infantil<\/strong><\/em>, um choro meu que tocamos no Festival de Choro da TV Bandeirantes em 1978 era isso. Tinha prog rock, jazz, tinha tudo ali nessa m\u00fasica. Algumas pessoas n\u00e3o entenderam, ficamos com o quinto lugar, mas chamou tanta aten\u00e7\u00e3o que o <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-20390\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/Mu-Carvalho-Piano-Brasileiro-Capa-300x404.jpg\" alt=\"\" width=\"223\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/Mu-Carvalho-Piano-Brasileiro-Capa-300x404.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/Mu-Carvalho-Piano-Brasileiro-Capa-740x996.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/Mu-Carvalho-Piano-Brasileiro-Capa-768x1033.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/Mu-Carvalho-Piano-Brasileiro-Capa-1141x1536.jpg 1141w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/Mu-Carvalho-Piano-Brasileiro-Capa-1522x2048.jpg 1522w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/Mu-Carvalho-Piano-Brasileiro-Capa-120x161.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/07\/Mu-Carvalho-Piano-Brasileiro-Capa-scaled.jpg 1902w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 223px) 100vw, 223px\" \/>Waldir Azevedo, que estava no juri, veio falar com a gente. Nunca me esqueci daquele momento, ele disse que a nossa participa\u00e7\u00e3o naquele festival foi a mais importante de todas, porque a gente estava \u201cdando um sangue novo no Choro. Se dependesse dos outros, o choro iria virar pe\u00e7a de museu\u2026\u201d, foram as palavras do Waldir. Sobre a quest\u00e3o de espa\u00e7o na m\u00eddia e nas casas de show, essa nem vou comentar, o Brasil abandonou sua cultura<em>.<\/em><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 H\u00e1 um ano perd\u00edamos Jo\u00e3o Gilberto. Que influ\u00eancia e import\u00e2ncia ele teve na tua obra?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Sempre admirei o Jo\u00e3o, pelo fato de ser \u00fanico, ter a sua cara. Pra mim essa \u00e9 a coisa mais importante em todas as artes, ter um acara, algo original.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Tamb\u00e9m esse ano perdemos Moraes Moreira, figura central na hist\u00f3ria do A Cor do Som. Como voc\u00ea recebeu essa not\u00edcia? Que import\u00e2ncia ele teve na tua forma\u00e7\u00e3o como m\u00fasico?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Moraes foi muito importante na minha carreira, na hist\u00f3ria d\u2019A Cor do Som. A Cor nasceu como banda de apoio do Moraes, desde o primeiro disco solo, quando ele saiu dos Novos Baianos. E, al\u00e9m de tudo, foi um dos meus maiores parceiros. Fizemos <em><strong>Semente do Amor<\/strong><\/em>, <em><strong>Swingue Menina<\/strong><\/em>, e muitas outras, s\u00e3o m\u00fasicas que, al\u00e9m de sucesso, s\u00e3o cl\u00e1ssicos do POP\/MPB.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Voc\u00ea tem uma hist\u00f3ria em trilhas de novelas. O que muda em fazer m\u00fasica para um disco e fazer para um projeto audiovisual? Seu processo de compor muda?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Sempre fui apaixonado por cinema, e pela m\u00fasica do cinema. Quando o Caetano nos convidou, no final dos anos 1970, pra trabalhar com ele na m\u00fasica do filme A Dama Do Lota\u00e7\u00e3o, de Neville de Almeida, foi um deleite pra mim. Ali foi o ponta p\u00e9 que eu precisava. Em 1994 recebi o convite pra trabalhar na TV Globo para compor e produzir m\u00fasicas para dramaturgia, novelas e mini series. Uma escola pra mim. Aprendi muito mesmo, errando, acertando, colocando a m\u00e3o na massa. Mergulhei fundo nessa linguagem, ouvindo os grandes compositores do cinema, Morricone, John Williams, Mancini, aprendi muito e desenvolvi a minha identidade tamb\u00e9m nisso, principalmente nas com\u00e9dias, novela das 19 horas, que fiz com o Jorge Fernando.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Frutificar_Mu Carvalho\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cxybRLJEFMU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Seu processo de compor muda por ser uma trilha sonora?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Sim, \u00e9 diferente de compor pra um disco. Por duas raz\u00f5es: tempo e rela\u00e7\u00e3o com uma hist\u00f3ria que foi escrita por um autor. Na novela, a quantidade de m\u00fasica que tenho que produzir, antes do primeiro cap\u00edtulo ir ao ar \u00e9 imensa. Algo em torno de 120, 150 m\u00fasicas. Focando nos personagens, na trama. Isso tudo n\u00e3o existe quando voc\u00ea vai preparar um material para um disco.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Tem duas passagens suas, em especial, pelo festival de Montreux que ganharam registros hist\u00f3ricos, que foram as apresenta\u00e7\u00f5es com o A Cor do Som e com o Gilberto Gil. Como foram esses shows, numa \u00e9poca em que havia espa\u00e7o pra muito improviso, muita fus\u00e3o? Que import\u00e2ncia esses registros tiveram pra ti?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Eu tinha 20 anos, imagina o quanto representou pra mim aquela experi\u00eancia, tocar no palco mais importante do mundo do Jazz, no dia seguinte do show do Ray Charles, e ainda com a minha banda e como side musician do Gil. Parece um sonho.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Voc\u00ea j\u00e1 dividiu o palco e gravou com o Legi\u00e3o Urbana, uma banda cujo o som n\u00e3o remete ao que normalmente se conhece do seu trabalho. Como nasceu essa parceria e como foi essa experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Quado A Cor do Som deu uma parada em 1987 eu me dediquei a acompanhar alguns cantores e cantoras como a Marina Lima, Fernanda Abreu, Luiz Caldas, eu precisava seguir trabalhando, e isso era bacana tamb\u00e9m. Em 1990, o Legi\u00e3o estava preparando a tour do disco <em>As Quatro Esta\u00e7\u00f5es<\/em>, ensaiando no est\u00fadio da EMI, o Renato teve a ideia de convidar um tecladista e meu nome foi citado num desses ensaios. O Rafael Borges, empresario deles naquela altura me procurou. Foi muito bacana, eram poucos shows e sempre para grandes plateias.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Em 1993, voc\u00ea fez parte de uma superbanda brasileira, junto com Ritchie, Dadi, Vin\u00edcius Cantu\u00e1ria e Claudio Zoli, os Tigres de Bengala, que chegaram a gravar um disco. Como nasceu esse projeto e por que ele acabou tendo vida curta?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Foi engra\u00e7ada. Tinha acontecido aquela turma dos Traveling Wilburys, guardando as devidas propor\u00e7\u00f5es, com o Roy Orbison, Tom Petty, George Harrison, Dylan. Enfim, a gente viu que alguns artistas amigos aqui estavam \u201cdispon\u00edveis\u2019, digamos assim, como o Ritchie, o Cantu\u00e1ria, o Claudio Zoli e achamos que seria uma boa ideia. No come\u00e7o tinha tamb\u00e9m o cantor Marcelo Costa Santos e o Kiko Zambianchi mas eles logo pularam fora, viram que seria encrenca\u2026 aahaha Muito cacique pra pouco \u00edndio. A banda durou 15 minutos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Cor do Som &#039;&#039; Beleza pura &#039;&#039;\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dSOmCKNITqg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Ter uma obra registrada num livro de partituras coloca o compositor num patamar acima, afinal trata-se de um registro que interessa a quem de fato estuda essa obra. No caso da sua obra, como voc\u00ea avalia esse seu trabalho de compositor?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Como disse antes, a composi\u00e7\u00e3o \u00e9 a minha maior riqueza. Sou compositor antes de ser pianista, arranjador ou cantor. Sempre me dediquei muito \u00e0 composi\u00e7\u00e3o, desde o come\u00e7o, minha primeira rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica, quando sentei pra tocar o piano, eu j\u00e1 estava compondo. Esse registro \u00e9 muito importante, uma vitrine da nossa cultura. Brasil \u00e9 de uma riqueza imensa, temos a Bossa, que j\u00e1 est\u00e1 carimbada no mundo, o bai\u00e3o, o choro, o maracat\u00fa, nossas valsas, enfim. \u00c9 preciso que os m\u00fasicos, as escolas do mundo todo tenham acesso \u00e0 esse material.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 O Brasil e o mundo vivem um momento \u00fanico de crises sanit\u00e1rias, pol\u00edticas, econ\u00f4micas, morais. Sendo algu\u00e9m que viveu os anos de ditadura fazendo m\u00fasica numa banda que sempre pregou a liberdade, a dan\u00e7a, a alegria, como voc\u00ea tem percebido e se defendido dos novos tempos?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Dif\u00edcil. Muito complicado lidar com esse momento. Na verdade esse processo come\u00e7ou h\u00e1 algum tempo e vem piorando recentemente. Nosso patrim\u00f4nio cultural abandonado, a garotada n\u00e3o conhece Caymmi, Assis Valente, Nazareth, Villa-Lobos ent\u00e3o (!!!), uma pena. A m\u00fasica comercial, a grande parte do que toca nas r\u00e1dios, \u00e9 ruim, o jab\u00e1 tomou uma dimens\u00e3o absurda. Eu tive uma m\u00fasica vetada pela censura nos anos 1970, uma parceria minha com a Rita Lee, <em>Moleque Sacana<\/em>. Era complicada aquela \u00e9poca, mas as tribos eram mais antenadas com a cultura, a gente ouvia Novos Baianos, Caetano, Gil, Chico, eram m\u00fasicas lindas e definitivas. Minha esperan\u00e7a \u00e9 que a internet, de alguma forma, ajude a mudar esse cen\u00e1rio atual.<\/p>\n<p><strong>DISCOGRAFIA \u2013 Al\u00e9m do livro, que planos voc\u00ea tem em vista, tanto solo como com A Cor do Som?<\/strong><br \/>\n<strong>Mu Carvalho \u2013<\/strong> Sim, vamos lan\u00e7ar um disco novo d\u2019A Cor do Som agora no dia 30 de julho. 100% instrumental, no meio dessa selva. S\u00e3o oito m\u00fasicas, metade desse repert\u00f3rio \u00e9 dedicado ao cultuado disco ao vivo em Montreux. Novos arranjos de <em>Dan\u00e7a Saci<\/em> e <em>Chegando da Terra<\/em> (essas nunca haviam sido gravadas em est\u00fadio), <em>Esp\u00edrito Infantil<\/em> e <em>Arpoador<\/em>. E outras quatro que s\u00e3o muito representativas da nossa carreira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mauricio Magalh\u00e3es de Carvalho nasceu e cresceu cercado de m\u00fasica. Seu instrumento primeiro n\u00e3o poderia ser outro. 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