{"id":20438,"date":"2020-08-06T20:56:25","date_gmt":"2020-08-06T23:56:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20438"},"modified":"2020-08-06T21:04:37","modified_gmt":"2020-08-07T00:04:37","slug":"nascido-ha-110-anos-adoniran-barbosa-ganha-homenagem-do-spotify-com-11-sambas-ineditos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/08\/06\/nascido-ha-110-anos-adoniran-barbosa-ganha-homenagem-do-spotify-com-11-sambas-ineditos\/","title":{"rendered":"Nascido h\u00e1 110 anos, Adoniran Barbosa ganha homenagem do Spotify com 11 sambas in\u00e9ditos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_20440\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20440\" class=\"size-full wp-image-20440\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Adoniran-Barbosa-no-Viaduto-do-Ch\u00e1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"399\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Adoniran-Barbosa-no-Viaduto-do-Ch\u00e1.jpg 700w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Adoniran-Barbosa-no-Viaduto-do-Ch\u00e1-300x171.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Adoniran-Barbosa-no-Viaduto-do-Ch\u00e1-120x68.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><p id=\"caption-attachment-20440\" class=\"wp-caption-text\">Adoniran Barbosa no Viaduto do Ch\u00e1<\/p><\/div>\n<p>Adoniran Barbosa foi um compositor curioso. Seu jeito c\u00f4mico, o linguajar marcante, a voz grave de fumante inveterado o identificam com um cara engra\u00e7ado de sambas bem humorados. Mas suas m\u00fasicas tinham muito pouco humor. Pelo contr\u00e1rio, o forte de sua obra estava em can\u00e7\u00f5es densas sobre o dia a dia das camadas mais populares que se espremem em trens, bebem em botequins e se mant\u00e9m acordados com aquele caf\u00e9 quente tomado na beira do balc\u00e3o. \u00c9 um Brasil bem real que n\u00e3o tem onde morar, convive com viol\u00eancias e descaso do poder p\u00fablico. Observe: a mesma Elis Regina que encheu <em><strong>Tiro Ao \u00c1lvaro<\/strong><\/em> de alegria, num insuper\u00e1vel dueto com o autor, tamb\u00e9m deu a medida exata de tristeza para <em><strong>Saudosa Maloca<\/strong><\/em>. <!--more--><\/p>\n<p>Nascido Jo\u00e3o Rubinato h\u00e1 110 anos, o paulista de Campinas tinha jeito simples, gozava de certo prest\u00edgio no mundo do samba, mas ainda h\u00e1 d\u00favida sobre o tom exato de sua obra. Talvez por isso ele seja inesquec\u00edvel. Para encontrar esse tom \u00e9 preciso ouvir muitas vezes. Em vida, <strong>Adoniram<\/strong> gravou pouco e o fil\u00e9 de sua obra \u00e9 um disco de duetos feito para dar uma levantada na carreira daquele sambista que nunca foi afeito aos neg\u00f3cios da m\u00fasica &#8211; como muitos dos seus pares, como Cartola, Nelson Cavaquinho e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>No entanto, eventualmente, ainda surgem obras in\u00e9ditas deixadas em alguma gaveta do compositor de <em><strong>Trem das Onze<\/strong><\/em>. Onze delas, inclusive, acabam de ganhar vida numa homenagem feita pelo Spotify. O tributo, que re\u00fane alguns nomes de diferentes quilates, ganhou o nome de <strong>Onze<\/strong>. Exclusivo do servi\u00e7o de streaming, o projeto foi criado pela DaHouse Audio com curadoria do Coala.Lab, e faz uma mistura de sons. Tem r&amp;b, rock, toada e at\u00e9 samba. Segue um faixa a faixa:<\/p>\n<p><strong>1. Bares da Vida &#8211;<\/strong> a homenagem come\u00e7a com um aut\u00eantico samba na voz de <strong>Zeca Baleiro<\/strong>, bem ao estilo do homenageado. Dor de cotovelo, boemia e cen\u00e1rios paulistanos. Uma cr\u00f4nica popular costurada pelas rimas t\u00edpicas de Adoniran.<\/p>\n<p><strong>2. Careca Velha &#8211;<\/strong> ressuscitado para a nossa alegria, <strong>Di Melo<\/strong> d\u00e1 voz a uma letra que enfileira as desventuras de um pescador sem sorte. Segue a linha da anterior: Adoniram em sua excel\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>3. Como era bom &#8211;<\/strong> <strong>Illy<\/strong> canta com do\u00e7ura um samba nost\u00e1lgico. &#8220;Como era um bom um samba natural, samba espont\u00e2neo e sensacional. Samba de tantos, samba era apego, samba era assunto, samba era emprego&#8221;. Se <strong>Adoniran<\/strong> morreu em 1982, imagina o que ele diria se visse tudo o que houve com o samba nas d\u00e9cadas seguintes. Curiosamente, \u00e9 a primeira faixa do tributo que come\u00e7a a experimentar, com sopros, cordas, beats e efeitos. Mas tudo com muita classe, respeito e originalidade.<\/p>\n<p><strong>4. Bolso de Fora &#8211;<\/strong> um dos melhores compositores dos \u00faltimos anos, <strong>Rubel<\/strong> coloca seus sussurros numa faixa que brinca com os novos tempos a partir das vestimentas. Mas, em se tratando de <strong>Adoniran<\/strong>, a roupa \u00e9 um mote pra falar da vida urbana entre assaltos e viol\u00eancias. Os detalhes de piano el\u00e9trico e trompete chamam aten\u00e7\u00e3o num arranjo cheio de sutilezas.<\/p>\n<p><strong>5. A Partida &#8211;<\/strong> sob o nome de <strong>\u00c0vu\u00e0<\/strong>, <strong>Jota Pe<\/strong> e <strong>Bruna Black<\/strong> fazem muito bonito numa can\u00e7\u00e3o de amor. Bruna tem agudos super afiados, mas sem exageros. Jota Pe vem num grave macio e confort\u00e1vel. O jogo de vozes, sob uma base de efeitos eletr\u00f4nicos, moderniza <strong>Adoniran<\/strong> com beleza e respeito.<\/p>\n<p><strong>6. Debaixo da Ponte &#8211;<\/strong> o cantor e compositor pernambucano Filipe Barros, que assina como <strong>Barro<\/strong>, n\u00e3o tem muitos recursos vocais. Mas o ritmo cheio de influ\u00eancias nortistas, a sinceridade e a letra forte garantem uma boa faixa. Mat\u00e9ria prima recorrente na obra de <strong>Adoniran<\/strong>, s\u00e3o as injusti\u00e7as sociais que mandam a mensagem. &#8220;Quem podia dar um jeito prometeu e foi eleito. Esqueceu, votamos mal. Tamo ferrado, bem feito&#8221;, diz a letra mais atual do que nunca.<\/p>\n<p><strong>7. Vaso Quebrado &#8211;<\/strong> samba funk ritmado com letra pouco inspirada. Mas a voz \u00e9 de <strong>Elza Soares<\/strong>, que segue jorrando ouro da garganta. Dram\u00e1tica e forte, ela salva uma can\u00e7\u00e3o que poderia acabar esquecida numa gaveta.<\/p>\n<p><strong>8. Feira Livre &#8211;<\/strong> <strong>Amanda Pac\u00edfico<\/strong> se solta num samba t\u00edpico de Adoniran. Cheias de sons ao fundo, o passeio pela feira come\u00e7a de manh\u00e3 cedo. O arranjo vai ganhando forma, os instrumentos v\u00e3o entrando \u00e0 medida que mais clientes v\u00e3o se aproximando das barraquinhas. N\u00e3o sei se a inten\u00e7\u00e3o era essa, mas o verso &#8220;uma coisa proibida \u00e9 ficar passando a m\u00e3o&#8221;, cantado &#8211; e bem &#8211; por uma mulher acaba ganhando novos significados.<\/p>\n<p><strong>9. Bebemorando &#8211;<\/strong> a banda multi\u00e9tnica <strong>Francisco El Hombre<\/strong> leva a s\u00e9rio a letra divertid\u00edssima deste samba que eleva a bebida ao seu posto de grande agregador social. Dois trechos: &#8220;O beber \u00e9 uma arte, o saber uma ci\u00eancia&#8221;. E &#8220;Tim tim tim tim tim tim para sempre ad infinitum e de noite, que alegria, tomo um gole ad libitum&#8221;.<\/p>\n<p><strong>10. Dias de Festa &#8211;<\/strong> mais um passeio pela S\u00e3o Paulo de Adoniran. Os bairros, os costumes, as festas que ele conheceu e circulou. <strong>Lu\u00ea<\/strong> coloca teatralidade numa faixa cheia de recursos sonoros. Tem samba, toada e encerra em tom dram\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>11. A Escola &#8211;<\/strong> vocalista da banda D\u00f4nica, <strong>Z\u00e9 Ibarra<\/strong> encerra a homenagem em tom \u00edntimo. Viol\u00e3o, trompete, acordeom, detalhes\u00a0 de percuss\u00e3o e uma voz bem colocada contam a hist\u00f3ria &#8211; em primeira pessoa &#8211; de um menino em busca de suas mem\u00f3rias. A escola como ambiente de encontro, brincadeira e crescimento. N\u00e3o parece com Adoniran, o que prova o quanto ele podia ser grandioso. Bel\u00edssima faixa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adoniran Barbosa foi um compositor curioso. 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