{"id":20445,"date":"2020-08-14T14:13:32","date_gmt":"2020-08-14T17:13:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20445"},"modified":"2020-08-14T15:14:03","modified_gmt":"2020-08-14T18:14:03","slug":"inspirado-em-fim-de-relacionamento-simoninha-lanca-o-single-um-horizonte-pra-chamar-de-seu-confira-entrevista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/08\/14\/inspirado-em-fim-de-relacionamento-simoninha-lanca-o-single-um-horizonte-pra-chamar-de-seu-confira-entrevista\/","title":{"rendered":"Simoninha aborda fim de relacionamento em novo single &#8220;Um horizonte pra chamar de seu&#8221;. Confira entrevista"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_20448\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20448\" class=\"size-large wp-image-20448\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/IMG_2371-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/IMG_2371-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/IMG_2371-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/IMG_2371-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/IMG_2371-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/IMG_2371-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/IMG_2371-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-20448\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Encerrado um relacionamento, <strong>Wilson Simoninha<\/strong> transformou a perda em m\u00fasica. <em><strong>Um horizonte pra chamar de seu<\/strong><\/em> \u00e9 o nome do single que o cantor e compositor carioca lan\u00e7ou recentemente nas redes. A faixa faz parte do projeto &#8220;Na Quarentena Eu Canto Assim&#8221;, que re\u00fane regrava\u00e7\u00f5es e composi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas registradas ao longo do per\u00edodo de isolamento. &#8220;Eu n\u00e3o estou deixando de fazer as coisas pensando no futuro. Estou fazendo agora, pois o tempo \u00e9 muito r\u00e1pido. Se a gente viver s\u00f3 no futuro, a gente vai ser engolido pela velocidade desse tempo no mundo&#8221;, afirma o artista de 56 anos em entrevista exclusiva para o Discografia, que voc\u00ea confere abaixo.<\/p>\n<p>Sobre <em><strong>Um horizonte pra chamar de seu<\/strong><\/em>, o single reafirma todas as marcas do trabalho que <strong>Simoninha<\/strong> vem construindo desde que estreou na m\u00fasica. Essa estreia passa por diversas fases, como o per\u00edodo em que integrou a banda de Jorge Ben Jor (com quem gravou o excelente disco <strong>23<\/strong>, de 1993), outro como produtor e as primeiras grava\u00e7\u00f5es solo como integrante do combo &#8220;Artistas Reunidos&#8221;. O primeiro disco solo completa 20 anos esse ano. <strong>Volume 2<\/strong> acabou ganhando esse nome por que \u00e9 o primeiro disco de uma artista j\u00e1 com longa bagagem.<\/p>\n<p>E sobre as marcas da m\u00fasica de <strong>Simoninha<\/strong>, Um horizonte pra chamar de seu tem o groove, elementos da black music, a interpreta\u00e7\u00e3o cheia de leveza, arranjo chic pontuado por sopros funkeados e uma levada dan\u00e7ante puxada pra disco music. O single j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel nas plataformas digitais. Confira a entrevista a seguir:<\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; Queria saber sobre essa faixa que voc\u00ea est\u00e1 lan\u00e7ando, <em>Um horizonte pra chamar de seu<\/em>. Qual a hist\u00f3ria dela? Quando ela nasceu?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> Nasceu no ano passado, no momento em que eu tinha acabado uma rela\u00e7\u00e3o importante para mim e estava em busca de um novo caminho. Gostei muito da estrutura da composi\u00e7\u00e3o e resolvi grav\u00e1-la, pois com a pandemia, o assunto ganhou ainda mais profundidade para mim. Quando a gente acaba um relacionamento, devemos olhar pra frente, pois \u00e9 s\u00f3 isso o que realmente interessa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wilson Simoninha - Um Horizonte Pra Chamar de Seu (Clipe Oficial)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jUDCswg9eUw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; Esse single faz parte de um projeto chamado &#8220;Na minha quarentena eu canto assim&#8221;, j\u00e1 lan\u00e7ou outras faixas como <em>Palco<\/em> e <em>Correnteza<\/em>. Queria saber desse projeto, como tem sido essa experi\u00eancia de produzir nessas condi\u00e7\u00f5es de isolamento? Esse projeto \u00e9 o embri\u00e3o de um novo disco?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> J\u00e1 lancei seis m\u00fasicas por meio do \u201cNa Quarentena Eu Canto Assim\u201d, projeto de in\u00e9ditas e releituras que retratam muito bem o esp\u00edrito do momento. A primeira grava\u00e7\u00e3o, logo no in\u00edcio do isolamento, foi bem prec\u00e1ria em todos os sentidos. Cheguei a usar celular para a capta\u00e7\u00e3o do \u00e1udio e fui melhorando a produ\u00e7\u00e3o das demais faixas, o que a inclui a presen\u00e7a de banda. Mas mantendo o distanciamento com todos os participantes gravando de casa ou do seu est\u00fadio. Mudou, obviamente, o jeito de se fazer m\u00fasica e isso \u00e9 um desafio interessante, pois \u00e9 um registro do momento em que estamos vivendo. Isso \u00e9 fundamental para imprimirmos qualquer resultado. Meu plano era produzir novo disco e tudo mudou. N\u00e3o sei ainda quantas m\u00fasicas vou lan\u00e7ar nessa plataforma da quarentena, mas j\u00e1 tenho quatro cria\u00e7\u00f5es praticamente finalizadas para serem lan\u00e7adas mais pra frente. Ainda vou tocar esse formato por um bom tempo. No ano que vem ou depois que o mundo voltar ao normal, vou repensar o \u00e1lbum de um novo jeito. Mas acho importante colocar pra fora minhas novas composi\u00e7\u00f5es e coisas que quero cantar pra ter justamente esse registro do momento.<\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; Voc\u00ea atua em diversas frentes: tem como cantor, compositor, produtor e, na S de Samba, a publicidade. Que espa\u00e7o cada uma dessas fun\u00e7\u00f5es ocupa hoje em sua vida? O que tem te dado mais prazer, a interpreta\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es de outros compositores, a produ\u00e7\u00e3o em est\u00fadio, o compor&#8230;?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> Realmente, eu atuo em diversas frentes e gosto de tudo que eu fa\u00e7o. Mas o que mais me d\u00e1 prazer \u00e9 sem d\u00favida o palco, que \u00e9 a coisa da surpresa e receber a intera\u00e7\u00e3o da plateia. \u00c9 uma coisa que eu e a maioria dos artistas n\u00e3o v\u00e3o ter por um bom tempo. Mesmo com as lives, n\u00e3o h\u00e1 a troca de energia com pessoas e o desafio de a cada show, um p\u00fablico diferente. Por mais que ache que s\u00e3o semelhantes, mas as rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito variadas. Essa emo\u00e7\u00e3o est\u00e1 me fazendo muita falta, mas a gente tenta coisas novas pra suprir, mas n\u00e3o nada substitui o ao vivo.<\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; Apesar de ser um artista atuante em tantas frentes, voc\u00ea tem uma discografia curta. Por que? Gostaria de ter gravado mais?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> Tem coisas que fiz que n\u00e3o est\u00e3o em minha discografia. Por exemplo, um DVD que fiz com a MTV em homenagem a Jorge Ben Jor que foi lan\u00e7ado em CD e DVD f\u00edsicos. O \u00e1udio n\u00e3o foi disponibilizado nas plataformas digitais, por falta de libera\u00e7\u00e3o dos direitos autorais. S\u00e3o 18 m\u00fasicas dele que eu gravei. Mas acho que tamb\u00e9m \u00e9 um sinal dos tempos. As pessoas gravam menos e se distanciam mais. Antigamente, voc\u00ea tinha a obriga\u00e7\u00e3o de todo ano lan\u00e7ar \u00e1lbum e nos \u00faltimos anos, voc\u00ea n\u00e3o tem tanta essa necessidade. Acho que tamb\u00e9m para o artista ter a oportunidade para se dedicar a outros projetos. Tudo demanda muito tempo e tens\u00e3o para que tudo fique bem feito. Mas tudo \u00e9 fase. Comecei lan\u00e7ando quase que uma m\u00fasica por semana na quarentena, mas j\u00e1 diminui o ritmo para as pessoas terem tempo de conhecerem mais as m\u00fasicas. Aumentei minha produ\u00e7\u00e3o absurdamente e ainda cheguei a lan\u00e7ar. Vou continuar gravando e acho que s\u00e3o fases da vida.<\/p>\n<div id=\"attachment_20449\" style=\"width: 288px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20449\" class=\"wp-image-20449\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Simonal-03-740x1118.jpg\" alt=\"\" width=\"278\" height=\"420\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Simonal-03-740x1118.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Simonal-03-300x453.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Simonal-03-768x1160.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Simonal-03-1017x1536.jpg 1017w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Simonal-03-1356x2048.jpg 1356w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Simonal-03-120x181.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/Simonal-03-scaled.jpg 1695w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 278px) 100vw, 278px\" \/><p id=\"caption-attachment-20449\" class=\"wp-caption-text\">Simoninha (\u00e0 direita) com os irm\u00e3os e o pai Wilson Simonal (sentado) (Acervo pessoal)<\/p><\/div>\n<p><strong>Discografia &#8211; Voc\u00ea regravou <em>Correnteza<\/em>, um can\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio do seu pai para relembrar os 20 anos de morte dele. Por que escolheu especificamente essa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> <em>Correnteza<\/em> foi escolhida quando estava batendo um papo com Antonio Adolfo, que divide a autoria dessa letra e de <em>S\u00e1 Marina<\/em> junto com Tib\u00e9rio Gaspar. Ele comentou que <em>S\u00e1 Marina<\/em> fez tanto sucesso e que <em>Correnteza<\/em> n\u00e3o foi um grande sucesso, apesar de ter tocado em r\u00e1dios e de ter tido um compacto. Fico um lado b do Simonal e eu convidei o Antonio para regrav\u00e1-lo juntos. Foi tamb\u00e9m uma forma de homenagear dois caras t\u00e3o importantes para o meu pai. O resultado eu acho que ficou muito bonito.<\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; A hist\u00f3ria do seu pai voltou a ser contada por conta do sucesso do document\u00e1rio, relan\u00e7amento dos discos, o projeto &#8220;Baile do Simonal&#8221;. Como voc\u00ea avalia o resultado desses projetos todos? Acha que o Simonal teve sua hist\u00f3ria reavaliada como merecia?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> O document\u00e1rio foi l\u00e1 em 2008 e teve uma repercuss\u00e3o de cr\u00edtica e p\u00fablico. Depois veio <em>Baile do Simonal<\/em>, musical em teatro, relan\u00e7amentos e agora est\u00e1 dispon\u00edvel nas plataformas. \u00c9 gratificante pois se trata de uma hist\u00f3ria contada que as pessoas podem se informar. \u00c9 fundamental que essa narrativa possa ser contada, pois por muito tempo se criaram teorias. A hist\u00f3ria parecia ser proibida de ser contada e se criou um tabu. Ent\u00e3o, as teorias foram criando espa\u00e7o e a verdade foi ficando oculta. Mesmo com todas as hist\u00f3rias sendo narradas, recontadas e pesquisadas, inclusive a biografia escrita do Ricardo Alexandre, que ganhou Pr\u00eamio Jabuti, surge algumas conspira\u00e7\u00f5es. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre importante para as pessoas acessarem. Fico feliz que Simonal se tornou um grande \u00eddolo das novas gera\u00e7\u00f5es. Isso nos d\u00e1 \u2013 obviamente, a fam\u00edlia e os f\u00e3s fi\u00e9is \u2013 muito orgulho.<\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; Al\u00e9m da discografia oficial, o que ficou de registro do Simonal que ainda pode chegar ao grande p\u00fablico? Ele deixou grava\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, registros de shows, etc?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> Tem uma obra grande e coisas in\u00e9ditas de v\u00e1rias fases da carreira dele. \u00c0s vezes encontro at\u00e9 coisas perdidas na internet. Oficialmente, tem coisas que quero fazer ainda, como reitero lan\u00e7ar o showza\u00e7o do Simonal com a Sarah Vaughan. H\u00e1 outras apresenta\u00e7\u00f5es que a gente vai descobrindo. Tem um que, infelizmente, s\u00f3 temos o \u00e1udio que \u00e9 o show chamado \u201cHor\u00e1rio Nobre\u201d. \u00c9 muita coisa bacana que pode aparecer para os amantes da m\u00fasica e do Simonal.<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=pxU2qfYkzkQ<\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; Esse ano, seu disco de estreia completa 20 anos. Como voc\u00ea avalia o Volume 2 hoje?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> O n\u00famero passou despercebido em fun\u00e7\u00e3o dessa coisa da pandemia, mas que merece sim um carinho. O <strong>Volume II<\/strong> entrega tudo aquilo que eu havia feito na d\u00e9cada de 1990. Eu coloquei nesse trabalho algumas das principais experi\u00eancias musicais adquiridas com muita solidez. O nome faz refer\u00eancia \u00e0 etapa de minha vida em que eu considerava que j\u00e1 tinha feito muitas coisas bacanas at\u00e9 ent\u00e3o. Me deu vontade at\u00e9 de fazer algo especial, como um show, pois \u00e9 um disco que tenho muito orgulho.<\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; Voc\u00ea faz parte de uma gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos que chegou em bloco, como um coletivo, que eram os &#8220;Artistas Reunidos&#8221;. Como \u00e9 o contato essa turma hoje? Seguem pr\u00f3ximos, trocando informa\u00e7\u00f5es, colabora\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> A base do show do Artistas Reunidos era eu, Carlos Magno, Max de Castro, Luciana Mello, Jair Oliveira e Pedro Mariano, mas a gente sempre envolvia outros artistas e m\u00fasicos. Eram shows sempre muito colaborativos. Em 1999, gravamos disco, que sem d\u00favida foi um marco em nossas carreiras. Obviamente, tenho mais e menos contato com esses integrantes hoje em dia, mas no geral temos todos uma boa rela\u00e7\u00e3o. Sou s\u00f3cio do Jair na S de Samba, produtora de som com foco em publicidade (jingles, trilhas e outros formatos), al\u00e9m de entretenimento. Temos uma s\u00e9rie de projetos juntos. J\u00e1 com Max, eu fa\u00e7o o show<strong> Baile do Simonal<\/strong> e iniciamos a segunda temporada do espet\u00e1culo pouco antes da quarentena. Fizemos uma live baseado nesse show para arrecadar doa\u00e7\u00f5es para o Retiro dos Artistas, algo muito bacana. Eu e Luciana tamb\u00e9m sempre estamos juntos com o projeto <strong>Filhos dos Caras<\/strong>. Faz algum tempo que n\u00e3o fa\u00e7o nada com Pedro e Daniel, que inclusive est\u00e1 mais se dedicando a compor. Mas \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de oportunidade e tempo.<\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; Essa turma partilhava de carater\u00edsticas comuns, como prezar pelo independente, o trabalho autoral e pelo apre\u00e7o \u00e0 m\u00fasica pop e a refer\u00eancias das d\u00e9cadas de 1960 e 70. Que legado voc\u00ea acredita que essa gera\u00e7\u00e3o, onde tamb\u00e9m podemos incluir Paula Lima, por exemplo, deixa para a nossa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> Foi uma gera\u00e7\u00e3o do respeito, amor e qualidade pela m\u00fasica, que fez surgir Paula Lima e o Seu Jorge. Lembro que ele estava no (grupo) Farofa Carioca e s\u00f3 depois saiu com trabalho solo. O Regata, de onde saiu Paula Lima, Clube do Balan\u00e7o, Seu Jorge e Banda Black Rio, foi um selo comandado por Bernardo Vilhena que era muito pr\u00f3ximo da gente e que havia participado do in\u00edcio da Trama. Muitos artistas ali surgiram e foi um momento de muita gente aparecer. Sem d\u00favida, movimentou a M\u00fasica Popular Brasileira com um novo frescor. Essa renova\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, pois estimula novos artistas a procurar caminhos. Muita gente surgiu depois disso nesse segmento, como o Otto.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Simoninha canta com Paula Lima 2005\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YNpVC03P-rk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; Voc\u00ea teve uma passagem pela banda do Jorge Benjor, a quem voc\u00ea dedicou um tributo anos depois gravado em DVD. Como foi essa experi\u00eancia de trabalhar com o Benjor?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> Sou f\u00e3 do Jorge desde sempre. Foi um grande amigo do meu pai e depois se tornou meu tamb\u00e9m. Gosto muito do Jorge e tenho uma afinidade com ele, o trabalho e a fam\u00edlia. \u00c9 um sentimento que vem desde o ber\u00e7o, praticamente. Tudo que fa\u00e7o com ele me d\u00e1 muita alegria. O DVD foi uma coisa especial, tocar com ele tamb\u00e9m. Fazer o grande show da volta dele no Olimpo, no Rio de Janeiro, em 2005, que culminou a volta do Jorge aos palcos com <em><strong>W Brasil<\/strong><\/em>, foi uma coisa que eu tamb\u00e9m estava envolvido e cuidando. Um sucesso absurdo. \u00c9 um artista que eu admiro, respeito e gosto muito. \u00c9 sempre muito bom est\u00e1 envolvido com a m\u00fasica dele.<\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; No disco Sambaland Club, voc\u00ea regrava <em>Tributo a Martin Luther King<\/em>, composi\u00e7\u00e3o do seu pai contra o preconceito. Como voc\u00ea tem visto as manifesta\u00e7\u00f5es que voltaram a chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo contra o preconceito racial?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> Regravei <em><strong>Tributo a Martin Luther King<\/strong><\/em> em <strong>Sambaland<\/strong>, pois foi o primeiro disco que produzi ap\u00f3s a morte do Simonal e quis prestar essa homenagem por tudo que a m\u00fasica representa e que foi dedicada a mim. Uma faixa que entrou definitivamente em meu repert\u00f3rio e que me emociona. A melhor observa\u00e7\u00e3o que tenho a fazer \u00e9 que quando meu pai fez essa can\u00e7\u00e3o, ele se emocionava muito enquanto tocava um pandeiro com tanta for\u00e7a na perna que chegava a sangrar. Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria que minha m\u00e3e gostava de contar. A cal\u00e7a chegava a ficar toda suja de sangue e ele tinha de fazer curativo, tamanha a for\u00e7a que ele tocava pela mensagem e tudo que a letra representa. Muita coisa melhorou, mas \u00e9 preciso que melhore muito mais. \u00c9 triste ver que essa m\u00fasica ainda faz sentido. Mesmo ap\u00f3s 50 anos de lan\u00e7ada, \u00e9 triste ver que meu pai continuaria sangrando ao cant\u00e1-la.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SIMONINHA - Alta Fidelidade  | COMPLETO\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2MGOyvdGRcs?start=1&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; Vendo as listas de m\u00fasicas mais tocadas em r\u00e1dios e aplicativos de streaming, funks e sertanejos \u00e9 o que segue na prefer\u00eancia nacional. Que avalia\u00e7\u00e3o voc\u00ea faz desse momento da m\u00fasica brasileira?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> A m\u00fasica sempre reflete o momento do pa\u00eds. Historicamente, se a gente tiver um olhar sobre quais eram as ambi\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, voc\u00ea vai sempre encontrar uma explica\u00e7\u00e3o na m\u00fasica. Por exemplo, no Brasil da d\u00e9cada de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, predominava a m\u00fasica da Carmen Miranda, que inclusive os Estados Unidos incorporaram as fei\u00e7\u00f5es dela dando um destaque. Era uma m\u00fasica de exalta\u00e7\u00e3o do Brasil gigante. Depois, a gente passa por uma \u201cboleriza\u00e7\u00e3o\u201d com a influ\u00eancia da Am\u00e9rica Latina e vem o rock, a Bossa Nova, que \u00e9 uma m\u00fasica nossa exportada para o mundo, a Jovem Guarda, a Pilantragem e a Tropic\u00e1lia. S\u00e3o tantos movimentos que mostra que o Brasil queria se identificar com a produ\u00e7\u00e3o mundial. Com isso, criamos uma identidade musical muito poderosa. Nos anos 1980, o rock tinha a coisa da contesta\u00e7\u00e3o e celebrando o encontro com a liberdade. Nos anos 1990 foram as experimenta\u00e7\u00f5es e a espera de um novo mil\u00eanio. Essa \u00e9 a cara do Brasil e o que as pessoas est\u00e3o escutando. Acho que temos de respeitar. A m\u00fasica mudou, assim como o mercado e as formas de se escutar o som. S\u00e3o muitos nichos e voc\u00ea se mantem forte ali entre quem ouve MPB. O mercado precisa de novidades, at\u00e9 para se manter vivo. A nova gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o quer consumir as m\u00fasicas que os pais escutavam. Eles querem uma m\u00fasica para chamar de sua. \u00c9 natural. Claro que tem muita gente que consegue aprender com a bagagem dos pais, mas quem n\u00e3o tem essa liga\u00e7\u00e3o, o que representa a maioria das pessoas, acaba tendo contato com a m\u00fasica das formas mais engra\u00e7adas poss\u00edvel. O que te liga com os amigos e tua gera\u00e7\u00e3o. \u00c9 completamente natural, faz parte da din\u00e2mica e a gente tem de entender. Cada artista tem de trabalhar seu nicho, pois essa \u00e9 a nova forma de entender e viver de m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong>Discografia &#8211; Que planos voc\u00ea tem em vista para quando passar a pandemia?<\/strong><br \/>\n<strong>Simoninha &#8211;<\/strong> Primeiro que eu n\u00e3o estou deixando de fazer as coisas pensando no futuro. Estou fazendo agora, pois o tempo \u00e9 muito r\u00e1pido. Se a gente viver s\u00f3 no futuro, a gente vai ser engolido pela velocidade desse tempo no mundo. Muito do que irei fazer \u00e9 em fun\u00e7\u00e3o do que estou aprendendo nesse momento. As experi\u00eancias que estou tendo nessa pandemia, tirando a vontade que eu tenho de ficar uma semana na praia com meus filhos. Muita coisa vai mudar no jeito de pensarmos as coisas e de se relacionar. De alguma forma, ficamos mais pr\u00f3ximos do nosso p\u00fablico e isso \u00e9 uma coisa que a gente n\u00e3o pode perder. Que venha o futuro e que a gente esteja preparado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encerrado um relacionamento, Wilson Simoninha transformou a perda em m\u00fasica. 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