{"id":20465,"date":"2020-08-20T15:12:51","date_gmt":"2020-08-20T18:12:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20465"},"modified":"2020-08-20T19:42:31","modified_gmt":"2020-08-20T22:42:31","slug":"coluna-mimi-rocha-6-o-inoxidavel-chico-pio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2020\/08\/20\/coluna-mimi-rocha-6-o-inoxidavel-chico-pio\/","title":{"rendered":"Coluna Mimi Rocha 6: O inoxid\u00e1vel Chico Pio"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20467\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/ChicoPio_.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/ChicoPio_.jpg 500w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/ChicoPio_-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2020\/08\/ChicoPio_-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>Francisco Pio Napole\u00e3o mais conhecido como o &#8220;Inoxid\u00e1vel Chico Pio&#8221; nasceu no delta do Parna\u00edba em mar\u00e7o de 1953, que ele define como &#8220;terra do caranguejo, camar\u00e3o e mulher bonita&#8221;. Morava ao lado da r\u00e1dio Difusora e, j\u00e1 aos tr\u00eas anos de idade, fugia de casa para assistir os programas de audit\u00f3rio onde passaram Waldick Soriano, que ele diz ter visto fazendo a barba no camarim, An\u00edsio Silva entre outros. L\u00e1 pelos nove anos, pegou pela primeira vez numa guitarra Fender (marca famosa americana) e j\u00e1 arranhou os acordes de <em>Vivo S\u00f3<\/em>, dos Renato e seus Blue Caps. Nessa \u00e9poca os freis na igreja cantando em coral foram uma grande influ\u00eancia barroca segundo conta ele.<\/p>\n<p>Aos 12 anos veio pra Fortaleza e foi morar ao lado da casa do grande violonista Aleardo Freitas (pai de seu futuro parceiro Alano Freitas) e todo dia ia pescar as t\u00e9cnicas vendo o mestre das cordas tocar. Nessa \u00e9poca, inicia amizade com o compositor Stelio Vale que o apresentou \u00e0 turma que come\u00e7ava a se reunir na Beira-mar, no famoso Bar do An\u00edsio. Entre eles, os hoje \u00edcones Augusto Pontes, Fausto Nilo, Ricardo Bezerra, Cl\u00e1udio Pereira, entre outros.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SOLITUDINE CHICO  PIO\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uUdhHiBvTHA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Chico reclama que era meio deixado de lado por ser tamb\u00e9m muito jovem, mas j\u00e1 arriscava tocar as primeiras\u00a0 composi\u00e7\u00f5es pra turma.\u00a0Em 1974 faz a primeira viagem ao Rio de Janeiro, fica em casa de parentes e arranja namoradas entre Ipanema e Barra, sempre circulando por bares, teatro, shows e peladas de futebol.<\/p>\n<p>Vence o 1\u00ba Festival m\u00fasica da PUC com a can\u00e7\u00e3o <em>Alvorecendo<\/em>, se apresenta em shows, em calouradas e teatros universit\u00e1rios, alguns em parceria com os tamb\u00e9m rec\u00e9m chegados Belchior, Ednardo e Fagner. Ele cita o grande acolhimento que teve de Fagner e Cirino na \u00e9poca, chegando a passar uma temporada no apto deles no Flamengo.<\/p>\n<p>Fagner o apresentou a muitos artistas de destaque como Gonzaguinha, Lu\u00eds Melodia, Amelinha, Z\u00e9 Ramalho, Vinicius de Morais e Nara le\u00e3o.\u00a0A convite de Ednardo e Augusto Pontes, Chico Pio volta a Fortaleza para participar da Massafeira onde chegou a gravar duas composi\u00e7\u00f5es suas: <em><strong>O que foi que voc\u00ea viu<\/strong><\/em>, parceria com Stelio e Nertan Alencar, e <em><strong>\u00c1gua<\/strong><\/em>, com Stelio e Fausto Nilo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NA SUBIDA DA MONTANHA de Brand\u00e3o e Chico Pio\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oSyPfPR1pzw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O disco foi gravado no Rio e Chico aproveitou a carona para mais uma temporada que se estendeu at\u00e9 S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>De volta a Fortaleza, fez o famoso show no Teatro da Emcetur onde, ao final, ele foi ao guich\u00ea e pegou todo o \u201capurado\u201d. A\u00ed, o produtor Francis Vale comentou que Chico foi o \u00fanico artista a dar um &#8220;bal\u00e3o\u201d no empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Conhecido pela generosidade e cuidado com os amigos, ele tem mais de 50 parceiros (ele faz a m\u00fasica ap\u00f3s receber a letra), incluindo os j\u00e1 citados Fausto Nilo, Stelio Valle, Augusto Pontes, o grande poeta Soares Brand\u00e3o &#8211; que teve a can\u00e7\u00e3o deles <em><strong>Na subida da montanha<\/strong><\/em> gravada ao vivo por Ednardo -, e tantos outros que lhe passam uma letra e esperam ansiosos a melodia que Chico prontamente finaliza:<\/p>\n<p>&#8211; &#8220;Meu nome \u00e9 resultado paizim&#8221;, afirma ele com um sorriso.<\/p>\n<p>Chico tem mais de uma centena de m\u00fasicas conclu\u00eddas e outras a concluir. &#8220;Para n\u00e3o pensarem que eu sou o Fagner&#8221;, comenta.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Stelio Vale e L\u00facio Ricardo - Sorvete\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/albbLuYKkI4?start=43&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Gravou nos anos 1990 os discos:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Chico Pio<\/strong> (1995), hoje disputado entre colecionadores que pagam at\u00e9 $400 em leil\u00f5es. Destaco as can\u00e7\u00f5es <em><strong>O amor e o defeito <\/strong><\/em>(Chico\/ Brand\u00e3o ) e <em><strong>O Dado<\/strong><\/em> (Chico\/ Eug\u00eanio Leandro)<\/li>\n<li><strong>Marca Carmim <\/strong>(1997), com parcerias com Luciano Cl\u00e9ver, do qual destaco <em><strong>Bill Motor<\/strong><\/em> e <em><strong>Vig\u00edlia<\/strong><\/em>.<\/li>\n<li><strong>Beira do Mundo<\/strong> (1999), com a j\u00e1 cl\u00e1ssica <em><strong>Solitudine<\/strong><\/em> (Chico\/ Totonho Laprovitera) e <em><strong>Aquarela Japonesa<\/strong><\/em> (Chico\/ Fausto Nilo)<\/li>\n<\/ul>\n<p>O anedot\u00e1rio de causos em torna dessa figura t\u00e3o querida \u00e9 extenso e me permitam contar alguns&#8230;<\/p>\n<p>Um dia na piscina do Iate clube, ao ser perguntado se estava tudo bem, ele disparou: &#8220;se at\u00e9 o Roberto Carlos tira f\u00e9rias eu tamb\u00e9m posso?&#8221;.<\/p>\n<p>Uma vez contratado para tocar num bar, o L\u00fadico Bar, de Carlinhos Papai, chegou perguntando pelo cabo do viol\u00e3o. Se dizendo profissional: &#8220;s\u00f3 toco onde tem equipamento&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Outra vez, Evaldo Gouveia ao v\u00ea-lo tocar, gostou das m\u00fasicas e veio conversar. Na \u00e9poca, Evaldo morava no Sudeste e circulava nas gravadoras. Evaldo foi perguntar ao colega compositor: &#8220;o que \u00e9 que eu posso fazer pra te ajudar?&#8221;. Ao que Chico prontamente respondeu: &#8220;\u00d4 Evaldo, me d\u00e1 uma carona at\u00e9 a Rui Barbosa, por favor&#8221;.<\/p>\n<p>A facilidade de Chico pra compor tamb\u00e9m \u00e9 exaltada pelo primo e parceiro Caio Napole\u00e3o, propriet\u00e1rio do Cantinho do Frango:<\/p>\n<p>&#8211; Parece f\u00e1cil, como quando vejo as jogadas de um Rivelino ou Pel\u00e9&#8230;<\/p>\n<p>O parceiro Totonho Laprov\u00edtera dispara sobre Chico em verso e prosa:<\/p>\n<p>&#8211; Desse virtuoso compositor, hoje eu digo que ele \u00e9 a sua pr\u00f3pria arte. Quando abra\u00e7a o viol\u00e3o, solta seu vozeir\u00e3o, faz manar as mais variadas can\u00e7\u00f5es e d\u00e1 at\u00e9 a impress\u00e3o de ser f\u00e1cil a faculdade de compor. Aprumado, se eleva aos sons, qual fera a cuidar do seu rebento. Todavia, simples e manso em seu of\u00edcio, constr\u00f3i e desperta sentimentos!<\/p>\n<p>O estilo de viol\u00e3o dele tamb\u00e9m \u00e9 \u00fanico. Une o suingue de Jorge Ben com a pegada rockeira de Keith Richards. Caio reclama que nunca ouviu o viol\u00e3o de Chico registrado nos seu discos. Concordo com ele, seria algo que daria mais car\u00e1ter ao arranjo das m\u00fasicas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CHICO PIO- JARDIM DO OLHAR.avi\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9_CffGEZV_c?start=2&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Conheci o Chico quando eu tinha uns 15 anos e j\u00e1 virei f\u00e3. Ele circulava em bares da \u00e9poca como o Flor da Pele, ali pr\u00f3ximo \u00e0 Pra\u00e7a Portugal, e j\u00e1 mostrava seu estilo e personalidade marcantes. Pouco depois, gravei com ele uma fita demo num est\u00fadio caseiro e, de l\u00e1 pra c\u00e1, nunca mais deixei de acompanh\u00e1-lo, seja em shows ou grava\u00e7\u00f5es. Tenho muito material in\u00e9dito dele aqui no est\u00fadio. O considero um dos maiores compositores nordestinos. Na obra dele tem de tudo, bai\u00e3o, forr\u00f3, xote, balada, rock, salsa, flamenco, hip hop, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Chico teve uma m\u00fasica gravada por Z\u00e9 Ramalho chamada <em><strong>Forrobod\u00f3<\/strong><\/em> e por ela da pra ter um no\u00e7\u00e3o da bagagem mel\u00f3dica e harm\u00f4nica dele.<\/p>\n<p>Destaco tamb\u00e9m a can\u00e7\u00e3o <em><strong>Solitudine <\/strong><\/em>(Chico\/ Totonho) que cairia como uma luva na voz de Fagner (uma pena que este nunca gravou nada do Chico) e o rock reggae <em><strong>Sorvete<\/strong><\/em> (Chico\/ Stelio\/ Alano Freitas)\u00a0 na interpreta\u00e7\u00e3o de L\u00facio Ricardo. Essa poderia ter sido um hit de qualquer banda de rock dos anos 1980.<\/p>\n<p>Ao lhe perguntar sobre como se define hoje e como ser\u00e1 o nome do pr\u00f3ximo disco, Chico me profetizou: &#8220;sou grato pelo Pio e caridade do senhor Deus, meu pr\u00f3ximo disco se chamar\u00e1 \u201cVem comigo que eu te mostro a felicidade\u201d.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o parceiro inox Chico Pio, vamos com ele.<\/p>\n<p><em><strong>Mimi Rocha \u00e9 m\u00fasico e produtor. Ele escreve nesse espa\u00e7o quinzenalmente<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Pio Napole\u00e3o mais conhecido como o &#8220;Inoxid\u00e1vel Chico Pio&#8221; nasceu no delta do Parna\u00edba em mar\u00e7o de 1953, que ele define como &#8220;terra do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":20467,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15,720,90,75,114,126,139,274,283,293,421],"tags":[],"class_list":["post-20465","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amelinha","category-coluna-do-mimi","category-criticas","category-ceara-2","category-ednardo","category-em-fortaleza","category-fagner","category-mpb","category-nacional","category-no-ceara","category-ze-ramalho"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20465"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20465\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20476,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20465\/revisions\/20476"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}