{"id":20752,"date":"2021-03-26T21:24:16","date_gmt":"2021-03-27T00:24:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20752"},"modified":"2021-03-26T21:24:31","modified_gmt":"2021-03-27T00:24:31","slug":"coluna-mimi-rocha-18-ainda-existe-originalidade-na-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2021\/03\/26\/coluna-mimi-rocha-18-ainda-existe-originalidade-na-musica\/","title":{"rendered":"Coluna Mimi Rocha 18: Ainda existe originalidade na m\u00fasica?"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_20754\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20754\" class=\"size-large wp-image-20754\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/03\/matheus-kauan-alok-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/03\/matheus-kauan-alok-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/03\/matheus-kauan-alok-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/03\/matheus-kauan-alok-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/03\/matheus-kauan-alok-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/03\/matheus-kauan-alok.jpg 1200w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-20754\" class=\"wp-caption-text\">Matheus e Kauan, e Alok (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>Verdade seja dita: nunca se produziu tanta m\u00fasica quanto atualmente. E isso n\u00e3o se deve s\u00f3 ao prolongamento dessa terr\u00edvel pandemia que assola a humanidade.\u00a0Basta entrar em qualquer aplicativo de streaming, em redes sociais e nos zaps da vida pra termos acesso a um novo single, novo v\u00eddeo ou relan\u00e7amentos de discos com novas vers\u00f5es de alguma m\u00fasica.<\/p>\n<p>Mas o que est\u00e1 sendo ofertado tem algum valor realmente est\u00e9tico, art\u00edstico? Peguemos os elementos b\u00e1sicos que formam uma composi\u00e7\u00e3o musical:<\/p>\n<ul>\n<li>Ritmo (a dura\u00e7\u00e3o das notas, batida, groove&#8230;)<\/li>\n<li>Harmonia (s\u00e3o as notas tocadas simultaneamente, como se voc\u00ea apertasse ao mesmo tempo v\u00e1rias teclas de um piano, gerando os acordes)<\/li>\n<li>Melodia (geralmente \u00e9 o mais percept\u00edvel, ou seja uma s\u00f3 nota tocada por vez por uma voz, uma flauta, sax ou algum instrumento monof\u00f4nico)<\/li>\n<li>Letra ou poema musicado, no caso de can\u00e7\u00f5es<\/li>\n<\/ul>\n<p>Olhando as listas das mais tocadas no Brasil e pelo mundo afora no Spotify, Applemusic, Deezer e YouTube, que s\u00e3o a &#8220;Billboard&#8221; ou a &#8220;Parada de Sucessos\u201d dos novos tempos, o que noto \u00e9 uma avalanche de mais do mesmo e misturas no m\u00ednimo tendenciosas. Se voc\u00ea tamb\u00e9m acha que o forr\u00f3 que \u00e9 feito j\u00e1 h\u00e1 um certo tempo, e que faz sucesso, n\u00e3o tem nada dos elementos do forr\u00f3, assim vai valer para o sertanejo, pagode bacaninha, etc&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 uma salada mista onde entra o melhor e o pior de cada estilo se somando a tend\u00eancias passageiras como a zumba, zouk, o technobrega e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>A onda do &#8220;feat&#8221; (m\u00fasica com um convidado) tamb\u00e9m \u00e9 \u201ctend\u00eancia\u201d. Vou citar s\u00f3 uns que vi aqui: Alok (Dj de m\u00fasica eletr\u00f4nica) com Matheus e Kauan (sertanejo); Anavit\u00f3ria com Rita Lee; e Bar\u00f5es da Pisadinha com quem estiver fazendo sucesso nesses estilos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ANAVIT\u00d3RIA, Rita Lee - Amarelo, azul e branco (visualizer)\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GtvS897PiyQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Eu, desde 2016 como coordenador musical e pedag\u00f3gico do Festival da Juventude de Fortaleza, tive acesso ao material de no m\u00ednimo uns 400 projetos musicais locais. O foco era mais no autoral e em qualquer estilo.<\/p>\n<p>Pra nossa grata surpresa, tirando alguns pseudos cover de artistas como Los Hermanos, Mettalica, Coldplay, Charlie Brown, Natiruts, Mano Brown, Racionais, a ampla maioria era trabalho autoral de qualidade, ainda que em busca de uma identidade forte.<\/p>\n<p>S\u00e3o jovens, em sua maioria de bairros perif\u00e9ricos com renda baixa. Alguns nunca ouviram Beatles, Rolling Stones, Fagner, Milton Nascimento, Gilberto Gil, mas est\u00e3o na contram\u00e3o do que a m\u00eddia atual nos imp\u00f5e. \u00c9 sinal de que nem tudo est\u00e1 perdido.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos o hip hop e o funk t\u00eam ganhado muita for\u00e7a nas comunidades perif\u00e9ricas atingindo tamb\u00e9m a classe mais abastada. Originalmente \u00e9 um estilo calcado em sampler (amostragem de um trecho de m\u00fasica de sucesso, seja uma batida da bateria ou melodia do baixo que era Remixado, editado em trechos e camadas) e em cima dessa base \u00e9 interpretado o rap.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, os temas abrangiam contextos sociais, cr\u00edticas \u00e0 sociedade que os exclu\u00edam, descambando depois para subg\u00eaneros como o \u201cfunk ostenta\u00e7\u00e3o&#8221;, com apologias a sexo, drogas e criminalidade.\u00a0Para os que torcem o nariz pra os remixes usados nesse estilo, essa t\u00e9cnica j\u00e1 vem de outras eras, validando a m\u00e1xima de que &#8220;nada se cria, tudo se copia&#8221;.<\/p>\n<p>Vou citar alguns exemplos de uma banda famosa de rock, o Led Zeppelin (que j\u00e1 gerou boas e longas conversas minhas com o editor desse blog). Eles, bem antes dessa turma nova, j\u00e1 copiaram trechos e cometeram at\u00e9 apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita de algumas m\u00fasicas. Confiram:<\/p>\n<ul>\n<li><strong><em>Bring It On Home<\/em><\/strong> com a m\u00fasica hom\u00f4nima de Willie Dixon<\/li>\n<li><strong><em>Black Mountain Side<\/em><\/strong> com <strong><em>Blackwaterside <\/em><\/strong>de Bert Jansch<\/li>\n<li><strong><em>The Lemmon Song<\/em><\/strong> com <strong><em>Killing Floor<\/em><\/strong> do Howlin\u2019 Wolf<\/li>\n<li><em><strong>Dazed and Confused<\/strong><\/em> com a hom\u00f4nima de Jake Holmes (a letra era diferente, mas ele ganhou a causa em 2010)<\/li>\n<li><em><strong>Stairway To Heaven<\/strong><\/em> com <em><strong>Taurus <\/strong><\/em>do Spirit (a famosa introdu\u00e7\u00e3o \u00e9 quase id\u00eantica. Mas, por ter poucos compassos, n\u00e3o configura pl\u00e1gio. Essa banda, Spirit, abriu v\u00e1rios shows do Led e tocavam essa m\u00fasica, que Page gostava muito. O autor Randy California perdeu a a\u00e7\u00e3o que se estendeu at\u00e9 ap\u00f3s a sua morte)<\/li>\n<\/ul>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LED ZEPPELIN vs SPIRIT Lawsuit | Stairway To Heaven Comparison\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-MBKJDmE-OQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O feiti\u00e7o do remix os atingiu anos depois com <em>samplers<\/em> da bateria da m\u00fasica <em><strong>When The Levee Breaks<\/strong><\/em> editados e remixados, por\u00e9m creditados pelos Beastie Boys (<em><strong>Rhymin\u2019 and Stealin\u2019<\/strong><\/em>), Enigma (<em><strong>Return to Innocence<\/strong><\/em>) e Eminen (<em><strong>Kim<\/strong><\/em>).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Joss Stone - Don&#039;t Cha Wanna Ride\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rtNIqxBPfVQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Agora voc\u00ea &#8220;chupar&#8221; a ideia de quem j\u00e1 &#8220;chupou&#8221; antes tamb\u00e9m ocorre. Vejam o caso da cantora de soul inglesa Joss Stone na m\u00fasica <em><strong>Don&#8217;t Cha Wanna Ride<\/strong><\/em>, que usa como introdu\u00e7\u00e3o, base, harmonia, metais e ideias de melodia da m\u00fasica <em><strong>Am I The Same Girl<\/strong><\/em>, de 1969, lan\u00e7ada pela cantora Barbara Acklin<em>,<\/em> que por sua vez usou a base da m\u00fasica instrumental <em><strong>Soulful Strut<\/strong><\/em>, de 1968, da dupla americana Young-Holt Unlimited<em>.<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Am I The Same Girl\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qmFZBOpPLf8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>O dramaturgo americano Wilson Mizner dizia: \u201cSe voc\u00ea rouba a ideia de um autor \u00e9 pl\u00e1gio, se voc\u00ea rouba de v\u00e1rios \u00e9 pesquisa\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Soulful Strut\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ygv4RMGwqMs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Boa audi\u00e7\u00e3o e pesquisa ent\u00e3o!<\/p>\n<p><em><strong>Mimi Rocha \u00e9 m\u00fasico e produtor. Ele escreve nesse espa\u00e7o quinzenalmente<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Verdade seja dita: nunca se produziu tanta m\u00fasica quanto atualmente. E isso n\u00e3o se deve s\u00f3 ao prolongamento dessa terr\u00edvel pandemia que assola a humanidade.\u00a0Basta&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[720,90,193,728,1],"tags":[],"class_list":["post-20752","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-coluna-do-mimi","category-criticas","category-joss-stone","category-mimi-rocha","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20752"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20752\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20755,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20752\/revisions\/20755"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}