{"id":20980,"date":"2021-09-14T10:31:36","date_gmt":"2021-09-14T13:31:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=20980"},"modified":"2021-09-13T00:32:08","modified_gmt":"2021-09-13T03:32:08","slug":"le-com-cre-4-um-spoiler-do-passado-uma-ode-a-fraternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2021\/09\/14\/le-com-cre-4-um-spoiler-do-passado-uma-ode-a-fraternidade\/","title":{"rendered":"L\u00e9 com Cr\u00e9 4 &#8211; Um spoiler do passado: uma ode \u00e0 fraternidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_20981\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-20981\" class=\"size-large wp-image-20981\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/09\/la-casa-de-papel-740x416.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"416\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/09\/la-casa-de-papel-740x416.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/09\/la-casa-de-papel-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/09\/la-casa-de-papel-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/09\/la-casa-de-papel-120x68.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2021\/09\/la-casa-de-papel.jpg 1280w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-20981\" class=\"wp-caption-text\">La Casa de Papel \u00e9 s\u00e9rie espanhola criada por \u00c1lex Pina. Est\u00e1 dispon\u00edvel na Netflix<\/p><\/div>\n<p><strong>Por Daniel Medina<\/strong><\/p>\n<p>Em um dos mais recentes epis\u00f3dios da s\u00e9rie La Casa de Papel surge, do nada, a can\u00e7\u00e3o portuguesa <em><strong>Gr\u00e2ndola, Vila Morena<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Do nada, coisa nenhuma. Se tem uma coisa a se aprender com s\u00e9ries \u00e9 a de que n\u00e3o se pode dar ponto sem n\u00f3.<\/p>\n<p>Marco da resist\u00eancia contra a ditadura militar portuguesa, <em><strong>Gr\u00e2ndola, Vila Morena<\/strong><\/em> foi escrita pelo compositor Zeca Afonso e em 1974 embalou o sonho de um pa\u00eds livre do regime do ditador Salazar. Pra ser mais exato, a can\u00e7\u00e3o foi tamb\u00e9m uma senha. Tocada em r\u00e1dios do pa\u00eds como primeiro sinal na noite do 24 de abril e como segundo sinal \u00e0s 0h34min do dia 25 a m\u00fasica foi a deixa sonora para o in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es dos soldados rebeldes.<\/p>\n<p>Zeca Afonso, falecido em 1987, sem ser YouTuber ou influencer, em um dos in\u00fameros v\u00eddeos no YouTube soma 5 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es. E claro, al\u00e9m de ter o pr\u00f3prio compositor como int\u00e9rprete, <em><strong>Gr\u00e2ndola<\/strong><\/em> ganha vida na voz de Am\u00e1lia Rodrigues, corais, bandas de rock e, quase 50 anos depois, chega a uma das s\u00e9ries mais vistas dos nossos tempos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Zeca Afonso - Gr\u00e2ndola, Vila Morena\" width=\"668\" height=\"501\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gaLWqy4e7ls?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Ser um cantor portugu\u00eas ante o p\u00fablico brasileiro n\u00e3o deve ser tarefa f\u00e1cil. Digo em larga escala. Nada mais dif\u00edcil do que transpor o ran\u00e7o de quem foi colonizado por seus compatriotas. Da goza\u00e7\u00e3o ao sotaque \u00e0s piadas variadas, da pecha de debilidade intelectual \u00e0s caricaturas jocosas dos Mamonas Assassinas, os portugueses penam em nossas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que a m\u00fasica portuguesa \u00e9 repleta de grandes nomes, do s\u00e9c. XX ao XXI, que merecem ser ouvidos e ir al\u00e9m da rixa hist\u00f3rica. Listando alguns aleatoriamente S\u00e9rgio Godinho, Fausto, Ant\u00f4nio Varia\u00e7\u00f5es. \u00a0J\u00e1 no s\u00e9culo XXI e flertando com a as ra\u00edzes do fado, Carminho, Mariza e Ant\u00f4nio Zambujo de destacam.<\/p>\n<p>Tendo 10 anos de estrada, uma galera da qual sou suspeito pra falar \u00e9 da banda Capit\u00e3o Fausto. Sem rela\u00e7\u00e3o direta com o cantor citado acima, inventam a cada entrevista um motivo para o nome. Com pegada Los Hermanos, mas com letras ora junkies, ora divertidas e decoladas, ora tudo junto, fazia tempo que um som n\u00e3o me empolgava tanto, ainda mais pela poesia do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>De volta\u00a0 \u00e0 <em><strong>Gr\u00e2ndola, Vila Morena<\/strong><\/em>, hino da \u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Cravos\u201d, revolu\u00e7\u00e3o que nasceu de um golpe militar, que se difere dos demais pois, ao inv\u00e9s de conservar, muda a ordem vigente, revoluciona, dando o pontap\u00e9 inicial para a na\u00e7\u00e3o portuguesa definir seu pr\u00f3prio destino, diferente do golpe brasileiro de 1964.<\/p>\n<p>Em novembro de 1975 o poder de Portugal passaria para as m\u00e3os dos chamados &#8220;moderados\u201d. Por mais que novos jovens conservadores (?) com afinco tentem desmerecer a import\u00e2ncia do 25 de abril de 1974, sabem que se fossem depender dos jovens conservadores da \u00e9poca nada teria sido feito (assim como hoje).<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos Portugal viveu uma experi\u00eancia inusitada, chamado por alguns de coaliza\u00e7\u00e3o, por outros de alinhamento: a \u201cGeringon\u00e7a\u201d. Desde 2015, reunindo partidos de espectros de esquerda, centro e de direita, tem escapado com \u00eaxito da onda fascista de extrema direita que paira sobre o mundo. (Estando todos atentos aos desdobramentos disso no Brasil). Se os portugueses n\u00e3o est\u00e3o no melhor momento por conta da pandemia, pelo menos est\u00e3o melhores do que n\u00f3s.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Capit\u00e3o Fausto - Amanh\u00e3 Tou Melhor\" width=\"668\" height=\"376\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cJDCdhnupeI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>E parafraseando a m\u00fasica <em><strong>Tanto Mar<\/strong><\/em>, oh p\u00e1, do nosso Chico Buarque, mandem a\u00ed, nem que seja um cheirinho de alecrim, pra ver se a frente progressista brasileira se une contra a perversidade e a barb\u00e1rie, aos solavancos golpistas de um tirano caricato e nos livra do j\u00e1 tradicional golpismo made in latinam\u00e9rica.<\/p>\n<p><strong>Direct: Pra n\u00e3o deixar de falar de poesia, j\u00e1 leu poeta portugu\u00eas Herberto Helder? Dependendo do livro, talvez voc\u00ea n\u00e3o entenda nada num primeiro momento, nem no segundo. \u00c9 normal. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil acessar um novo mundo no qual, de forma voraz, tudo se conjuga e se aparta em imagens e em constate vertigem (assim como nesse nosso mundo real, prosaico e di\u00e1rio).<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><strong>Daniel Medina \u00e9 compositor, cantor e curioso, sendo cantor nas horas vagas e curioso por of\u00edcio. Ele escreve nesse espa\u00e7o semanalmente<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Daniel Medina Em um dos mais recentes epis\u00f3dios da s\u00e9rie La Casa de Papel surge, do nada, a can\u00e7\u00e3o portuguesa Gr\u00e2ndola, Vila Morena. Do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[596,742,588],"tags":[],"class_list":["post-20980","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-daniel-medina","category-le-com-cre","category-opiniao"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20980","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20980"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20980\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20982,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20980\/revisions\/20982"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20980"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20980"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20980"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}