{"id":21055,"date":"2022-07-28T20:53:12","date_gmt":"2022-07-28T23:53:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=21055"},"modified":"2022-07-28T20:54:17","modified_gmt":"2022-07-28T23:54:17","slug":"tim-bernardes-retoma-insucessos-e-reflexoes-pessoais-em-mil-coisas-invisiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2022\/07\/28\/tim-bernardes-retoma-insucessos-e-reflexoes-pessoais-em-mil-coisas-invisiveis\/","title":{"rendered":"Tim Bernardes retoma insucessos e reflex\u00f5es pessoais em \u201cMil coisas invis\u00edveis\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21057\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2022\/07\/Tim-Bernardes.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"423\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2022\/07\/Tim-Bernardes.jpg 696w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2022\/07\/Tim-Bernardes-300x182.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2022\/07\/Tim-Bernardes-120x73.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/p>\n<p>A modernidade pede pressa, cada vez mais. Tudo \u00e9 urgente e pautado pela falta de tempo da humanidade. Cada segundo precisa ser aproveitado ao m\u00e1ximo, com o m\u00e1ximo poss\u00edvel de atividades realizadas simultaneamente. Livros viraram audiobooks e podem ser consumidos na esteira da academia. Nos streamings, maratonar virou moda pra quem n\u00e3o pode esperar uma semana pelo pr\u00f3ximo epis\u00f3dio de sua s\u00e9rie preferida. E discos foram resumidos a EPs e singles. Afinal, quem tem tempo para ouvir um disco inteiro? Nem esse texto eu tenho certeza se voc\u00ea vai ter tempo para ler at\u00e9 o fim.<!--more--><\/p>\n<p>Mas at\u00e9 a essa pressa \u2013 que cresce e adoece crian\u00e7as e adultos pelo mundo \u2013 \u00e9 preciso resistir. Na contram\u00e3o desse rel\u00f3gio cada vez mais curto, chegou \u00e0s plataformas o disco <strong>Mil coisas invis\u00edveis<\/strong>. O segundo rebento da carreira solo de <strong>Tim Bernardes<\/strong> tem algo de antiquado quando re\u00fane 15 faixas (uma delas com mais de seis minutos) que contam hist\u00f3rias, sugerem a respira\u00e7\u00e3o, reafirmam o amor como algo de eleva\u00e7\u00e3o humana e a beleza algo al\u00e9m da imagem. \u201cCalma, d\u00ea um espa\u00e7o pra alma\u201d, resume ele em <em><strong>Falta<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 algo muito apartado dos novos tempos quando essas faixas s\u00e3o dispostas numa sequ\u00eancia que deve ser ouvida do jeito que est\u00e1. Voc\u00ea pode quebrar essa ordem e separar suas preferidas em playlists, mas algo vai se perder. Para deixar <strong>Mil coisas invis\u00edveis<\/strong>\u00a0ainda mais com cara de \u201cantiquado\u201d, essas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o pontuadas por orquestra\u00e7\u00f5es que remetem a algo muito profundo da alma do compositor. Mas n\u00e3o duvido que o ouvinte acabe encontrando algo de sua pr\u00f3pria alma nessa profundeza.<\/p>\n<p>Desde sua estreia, <strong>Tim Bernardes<\/strong> se mostrou como um autor conectado a muitas \u00e9pocas. Ao lado da banda O Terno, ele re\u00fane influ\u00eancias que passam pelo rock sessentista, afox\u00e9, blues, indie e samba can\u00e7\u00e3o, tudo com guitarras distorcidas, letras melanc\u00f3licas e um humor bem dosado. Em <em><strong>Recome\u00e7ar<\/strong><\/em> (2017), sua estreia solo, ele empalideceu esse humor, nublou melodias e pediu aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es pessoais.<\/p>\n<p><em><strong>Mil coisas invis\u00edveis<\/strong><\/em> segue com o mesmo sorriso xoxo, apesar de soar mais otimista em certos momentos. Um dos singles que apresentaram o trabalho, <em><strong>BB (Garupa de moto amarela)<\/strong><\/em> \u00e9 dessas can\u00e7\u00f5es de amor em que voc\u00ea torce pra ter algu\u00e9m a quem possa dedica-la. Atento aos detalhes, um sininho chama aten\u00e7\u00e3o para cegueira do amor at\u00e9 que violinos abrem os olhos para um sonhar acordado. Imposs\u00edvel n\u00e3o sorrir. Em seguida vem <em><strong>Realmente Lindo<\/strong><\/em>, lan\u00e7ada por Gal Costa em <em>A pele do Futuro<\/em> (2018). A celebra\u00e7\u00e3o do amor que chega e expulsa a tristeza engradecendo o mundo \u00e9 um dos momentos sublimes do disco.Mas quando esse amor se esgar\u00e7a, as dores n\u00e3o se escondem. Em <em><strong>Olha<\/strong><\/em>, Tim aparece angustiado martelando nas teclas do piano os mal-entendidos que levam a gritos e agress\u00f5es. \u201cQuando \u00e9 que foi que essa parede se ergueu entre n\u00f3s dois?\u201d, pergunta ele numa tentativa de reverter a situa\u00e7\u00e3o. Passado o t\u00e9rmino, <em><strong>\u00daltima vez<\/strong><\/em> fala da tentativa de conviver com esse muro, como se atravess\u00e1-lo fosse algo sem custos. \u201cAcho que eu que fui tolo de achar que isso agora era s\u00f3 vontade do corpo. De pensar que a gente j\u00e1 tinha se superado\u201d, conclui numa letra t\u00e3o cheia de veracidade que deveria vir com um alerta de gatilhos. E <em><strong>Fases<\/strong><\/em>\u00a0evoca Freud pra explicitar a necessidade de crescer e conviver com as perdas.<\/p>\n<p>O ciclo da vida, a fam\u00edlia, o amor da av\u00f3, a cidade, o pa\u00eds, amar, desamar e amar de novo, muita coisa passa pelo olhar sens\u00edvel de Tim Bernardes. Composto, cantado e orquestrado por ele, o \u00e1lbum conta com algumas poucas participa\u00e7\u00f5es. O que torna tudo ainda mais \u00edntimo e pessoal. Entre viol\u00f5es, guitarras, percuss\u00e3o muito sutil, cordas e sopros, em <em><strong>Mil coisas invis\u00edveis<\/strong><\/em>, sons e sil\u00eancios t\u00eam a mesma import\u00e2ncia. \u00c9 poss\u00edvel ouvir influ\u00eancias de Bob Dylan e Dolores Duran, Crosby, Stills, Nash &amp; Young e Tom Jobim. Trabalho de artes\u00e3o, o \u00e1lbum se preocupa menos com acabamentos e mais com emo\u00e7\u00e3o. Se \u201cMil coisas invis\u00edveis\u201d vai levar o ouvinte ao c\u00e9u ou ao ch\u00e3o, depende do seu estado emocional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A modernidade pede pressa, cada vez mais. Tudo \u00e9 urgente e pautado pela falta de tempo da humanidade. 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