{"id":21092,"date":"2022-12-11T14:16:58","date_gmt":"2022-12-11T17:16:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=21092"},"modified":"2022-12-11T14:29:41","modified_gmt":"2022-12-11T17:29:41","slug":"o-que-faz-dela-a-gal-costa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2022\/12\/11\/o-que-faz-dela-a-gal-costa\/","title":{"rendered":"O que faz dela a Gal Costa"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9434\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/gal_costa_1.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"465\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/gal_costa_1.jpg 620w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/gal_costa_1-300x225.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/11\/gal_costa_1-120x90.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p><em>* Texto publicado no dia 10 de novembro, no caderno Vida&amp;Arte, por ocasi\u00e3o da morte de Gal Costa<\/em><\/p>\n<p>Pensar em um Brasil sem crise, um tempo de calmaria, onde tudo parece estar nos eixos \u00e9 de uma utopia quase lis\u00e9rgica. Intemp\u00e9ries, dificuldades, injusti\u00e7as e lutas por tempos melhores \u00e9 uma const\u00e2ncia na hist\u00f3ria. Nesse front de batalhas di\u00e1rias, muitos artistas deram a cara a tapa e enfrentaram um drag\u00e3o por dia em nome de mostrar que podemos ter um pa\u00eds mais humano. Entre eles, Maria da Gra\u00e7a Costa Penna Burgos merece um destaque estrelado, um trono, um altar. N\u00e3o \u00e9 exagero, Gal Costa foi pioneira em tantas bandeiras, e sempre t\u00e3o libert\u00e1ria, que chega a ser um erro dizer em que ano ela nasceu. Ela \u00e9 de muitas \u00e9pocas, e sempre olhando para a frente.<\/p>\n<p>F\u00e3 de Jo\u00e3o Gilberto, ela ouviu do \u00eddolo que seria a maior cantora do Brasil. O elogio serviu como incentivo para um primeiro disco pautado na bossa nova. Sem amarras, ela logo partiu pro tropicalismo e tornou-se porta-voz dos compositores exilados durante a ditadura militar. Na \u00e9poca, encrespou os cabelos, abra\u00e7ou os berros de Janis Joplin, virou musa latina e n\u00e3o parou mais de trocar de pele. Nos anos de chumbo, Gal se armou de viol\u00e3o e flor no cabelo, subiu num banco e cantou com as pernas abertas. Contra a caretice e a ignor\u00e2ncia, ela respondia com beleza e sensualidade.<\/p>\n<p>Passada a ditadura, a forma mudou, mas n\u00e3o o conte\u00fado. Gal Costa fez a trilha sonora de muitos carnavais, deixando o p\u00fablico dan\u00e7ar livre numa das festas mais populares do Pa\u00eds. Com o surgimento do rock nacional dos anos 1980, ela se aproximou dos novos compositores, cantou Frejat, Lulu Santos, Marina Lima e ainda fez uma vers\u00e3o explosiva de \u201cBrasil\u201d (Cazuza\/ George Israel\/ Nilo Romero), em ritmo de samba enredo. Nos anos 1990, essa mesma m\u00fasica gerou pol\u00eamica no show \u201cO sorriso do gato de Alice\u201d, quando ela cantou com os seios de fora. Passados tantos anos, seu corpo ainda gerava debate.<\/p>\n<p>Mas o Brasil de Gal Costa era imenso e n\u00e3o estava ligado em pol\u00eamicas fabricadas. Tanto que, nos anos 2000, num per\u00edodo de mudan\u00e7as pessoais, ela se imp\u00f4s um ex\u00edlio art\u00edstico de decidiu por uma temporada de balan\u00e7o. Fez uma s\u00e9rie de discos cantando o interior, a modinha, o samba-can\u00e7\u00e3o, can\u00e7\u00f5es que fizeram hist\u00f3ria em vozes que a inspiraram, como \u00c2ngela Maria, Isaura Garcia e Linda Batista. Era tamb\u00e9m uma forma de homenagear a m\u00e3e, dona Mariah, que tanto a incentivou colocando os cl\u00e1ssicos e populares perto da filha, quando esta ainda nem tinha largado a placenta.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, Gal voltou a se conectar com os novos. Puxada por Caetano Veloso, seu compositor mais frequente, a \u201cmusa de qualquer esta\u00e7\u00e3o\u201d flertou com o eletr\u00f4nico, reverenciou Amy Winehouse e trouxe para seu seio nomes como Rubel, Tim Bernanrdes, Mallu Magalh\u00e3es e Lirinha. Tantos nomes que cresceram ouvindo suas can\u00e7\u00f5es, agora eram eles que alimentavam Gal Costa de novidades. Por outro lado, no sentido inverso, ter uma can\u00e7\u00e3o interpretada por\/com ela \u00e9 tamb\u00e9m uma honraria, um selo de qualidade, uma certeza de estar no caminho certo. Isso por que todas as estradas musicais percorridas por Gal Costa levavam ao mesmo canto: o Brasil livre, democr\u00e1tico, carnavalesco e sorridente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Texto publicado no dia 10 de novembro, no caderno Vida&amp;Arte, por ocasi\u00e3o da morte de Gal Costa Pensar em um Brasil sem crise, um&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":1665,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[60,600,90,152,283],"tags":[],"class_list":["post-21092","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-caetano-veloso","category-cazuza","category-criticas","category-gal-costa","category-nacional"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21092"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21092\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21098,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21092\/revisions\/21098"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1665"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}