{"id":21094,"date":"2022-12-11T14:22:47","date_gmt":"2022-12-11T17:22:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=21094"},"modified":"2022-12-11T14:28:40","modified_gmt":"2022-12-11T17:28:40","slug":"erasmo-carlos-durante-muito-tempo-em-nossas-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2022\/12\/11\/erasmo-carlos-durante-muito-tempo-em-nossas-vidas\/","title":{"rendered":"Erasmo Carlos: Durante muito tempo em nossas vidas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-19234\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/12\/erasmo-2-740x493.jpg\" alt=\"\" width=\"740\" height=\"493\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/12\/erasmo-2-740x493.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/12\/erasmo-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/12\/erasmo-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/12\/erasmo-2-120x80.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2018\/12\/erasmo-2.jpg 1200w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p><em>* Texto publicado no dia 23 de novembro, no caderno Vida&amp;Arte, por ocasi\u00e3o da morte de Erasmo Carlos<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o queria escrever esse texto. Ele \u00e9 inevit\u00e1vel, \u00e9 necess\u00e1rio, mas d\u00f3i em um canto muito especial. Tanto que ele ter\u00e1 dois come\u00e7os. Se a not\u00edcia da morte de Erasmo Carlos veio duas vezes, o coment\u00e1rio tamb\u00e9m ter\u00e1 dois come\u00e7os. N\u00e3o h\u00e1 deboche ou pouco caso nessa proposta. Talvez algo de humor, mas o pr\u00f3prio Tremend\u00e3o tratou com bom humor quando, h\u00e1 algumas semanas, circulou a not\u00edcia de sua morte e, coincidentemente, ele a desmentiu no Dia de Finados.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar o primeiro come\u00e7o, \u00e9 muito sintom\u00e1tico que Erasmo parta t\u00e3o pouco depois de Gal Costa. \u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o que se despede. Em comum, ambos t\u00eam uma carreira marcada pelo ecletismo e um p\u00e9 no rock. Para ser mais justo com o carioca da Tijuca, os dois p\u00e9s. E s\u00f3 n\u00e3o eram tr\u00eas por uma limita\u00e7\u00e3o corporal. Tendo nascido Erasmo Esteves em 1941, ele viu o rock nascer, crescer e se expandir em infinitas possibilidades. F\u00e3 de Elvis Presley, Little Richard, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins e outros pioneiros, n\u00e3o tardou para aquele rapaz grand\u00e3o e desengon\u00e7ado meter um casaco de couro, uma brilhantina e subir o topete.<\/p>\n<p>Erasmo Carlos \u00e9 um pioneiro e um dos grandes defensores do rock. Por\u00e9m, num pa\u00eds de mem\u00f3ria curta e amn\u00e9sia farta, ele foi vaiado e expulso do palco do primeiro megafestival dedicado ao estilo. Na d\u00e9cada em que o mercado colocou o rock nacional em evid\u00eancia, ele foi tratado como piada no Rock in Rio de 1985. Naquele momento, a juventude n\u00e3o estava interessada em reconhecer quem havia aberto as portas para que, futuramente, surgissem paralamas, lulus e kid abelhas. A prop\u00f3sito, na primeira fita demo gravada pelo Bar\u00e3o Vermelho estava l\u00e1 a voz de Cazuza berrando \u201cVoc\u00ea me acende\u201d, vers\u00e3o de Erasmo para o blues \u201cYou turn me on\u201d.<\/p>\n<p>Mas verdade seja dita, Erasmo Carlos foi muito al\u00e9m do rock. E a\u00ed, me desculpem, reside sua superioridade \u00e0 obra do irm\u00e3o camarada Roberto. Enquanto um se prendeu \u00e0s pr\u00f3prias manias e foi se distanciando de tudo que pudesse renovar seu p\u00fablico, o outro se manteve em busca de novos sons, novos parceiros e novas ideias. Fez samba-rock com Jorge Benjor, rap com Emicida, soul music com Tim Maia, balada com Arnaldo Antunes e por a\u00ed vai. A essa lista, acrescente Marcelo Camelo, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto e Tim Bernardes, com quem comp\u00f4s a vingativa \u201cPraga\u201d, gravada no mais recente disco de Ala\u00edde Costa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da obra volumosa, Erasmo compartilhou Roberto uma esp\u00e9cie de onipresen\u00e7a. Com tantos discos gravados por eles e tantas composi\u00e7\u00f5es nas vozes de tanta gente, \u00e9 muito prov\u00e1vel que voc\u00ea que diz que n\u00e3o gosta dos \u00eddolos da Jovem Guarda, seja f\u00e3 de uma m\u00fasica deles sem saber que \u00e9 deles. E \u00e9 a\u00ed que vem o segundo come\u00e7o desse texto.<\/p>\n<p>Certa vez, estava a caminho da universidade onde comecei um curso que n\u00e3o me despertava interesse. Nada me despertava interesse naquele momento, para bem da verdade. Algum caminho precisava se abrir na minha frente, uma vez que os que eu estava tentando n\u00e3o estavam chegando a muito canto. Pelo r\u00e1dio da topic, come\u00e7ou um som de viol\u00e3o que eu n\u00e3o reconheci de imediato, mas logo a primeira frase me pegou como um bofete impiedoso. Era Erasmo Carlos cantando \u201cFilho \u00fanico\u201d e algo ficou ecoando na minha cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Desci do transporte atordoado e decidido a retomar o plano. Optei por um novo curso, descobri o Jornalismo e aqui estou homenageando um \u00eddolo. Muito obrigado, Erasmo, por me trazer at\u00e9 aqui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Texto publicado no dia 23 de novembro, no caderno Vida&amp;Arte, por ocasi\u00e3o da morte de Erasmo Carlos N\u00e3o queria escrever esse texto. 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