{"id":3074,"date":"2011-02-11T06:52:54","date_gmt":"2011-02-11T09:52:54","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=3074"},"modified":"2011-02-11T06:52:54","modified_gmt":"2011-02-11T09:52:54","slug":"nando-reis-e-o-ocio-criativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2011\/02\/11\/nando-reis-e-o-ocio-criativo\/","title":{"rendered":"Nando Reis e o \u00f3cio criativo"},"content":{"rendered":"<p><a rel=\"attachment wp-att-3085\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/nando-reis-e-o-ocio-criativo\/nando-reis-faz-show\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3085\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2011\/02\/nando-reis-faz-show.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/02\/nando-reis-faz-show.jpg 550w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/02\/nando-reis-faz-show-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/02\/nando-reis-faz-show-120x80.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a>Atrav\u00e9s da janela, a imagem de um Rio de Janeiro cinzento, em fim de tarde, encharcado pelas chuvas. A ampla sala de estar toma um clima buc\u00f3lico. Sentado num confort\u00e1vel sof\u00e1, pernas esticadas sobre uma mesinha de centro, telefone na orelha, <strong><span style=\"color: #ff0000\">Nando Reis<\/span><\/strong>, de \u00f3culos escuros, conversa com a imprensa. Nem sei se o cen\u00e1rio era exatamente esse. Um ou outro elemento pode ser falso, mas essa foi a impress\u00e3o que passou dado clima descontra\u00eddo e largado adotado pelo compositor paulista numa entrevista sobre o seu <strong><span style=\"color: #0000ff\">Bail\u00e3o do Ruiv\u00e3o<\/span><\/strong>. Disco gravado com o carimbo Ao Vivo MTV e lan\u00e7ado no ano passado,<strong><span style=\"color: #0000ff\"> O Bail\u00e3o do Ruiv\u00e3o<\/span><\/strong> \u00e9 uma sele\u00e7\u00e3o de 21 hits alheios que v\u00e3o de Dorgival Dantas a Bob Marley, passando por um certo octeto paulista que fez muito sucesso com<strong><em> Bichos escrotos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Se uns acham que <strong><span style=\"color: #ff0000\">Nando<\/span><\/strong> deu um tiro no p\u00e9, para outros o disco \u00e9 corajoso e festivo. \u201cCara, t\u00f4 cagando pra repercuss\u00e3o. Fa\u00e7o as coisas pra me satisfazer, sinceramente\u201d, manda ele em tom nada ameno. Nando conta que a sele\u00e7\u00e3o das faixas do Bail\u00e3o foi baseada em suas pr\u00f3prias mem\u00f3rias, can\u00e7\u00f5es que ele gostava de ouvir, mais sugest\u00f5es dos Infernais, banda que acompanha j\u00e1 h\u00e1 alguns anos. Numa avalia\u00e7\u00e3o faixa-a-faixa, ele diz que <strong><em>V\u00eanus<\/em><\/strong>, hit setentista do Shocking Blues, \u00e9 \u201cdo caralho\u201d;<strong><em> Chorando se Foi<\/em><\/strong>, lambada de sucesso da banda Kaoma, \u201c\u00e9 maravilhosa\u201d; <strong><em>Lindo Bal\u00e3o Azul<\/em><\/strong> \u201cretrata, resume tudo. \u00c9 \u00e9pica e infantil \u00e9 o cara que acha que essa \u00e9 infantil\u201d; j\u00e1 <strong><em>Voc\u00ea n\u00e3o vale nada mas eu gosto de voc\u00ea<\/em><\/strong> foi sugest\u00e3o do guitarrista Carlos Pontual e Nando confessa que n\u00e3o consegue cant\u00e1-la no show. Para grav\u00e1-la, diz ele, teve que juntar com<strong><em> Severina Xique Xique<\/em><\/strong>, forr\u00f3 lend\u00e1rio do mestre Genival Lacerda. \u201cEu fa\u00e7o parte de uma banda e n\u00f3s temos uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o boa e desenvolvida que, claro, eu ou\u00e7o opini\u00f5es deles sobre o repert\u00f3rio. Acatei\u201d, explica e complementa, \u201ctodas elas t\u00eam melodias que eu penso \u2018queria ter feito essa m\u00fasica\u2019\u201d.<\/p>\n<p><a rel=\"attachment wp-att-3088\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/nando-reis-e-o-ocio-criativo\/185_nando_reis1\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-3088\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2011\/02\/185_nando_reis1-550x366.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"348\" \/><\/a>Quanto \u00e0 repercuss\u00e3o que o trabalho vem tendo, o artista demonstra toda a sua tranquilidade diante das diversas opini\u00f5es. \u201cAs vendas est\u00e3o indo muito bem e os leitores do Globo colocaram como o melhor disco do ano\u201d. J\u00e1 a cr\u00edtica&#8230; \u201ca cr\u00edtica do Brasil \u00e9 infame, pior do que juiz de futebol. Um bando de recalcados que falam mal de tudo\u201d. Por fim, os shows (esta entrevista aconteceu antes dos shows no Cear\u00e1): \u201c\u00c9 engra\u00e7ado. As pessoas ficam perguntado, mas os shows que eu estruturei mistura meu pr\u00f3prio repert\u00f3rio com m\u00fasicas do<strong><span style=\"color: #0000ff\"> Bail\u00e3o<\/span><\/strong>. Mas, nesse tipo de evento (aberto e gratuito), eu tenho cuidado porque menos me importa divulgar um produto do que\u00a0divertir as pessoas que est\u00e3o ali\u201d. Mas como tem sido os shows? \u201cToquei no Planeta Atl\u00e2ndida e rolou cr\u00edticas por que eu n\u00e3o toquei muito o <strong><span style=\"color: #0000ff\">Bail\u00e3o<\/span><\/strong>, mas n\u00e3o d\u00e1 pra tocar um produto engessado, principalmente enquanto o palco ta girando\u201d. E o palco girava?! \u201cO palco girava 360\u00ba. Eles devem ter copiado do U2 e U2 \u00e9 uma merda\u201d. U2 \u00e9 uma merda?! \u201cEles t\u00eam boas melodias. O Bono, apesar de ser um imbecil&#8230; At\u00e9 o Jack White, que \u00e9 um pivete pretensioso, parece tocar melhor que o The Edge\u201d.<\/p>\n<p>Quanto ao Cear\u00e1, suas primeiras lembran\u00e7as s\u00e3o curiosas.\u00a0\u201cCanoa \u00a0Quebrada eu fui quando tinha uns 15 anos e fumava uns 15 baseados por dia\u201d. Voltando aos palcos, ele aproveita e faz uma ressalva: \u201ceu gosto de tocar em lugar pequeno\u201d. Assim sendo, como foi a grava\u00e7\u00e3o do <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Bail\u00e3o<\/strong><\/span> no Carioca Club (SP)? D\u00e1 pra lembrar a rea\u00e7\u00e3o das pessoas diante do repert\u00f3rio? \u201cPosso confessar, na verdade eu estava muito concentrado na grava\u00e7\u00e3o. Tinha muita coisa sem decorar, em ingl\u00eas ent\u00e3o&#8230; N\u00e3o posso dizer que eu tive uma percep\u00e7\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o da plateia\u201d. Gravado nos dias 10 e 11 de agosto de 2010, a maior parte do que se v\u00ea no DVD foi tirado da segunda noite que teve um p\u00fablico maior. Um dos motivos para a prefer\u00eancia pelos shows mais intimistas est\u00e1 na sua confessa timidez. \u201cN\u00e3o gosto de falar \u2018e a\u00ed galera\u2019. Sou t\u00edmido pra caralho, por isso tenho que tomar duas ou tr\u00eas doses de whisky antes de subir no palco. Parece um contra senso, mas eu sou\u201d.<\/p>\n<p>Boa parte das influ\u00eancias musicais de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Nando Reis<\/strong> <\/span>foram reveladas ao longo dos seus 30 anos de carreira e, mais ainda, neste <strong><span style=\"color: #0000ff\">Bail\u00e3o do Ruiv\u00e3o<\/span><\/strong>. Mas, claro, nem tudo est\u00e1 ali. Se revelando um refinado conhecedor dos sons mais antigos (os melhores, verdade seja dita), o bardo come\u00e7a anunciando que j\u00e1 tem duas semanas que s\u00f3 ouve Janis Joplin e aproveita\u00a0pra colocar a voz rasgada e sofrida da diva pra cantar <strong><em>Move Over<\/em><\/strong> no seu toca discos (LP mesmo). \u201cTava ouvindo antes de ligar pra voc\u00ea. O (disco) <strong>Kozmic blues<\/strong> \u00e9 o melhor\u201d, diz depois de soltar um suspiro de quem se transporta pra outros mundos quando ouve os berros de Janis. \u201cO refr\u00e3o do <strong><em>Segundo Sol<\/em><\/strong> \u00e9 totalmente inspirada em <strong>Kozmic Blues<\/strong>\u201d, revela antes de fazer uma declara\u00e7\u00e3o de amor \u00e0 roqueira falecida h\u00e1 40 anos: \u201cela \u00e9 a n\u00e3o bela mais linda que existe\u201d.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=m3XYcV1JpFA[\/youtube]\n<p>Para al\u00e9m de Janis,<span style=\"color: #ff0000\"><strong> Nando Reis<\/strong> <\/span>viaja no tempo quando bota o prato da sua vitrola (mesmo) pra girar e p\u00e1ra principalmente nas lendas da soul music. \u201cAcabei de ouvir do Donny Hathaway o disco <strong>Live<\/strong> (1972), e depois Bill Withers. Tamb\u00e9m estava ouvindo o Curtis Mayfield, conhece?\u201d. Sim. \u201cP\u00f5e na sua lista o disco <strong>Curtis Live<\/strong> (1971). Quando eu ouvi que ele morreu (em dezembro de 1999) eu chorei. Chorei com ele e com o Bob Marley (em maio de 1981)\u201d. E aumenta o volume agora com Janis cantando <strong><em>Try<\/em><\/strong>. \u201cMeus vizinhos v\u00e3o me expulsar&#8230;\u201d Mais alguma sugest\u00e3o, Nando? \u201cVoc\u00ea j\u00e1 ouviu Neil Young?\u201d. Pouca coisa. \u201cQual \u00e9 sua idade?\u201d. 31. \u201cPois eu tenho 131. Fa\u00e7a o seguinte ou\u00e7a <strong>Everybody knows this is nowhere<\/strong> (1969) e <strong>After the gold rush<\/strong> (1970) e esquece tudo que eu falei\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atrav\u00e9s da janela, a imagem de um Rio de Janeiro cinzento, em fim de tarde, encharcado pelas chuvas. A ampla sala de estar toma um&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[129,1,404],"tags":[],"class_list":["post-3074","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","category-sem-categoria","category-videos"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3074","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3074"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3074\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3074"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3074"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}