{"id":377,"date":"2010-02-27T10:00:04","date_gmt":"2010-02-27T13:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/?p=377"},"modified":"2010-02-27T10:00:04","modified_gmt":"2010-02-27T13:00:04","slug":"caixa-reune-obras-primas-de-raul-seixas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2010\/02\/27\/caixa-reune-obras-primas-de-raul-seixas\/","title":{"rendered":"Caixa re\u00fane obras-primas de Raul Seixas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-378\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/02\/raul1.jpg\" alt=\"raul1\" width=\"340\" height=\"396\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/02\/raul1.jpg 340w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/02\/raul1-300x349.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/02\/raul1-120x140.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/>A gravadora Universal acaba de colocar no mercado a caixa <strong><span style=\"color: #0000ff\">10.000 anos \u00e0 frente<\/span><\/strong>, com seis discos da melhor safra do baiano <span style=\"color: #339966\"><strong>Raul Seixas<\/strong><\/span>. Mesmo sem trazer nada in\u00e9dito, livro com informa\u00e7\u00f5es, ou qualquer mimo que venha a atrair f\u00e3s antigos (uma vez que todos os discos ainda podem ser encontrados separadamente), os novos admiradores poder\u00e3o conhecer a partir deste box o que houve de melhor e mais bem explicado do que foi a obra do roqueiro.<\/p>\n<p>Abaixo, segue cada um deles comentados pelo f\u00e3, admirador e seguidor do trabalho de Raul, Jo\u00e3o Batista J\u00fanior.<\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"color: #ff00ff\"><strong><em>KRIG-H\u00c1 BANDOLO<\/em><\/strong><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>Em 1973 a MPB fervia com o lan\u00e7amento de alguns dos \u00e1lbuns mais significativos daquela d\u00e9cada.\u00a0 Entre eles, pode-se destacar, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Secos e Molhados<\/strong><\/span>, <span style=\"color: #ff99cc\"><strong>Luiz Melodia <\/strong><\/span>( P\u00e9rola Negra ), <span style=\"color: #993300\"><strong>S\u00e9rgio Sampaio <\/strong><\/span>( Eu quero \u00e9 botar meu bloco na rua ) e <span style=\"color: #ff00ff\"><strong>Krig-ha,bandolo<\/strong> <\/span>de Raul Seixas. Que j\u00e1 na primeira faixa se ouve aos berros &#8220;<strong>Good Rockin&#8217; Tonight<\/strong>&#8221; na voz do pr\u00f3prio Raul Seixas aos 9 anos de idade, passando em seguida para &#8220;<strong>Mosca na Sopa<\/strong>&#8220;, uma macumba metaf\u00f3rica em que ele missigena o ritmo dos atabaques ao rock&#8217;n&#8217;roll e se auto determina &#8220;<em>Aten\u00e7\u00e3o,eu sou a mosca, a grande mosca que perturba o seu sono<\/em>&#8220;. As parcerias com Paulo Coelho renderam ao \u00e1lbum uma variedade de temas e ritmos em que eles se permitiram ir do hard rock ao bai\u00e3o com criatividade, contund\u00eancia, conte\u00fado, poesia e sentimento. <strong>Metamorfose Ambulante<\/strong>, finca as bases ao Raulseixismo (culto ao maluco beleza que se perpetua at\u00e9 hoje) e o disco termina com a emblem\u00e1tica <strong>Ouro de Tolo<\/strong> com seus versos de insatisfa\u00e7\u00e3o, questionamento, medo e genialidade. Enfim, um \u00e1lbum que deve ser ouvido, lido e admirado como uma obra prima de um grandioso e raro artista.<\/p>\n<ul>\n<li><strong><em><span style=\"color: #ff00ff\">GITA<\/span><\/em><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=U0IXq1x1wcU[\/youtube]\nInspirado na b\u00edblia hindo ( Krishna chamada Mahabarata, Bhagavad-Gita, escrito 6.000 a.C), Raul Seixas lan\u00e7a em 1974 o \u00e1lbum <span style=\"color: #ff00ff\"><strong>Gita<\/strong><\/span>, novamente em parceiria com Paulo Coelho. Os dois estavam imersos nas artes do ocultismo, que eles expressam em <strong>Sociedade Alternativa<\/strong>, uma m\u00fasica com a pegada m\u00edstico-transgressora de Raul, em que ele brincava com a filosofia e contestava a sociedade da \u00e9poca, oferecendo e apresentando a uma nova possibilidade de se viver (<em>&#8220;faze o que tu queres, pois \u00e9 tudo da lei!&#8221;<\/em>), defendendo as id\u00e9ias do ingl\u00eas Aleister Crowley. Na faixa-t\u00edtulo do disco, Raul Seixas diz &#8220;<em>Eu sou o tudo e o nada<\/em>&#8221; sem realmente se explicar e mais por insitar. M\u00fasicas como <strong>Super-Her\u00f3is<\/strong>, <strong>As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor<\/strong>,\u00a0<strong>S.O.S<\/strong>,\u00a0<strong>Medo da Chuva<\/strong>, <strong>O trem das 7<\/strong>, mostram a verve criativa de Raul Seixas em abordar os mais variados temas em sua m\u00fasica de maneira sat\u00edrica e criativa. Na capa ele se apresenta como uma esp\u00e9cie de guerrilheiro vision\u00e1rio. Usando uma boina vermelha, uma guitarra vermelha e um enigm\u00e1tico brilho nos \u00f3culos escuros. Em plena ditadura militar, Raul seguia e surgia provocando e alicer\u00e7ando o rock tupiniquim.<\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"color: #ff00ff\"><strong><em>NOVO AEON<\/em><\/strong><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>Em 1975, Raul Seixas em parceria com Paulo Coelho anunciam a chegada do Novo Aeon, a chegada de um novo tempo. Seria a evolu\u00e7\u00e3o e a afirma\u00e7\u00e3o da anteriormente proposta Sociedade Alternativa, na qual o homem teria o direito de fazer tudo o que ele queria. A faixa-t\u00edtulo nos diz: &#8220;<em>Direito de ser ateu ou de ter f\u00e9&#8230;Direito de ter riso e ter prazer. E at\u00e9 direito de deixar Jesus sofrer<\/em>&#8220;. No mesmo disco vem <strong>Rock do Diabo<\/strong> (&#8220;<em>O Diabo \u00e9 o pai do rock! <\/em>&#8221; ), s\u00e3o seguidas pela m\u00fasica\u00a0<strong>Tente outra vez<\/strong> que fala de persist\u00eancia e f\u00e9 em Deus. Outra baladas como <strong>A Ma\u00e7\u00e3<\/strong>, grandiosamente orquestrada e com uma letra po\u00e9tica condenando a monogamia,\u00a0<strong>Para N\u00f3ia<\/strong> \u00e9 uma musica sobre os v\u00edcios (\u00e1lcool e coca\u00edna) confrontando e constatando a onici\u00eancia e onipresen\u00e7a de Deus, que v\u00ea tudo que se faz. J\u00e1 as faixas\u00a0<strong>Tu \u00e9s o MDC da minha vida<\/strong> e\u00a0<strong>\u00c9 fim de m\u00eas<\/strong> carregam consigo o bom humor e a s\u00e1tira cr\u00edtica do olhar de Raul Seixas. Esse \u00e9 sem duvida um de seus mais expressivos trabalhos. Ou\u00e7am! Leiam! Cantem! Assimilem e admirem o Novo Aeon.<\/p>\n<ul>\n<li><em><span style=\"color: #ff00ff\"><strong>H\u00c1 DEZ MIL ANOS ATR\u00c1S<\/strong><\/span><br \/>\n<\/em><\/li>\n<\/ul>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MqQq_ykY_j0[\/youtube]\n<p>No ano de 1976, aos 31 anos, Raul Seixas surge como um velho profeta. Em<span style=\"color: #000000\">\u00a0<strong>Eu nasci h\u00e1 10 mil anos atr\u00e1s<\/strong><\/span> Raul Seixas diz ter passado por toda a hist\u00f3ria da humanidade, e que n\u00e3o havia mais nada de novo, pois ele j\u00e1 havia visto tudo. Ele era o in\u00edcio, o meio eo fim. O disco todo \u00e9 repleto de poesias melanc\u00f3licas, Raul se mostra depressivo na maioria das musicas. Em\u00a0<strong>Can\u00e7\u00e3o para minha morte<\/strong>, <strong>Meu amigo Pedro<\/strong>, <strong>O homem<\/strong> e\u00a0<strong>Cantiga de ninar<\/strong>, ele fala sobre confrontos, fracassos, mesmices e sobre o mist\u00e9rioso fasc\u00ednio que a morte lhe causava. <strong>Ave Maria\u00a0da rua<\/strong>\u00a0e em\u00a0<strong>Os n\u00fameros<\/strong>, o disco inrompe em beleza e alegria. Ainda temos a faixa\u00a0 <strong>Eu tamb\u00e9m vou reclamar<\/strong> em que Raul lan\u00e7a toda sua sagacidade para falar do seu \u00e1lcoolismo, dos novos musicos da MPB a de toda a sociedade daquele per\u00edodo. Na minha modesta opini\u00e3o, apesar do peso tr\u00e1gico \u00e9 a sua obra mais contundente.<\/p>\n<ul>\n<li><strong><span style=\"color: #ff00ff\">ROCK SEIXAS<\/span><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>Em 1977, Raul lan\u00e7a esse disco com os cl\u00e1ssicos do rock. Inspirado no disco Rock&#8217;n&#8217;Roll de 1975 gravado por Jonh Lennon. Raul inclusive regrava algumas faixas do disco de Lennon. Era um desejo antigo dele apresentar para o grande p\u00fablico um pouco de suas refer\u00eancias musicais, apresentar aos seus f\u00e3s as origens do Rock Raul Seixas. O mundo da m\u00fasica nesse ano mergulhava na onda punk e Raul levantou a bandeira do seu &#8220;Rock\u00e3o Antigo&#8221;. O disco tem grava\u00e7\u00e3o que remete ao rock de garaguem. As faixas s\u00e3o assinadas por astros como: Neil Sekada, Chuck Berry, Paul Anka, Gene Vincent e Little Richard, al\u00e9 da compila\u00e7\u00e3o entre Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira dentro da m\u00fasica <strong>Blue Moon of Kentucky<\/strong>&#8220;. Esse disco \u00e9 basicamente a prova material do que Raul dizia na musica <strong>Rock&#8217;n&#8217;Roll<\/strong> de autoria dele e de Marcelo Nova: <em>Pois a muito percebi que Genival Lacerda tem a ver com Elvis e com Jerry Lee<\/em>. S\u00f3 mesmo um astro da grandeza de Raul Seixas para ter essa sensibilidade e capacidade sonora.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-thumbnail wp-image-379\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/02\/raul-seixas-150x150.jpg\" alt=\"raul-seixas\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"color: #ff00ff\"><strong>LET ME SING MY ROCK\u2019N ROLL<\/strong><\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>Vou come\u00e7ar dizendo que \u00e9 sem d\u00favida um disco her\u00f3ico! Uma produ\u00e7\u00e3o independente alavancada por Sylvio Passos (presidente do f\u00e3n-clube Raul Rock Club). Em 1985 aconteceria um Rock&#8217;in&#8217;Rio e sem Raul Seixas (um absurdo hist\u00f3rico!). O disco tem ares de document\u00e1rio, come\u00e7ando com um depoimento de Raul em 1979 entrando em seguida por uma viagem pelo t\u00fanel do Rock. A m\u00fasica <strong>Let Me Sing, Let Me Sing<\/strong> de 1972 vem seguida por <strong>Teddy Boy, rock e brilhantina<\/strong> e\u00a0<strong>Eterno carnaval<\/strong>. As parcerias com Paulo Coelho tamb\u00e9m fazem parte do set list, <strong>Caro\u00e7o de manga<\/strong>, <strong>Loteria da Babil\u00f4nia<\/strong> (ao vivo), <strong>N\u00e3o pare na pista <\/strong>(vers\u00e3o furiosa!) e\u00a0 <strong>Como vov\u00f3 j\u00e1 dizia<\/strong>. Al\u00e9m das compiladas, <strong>Rua Augusta<\/strong> e <strong>O bom<\/strong>,\u00a0<strong>Blue Moon of Kentuck<\/strong> e <strong>Asa Branca<\/strong>. Vale ressaltar que nessa \u00e9poca Raul estava voltando de um ex\u00edlio em salvador e passava por problemas com o \u00e1lcoolismo.\u00a0Trata-se de um\u00a0disco que tr\u00e1s o bom e velho Raulzito em suas bases rockeiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gravadora Universal acaba de colocar no mercado a caixa 10.000 anos \u00e0 frente, com seis discos da melhor safra do baiano Raul Seixas. 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