{"id":3788,"date":"2011-03-26T13:42:08","date_gmt":"2011-03-26T16:42:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=3788"},"modified":"2011-03-26T13:42:08","modified_gmt":"2011-03-26T16:42:08","slug":"comparsas-da-vivenda-boas-cancoes-aprendendo-a-andar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2011\/03\/26\/comparsas-da-vivenda-boas-cancoes-aprendendo-a-andar\/","title":{"rendered":"Comparsas da Vivenda: boas can\u00e7\u00f5es aprendendo a andar"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #888888\">Por Dalwton Moura (Jornalista, cr\u00edtico musical e compositor)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #888888\">Foto de Fernanda Siebra<\/span><\/strong><\/p>\n<p><a rel=\"attachment wp-att-3789\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/comparsas-da-vivenda-boas-cancoes-aprendendo-a-andar\/dsc_0087\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-3789\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2011\/03\/DSC_0087-550x365.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"347\" \/><\/a>Uma oportunidade de contato com novos compositores, instrumentistas e int\u00e9rpretes atuantes em Fortaleza, em uma apresenta\u00e7\u00e3o equilibrada entre esmero e descontra\u00e7\u00e3o, ensaio e improviso, ineditismo e comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Assim foi o show <strong><span style=\"color: #ff0000\">Can\u00e7\u00e3o que Aprendeu a Andar<\/span><\/strong>, do coletivo musical <strong><span style=\"color: #0000ff\">Comparsas da Vivenda<\/span><\/strong>, apresentado na noite de quinta-feira, 24\/3, para um Teatro Sesc Emiliano Queiroz com casa cheia \u2013 e muita gente cantando junto parte das m\u00fasicas. Todas in\u00e9ditas em disco, mas muitas tornadas familiares atrav\u00e9s de blogs e redes sociais. Al\u00e9m das rodas de viol\u00e3o semanais, nos saraus \u00e0s ter\u00e7as-feiras em espa\u00e7o informal e m\u00faltiplo, entre as mesas de bar, o piso de brita e os casti\u00e7ais da Toca do Pl\u00e1cido.<\/p>\n<p>Essa liga\u00e7\u00e3o entre palco e plateia, artistas e espectadores, deixa entrever pistas significativas para a compreens\u00e3o do show apresentado pelos Comparsas \u2013 um exemplo fiel do \u201cmodo de produ\u00e7\u00e3o\u201d do grupo, em suas limita\u00e7\u00f5es e em seus muitos pontos dignos de destaque. Como os pr\u00f3prios sete m\u00fasicos dispostos no palco fazem quest\u00e3o de ressaltar, a apresenta\u00e7\u00e3o re\u00fane can\u00e7\u00f5es compostas a muitas m\u00e3os, no \u00faltimo par de anos, pelos membros do coletivo, que se caracteriza como tal principalmente pela altern\u00e2ncia de papeis e pela intera\u00e7\u00e3o complementar entre seus integrantes.<\/p>\n<p>As parcerias s\u00e3o v\u00e1rias e diversas, embora, entre bai\u00e3o, xote, rock e can\u00e7\u00e3o, se possa divisar claramente um fio condutor urdido entre cores urbanas e influ\u00eancias blueseiras. Os artistas tamb\u00e9m mudam constantemente de instrumento, ao sabor do que pede cada m\u00fasica. \u201cMetade do show \u00e9 troca de instrumento\u201d, brincou Jairo Ponte, trompetista, flautista, gaitista, percussionista e, ufa, pai do pequeno Bento, que inspirou uma das can\u00e7\u00f5es mais tocantes da noite, composta por Caio Castelo e Tom Drummond. Com direito, no show, a uma contextualiza\u00e7\u00e3o do momento de celebra\u00e7\u00e3o, entre fam\u00edlia e amigos, em que se deu \u00e0 luz a m\u00fasica.<\/p>\n<p>Se a falta de papeis fixos aponta mais a versatilidade do que qualquer pretens\u00e3o de virtuosismo do grupo, este n\u00e3o deixa de contar com destaques instrumentais, como o baixista Carlos Hardy, tamb\u00e9m eventualmente assumindo a guitarra e o piano. E essa multiplicidade casa bem com a varia\u00e7\u00e3o de atmosfera e est\u00e9tica das can\u00e7\u00f5es, conforme se desenrola o repert\u00f3rio que guarda, apesar do ineditismo, boas cartas na manga para estabelecer empatia com o p\u00fablico, via melodias e refr\u00f5es. \u00c9 o caso, por exemplo, de <strong><em>Por\u00e9m<\/em><\/strong>, de Caio Castelo, cantada em duo com Lorena Nunes, int\u00e9rprete t\u00e3o aplaudida quanto Richell Martins, voz do bai\u00e3o <strong><em>Arranho<\/em><\/strong>, de tons nordestinos e fortes sugest\u00f5es nas imagens. \u201cA fome, a sede, um s\u00f3. O cio, o ardor sem voz, na hora da afli\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\n<strong><em><\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Te pego na volta<\/em><\/strong>, de Caio e Lorena, na voz dela, \u00e9 outro \u201chit\u201d das rodas de viol\u00e3o que funciona de imediato no palco (como caberia perfeitamente no r\u00e1dio comercial), escandida entre bateria e contrabaixo servindo de cama para a voz rascante da int\u00e9rprete no territ\u00f3rio em que se mostra mais \u00e0 vontade. Como em <strong><em>Sal<\/em><\/strong>, de Caio e Samuel Goes, antecedida por uma m\u00e3o um tanto quanto carregada de prosa, entre reflex\u00f5es sobre o sal \u201cdas l\u00e1grimas, do suor, da vida\u201d. N\u00e3o por acaso, a lista de momentos de maior di\u00e1logo com o p\u00fablico se completa com mais um blues de nuances sensuais:\u00a0 <strong><em>J\u00e1 que voc\u00ea vai viajar<\/em><\/strong>, de Caio e Alan Mendon\u00e7a, ecoando e sistematizando desde cedo signos caracter\u00edsticos da po\u00e9tica do grupo: \u201cUm blues de amor e sal com o sabor da minha pele\u201d.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 mais cores no caleidosc\u00f3pio dos Comparsas, personificados como tal em figurino a rigor, contrastando com a juventude do grupo. A simplicidade bem-humorada de <strong><em>Xote holand\u00eas<\/em><\/strong> (Caio Castelo\/Samuel G\u00f3es) abriria espa\u00e7o para mais possibilidades de interpreta\u00e7\u00e3o. A rica express\u00e3o teatral de Lorena Nunes na tamb\u00e9m descontra\u00edda <strong><em>Ai de mim<\/em><\/strong> (Tom Drummond) \u00e9 outra que pode evoluir em arranjo.<\/p>\n<p>E se a l\u00edrica <strong><em>Enfim n\u00f3s<\/em><\/strong>, de Caio, cantada por ele ao piano, remete de modo mais direto \u00e0 sonoridade de grupos que marcaram a d\u00e9cada de 2000 no cen\u00e1rio nacional, <strong><em>Guia de turismo<\/em><\/strong>, de Jo\u00e3o Paulo, se apropria de elementos da tradi\u00e7\u00e3o \u00e0 publicidade para formar um painel, ir\u00f4nico em m\u00fasica e letra, a soar como um inverso e sincero hino \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es da Terra da Luz. J\u00e1 a aportuguesada <strong><em>Margem<\/em><\/strong> (Caio\/Jo\u00e3o Paulo Peixoto) foi uma das melhores da noite, em perfeito casamento entre achados po\u00e9ticos, solu\u00e7\u00f5es mel\u00f3dicas e r\u00edtmicas (com a percuss\u00e3o de Amanda Nogueira e Allan Diniz) e a voz de Richell: \u201cColhi do ch\u00e3o estrelado desenhos de \u00e1gua febril, a onda sa\u00eda da pedra e voltava pra dentro do rio \/ Molhei as minhas feridas \/ Quem ensinou a \u00e1gua a nadar sabia os caminhos da vida, sabia os atalhos pro mar\u201d.<\/p>\n<p>O show mostra que, a seu tempo e modo, os Comparsas come\u00e7am a transpor as fronteiras da Vivenda para buscar mais repercuss\u00e3o. E o fazem no mesmo compasso de descontra\u00e7\u00e3o e espontaneidade de um grupo de amigos a compartilhar com clara sinceridade a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o musical. Melhor para o p\u00fablico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dalwton Moura (Jornalista, cr\u00edtico musical e compositor) Foto de Fernanda Siebra Uma oportunidade de contato com novos compositores, instrumentistas e int\u00e9rpretes atuantes em Fortaleza,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,134,293,296,1,361],"tags":[],"class_list":["post-3788","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-criticas","category-eventos","category-no-ceara","category-noticias","category-sem-categoria","category-shows"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3788\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}