{"id":4137,"date":"2011-04-20T13:40:33","date_gmt":"2011-04-20T16:40:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=4137"},"modified":"2011-04-20T13:40:33","modified_gmt":"2011-04-20T16:40:33","slug":"o-contra-ataque-mineiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2011\/04\/20\/o-contra-ataque-mineiro\/","title":{"rendered":"O som das Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p><a rel=\"attachment wp-att-4141\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/o-contra-ataque-mineiro\/toninho-e-beto-cq\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4141\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2011\/04\/Toninho-e-Beto-cq.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"228\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/04\/Toninho-e-Beto-cq.jpg 320w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/04\/Toninho-e-Beto-cq-300x214.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/04\/Toninho-e-Beto-cq-120x86.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a>Em 1972, chegava \u00e0s lojas o disco <strong>Clube da Esquina<\/strong>, creditado a Milton Nascimento e L\u00f4 Borges. Com cara de manifesto, o disco revelava o som que vinha das Minas Gerais e trouxe na ficha t\u00e9cnica uma s\u00e9rie de nomes que viriam a se tornar grandes no decorrer do tempo. Entre esses nomes estavam os de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Beto Guedes<\/strong> <\/span>e <strong><span style=\"color: #808000\">Toninho Horta<\/span><\/strong>, que recentemente colocaram novos t\u00edtulos nas lojas. Beto volta, cinco anos depois do revisionista <strong>50 Anos Ao Vivo<\/strong>, com <strong><span style=\"color: #0000ff\">Outros Cl\u00e1ssicos<\/span><\/strong>, onde reapresenta (ao vivo, mais uma vez) uma s\u00e9rie de\u00a0can\u00e7\u00f5es obscuras\u00a0de sua carreira. J\u00e1 Toninho faz uma ode \u00e0 paz e ao amor, ao lado de muitos convidados em <strong><span style=\"color: #800080\">Harmonia &amp; Vozes<\/span><\/strong>. Com resultados diferentes, ambos mostram que, mesmo passados quase 30 anos, n\u00e3o d\u00e1 pra se separar da sonoridade daquele disco que os revelou.<\/p>\n<p><strong>Cl\u00e1ssicos escondidos<\/strong><\/p>\n<p><a rel=\"attachment wp-att-4140\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/o-contra-ataque-mineiro\/0001123592_500\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-4140\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2011\/04\/0001123592_500.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"280\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/04\/0001123592_500.jpg 500w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/04\/0001123592_500-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/04\/0001123592_500-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/04\/0001123592_500-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><\/a>N\u00e3o \u00e9 segredo pra ningu\u00e9m a import\u00e2ncia de um certo quarteto de Liverpool na m\u00fasica que se fez em Minas naqueles anos 70. Quem decidiu tocar guitarra embalado por John e Paul, acabou ganhando um acento pop em suas cordas. Esse foi o caso de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Beto Guedes<\/strong> <\/span>e isso fica bem claro ao longo das 17 faixas de <strong><span style=\"color: #0000ff\">Outros Cl\u00e1ssicos<\/span><\/strong> (Biscoito Fino). Gravado ao vivo no Pal\u00e1cio das Artes de Belo Horizonte (MG), o disco deixa de lado <strong><em>Sol da Primavera<\/em><\/strong>, <strong><em>O sal da terra<\/em><\/strong> e <strong><em>Feira moderna<\/em><\/strong> e centra fogo na por\u00e7\u00e3o menos conhecida da obra do mineiro, com escolha feita pelo p\u00fablico via internet. De mais conhecido, a abertura com\u00a0<strong><em>O medo de amar \u00e9 o medo de ser livre<\/em><\/strong>, j\u00e1 gravada por Elis Regina\u00a0em 1980,\u00a0<strong><em>A p\u00e1gina do rel\u00e2mpago el\u00e9trico<\/em><\/strong> (que chegou a ganhar vers\u00e3o do RPM, em 1989)\u00a0e <strong><em>Luz e Mist\u00e9rio<\/em><\/strong>. Esta \u00faltima, talvez a mais conhecida do repert\u00f3rio, ganha a voz de <span style=\"color: #008080\"><strong>Daniela Mercury<\/strong> <\/span>que, por dificuldade de descer do trio, acaba derrapando na interpreta\u00e7\u00e3o. A baiana se sai melhor na sequencia com <strong><em>Meu ninho<\/em><\/strong>, um acalanto emocionado com o piano luxuoso de Wagner Tiso e o acordeom do mineiro C\u00e9lio Balona. Conhecido pela timidez doentia que o levava a cantar de costas para a plateia, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Beto Guedes<\/strong> <\/span>acabou ganhando um tremido caracter\u00edstico em sua voz metalizada.\u00a0Se, nos anos 80, fazia uso da voz duplicada para dar mais robustez ao seu registro, aqui ele prefere um coral que faz lembrar o grande Boca Livre. Assim, destaca-se a po\u00e9tica <strong><em>S\u00f3 primavera<\/em><\/strong> e o roquinho <strong><em>Veveco, panelas e canelas<\/em><\/strong>, que ganhou uma cita\u00e7\u00e3o de <em>O que foi feito de vera<\/em>.<\/p>\n<p><strong>With a little help from my friends<\/strong><\/p>\n<p><a rel=\"attachment wp-att-4139\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/o-contra-ataque-mineiro\/26_harmonia_e_vozes\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-4139\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2011\/04\/26_Harmonia_e_Vozes.jpg\" alt=\"\" width=\"327\" height=\"327\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/04\/26_Harmonia_e_Vozes.jpg 467w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/04\/26_Harmonia_e_Vozes-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/04\/26_Harmonia_e_Vozes-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/04\/26_Harmonia_e_Vozes-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 327px) 100vw, 327px\" \/><\/a>Dono de uma virtuose discreta, <strong>Toninho Horta<\/strong> \u00e9 dono de uma obra que merece ser ouvida com muito respeito.\u00a0O guitarrista\u00a0j\u00e1 acompanhou artistas que comp\u00f5em a nata da MPB e j\u00e1 assinou discos que ganharam p\u00fablico no exterior. N\u00e3o por acaso, j\u00e1 foi apontado como um dos dez maiores guitarristas do mundo e \u00e9 considerado um mestre pelas gera\u00e7\u00f5es que o sucederam. Apesar de toda a pompa que o cerca, em<strong><span style=\"color: #800080\"> Harmonia &amp; Vozes<\/span><\/strong>, seu novo disco disco, lan\u00e7ado pelo selo pr\u00f3prio <strong><span style=\"color: #808080\">Terra dos P\u00e1ssaros<\/span><\/strong>, ele se cerca de um grande time de m\u00fasicos para celebrar coisas simples e \u00e0s vezes esquecidas como a fam\u00edlia e a paz. Se isso pode parecer piegas para muitos, ele prefere fazer isso sem medo. Se as primeiras notas de <strong><em>O amor \u00e9 pra se amar<\/em><\/strong> parecem comprometer o que vem pela frente, vale a pena seguir ouvindo. O primeiro a entrar \u00e9 o o pernambucano <strong><span style=\"color: #ff6600\">D&#8217;Black<\/span><\/strong> com a pouco inspirada <strong><em>Luz que vem do c\u00e9u<\/em><\/strong>. A seguinte, <strong><em>Voc\u00ea me trouxe o sol<\/em><\/strong>, parece uma continua\u00e7\u00e3o da anterior e, ao lado de <strong><span style=\"color: #808000\">Ivan Lins<\/span><\/strong>, ele dedica os versos &#8220;Voc\u00ea me trouxe o sorriso, o olhar t\u00e3o verdadeiro&#8221; a <strong><span style=\"color: #00ff00\">Ivete Sangalo<\/span><\/strong>. A baiana aparece mais na frente num bom registro de <strong><em>Diana<\/em><\/strong>, sucesso do Boca Livre. Antes, <strong><span style=\"color: #008000\">Djavan<\/span><\/strong> canta <strong><em>Canto da Fada<\/em><\/strong>, em homenagem a Lu\u00edsa, filha de Toninho. <strong><em>Manuel, o audaz<\/em><\/strong>, um dos cl\u00e1ssicos da curta obra autoral do guitarrista, agora em homenagem ao filho que d\u00e1 nome \u00e0 m\u00fasica, ganha a voz e o viol\u00e3o de <span style=\"color: #333300\"><strong>Frejat<\/strong><span style=\"color: #000000\"> (que, quando come\u00e7a, parece o Belchior)<\/span><\/span>. N\u00e3o pense que a longa lista de cantores afasta Toninho do microfone. Pelo contr\u00e1rio. Com voz pequena, o anfitri\u00e3o imprime sinceridade nos duetos, se permitindo at\u00e9 alguns rasgos de coragem, como quando divide a bela <strong><em>Meu nome \u00e9 que diz<\/em><\/strong> com o velho parceiro <strong><span style=\"color: #3366ff\">Beto Guedes<\/span><\/strong>. Dois dos melhores momentos do disco v\u00eam colados. Trata-se do sambinha <strong><em>Agora amor, \u00e9 com voc\u00ea<\/em><\/strong> e do mezzo-rock <strong><em>Serenade<\/em><\/strong>. Na primeira, Toninho\u00a0assume a guitarra e traz o piano tipo exporta\u00e7\u00e3o do mestre <span style=\"color: #333399\"><strong>S\u00e9rgio Mendes<\/strong> <\/span>pra deixar a voz malandra do <span style=\"color: #993300\"><strong>Seu Jorge<\/strong> <\/span>brincar sozinha. A seguinte traz <span style=\"color: #993366\"><strong>Erasmo Carlos<\/strong> <\/span>que, em \u00f3tima fase, faz um registro digno dos seus melhores momentos dos anos 80. Ao fim das 16 faixas de<strong><span style=\"color: #800080\"> Harmonia &amp; Vozes<\/span><\/strong>, que ainda traz duas homenagens aos pais de Toninho Horta, fica mesmo a sensa\u00e7\u00e3o de que \u00e9 preciso se falar mais em paz e amor, sem medo de parecer piegas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1972, chegava \u00e0s lojas o disco Clube da Esquina, creditado a Milton Nascimento e L\u00f4 Borges. 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