{"id":5549,"date":"2011-08-30T10:05:09","date_gmt":"2011-08-30T13:05:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=5549"},"modified":"2011-08-30T10:05:09","modified_gmt":"2011-08-30T13:05:09","slug":"em-nome-da-fuleragem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2011\/08\/30\/em-nome-da-fuleragem\/","title":{"rendered":"Em nome da fuleragem"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/em-nome-da-fuleragem\/101020-felipe-cordeiro-kitshpopcult-0069\/\" rel=\"attachment wp-att-5556\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-large wp-image-5556\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2011\/08\/101020-felipe-cordeiro-kitshpopcult-0069-550x825.jpg\" alt=\"\" width=\"419\" height=\"629\" \/><\/a>Quando Chico C\u00e9sar chamou de \u201cforr\u00f3 de pl\u00e1stico\u201d as bandas que adaptaram o g\u00eanero de Luiz Gonzaga ao gosto extremamente popular, uma pol\u00eamica se instaurou entre os m\u00fasicos. De um lado, os \u201cintelectualizados\u201d defensores da pureza e tradi\u00e7\u00e3o do estilo mais nordestino. Do outro aqueles que tacharam a express\u00e3o de preconceituosa e limitada. A luta entre o que \u00e9 o bom gosto e o mau gosto sempre encontra adeptos, da academia \u00e0 mesa de bar. E, quase sempre, a chamada \u201ccultura de massa\u201d perde por falta de quem a defenda.<\/p>\n<p>Pois \u00e9 neste v\u00e1cuo, que, como um Chapolin Colorado, entra <strong><span style=\"color: #ff0000\">Felipe Cordeiro<\/span><\/strong>. O paraense de 27 anos vem sendo apontado como um dos renovadores da nova m\u00fasica brasileira. Convidado de hoje na <strong>Feira da M\u00fasica<\/strong>, em Fortaleza, ele vai apresentar o disco <strong><span style=\"color: #000080\">Kitsch Pop Cult<\/span><\/strong>, um tratado em defesa da lambada, do tecnobrega e, porque n\u00e3o, ao \u201cforr\u00f3 de pl\u00e1stico\u201d. \u201cDe um lado, tenho o Al\u00edpio Martins com toda a fuleragem popularesca, que at\u00e9 soa apelativa. Mas ele sintetiza muito do artista que quer ser pop. Do outro, tenho o Arrigo Barnab\u00e9, com a poesia concreta, m\u00fasica dodecaf\u00f4nica, querendo fazer pop atravessado pela fuleragem Cult. Eu quero fazer esse elo\u201d, explica Felipe, por telefone.<\/p>\n<p>Filho de Manoel Cordeiro, produtor de boa parte dos astros da lambada, <span style=\"color: #003300\"><strong>Felipe Cordeiro<\/strong> <\/span>cresceu cercado de m\u00fasicos e, desde sempre, frequentou shows, palcos, backstages e camarins acompanhando o pai. \u00c9 a\u00ed que come\u00e7a a girar o seu caleidosc\u00f3pio sonoro. Ainda pequeno, queria ter uma roupa igual \u00e0 do <strong><span style=\"color: #800080\">Michael Jackson<\/span><\/strong>. Depois se impressionou quando o pai lhe mostrou o cl\u00e1ssico <strong>Constru\u00e7\u00e3o<\/strong>, de Chico Buarque. Aos 11, entrou na Escola de M\u00fasica da Universidade Federal do Par\u00e1 para estudar piano, teoria musical e bandolim. Ainda adolescente, descobriu <span style=\"color: #339966\"><strong>Raul Seixas<\/strong><\/span> e os c\u00e2nones da filosofia, curso que veio a escolher para sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica (j\u00e1 conclu\u00edda). Em paralelo, participou de diversos festivais apresentando composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, sempre com os dois p\u00e9s fincados nas areias da MPB. Esse repert\u00f3rio deu origem a <strong>Banquete<\/strong> (2009), seu primeiro disco.<\/p>\n<p>Embora goste desse primeiro disco, logo <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Felipe Cordeiro<\/strong> <\/span>percebeu que deveria ter um outro \u201cprimeiro disco\u201d. Interessado na antropofagia cultural da Tropic\u00e1lia e influenciado por seus estudos filos\u00f3ficos, ele mergulhou na cultura mais popular brasileira, principalmente paraense, e come\u00e7ou a moldar o repert\u00f3rio que daria origem a <strong><span style=\"color: #0000ff\">Kitsch Pop Cult<\/span><\/strong>. \u201cNa minha casa, n\u00e3o existia essa separa\u00e7\u00e3o de gosto. Quando fui crescendo, fui percebendo que n\u00e3o existia essa diferen\u00e7a entre o bom gosto e o mau gosto e o disco \u00e9 uma esp\u00e9cie de reden\u00e7\u00e3o disso\u201d, conta o m\u00fasico. \u201cEu via meu pai produzir lambada para a ind\u00fastria, mas com muito bom gosto, cuidado e vontade de estar fazendo arte. O meu disco \u00e9 uma forma emocional de resgatar isso\u201d.<\/p>\n<p>Mas longe de usar seu trabalho somente como uma homenagem ao pai. Felipe defende com muitos argumentos a necessidade se derrubar fronteiras entre estilos musicais. \u201cHoje existe uma influ\u00eancia do mundo popular sobre bandas como <strong>Cidad\u00e3o Instigado<\/strong> (CE) e <strong>Do Amor<\/strong> (RJ). Antes, de um lado voc\u00ea tinha a arte e do outro o mercado. Era ing\u00eanuo, mas \u00e9 como se via o entretenimento. O panorama hoje tem a liberdade de beber e se influenciar. E a m\u00fasica pra festa n\u00e3o \u00e9 uma m\u00fasica ruim. A m\u00fasica dan\u00e7ante \u00e9 uma coisa do brasileiro\u201d.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=QYMqTC82XZE[\/youtube]\n<p>Trilhando o duro caminho do trabalho independente, o disco <strong><span style=\"color: #0000ff\">Kitsch Pop Cult<\/span><\/strong> teve dois refor\u00e7os providenciais. O primeiro foi o patroc\u00ednio do projeto Conex\u00e3o Vivo e o segundo foi a produ\u00e7\u00e3o de <strong><span style=\"color: #993300\">Andr\u00e9 Abujanra<\/span><\/strong>, sugest\u00e3o do amigo Patrick Torquato. Para o palco, ele deixa a vergonha de lado e cria um personagem de si mesmo, com roupas coloridas e um bigode de padeiro portugu\u00eas. \u201cEu at\u00e9 queria preparar um figurino especial pra Feira, mas n\u00e3o deu\u201d, lamenta. O que n\u00e3o poderia era fazer show sem figurino, uma vez que sua apresenta\u00e7\u00e3o passa por um filtro de algu\u00e9m que j\u00e1 estudou teatro. \u201cMinha duas backing vocals s\u00e3o atrizes e eu me aque\u00e7o pro show como um ator. E n\u00e3o me apresento sem um figurino. Meu pai fica puto por que ele vem de uma \u00e9poca onde isso n\u00e3o existe\u201d, ri.<\/p>\n<p>Apontado neste segundo primeiro trabalho como \u201co novo Chico Science\u201d, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Felipe Cordeiro<\/strong> <\/span>n\u00e3o vem se preocupando com planos a longo prazo. Prefere focar no que vem conseguindo. \u201cVivemos um momento muito interessante e acho que o disco vai ter uma boa repercuss\u00e3o. Quero continuar compondo e pensando a m\u00fasica brasileira. Me vejo como compositor compondo e gravando muitos discos. N\u00e3o sei que tipo de m\u00fasica vou estar fazendo daqui a alguns anos. Mas quero colocar novos olhares sobre a m\u00fasica brasileira. Me afirmar desse jeito, o cara que se prop\u00f5e a ser ativo, que prop\u00f5e novos rumos\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando Chico C\u00e9sar chamou de \u201cforr\u00f3 de pl\u00e1stico\u201d as bandas que adaptaram o g\u00eanero de Luiz Gonzaga ao gosto extremamente popular, uma pol\u00eamica se instaurou&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,91,126,129,141,274,283,1],"tags":[],"class_list":["post-5549","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-albuns","category-curiosidades","category-em-fortaleza","category-entrevistas","category-felipe-cordeiro","category-mpb","category-nacional","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5549","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5549"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5549\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}