{"id":6113,"date":"2011-10-25T11:00:27","date_gmt":"2011-10-25T14:00:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=6113"},"modified":"2020-01-24T12:52:25","modified_gmt":"2020-01-24T15:52:25","slug":"o-fim-dos-anos-70-e-a-maldicao-dos-sintetizadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2011\/10\/25\/o-fim-dos-anos-70-e-a-maldicao-dos-sintetizadores\/","title":{"rendered":"O fim dos anos 70 e a maldi\u00e7\u00e3o dos sintetizadores"},"content":{"rendered":"<p>Quem viveu os anos 80 acompanhando bem a produ\u00e7\u00e3o musical lembra bem da onipresen\u00e7a de um instrumento em particular: o sintetizador. Esse pol\u00eamico rapaz encontrou a reden\u00e7\u00e3o nos roqueiros progressivos, que exploraram ao m\u00e1ximo as possibilidades do coitado para camas e climas sonoros. O problema \u00e9 que com o tempo ele passou a ser presen\u00e7a constante do samba ao rock, dando uma unificada em tudo que se ouvia. Pra piorar, eram os tecladistas que faziam os sons de bateria, ou dos metais, ou, pior, de uma orquestra inteira. E tome m\u00fasico bom desempregado. S\u00f3 pra citar um exemplo, sabem por que o primeiro disco do RPM s\u00f3 traz tr\u00eas m\u00fasicos na capa? Porque a bateria era feita num teclado. Enfim&#8230;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5630\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/08\/Vanusa30anos-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/08\/Vanusa30anos-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/08\/Vanusa30anos-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/08\/Vanusa30anos-768x767.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/08\/Vanusa30anos-740x739.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/08\/Vanusa30anos-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/08\/Vanusa30anos.jpg 796w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Nem a MPB escapou dessa praga, como fica comprovado numa s\u00e9rie de relan\u00e7amentos recentes da \u00e9poca. Por exemplo, <strong><span style=\"color: #339966\">Vanusa<\/span><\/strong> ao completar seus 30 anos de carreira fonogr\u00e1fica resolveu dar uma repaginada no pr\u00f3prio som e soar mais moderna. Seguindo a ordem vigente, <span style=\"color: #800080\"><strong>Vanusa 30 anos<\/strong> <\/span>j\u00e1 abre com o som de um sintetizador. O disco, reeditado pela <strong>Joia Moderna<\/strong>, traz um repert\u00f3rio irregular e aquele famoso som &#8221;anos 80&#8243;, apesar de ter sido lan\u00e7ado em 1977. O momento mais sintom\u00e1tico da crise dos sintetizadores est\u00e1 nas duas can\u00e7\u00f5es gospel que encerram o disco, <strong><em>Prece de Caritas<\/em><\/strong> e <strong><em>Maria Madalena<\/em><\/strong>. No entanto, h\u00e1 momentos que desculpam o instrumento como o bolero <strong><em>S\u00f3 n\u00f3s dois<\/em><\/strong> e na melanc\u00f3lica<strong><em> Problemas<\/em><\/strong>, composi\u00e7\u00e3o obscura de Raul Seixas\u00a0 e Mauro Motta. O mago dos teclados, Lincoln Olivetti, tamb\u00e9m marca presen\u00e7a na dire\u00e7\u00e3o do trabalho e na bonitinha <strong><em>Desencontro<\/em><\/strong> (parceria com Ronaldo Barcellos). O curioso \u00e9 saber que, para a \u00e9poca, <strong><span style=\"color: #800080\">Vanusa 30 anos<\/span><\/strong> era sim um disco de renova\u00e7\u00e3o. Isso fica comprovado na presen\u00e7a de in\u00e9ditas de Belchior (<strong><em>Brincando com a vida<\/em><\/strong>), Arnaud Rodrigues (<strong><em>A Aranha<\/em><\/strong>), Caetano Veloso (<strong><em>Duas manh\u00e3s<\/em><\/strong>) e na primeira grava\u00e7\u00e3o de <strong><em>Avohai<\/em><\/strong>, de Z\u00e9 Ramalho. S\u00f3 n\u00e3o entendi ainda\u00a0por que um disco lan\u00e7ado em janeiro trazia a natalina<strong><em> Boas festas <\/em><\/strong>(Assis Valente).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6138\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/10\/marilia-barbosa-filme-nacional-300x296.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"296\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/10\/marilia-barbosa-filme-nacional-300x296.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/10\/marilia-barbosa-filme-nacional-768x757.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/10\/marilia-barbosa-filme-nacional-740x730.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/10\/marilia-barbosa-filme-nacional-120x118.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/10\/marilia-barbosa-filme-nacional.jpg 1000w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Outro relan\u00e7amento recente tamb\u00e9m marcado pela tecladeira \u00e9 <strong><span style=\"color: #800000\">Filme Nacional<\/span><\/strong>, de uma esquecida <strong><span style=\"color: #003300\">Mar\u00edlia Barbosa<\/span><\/strong>. Cantora e atriz com atua\u00e7\u00e3o nas d\u00e9cadas de 70 e 80, ela tamb\u00e9m usou e abusou dos sintetizadores neste disco que parece mais coeso que o de <span style=\"color: #008000\"><strong>Vanusa<\/strong><\/span>, embora traga l\u00e1 suas derrapadas. Ele come\u00e7a bem com com um mezzo samba cheio de eletr\u00f4nicos chamado <strong><em>Manifesto<\/em><\/strong>. Segue com <strong><em>Minh&#8217;alma<\/em><\/strong>,\u00a0bolero cortante de Don Beto e Reina, dupla que iria ficar conhecida como defensores da black music brasileira. Mas logo na terceira faixa, <strong><em>Melodia inacabada<\/em><\/strong>, a breguice come\u00e7a a tomar conta. E olha que estamos falando de uma can\u00e7\u00e3o de Rita Lee. A m\u00fasica que d\u00e1 nome ao disco tamb\u00e9m \u00e9 um belo bolero, com direito a todos os maneirismos de bebum, e abre espa\u00e7o para <strong><em>Olha<\/em><\/strong>, de Roberto e Erasmo (outras duas v\u00edtimas dos sintetizadores). O sambinha <strong><em>Total abandono<\/em><\/strong> (Djavan) e cantiga de ninar <strong><em>Pour Pablito<\/em><\/strong> (Jo\u00e3o Mello\/ Dito) tamb\u00e9m tem tudo que a \u00e9poca pedia, mas deixam uma sensa\u00e7\u00e3o de quem nem tudo estava perdido.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-6140\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/10\/Maria-Creuza-1987-Pura-Magia-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/10\/Maria-Creuza-1987-Pura-Magia-300x300.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/10\/Maria-Creuza-1987-Pura-Magia-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/10\/Maria-Creuza-1987-Pura-Magia-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2011\/10\/Maria-Creuza-1987-Pura-Magia.jpg 640w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Nem mesmo <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Maria Creuza<\/strong> <\/span>escapou da pasteuriza\u00e7\u00e3o sonora dos teclados. Mas, que fique claro, teclado e ruindade n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. S\u00f3 s\u00e3o amigos bem pr\u00f3ximos que volta e meia se deixam levar um pelo outro. No caso da baiana que chegou a excursionar e gravar um cl\u00e1ssico da m\u00fasica brasileira ao lado de Toquinho e Vinicius de Moraes, os teclados foram respons\u00e1veis por igualar seu canto sofisticado \u00e0 mesmice que muitas outras cantoras faziam. Completando 40 anos de carreira em 2011, dois discos seus dos anos 80 est\u00e3o de volta \u00e0s lojas pelo selo Discobertas. Em <span style=\"color: #993366\"><strong>Pura Magia<\/strong> <\/span>(1987), a t\u00f4nica \u00e9 do samba. A abertura com <strong><em>If\u00e1, Um canto pra subir<\/em><\/strong> (Vev\u00e9 Calasans\/ Walter Queiroz) \u00e9 bonitinha e tem clima ax\u00e9 music, enquanto o samb\u00e3o joia <strong><em>Pura Magia<\/em><\/strong> (Roberto Mendes\/ Jorge Portugal\/ Jorge Arag\u00e3o) \u00e9 oitentismo puro.\u00a0A coisa \u00e9 t\u00e3o s\u00e9ria que um dos convidados do disco \u00e9 o obsceno <strong><span style=\"color: #ff6600\">Wando<\/span><\/strong>. Pra contrabalan\u00e7ar, <strong><span style=\"color: #fa0449\">Sivuca<\/span><\/strong> comparece em <strong><em>Luz<\/em><\/strong> (Toni\/ Gloria Gadelha) numa rara participa\u00e7\u00e3o como cantor. <strong><em>Delicado perfume<\/em><\/strong> \u00e9 uma balada lenta que fecha bem o disco, com um raro suspiro de sofistica\u00e7\u00e3o. No entanto, em <span style=\"color: #003300\"><strong>Paix\u00e3o Acesa<\/strong> <\/span>(1985), tamb\u00e9m de <strong><span style=\"color: #0000ff\">Maria Creuza<\/span><\/strong>, \u00e9 mais tecladista ainda. Costurando can\u00e7\u00f5es de Nei Lopes, Rosa Passos, Ivone Lara e Carlos Colla, o disco tem como ponto alto a balada triste <strong><em>Sess\u00f5es de cinema<\/em><\/strong> (Fernando Gama\/ Arthur Laranjeira). Com apenas dois anos de diferen\u00e7a, <strong><span style=\"color: #003300\">Paix\u00e3o Acesa<\/span><\/strong> e <span style=\"color: #993366\"><strong>Pura Magia<\/strong> <\/span>se parecem em tudo, desde os compositores at\u00e9 a sonoridade. Claro, quem viveu bem aqueles fins de anos 70 e a chegada dos 80, vais ter mais chance de gostar e at\u00e9 sentir uma pontinha de nostalgia. J\u00e1 os mais novos, devem estranhar bastante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem viveu os anos 80 acompanhando bem a produ\u00e7\u00e3o musical lembra bem da onipresen\u00e7a de um instrumento em particular: o sintetizador. 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