{"id":728,"date":"2010-05-18T13:44:14","date_gmt":"2010-05-18T16:44:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=728"},"modified":"2010-05-18T13:44:14","modified_gmt":"2010-05-18T16:44:14","slug":"cantando-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2010\/05\/18\/cantando-historias\/","title":{"rendered":"Cantando hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><a rel=\"attachment wp-att-729\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/cantando-historias\/capa_pcp08\/\"><\/a><a rel=\"attachment wp-att-729\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/cantando-historias\/capa_pcp08\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-729\" title=\"Capa_PCP08\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/05\/Capa_PCP08-300x438.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"438\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/05\/Capa_PCP08-300x438.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/05\/Capa_PCP08-768x1122.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/05\/Capa_PCP08-740x1081.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/05\/Capa_PCP08-120x175.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2010\/05\/Capa_PCP08.jpg 1229w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um certo dia, aos 14 anos, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Paulo C\u00e9sar Pinheiro <\/strong><\/span>se viu dividido entre o insistente convite dos amigos para o jogo de bila e a folha de papel a sua frente onde come\u00e7ava a rabiscar uns versos para uma melodia que o amigo Jo\u00e3o de Aquino, havia gravado numa fita. A solu\u00e7\u00e3o foi terminar rapidamente o que estava escrevendo e correr para o meio da rua. Passada a brincadeira, voltou ao papel e viu ali a letra de <em><strong>Viagem<\/strong><\/em>. Apesar da pouca idade dos compositores, a valsa logo foi descoberta por <span style=\"color: #ffcc00\"><strong>Baden Powell<\/strong><\/span> e <span style=\"color: #339966\"><strong>Marisa Gata Mansa<\/strong><\/span>.<\/p>\n<p>Mas o que o fazia, nessa idade, trocar a molecagem com os amigos pela letra de uma valsa? \u201cIsso \u00e9 inexplic\u00e1vel\u201d, divaga Paulo C\u00e9sar numa bem humorada conversa por telefone. \u201cN\u00e3o sabia o que era e me deixava levar. Nem brigava contra. Nem a for\u00e7a da brincadeira me tirava daquilo\u201d. Hoje, com 61 anos, ele s\u00f3 v\u00ea uma explica\u00e7\u00e3o para o que lhe acontecia na inf\u00e2ncia: a for\u00e7a da natureza. Mas, ali foi s\u00f3 o in\u00edcio de uma longa vida dedicada \u00e0 m\u00fasica brasileira que ele come\u00e7a a narrar em <em><strong><span style=\"color: #ff6600\">Hist\u00f3rias as minhas can\u00e7\u00f5es<\/span><\/strong><\/em>, lan\u00e7ado pela Editora Leya. O livro, com passagens autobiogr\u00e1ficas, re\u00fane hist\u00f3rias envolvendo 65 composi\u00e7\u00f5es suas ao lado de seus diversos parceiros.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, quando o assunto \u00e9 parceria, ele sabe tudo. Sua primeira noite de boemia, ainda aos 14 anos, foi ao lado de Baden Powell e terminou na manh\u00e3 seguinte, emendando com o col\u00e9gio. Dois anos depois, o violonista desafiou: \u201cTa na hora de a gente fazer alguma coisa junto\u201d. Mostrou-lhe uma melodia com um refr\u00e3o falando de um capoeirista chamado Besouro e intimou-lhe a fazer a letra. Uma semana depois, estava pronta <em><strong>Lapinha<\/strong><\/em>, que lhe rendeu o primeiro lugar na 1\u00aa Bienal do Samba e os ci\u00fames de <span style=\"color: #ff00ff\"><strong>Vinicius de Moraes <\/strong><\/span>que se sentiu tra\u00eddo por Baden. Ainda assim, a parceria rendeu, entre outras, <em><strong>Cai dentro<\/strong><\/em>, <em><strong>Vou deitar e rolar<\/strong><\/em>,<strong> <em>Falei e disse<\/em><\/strong> e <em><strong>Aviso aos navegantes<\/strong><\/em>, definidos pelo sambista <span style=\"color: #ff99cc\"><strong>Jo\u00e3o Nogueira<\/strong><\/span>, como \u201csamba de esculachar mulher que larga o homem\u201d.<\/p>\n<p><a rel=\"attachment wp-att-730\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/cantando-historias\/paulo-cesar-pinheiro\/\"><\/a><\/p>\n<p><a rel=\"attachment wp-att-735\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/cantando-historias\/pcpinheiro-2\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-735\" title=\"PCPinheiro 2\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/05\/PCPinheiro-2-300x251.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"251\" \/><\/a>Apesar das inten\u00e7\u00f5es machistas, foi <span style=\"color: #003366\"><strong>Elis Regina <\/strong><\/span>quem deu voz a todas elas. Amiga \u00edntima e f\u00e3 do jeito brejeiro como Paulo usava as palavras, foi a Pimentinha tamb\u00e9m quem lhe deu os primeiros cutuc\u00f5es para que ele assumisse o microfone. \u201cQuando eu ia mostrar alguma coisa nova, ela gostava que eu cantasse. Dizia que eu tinha um jeito interessante de cantar, de dividir. Depois que a Elis falou isso eu tirei o grilo\u201d. O incentivo deu certo e, mesmo ainda sem se considerar um cantor, ele gravou mais dez discos e prepara para lan\u00e7ar mais um, com cantos de capoeira.<\/p>\n<p>Em <em><strong><span style=\"color: #ff0000\">Hist\u00f3rias das minhas can\u00e7\u00f5es<\/span><\/strong><\/em>, Paulo C\u00e9sar mistura casos engra\u00e7ados com assuntos s\u00e9rios, como seus entraves durante a ditadura. \u201cEu vivia censurado, tanto no Rio quanto em Bras\u00edlia. Fui tanto a Bras\u00edlia pra tentar passar m\u00fasica que hoje eu n\u00e3o gosto de ir l\u00e1 visitar. Ficou uma impress\u00e3o horr\u00edvel\u201d. Certa vez, sabendo que os censores faziam vista grossa para alguns compositores, colocou a letra de <em><strong>Pesadelo<\/strong><\/em> junto com as do novo disco de <span style=\"color: #003300\"><strong>Aguinaldo Tim\u00f3teo<\/strong><\/span>, para conseguir a libera\u00e7\u00e3o. Aguinaldo nunca soube, mas o plano deu certo e os versos \u201cVoc\u00ea corta um verso, eu escrevo outro\/ Voc\u00ea me prende vivo, eu escapo morto\u201d foram gravados pelo <strong><span style=\"color: #993300\">MPB-4<\/span><\/strong>.<\/p>\n<p>Entre hist\u00f3rias de alegria, tristeza, amores mal resolvidos e homenagens, <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" title=\"Paulo Cesar Pinheiro\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2010\/05\/Paulo-Cesar-Pinheiro-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><span style=\"color: #ffff00\"><strong>Paulo C\u00e9sar Pinheiro <\/strong><\/span>segue compondo e estendendo sua lista de parceiros. Avesso a computador, celular, email e outras maravilhas contempor\u00e2neas, \u00e9 no escrit\u00f3rio da sua casa, no bairro carioca das Laranjeiras, que ele continua buscando novos companheiros. \u201cTo fazendo m\u00fasica, agora, com os filhos dos meus antigos parceiros <strong><span style=\"color: #008000\">Jo\u00e3o Nogueira<\/span><\/strong>, <strong><span style=\"color: #00ff00\">Baden Powell<\/span><\/strong>, <strong><span style=\"color: #cc99ff\">Danilo Caymmi<\/span><\/strong>. Meu parceiro mais novo tem 14 anos. \u00c9 o filho do <strong><span style=\"color: #800000\">Maur\u00edcio Carrilho<\/span><\/strong>, o <strong><span style=\"color: #99ccff\">Joaquim Carrilho<\/span><\/strong>. Fiquei emocionado por que eu comecei a compor nessa idade. Tamb\u00e9m componho com o meu filho <strong><span style=\"color: #808080\">Juli\u00e3o Rabello<\/span><\/strong>\u201d, enumera. Com mais de mil m\u00fasicas gravadas e outras mil in\u00e9ditas, faltou estar ao lado de algu\u00e9m? \u201cOlha, fui parceiro do Pixinguinha. Estive ao lado dos melhores. Atravessei o s\u00e9culo XX compondo com todas as gera\u00e7\u00f5es. Eu num sou pouca merda n\u00e3o\u201d. A constata\u00e7\u00e3o inusitada foi s\u00f3 pra deixar claro que ele ainda tem f\u00f4lego para muitos anos de m\u00fasica. Adiantando o desejo de lan\u00e7ar um segundo volume para <strong><span style=\"color: #ff0000\">Hist\u00f3rias das minhas can\u00e7\u00f5es<\/span><\/strong>, Paulo C\u00e9sar continua com papel e caneta anotando o que lhe vem \u00e0 mem\u00f3ria. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um relato de como nasceram as can\u00e7\u00f5es. \u00c9 um documento de escritor. Quando forem falar de mim, n\u00e3o precisa ouvir de outras pessoas. At\u00e9 onde eu lembrar, eu vou escrevendo\u201d.<\/p>\n<p><strong>E mais:<\/strong><\/p>\n<p>&gt; Um nome fundamental na vida de Paulo C\u00e9sar Pinheiro foi a cantora <strong><span style=\"color: #ffcc00\">Clara Nunes<\/span><\/strong>, com quem foi casado por oito anos. Foi vendo o \u201ccantinho\u201d onde ela guardava os santos e orix\u00e1s, que ele comp\u00f4s <em><strong>Portela na Avenida<\/strong><\/em>. Com a morte da sambista, em 1983, ele comp\u00f4s, em sua homenagem, a can\u00e7\u00e3o <em>Um ser de luz<\/em>.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ogDBDEIKKdc&amp;feature=related[\/youtube]\n<p>&gt; Ainda um adepto da fita cassete, Paulo C\u00e9sar Pinheiro mant\u00e9m um grande acervo de grava\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, inclusive de reuni\u00f5es de amigos onde sempre tinha muita m\u00fasica. A cole\u00e7\u00e3o, que ele n\u00e3o tem id\u00e9ia do tamanho, inclui gente do quilate de <span style=\"color: #ff9900\"><strong>Ismael Silva <\/strong><\/span>(14 in\u00e9ditas, segundo suas contas), <strong><span style=\"color: #666699\">Sinval Silva<\/span><\/strong>, <strong><span style=\"color: #993366\">Cartola<\/span><\/strong> e <span style=\"color: #008080\"><strong>Nelson Cavaquinho<\/strong><\/span>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um certo dia, aos 14 anos, Paulo C\u00e9sar Pinheiro se viu dividido entre o insistente convite dos amigos para o jogo de bila e a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-728","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=728"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}