{"id":8745,"date":"2012-08-22T12:03:39","date_gmt":"2012-08-22T15:03:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=8745"},"modified":"2012-08-22T12:03:39","modified_gmt":"2012-08-22T15:03:39","slug":"um-album-que-ja-nasceu-classico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2012\/08\/22\/um-album-que-ja-nasceu-classico\/","title":{"rendered":"Um \u00e1lbum que j\u00e1 nasceu cl\u00e1ssico"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Aflaudisio Dantas (<\/strong><strong>aflaudisiodantas@gmail.com<\/strong>)<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/um-album-que-ja-nasceu-classico\/cover-2\/\" rel=\"attachment wp-att-8748\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-8748\" title=\"cover\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/08\/cover-550x550.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"524\" \/><\/a>O \u00e1lbum rec\u00e9m-lan\u00e7ado pelo <strong><span style=\"color: #0000ff\">Rush<\/span><\/strong>, <strong><span style=\"color: #ff0000\">Clockwork Angels<\/span> <\/strong>j\u00e1 pode ser colocado no mesmo rol de <strong>Caress of Steel <\/strong>(1975), <strong>2112 <\/strong>(1976) e <strong>Moving Pictures <\/strong>(1981). N\u00e3o \u00e9 mera ret\u00f3rica e o simples fato do trio canadense ter conseguido sintetizar quarenta e quatro anos de sua trajet\u00f3ria num \u00fanico disco, j\u00e1 \u00e9 suficiente para comprovar isso. Ainda bem que esse n\u00e3o \u00e9 o trabalho de despedida da banda, mas se fosse, eles teriam fechado com chave de ouro.<\/p>\n<p>Muitos que escreveram sobre <span style=\"color: #ff0000\"><strong>ClockWork Angels<\/strong><\/span>, como Jo\u00e3o Carvalho, que publicou cr\u00edtica no site G1, vem tratando o \u00e1lbum como uma obra conceitual. N\u00e3o \u00e9 bem assim. Est\u00e3o confundindo \u00e1lbum conceitual com \u00f3pera rock. O \u00e1lbum conceitual como o nome sugere, gira em torno de um conceito. Um tema que ser\u00e1 abordado durante toda a sua execu\u00e7\u00e3o. Uma \u00f3pera rock tamb\u00e9m versa sobre um ou mais temas. Entretanto, segue um enredo. H\u00e1 uma hist\u00f3ria a ser contada com in\u00edcio, meio e fim. Na obra conceitual as faixas giram em torno do mesmo tema, sem que necessariamente haja uma liga\u00e7\u00e3o ou uma sequ\u00eancia l\u00f3gica entre elas. Na \u00f3pera rock, via de regra, ocorre o contr\u00e1rio. \u00c9 importante lembrar que os estilos n\u00e3o s\u00e3o auto-excludentes, talvez por isso haja tanta dificuldade em diferenci\u00e1-los.<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o not\u00f3rio que <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Clockwork Angels<\/strong><\/span> \u00e9 uma \u00f3pera rock que o escritor Kevin J. Anderson escrever\u00e1 um romance baseando-se na hist\u00f3ria contada no \u00e1lbum. Ainda n\u00e3o h\u00e1 data prevista para o lan\u00e7amento do livro. Em 1984, o autor escreveu um outro romance,<strong> Resurrection, Inc,<\/strong> baseado em outra obra do <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Rush<\/strong><\/span>, o disco <strong>Grace Under Pressure <\/strong>(1984).<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Clockwork Angels<\/strong><\/span> se mostra uma odisseia vivida por um personagem criado por Neal Peart, que mais uma vez comprova o grande letrista que \u00e9. <strong><em>Caravan<\/em><\/strong>, faixa que abre o disco situa o ouvinte no ambiente da hist\u00f3ria: \u201cEm um mundo iluminado apenas pelo fogo, uma longa s\u00e9rie de labaredas sob estrelas penetrantes\u201d. J\u00e1 neste in\u00edcio ficam evidentes as marcas de Neal Peart como compositor. Um mundo dist\u00f3pico onde um personagem se aventura em busca de respostas para seus conflitos. Somos convidados a desbravar esse mundo e buscar respostas junto com o protagonista: \u201cEm uma estrada iluminada apenas pelo fogo, indo para onde eu quero, em vez de onde deveria, espio as sombras que passam\u201d. Essa can\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 in\u00e9dita, pois antes do \u00e1lbum chegar ao p\u00fablico, <strong><em>Caravan <\/em><\/strong>j\u00e1 havia sido lan\u00e7ada na forma de single.<\/p>\n<p><strong><em>BU2B<\/em><\/strong> vem na sequ\u00eancia, outra can\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada antes do \u00e1lbum. \u00c9 aqui que os questionamentos se aprofundam de forma contundente: \u201cFui educado para acreditar, O universo tem um plano, n\u00f3s somos apenas humanos. N\u00e3o \u00e9 nosso dever entender\u201d. Vemos uma cr\u00edtica ao teor fatalista presente em v\u00e1rias religi\u00f5es. N\u00e3o questione, apenas obede\u00e7a, pois Deus prover\u00e1 tudo para voc\u00ea. A melodia tem for\u00e7a. Uma guitarra pesada acompanhada de um baixo cadenciado, forma com a bateria pulsante de Peart os pilares para a poesia mostrar sua desenvoltura.<\/p>\n<p>A faixa que d\u00e1 nome ao \u00e1lbum continua no mesmo tema da can\u00e7\u00e3o anterior. Traz um ingrediente a mais que s\u00e3o os <em>Clockwork Anjels <\/em>(anjos mec\u00e2nicos). Eles s\u00e3o uma esp\u00e9cie de catalisadores de todo o conhecimento que o homem almeja. A faixa tem todos os ingredientes da fase progressiva do <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Rush<\/strong><\/span>. Com viradas repentinas e muito lirismo. <strong><em>The Anarchist<\/em><\/strong> come\u00e7a com uma melodia pegajosa e um trabalho quase perfeito de Alex Lifeson na Guitarra. Aqui que nos deparamos com aquilo que pode ser um esbo\u00e7o do mundo que o protagonista tanto busca. H\u00e1 um clamor por justi\u00e7a ou vingan\u00e7a contra as iniquidades do mundo: \u201cSinto falta de seus sorrisos e seus diamantes; me falta a sua felicidade e amor, invejo-os por todas essas coisas, eu nunca tive meu quinh\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>Halo Effect<\/em><\/strong> conta os primeiros revezes do personagem. Aqui ele se depara com as frustra\u00e7\u00f5es causadas pela jornada que ele mesmo come\u00e7ou: \u201cO que eu fiz? Tolo que eu era para lucrar com os erros da juventude? \u00c9 vergonhoso para dizer\u201d. A m\u00fasica \u00e9 certamente uma das mais leves e reflexivas do \u00e1lbum. Assemelhando-se bastante com a fase posterior ao \u00e1lbum <strong>Grace Under Pressure<\/strong> (1984), na segunda metade dos anos 1980. <strong><em>Seven Cities of Gold<\/em><\/strong> traz um pouco das diversas nuances da banda. A levada da fase mais hard rock de 1973 a 1976, passando pelo experimentalismo tecnol\u00f3gico da fase oitentista\u00a0 e o som mais pesado e cru de <strong>Vapor Trails <\/strong>(2002) e <strong>Snake &amp; Arrows <\/strong>(2007). \u00c9 uma forte candidata a <em>hit<\/em>, daquelas que ser\u00e3o executadas exaustivamente mundo afora, nas turn\u00eas.<\/p>\n<p>Em <em><strong>The Wreckers<\/strong>, <\/em>Lifeson e Lee resolvem brincar. Trocam de posi\u00e7\u00e3o, Lifeson assume o baixo e Geddy Lee, a guitarra. O resultado \u00e9 uma m\u00fasica mais simples destoando um pouco do restante da obra. <strong><em>Headlong Flight<\/em> <\/strong>\u00e9 talvez a m\u00fasica mais emblem\u00e1tica. A hist\u00f3ria j\u00e1 se encaminha para o seu desfecho, onde o protagonista analisa o saldo de sua aventura e se mostra satisfeito com o que vivera at\u00e9 ent\u00e3o. A fustra\u00e7\u00e3o se faz presente, trazendo consigo uma ponta de resigna\u00e7\u00e3o. Por que apesar de buscar respostas e de t\u00ea-las encontrado, de certa forma, n\u00e3o eram bem as respostas que ele queria. A m\u00fasica \u00e9 uma \u2018bordoada na orelha\u2019. O baixo de Geddy Lee dita o ritmo com muitas varia\u00e7\u00f5es sendo acompanhado por uma base s\u00f3lida da guitarra. O desempenho de Neal Peart supera as expectativas provando que a idade n\u00e3o tirou o vigor de suas baquetas.<\/p>\n<p><strong><em>Wish Them Hell<\/em> <\/strong>prepara o campo para o final da hist\u00f3ria. H\u00e1 serenidade nos versos e alguma viol\u00eancia na m\u00fasica como se houvesse conflitos dentro do personagem que est\u00e3o sendo dirimidos. <em><strong>The Garde<\/strong><strong>n<\/strong><\/em> \u00e9 o grand finale. Geddy Lee empresta toda a sensibilidade de sua voz para mostrar que tanto quanto qualquer um de n\u00f3s, o personagem buscava aceita\u00e7\u00e3o e autoconhecimento. Amor e respeito a si pr\u00f3prio e aos outros s\u00e3o os \u00fanicos tesouros que se pode buscar em tal empreitada, e como \u00e9 dif\u00edcil consegui-los num mundo t\u00e3o desigual e ego\u00edsta. A can\u00e7\u00e3o \u00e9 leve e toda a tempestade presente em v\u00e1rias faixas pesad\u00edssimas ao longo da hist\u00f3ria j\u00e1 n\u00e3o tem lugar. A calmaria chegou e se fez presente da melhor maneira poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O<span style=\"color: #ff0000\"><strong> Rush<\/strong><\/span> mostra mais uma vez que n\u00e3o \u00e9 preciso fugir de suas ra\u00edzes e convic\u00e7\u00f5es para sair do lugar-comum. Conseguiu ser original e construir um dos melhores trabalhos de sua carreira reafirmando justamente tudo o que seus cr\u00edticos rotulam de velho e ultrapassado. \u00c9 um \u00e1lbum que j\u00e1 nasceu sendo cl\u00e1ssico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Aflaudisio Dantas (aflaudisiodantas@gmail.com) O \u00e1lbum rec\u00e9m-lan\u00e7ado pelo Rush, Clockwork Angels j\u00e1 pode ser colocado no mesmo rol de Caress of Steel (1975), 2112 (1976)&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,90,167,343,1],"tags":[],"class_list":["post-8745","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-albuns","category-criticas","category-internacional","category-rock-and-roll","category-sem-categoria"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8745"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8745\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}