{"id":8852,"date":"2012-09-04T13:10:29","date_gmt":"2012-09-04T16:10:29","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=8852"},"modified":"2012-09-04T13:10:29","modified_gmt":"2012-09-04T16:10:29","slug":"o-microbio-descomprometido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2012\/09\/04\/o-microbio-descomprometido\/","title":{"rendered":"O micr\u00f3bio descomprometido"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #888888\"><strong>Por Danilo Castro (danilocastro@opovo.com.br)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/o-microbio-descomprometido\/adriana4\/\" rel=\"attachment wp-att-8855\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-8855\" title=\"adriana4\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/09\/adriana4.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"630\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/09\/adriana4.jpg 600w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/09\/adriana4-300x450.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/36\/2012\/09\/adriana4-120x180.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00a0O teatro da Caixa Cultural parece ter sido feito na medida certa para o show minimalista de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Adriana Calcanhotto<\/strong><\/span>, que nos apresentou dias 30 e 31 o seu <span style=\"color: #0000ff\"><strong>Micr\u00f3bio do Samba<\/strong><\/span>, gerido nos \u00faltimos quatro anos. O espet\u00e1culo, que j\u00e1 havia passado por 25 cidades em 11 pa\u00edses, finalmente chegou a Fortaleza. O momento de inaugura\u00e7\u00e3o do teatro, a qualidade da apresenta\u00e7\u00e3o e o pre\u00e7o acess\u00edvel criam boas expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00f3ximas atra\u00e7\u00f5es pensadas para o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O show come\u00e7ou com apresenta\u00e7\u00e3o surpresa da jovem cantora cearense <span style=\"color: #808000\"><strong>Laura Elion<\/strong><\/span>, acompanhada pela violonista Irene Egler. Ainda que a apresenta\u00e7\u00e3o tenha sido introvertida, com poucas m\u00fasicas &#8211; todas autorais \u2013 a abertura nos serviu de preparo. Nossos \u00e2nimos foram sendo amortecidos para a chegada de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Adriana<\/strong><\/span>. N\u00e3o demorou muito para o teatro se encher de palmas, infectado por esse micr\u00f3bio sambista e descomprometido que <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Adriana<\/strong><\/span> nos trouxe. E ela, literalmente, se diverte.<\/p>\n<p>A cantora construiu um espet\u00e1culo para dilatarmos os ouvidos e percebermos as nuances dos sons ousados que prop\u00f5e. Mas sua obra, definitivamente, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para ouvir. Tanto que ela nem se intimida ao se lan\u00e7ar em interpreta\u00e7\u00f5es, por vezes caricatas, durante suas can\u00e7\u00f5es \u2013 arriscando passos de samba, que come\u00e7am meio t\u00edmidos e aqui-acol\u00e1 se tornam p\u00e2ndegos. O som de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Adriana<\/strong><\/span>, acompanhada pelos m\u00fasicos Alberto Continentino (violoncelo), Domenico Lancellotti (percuss\u00e3o) e Pedro S\u00e1 (viol\u00e3o), torna-se muito presente, parecendo at\u00e9 que podemos v\u00ea-lo em meio aos objetos inusitadamente instrumentais.<\/p>\n<p>\u00a0A cantora utiliza caixas de f\u00f3sforos, panela, prato, x\u00edcaras, talheres, secador de cabelos, megafone, radinho de pilha, al\u00e9m do sampler (aparelho digital que reproduz v\u00e1rios sons) para preencher de sutilezas sambas autorais como <em><strong>T\u00e3o chic<\/strong><\/em>, <em><strong>Deixa Gueixa<\/strong><\/em> e <em><strong>Mais perfumado<\/strong><\/em>. Nisso, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Adriana<\/strong><\/span> consegue romper com a seriedade que atribu\u00edmos ao seu trabalho pela legitima\u00e7\u00e3o que possui em meio aos mestres da m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>Adriana<\/strong><\/span> se entrega, sem medo do rid\u00edculo, \u00e0s brincadeiras, \u00e0s partituras corporais, aos goles de pinga. Ela brinca com a alma descompromissada do sambista, com a \u00e1urea doce, esperta e embriagada do malandro. Assim, <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Adriana<\/strong><\/span> vai se mostrando genuinamente brasileira, como uma cantora que n\u00e3o apenas canta inconteste, mas vive toda a intensidade da experi\u00eancia que o momento cria.<\/p>\n<p>S\u00e3o apenas 190 lugares, mas com poltronas confort\u00e1veis e uma ac\u00fastica impec\u00e1vel. O teatro foi pensado para se ver e ouvir bem. A plateia e a coberta dispostas em declive favorecem a cena e a reverbera\u00e7\u00e3o do som. O palco possui prosc\u00eanio avan\u00e7ado, tr\u00eas coxias e profundidade. Cabe \u00e0 Caixa gerir o espa\u00e7o como a estrutura merece, porque depois do refinamento descontra\u00eddo de <span style=\"color: #ff0000\"><strong>Adriana<\/strong><\/span>, que finaliza seu show encantadoramente banhada de purpurina, estaremos todos ainda mais exigentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Danilo Castro (danilocastro@opovo.com.br) \u00a0O teatro da Caixa Cultural parece ter sido feito na medida certa para o show minimalista de Adriana Calcanhotto, que nos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,126,274,283,1,361],"tags":[428],"class_list":["post-8852","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-criticas","category-em-fortaleza","category-mpb","category-nacional","category-sem-categoria","category-shows","tag-adriana-calcanhotto"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8852"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8852\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}