{"id":8948,"date":"2012-09-18T11:00:22","date_gmt":"2012-09-18T14:00:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?p=8948"},"modified":"2012-09-18T11:00:22","modified_gmt":"2012-09-18T14:00:22","slug":"uma-breve-historia-do-disco-no-ceara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/2012\/09\/18\/uma-breve-historia-do-disco-no-ceara\/","title":{"rendered":"Uma breve hist\u00f3ria do disco no Cear\u00e1"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8949\" style=\"width: 534px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/?attachment_id=8949\" rel=\"attachment wp-att-8949\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8949\" class=\"size-large wp-image-8949\" title=\"DSC00251\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/discografia\/wp-content\/uploads\/sites\/22\/2012\/09\/DSC00251-550x412.jpg\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"392\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8949\" class=\"wp-caption-text\">Grupo cearense Quantro Ases e Um Coringa<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: center\">Nunca houve uma gravadora no Cear\u00e1. O mais perto que se chegou disso foi no final da d\u00e9cada de 1950, quando foi inaugurada na Rua Bar\u00e3o do Rio Branco, 829, o escrit\u00f3rio da Gravadora Iparana, que estreou com um compacto duplo que trazia a toada <em><strong>Tudo se acaba<\/strong><\/em> (M\u00e1rio Filho) e o samba-can\u00e7\u00e3o <em><strong>T\u00e3o s\u00f3<\/strong> <\/em>(Milton Santos\/ Olavo Barros), ambas interpretadas por Joran Coelho. Aben\u00e7oada pelo padre Tito Guedes, a iniciativa foi fruto do sonho de Milton Santos, que registrava as m\u00fasicas no est\u00fadio da Cear\u00e1 R\u00e1dio Clube e levava a matriz de acetato para prensar em Recife, na gravadora Rozenblit.<\/p>\n<p>Ou seja, a necessidade de viajar para se ter um disco gravado s\u00f3 acabou com a chegada dos programas de computador que transformaram boa parte dos quartos de dormir em novas gravadoras. At\u00e9 antes disso, s\u00f3 mesmo se deslocando para outros estados, principalmente Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. Foi assim com Raimundo Ramos de Paula Filho (1871 \u2013 1916), o Ramos Cotoco (apelido dado por que lhe faltava um bra\u00e7o), primeiro cearense a sair do Estado para gravar um disco. O feito aconteceu em 1908 e resultou em oito can\u00e7\u00f5es. Antes dele, a maior parte da produ\u00e7\u00e3o alencarina da \u00e9poca ficou registrada apenas em partituras.<\/p>\n<p>Depois de Ramos Cotoco, outros tamb\u00e9m se aventuraram a correr atr\u00e1s de ter suas m\u00fasicas em um bolach\u00e3o de cera. Caso de Mozart Ribeiro que registrou <em><strong>Miss Cear\u00e1<\/strong><\/em>, uma parceria com o pernambucano Pierre Luz, radicado em Fortaleza. A valsa era uma homenagem a Maria Nazareth Silveira, vencedora do concurso de beleza com mais de 10 mil votos. A can\u00e7\u00e3o foi registrada num 78 rota\u00e7\u00f5es por minuto (RPM) pelo cantor paulista Paraguassu (1874 \u2013 1976). S\u00f3 por curiosidade: Nazareth era irm\u00e3 do jogador Luc\u00eddio, do Cear\u00e1.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=UOHpIlBWrLc[\/youtube]\n<p>Nos anos 1940, foi a vez de nomes referenciais da m\u00fasica cearense come\u00e7arem a compor juntos e gravar. Falo de Lauro Maia (1912 \u2013 1950) e do m\u00fasico Z\u00e9 Menezes. No caso do primeiro, j\u00e1 morando no Rio de Janeiro nessa d\u00e9cada, ele teve composi\u00e7\u00f5es interpretadas pelo grupo cearense Quatro ases e Um coringa. Apesar de tamb\u00e9m ter se formado na Cidade Maravilhosa, o quinteto tinha os irm\u00e3os Evenor, Jos\u00e9 e Perm\u00ednio Pontes de Medeiros, mais Andr\u00e9 Batista e Esdras Guimar\u00e3es. Todos cearenses. Antes conhecidos como Conjunto Cearense, Dem\u00f3crito Rocha sugeriu que eles passassem a adotar o nome de Quatro ases e Um mel\u00e9, depois modificado para Quatro ases e Um coringa, agora por sugest\u00e3o de Jo\u00e3o Dummar, quando soube que o grupo iria se apresentar na R\u00e1dio Mayrink Veiga. Mel\u00e9 n\u00e3o era uma express\u00e3o conhecida no Sudeste.<\/p>\n<p>Passando por v\u00e1rias forma\u00e7\u00f5es, o grupo Quatro ases e Um coringa teve uma vida longa de carreira e grava\u00e7\u00f5es. A primeira delas pela Odeon, uma das mais importantes gravadoras da \u00e9poca, num compacto duplo de 1941 que trazia <em><strong>Os dois errados<\/strong><\/em> (Estanislau Silva\/ \u00c1lvaro Nunes\/ Nelson Trigueiro) e o samba <em><strong>Dora meu amor<\/strong><\/em> (Constantino Silva\/ Andr\u00e9 Vieira). Enquanto isso, ainda no Rio de Janeiro, Lauro Maia come\u00e7ou a fazer m\u00fasica com o tamb\u00e9m cearense Humberto Teixeira (1915 \u2013 1979), que rendeu, entre outras, <em><strong>Bati na porta,<\/strong> <strong>Seu erro n\u00e3o tem perd\u00e3o<\/strong><\/em> e <em><strong>Trem \u00f4 l\u00e1 l\u00e1<\/strong><\/em>.<\/p>\n<p>Uma d\u00e9cada depois, foi a vez do bai\u00e3o tomar conta do Brasil. Mesmo que seu principal porta voz tenha sido um pernambucano, o saudoso Luiz Gonzaga (1912 \u2013 1989), as letras de Humberto Teixeira tiveram papel fundamental nessa hist\u00f3ria. Lan\u00e7ado em 1946, tamb\u00e9m pelo Quatro ases e Um coringa, a m\u00fasica-bandeira <em><strong>Bai\u00e3o<\/strong><\/em> vinha com os versos que diziam \u201cEu j\u00e1 dancei balanc\u00ea, xamego, samba e xer\u00e9m. Mas o bai\u00e3o tem um qu\u00ea que as outras dan\u00e7as n\u00e3o t\u00eam\u201d. Tr\u00eas anos depois, com o velho Lua deu a ela uma grava\u00e7\u00e3o definitiva.<\/p>\n<p>Tempos depois uma nova gera\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a surgiu a partir de uma fus\u00e3o ampla de estilos, do rock ao maracatu. Sem limites po\u00e9ticos e est\u00e9ticos, foi a vez de Fagner, Ednardo, Belchior, Rodger Rog\u00e9rio, Teti e outros mostrarem seu som. Lan\u00e7ando trabalhos emblem\u00e1ticos como <strong>Manera Fru Fru Manera<\/strong> e <strong>Meu corpo minha embalagem todo gasto na viagem<\/strong>, a gera\u00e7\u00e3o conhecida como Pessoal do Cear\u00e1 ainda precisava do Sudeste para lan\u00e7ar seus discos. O mesmo aconteceu com o coletivo <strong>Massafeira<\/strong>, de 1980, que levou um time de cerca de 40 artistas cearenses para gravar no est\u00fadio carioca da CBS.<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=VgoqrV6FKGY[\/youtube]\n<p>Com a facilidade da tecnologia e a abertura de est\u00fadios em Fortaleza, uma nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos pode gravar e lan\u00e7ar seus discos sem precisar se deslocar tanto. \u00c9 o caso de Ricardo Black com <strong>Samba do metr\u00f4<\/strong> amor, Paula Tesser e Valdo Aderaldo com <strong>Retratos do vento<\/strong>, e ainda Isaac C\u00e2ndido, David Duarte, K\u00e1tia Freitas e muitos outros. Em alguns casos, o trabalho precisou ser finalizado (mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o) fora daqui. No entanto, a cada ano, mais qualidade os equipamentos locais v\u00e3o ganhando, e resultando em discos cada vez mais afinados com seu tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca houve uma gravadora no Cear\u00e1. 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